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22/10/2021

Premonições por Histéricos e Epilépticos


Como explicar as premonições e as profecias feitas, não por pessoas eminentes, geniais ou santas, mas por enfermos, às vezes em sonhos, quando a nossa ideação é, imprecisa e aberrante, e quando se desintegra nossa personalidade psíquica?


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Também aqui os casos chegaram de toda à parte, sem que eu os procurasse, e até quando os rejeitava. Certo Castagneri, em Setembro de 1886, escrevia a Di Vesme que, a 8 daquele mês, uma serva, Bianchi-Cappelli, sonhara que sua mãe, vendedora de frutas em Cesena, fora roubada em 300 liras, e que seu irmão enfermara. Ficou profundamente preocupada, e, no dia 11 recebeu carta informando-a de que, precisamente no dia subseqüente ao do sonho, se verificaram ambos os acontecimentos, o que Di Vesme pôde verificar com muitas testemunhas.

Tive em tratamento o distinto Doutor C. , um dos nossos jovens doutos mais culto e igualmente mais neurótico, por verdadeiras formas histéricas, epilépticas, coincidentes com a puberdade, não poucos característicos degenerativos, e não ligeira carga hereditária.

Ele próprio se assinalara, havia tempo, faculdades premonitórias, e assim, por exemplo, apesar de um amigo lhe haver telegrafado que iria procurá-lo, não se moveu ao encontro, sentindo que não chegaria; também anunciou a genitora o recebimento de uma carta de pessoa que jamais vira, mas descreveu-a minuciosamente.

Porém, o fato mais importante, a nosso ver, porque mais documentado, foi ter, a 4 de Fevereiro de 1894. predito o incêndio da Exposição de Como, ocorrido a 6 de Julho, e com tal segurança que induziu a família (à qual já dera prova do acerto de suas previsões) a vender todas as ações da Società Milanese de seguros contra incêndio, que representavam 149.000 liras, realizando tal venda vantajosamente.

E importante assinalar que, aproximando-se a data do incêndio, ele não sentia a certeza, em estado consciente, mas, automaticamente (como recordam bem os da família), reiterava o prenúncio, especialmente na manhã do dia do incêndio, – confirmando-se, pelo menos com relação ao estado consciente, o que acerca da profecia das sombras recorda Dante, no Canto X da Obra Divina Comédia – Inferno – a propósito de Farinata, que lhe havia predito o exílio, enquanto outros Espíritos, daquele círculo, parecia ignorarem completamente toda a atualidade:


E par che voi veggiatte, se ben odo, Dinanzi quele chel I tenet seco adduce, E nel presente tunete altro modo.

(Se bem escuto, parece que antecipadamente vedes o que consigo o tempo traz,
mas o mesmo não sucede com relação ao presente.)


O pressentimento (escrevia-me ele próprio) me veio instantâneo, e ignoro como pude adquirir tão intensa convicção, de vez que não influiu no meu presságio nenhuma consideração de caráter técnico. E eu, então, não poderia ter visto mais do que os andaimes da Exposição, cujo edifício estava pouco adiantado. Não saberei dizer se, antes daquela data, existia em mim um vago pressentimento, mas não tive ideia alguma definida e consciente, antes de divisar a insígnia da Sociedade de Seguros contra incêndios.

Recordo perfeitamente que, naquele momento, não tive alucinação alguma, nem visual, nem térmica ou semelhante; em mim, o fatalismo daquele sinistro tinha de modo fulminante adquirido uma evidência indiscutível, qual a de uma verdade, por assim dizer intuitiva. Precisamente a surpresa deste inexplicável estado de ânimo me persuadiu a agir de conformidade com o presságio, tanto mais que, a despeito da minha convicção antiespiritista, tive comprovado outras vezes a veracidade dos meus pressentimentos.

Acrescentarei que as ações da Companhia de Milão constituíam títulos de crédito altíssimo, e que a venda foi facílima, porque tal emprego de dinheiro era, nessa época, muito mais remunerativo do que a juros. Por isso, vendidas as ações, não mais pensei nisso, e, no mês precedente ao do incêndio, tal ideia havia aparentemente me abandonado. Mas, os que comigo conviviam (e estão prontos a dar testemunho) asseguram que, quando estava distraído, eu repetia, em dialeto Comasco, que tudo devia queimar-se e que, na manhã do incêndio, pronunciei muitas vezes tais palavras.

Era ele filho de primos-irmãos, neuróticos; tinha uma irmã epiléptica; crânio enorme (1.761 centímetros cúbicos de capacidade), rosto assimétrico, cabelo grisalho aos 12 anos de idade, enegrecido depois; orelhas móveis, campo visual reduzido pelo vermelho e pelo azul, com escotomas; possuía a estranha faculdade de dilatar a pupila a seu arbítrio, e teve, até aos 19 anos de idade, acessos epilépticos, histéricos, com alucinações.

O «Journal of the Society for Psychical Research», de Março de 1897, narra o caso de uma senhora que veraneava em Trinity, com a filha de 10 anos de idade. Certo dia, em que a menina estava brincando em um campinho de sua predileção, próximo do mar e da via férrea, ouviu uma voz interior que lhe mandava recolher a pequena, sob pena de ocorrer algo espantoso.

Chamou imediatamente a aia para que fosse buscar a criança. Meia hora depois, ali descarrilava um trem, que se foi projetar precisamente no local onde a menina se entretinha a brincar. Pereceram três dos quatro ocupantes da locomotiva.

Tão freqüentes são estes fenômenos premonitórios ou proféticos, que se podem encontrar até na História contemporânea, e também naquela do «Brigantaggio in Itália», De Witt.

Na manhã de 4 de Novembro, o Tenente Perrino ergueu-se do leito, às 5 horas, e à hospedeira, que lhe preparava o almoço, disse estar sem apetite, pela influência de mau sonho que tivera durante a noite. Perrino era homem de uns 30 anos de idade, moreno, demorado de movimentos, inclinado às comodidades e habitualmente melancólico. Na noite de 3 de Novembro, estava de excelente humor, e nada permitia antever a desgraça que se lhe avizinhava.

Apenas se recolheu ao leito, dormiu tranqüilo sono, mas, no decurso deste, lhe pareceu ver-se amarrado a uma árvore, junto com a sua ordenança, e assim fuzilado por salteadores. Os hóspedes e o Capitão Rota muito riram com a narrativa.

No dia seguinte, com meia companhia e dois carabineiros, rumou à feitoria Melanico, quartel-general dos bandoleiros, para a rotineira perlustração diária.

Esses 42 soldados e seus oficiais deviam ser acrescidos ainda por uma companhia de guardas-nacionais, mas o Capitão De Matteis, sabendo que em torno do bosque de Grota regurgitavam feros salteadores, fez alto, a milha de distância, com os 150 guardas nacionais, e pediu ao capitão da tropa que fizesse outro tanto. Rota não aquiesceu, e, com a sua escassa bandeira, foi afrontar os elementos inimigos, numericamente dez vezes superiores.

Chegando a determinado ponto, descobriu, sobre um promontório, 4 homens montados a cavalo, sentinelas dos coligados bandos de salteadores que, em grande número, acampavam próximo, à retaguarda.

Para alcançar aquela elevação, o oficial ordenou aos comandados atravessarem um campo semeado e lamacento por efeito de chuva da véspera, caminho impróprio para a marcha dos soldados. Ele e os mais ágeis de sua tropa haviam percorrido largo espaço de campo, mas o Tenente Perrino e outros fracos andarilhos, ao contrário. permaneciam enlodados até aos joelhos, e, por isso, haviam ficado distanciados dos que seguiam o Capitão Rota, a cavalo.

Nesse momento, Perrino se detivera num pequeno espaço de terreno firme, situado no meio do campo e na qual havia 3 ou 4 carvalhos.

Todo o terreno, arado, era rodeado de colinas, das quais, pela sua elevação, se podia facilmente dominar aquele vale lodoso onde se encontrava a tropa.

De improviso, surgiram das colinas laterais 10 esquadrilhas de facínoras, a cavalo, compostas de 40 homens cada uma, e quase simultaneamente romperam fogo contra a dispersada tropa, aproximando-se ao mesmo tempo para detonar as armas, distanciando-se em seguida para ficarem fora de alcance de tiros e terem tempo para as recarregar novamente.

Mas, depois de prolongada e inútil resistência, foram todos, grupo após grupo, cercados, caçados, presos, vencidos e mortos. O primeiro grupo a cair em poder dos salteadores foi o do Tenente Perrino, e, efetivamente, ele e seu ordenança, capturados vivos e incólumes, amarrados a um dos carvalhos, foram fuzilados ao mesmo tempo. Realizar-se o sonho.

Histórico é o sonho graças ao qual Jacob, filho de Dante, pôde encontrar 13 cantos do poema de seu pai. Alighieri morreu em Ravena, na noite de 13 para 14 de Setembro de 1391. Os filhos do poeta trataram prontamente de reunir o «Poema Sacro», cujos manuscritos estavam dispersos, e a isso principalmente se dedicou Jacob. Fácil, porém, não foi à tarefa.

Refere Boccaccio, a respeito da recuperação dos 13 últimos cantos da «Divina Comédia», que Jacob e Pedro os procuraram por todos os remotos ângulos da casa, persuadindo-se depois de que «Deus não havia deixado Dante, no mundo, o suficiente para que pudesse compor o pouco que faltava da sua obra».

Estavam, aconselhados por. alguns amigos, decididos a suprir, quanto possível, a obra paterna, ainda que imperfeitamente, quando Jacob teve sonho verdadeiramente admirável: «viu o genitor, com alva vestimenta e rosto resplandecente de inusitada luz, caminhar ao seu encontro

Jacob aproveitou o azo e fez à sombra do pai várias perguntas, entre as quais a seguinte: « Se havia terminado sua obra antes de haver passado à vera vida, e, caso afirmativo, onde encontrar o que faltava, e não fora possível achar.» A isso lhe pareceu, por duas vezes, ouvir em resposta: «Sim, eu a terminei

E lhe pareceu também que, pegando-lhe na mão, o levava à habitação onde costumava dormir, quando vivo, e que, tocando em determinado sítio, lhe dizia: «Aqui está o que tanto haveis procurado.» E, ditas tais palavras, terminou a visão.

Jacob Alighieri, comovido ao mesmo tempo pela alegria e pelo espanto, ergueu-se, a despeito da avançada hora da noite, e, célere, pelas desertas ruas de Ravena, rumou à casa de Pier Giardini, notário que fora amigo intimo de Dante, e lhe comunicou a visão.

Por isso, ainda que faltasse muito para amanhecer, seguiram ambos para o local indicado, e ali encontraram uma esteira fixada na parede, e, ao levantá- la, viram uma portinhola, que ambos desconheciam e nem dela haviam tido notícia, achando então alguns manuscritos, todos embolorados pela ação da humidade e próximos da deterioração que ocorreria. Cuidadosamente limpos, foram lidos, verificando-se constituírem os 13 cantos tão procurados» (Boccaccio).

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