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26/11/2020

Uma entrevista com o Professor Robert Hare Michael E. Tymn


Esta entrevista com o Professor Robert Hare, um dos primeiros pesquisadores dos fenômenos psíquicos, é baseada em suas próprias palavras conforme escrito no seu livro publicado em 1855, Experimental Investigation of the Spirit Manifestations — Investigação Experimental das Manifestações dos Espíritos. Com exceção de algumas palavras iniciais em cada resposta, adicionadas para permitir o fluxo ou transição, as palavras são integralmente do livro. As perguntas foram adaptadas para atender as respostas.

O Autor de mais de 150 artigos em assuntos científicos, Professor Robert Hare, nasceu em 17 de Janeiro de 1781, e desencarnou em 16 de Maio de 1858. Era filho de um emigrante inglês, e foi um mundialmente renomado inventor além de um estimado Professor de Química na Universidade da Pennsylvania antes de se tornar um dos primeiros pesquisadores dos assuntos psíquicos. Somente John W. Edmonds, um Juíz da Suprema Corte dos Estados Unidos, precedeu Hare como um sério e dedicado pesquisador dos mesmos assuntos.

Hare inventou o maçarico de óxido de hidrogênio, uma espécie de maçarico de soldagem moderna, antes dos 20 anos de idade, e foi também a primeira pessoa a fundir lima, magnésia, irídio e platina. Em 1816, ele inventou o calorímetro, um tipo de bateria que produz calor. Isso o levou a invenção do deflagrador, qual era empregado em volatização e fusão de carbono.

Em 1818, Hare foi chamado para ocupar a cadeira e Filosofia Natural na Escola William and Mary e no mesmo ano foi apontado como Professor de Química no departamento de medicina da Universidade da Pennsylvania, aonde ele ficaria até sua aposentadoria em 1847. Ele recebeu o título de M.D (Master Degree) o que nos dias de hoje equivaleria a título de Mestrado, de Yale em 1806 e de Harvard em 1816. Em 1839, ele foi o primeiro a receber o Prêmio Rumford Award por sua invenção do maçarico de óxido de hidrogênio e as melhorias nos métodos galvânicos. Ele foi um membro da Academia America de Artes e Ciências, da Sociedade Filosófica Americana, e um membro honorário do Instituto Smithsoniano. Em adição as suas publicações frequentes sobre assuntos científicos, Hare também escreveu, usando o pseudônimo de Eldred Grayson, artigos sobre política, economia, e assuntos filosóficos. Em um artigo de 1810 intitulado Breve Visão da Política de Recursos dos Estados Unidos, Hare avançou na ideia de que Crédito é Dinheiro. Ele também frequentemente escrevia em oposição da escravização.

Hare começou investigando médiuns em 1853 depois de escrever uma carta para o Philadelphia Inquirer um Jornal local, denunciando a “loucura popular” sendo chamada de espiritualismo pela imprensa americana. Um senhor de nome Amasa Holcombe, então escreveu uma carta em resposta a Hare e sugeriu que ele investigasse antes de concluir precipitadamente. Hare concordou que isto era a melhor coisa a fazer. Sua conversão ao espiritualismo tomou lugar três meses após a sua primeira sessão com um médium, em seu livro ele detalha toda a sua investigação e a nova filosofia descoberta.

Inventor como ele era, Hare concebeu um aparato chamado Spiritoscope, para facilitar e acelerar a comunicação, pois o processo que ele havia observado era muito lento. O Spiritoscope era feito de um disco circular, as letras e o alfabeto ao redor da circunferência do disco e possuía pesos, polias e cabos anexados a mesa. O médium se sentava atrás da mesa em sequência para suprir a “força psíquica”, através do qual os Espíritos causavam as batidas na mesa, mas o médium não poderia ver o aparato, e não tinha ideia do que estava sendo soletrado pelos movimentos gerados a partir da mesa.

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Na imagem ao lado esquerdo, o Spiritoscope e ao lado direito, um método menos primitivo casualmente empregado à época.

Colocada à prova, a engenhoca funcionou e o primeiro Espírito a se comunicar foi o seu Pai Robert Senior Hare. Quando Hare continuava a duvidar veio a mensagem — “Oh, meu filho, escute a razão!” — na segunda sessão seu Pai também se comunicou, afirmando que sua mãe e sua irmã também estavam presentes, mas não o seu irmão. Informações muito pessoais foram fornecidas, e Hare estava ciente que o médium não poderia tê-las conhecido por investigação.

Professor Hare, o que levou sua conclusão de que as comunicações com os Espíritos não  é nada mais do que “loucura popular” ?

— Em comum com quase todas as pessoas educadas do século XIX, eu tinha sido criado “surdo” para qualquer testemunho que clamasse a assistência de causas sobrenaturais, tais como fantasmas, magia, bruxaria… Eu estava em um momento totalmente incrédulo para qualquer que fosse a causa do fenômeno — exceto ação muscular inconsciente pela parte das pessoas a quem o fenômeno estava associado, a inferência do Professor Faraday, tendia para a mesma conclusão, e eu, absolutamente sancionei.

Então o senhor nem mesmo considerou a hipótese dos espíritos?

— Como nenhuma alusão aos Espíritos como causa havia sido feita pelo Professor Faraday em carta que havia me enviado, eles não foram contemplados na minha visão sobre o assunto. Eu tinha sempre escutado a agencia espiritual atribuída como causa, mas tão grande era a minha descrença, que qualquer agencia não teria causado qualquer impressão na minha memória.

Seu livro sugere que o senhor fez uma completa inversão de opinião.

— É bem conhecido o dizer que “Há apenas um passo entre o sublime e o ridículo”… Eu sinceramente acredito que eu tenho me comunicado com os Espíritos de meus parentes, irmã, irmão e queridos amigos, e de uma certa maneira com os Espíritos do ilustre Washington e algumas outras sumidades do mundo dos espíritos, e que estou acometido, sob os seus auspícios, a ensinar a verdade e expor os erros. Se eu sou vítima de uma epidemia intelectual, minha constituição mental não se ajoelhou imediatamente ao miasma.

Que tipo de mediunidade o senhor testemunhou?

— Há dois modos no qual as manifestações espirituais são feitas, através da influência ou subagência do médium. Em um modo, eles empregam a língua para falar, os dedos para escrever ou as mãos para atuar nas mesas ou instrumentos para comunicação; em outras; eles agem sobre a matéria ponderável diretamente, por uma brecha ou aura pertencente ao médium, então o poder muscular pode estar incapacitado para auxiliá-los, eles vão causar o movimento de um corpo, ou produzir raps (arranhões) inteligíveis, como se selecionassem as letras transmitindo suas ideias, não influenciadas por aquelas dos médiuns.

Eu lembro de ter lido que a sua primeira sessão envolvia comunicação por raps e taps.

— É verdade, nós estávamos sentados em uma mesa com umas pessoas, um hino foi cantado com zelo religioso e solenidade. Logo em seguida, batidas foram distintamente ouvidas como se feitas sobre e contra a mesa, que a partir da quietude geral das partes não poderia ser atribuída a qualquer um entre eles. Aparentemente, os sons foram de uma forma como se poderiam apenas ser feitos com algum instrumento difícil, ou como as pontas dos dedos ajudados pelas unhas. Eu notei que simples questões eram respondidas por meio destas manifestações, uma batida era equivalente a negação, duas, em dúvida e três, afirmativa. Com a maior sinceridade aparente, as questões eram colocadas e as respostas tomadas e anotadas, como se todos os interessados considerassem como provenientes de um agente racional embora invisível.

Subsequentemente dois médiuns colocaram uma pequena mesa sem as gavetas no qual sobre cuidadoso exame, eu não encontrei absolutamente nada além da superfície plana e no seu interior tal como a parte de cima. Ainda as batidas foram ouvidas como antes aparentemente contra a mesa. Mesmo assumindo que as pessoas pelas quais eu estava cercado, fossem capazes da decepção, o feito seria uma proeza de uma prestidigitação, isso ainda era inexplicável. Mas manifestadamente eu estava em companhia de pessoas de valor e que elas mesmas ficariam decepcionadas caso estes sons não viessem de uma agência espiritual.

Mas porque tal método bruto de comunicação, como as batidas e a mesa basculante?

— Um esforço tem sido feito para lançar ao ridículo as manifestações espirituais por conta dos fenômenos que se realizam por meio das mesas e outros móveis, mas devemos lembrar que, quando os movimentos estavam sendo efetuados, o recurso de “corpos móveis” era de uso inevitável, e como geralmente a proximidade do médium, se não o contato, era necessário para facilitar os movimentos, e não havia “corpo ou objeto” tão acessível quanto as mesas. Mas estas manifestações mecânicas e violentas eram sempre meramente para chamar a atenção, tal como uma pessoa que bate ou chuta violentamente a porta da frente, e até que alguém olhe pela janela para se comunicar com ela. As mais violentas manifestações cessaram ambas em Hydesville, Rochester e em Stratford no Connecticut, tão logo o modo do alfabeto fora empregado. Eu nunca tinha tido, ou melhor, tomado lugar durante o intercurso com meus amigos espíritos, ao menos não com testes para os incrédulos, quando comunicações intelectuais não podiam ser realizadas. Já fazia mais de 15 meses, desde que eu resolvi empregar instrumentos no qual nada tem a ver em comum com as mesas.

Você poderá nos dar um exemplo do tipo de evidência que foi convincente para o senhor?

— Certamente, tendo meu aparato (Spiritoscope) na residência da senhora pelo qual ele tinha sido empregado, na terceira sessão, a senhora sentada à mesa como médium, a minha irmã apresentou-se por ela mesma. Como um teste, eu perguntei — qual era o nome de um parceiro de negócios do meu pai, quem, quando ele tinha deixado a cidade com os americanos durante a guerra revolucionária, ficou com os ingleses, e tomou conta da propriedade conjunta? — O disco revolveu sucessivamente para as letras e corretamente indicando o nome Warren. Eu então perguntei o nome do meu Avô, que havia morrido em Londres a mais de 70 anos atrás — então o nome verdadeiro foi dado pelo mesmo processo. A médium e todos os presentes eram estranhos da minha família, e eu nunca havia ouvido os nomes mencionados exceto por meu pai. Mesmo o meu irmão mais novo não se lembrava deste parceiro do meu pai.

Subsequentemente, na presença de um médium totalmente desconhecedor da minha família, a quem eu fui apresentado inicialmente em Dezembro de 1853, e quem tinha apenas em um período dentro de dois anos, se mudado para nossa cidade de Maine, eu questionei do meu (falecido) pai o nome de uma prima inglesa que tinha casado com um almirante — o nome foi soletrado — de modo semelhante, o nome de solteira da esposa de um irmão inglês foi dado — um nome incomum, Clargess.

Há os que dizem que os médiuns estão simplesmente lendo a sua mente, ainda uma teoria não mecanicista mas em oposição a agência espiritual. O senhor pode nos dar um exemplo de alguma informação vinculada de que não estava ciente?

— Sim, em uma ocasião, realizando uma sessão com o disco (Spiritoscope) com a Sra. Hayden, um espírito deu suas iniciais como C. H. Hare. Não me lembrando de qualquer relação com este nome precisamente, eu questionei se ele era um deles (Hare’s). A resposta foi afirmativa. — É você filho de meu primo Charles Hare, de St. Johns,New Brunswick? — “Yes” — foi soletrado. Este espírito me forneceu a profissão de seu Avô, também de seu pai, e o fato deste último ter sido jogado na água em Toulon, e ter realizado uma fuga maravilhosa de Verdun, onde ele havia sido confinado até que seu conhecimento da língua francesa permitiu a ele escapar ao se passar por um oficial francês da alfândega. Apenas um erro foi cometido ao se referir aos meus parentes ingleses, a respeito do nome de um tio. Outras questões foram respondidas corretamente.

Subsequentemente, o irmão desse espírito fez-nos uma visita, na Filadélfia, e nos informou de que a carreira mundana de seu irmão, Charles Henry, tinha sido encerrada por um naufrágio alguns anos anteriores a sua visita, como mencionado para mim. Nesta mesma sessão, ninguém estando presente ao meu lado, e o médium ignorando o Latim, meu pai soletrou pelo disco as palavras que ele tinha me apontado sobre Virgilho (Historiador e Filósofo romano), há mais de 55 anos anteriores, tão expressiva quanto a batida “Entellus deu Dares”, como descrita por Virgilho — “pulsatque versatque”, também a palavra que se assemelha tanto ao som de cavalos galopando — “Quadrupendante”

Recordo de ter lido sobre o fato de que o senhor perdera alguma coisa e então o espírito lhe disse onde estava.

— É verdade, quando estava em Boston, tendo lido para um amigo a comunicação do meu pai através de um médium escrevente, eu a coloquei em um dos meus bolsos, e eu procedi para a Hospedaria Fountain. Quando cheguei, eu procurei por ela sem sucesso. Inesperadamente, tive que ir até Salem por carruagem, mas retornei na mesma tarde. Ao tirar toda a minha roupa e notar que não se encontrava em meus bolsos, refleti que a carta havia sido perdida entre o lugar em que ela havia sido lida e a hospedaria acima mencionada, aonde eu dei ela por perdida. Indo na próxima manhã até a Sra. Hayden’s, e meu pai reportando-se, eu questionei se ele sabia o que se tinha dado com a minha carta. Ele respondeu que ela havia sido deixada em cima do assento da carruagem em minha saída de Salem. Questionando o condutor, que estava conduzindo o carro em que ela havia sido perdida, ele me respondeu que a carta havia sido encontrada no assento, e que estava segura em Portland, e que deveria ser retornada para mim no próximo dia. Esta promessa foi realizada.

O Sr. esteve apto a chegar à alguma conclusão, como o que está por trás da mediunidade?

A aura de um médium que assim permite a um espírito imortal, fazer dentro de suas capacidades, coisas que não podem ser feitas de outra forma, aparentam variar com o ser humano que a recorreu, então apenas alguns bem dotados com esta aura são competentes como médiuns. Além disso, naqueles que são constituídos de tal forma a serem instrumentos competentes de atuação espiritual, esta competência é variada. Existe gradação de competência, pelo qual a natureza da instrumentalidade varia da que capacita — batidas altas e violentas e o movimento de corpos sem contato — para a graduação que confere poder para produzir comunicações intelectuais de ordem mais elevada sem a batida audível. Além disso, o poder de empregar essas graduações de mediunidade variam como a esfera de espíritos variam.

O Sr. já questionou os espíritos o motivo pelo qual todas estas coisas acontecem?

Agradavelmente pela comunicação do espírito de meu pai, as manifestações que tarde deram à luz ao espiritualismo, são o resultado de um esforço deliberado por parte dos habitantes das esferas mais altas para romper a separação que tem interferido com a realização, dos mortais, de uma ideia correta do seu destino depois da morte. Para conduzir esta intenção uma delegação de espíritos avançados tem sido apontada. Referindo-se a esta declaração, eu questionei como veio a ocorrer que espíritos imperfeitos haviam sido autorizados a interferir na empreitada. A resposta foi de que os espíritos das esferas inferiores eram mais competentes para a realização de movimentos mecânicos e fortes batidas — assim sua ajuda foi necessária.

Da mesma forma eu perguntei por que foi conveniente fazer essas manifestações em primeira instância em Hydesville, próximo a Rochester, através do espírito de um homem assassinado. A resposta para isso foi a de que um homem assassinado iria causar mais interesse, e que o vilarejo que foi escolhido para a agência espiritual, seria mais facilmente creditado do que em círculos da moda e evidentemente mais apreendidas ou, onde os preconceitos contra os agentes sobrenaturais é extremamente forte; mas que as manifestações tinham sido igualmente feitas em Stratford no Connecticut, sobre outras circunstâncias. Também não foram estes os únicos lugares. Elas tinham sido feitas em centenas de outros lugares, mas sem muito sucesso em despertar a atenção do público.

Assim, parece que, no inicio, o objetivo era chamar a atenção, e posteriormente induzir a comunicação. Isto pode ser demonstrado a partir das histórias das manifestações em Hydesville e Stratford, que, assim como através de um acordo engenhoso de sinais para a intercomunicação racional, fora estabelecido, as manifestações mudaram em caráter. As atrocidades exibidas no desarranjo primitivo dos mobiliários cessou. Isto foi atribuído à substituição de espíritos de grau inferior por outros mais superiores.

Algum indício de por que não começaram até 1848?

— Isto é frequentemente questionado, portanto não eram esses esforços para comunicarem-se com a humanidade passíveis de acontecer em um período anterior de duração do mundo, mas isto podia ser demandado em retorno, portanto, não veio o Cristo até que a terra tivesse sido habitada?, e segundo as escrituras, cerca de quatro mil anos antes dele. Por que não foi o uso da bússola, da pólvora, impressão, máquina a vapor, barco a vapor, estrada de ferro, telégrafo, retrato, galvanoplastia, planejados anteriormente nesta esfera terrestre? Deixemos a ortodoxia tirar a trave do seu próprio olho.

Não acha estranho que a religião ortodoxa de forma tão vigorosa faça oposição do Espiritualismo?

— Com efeito, se o testemunho humano não pode ser tomado quando avançado por contemporâneos conhecidos por serem conscientes, verdadeiros e bem informados, como depender, a respeito daqueles de quem nada sabemos e nada temos disponível, a não ser o que seus próprios escritos mencionam? Os cristão ortodoxos são geralmente educados para acreditar não apenas que a revelação sobre a qual eles se baseiam é a verdadeira, mas que nenhuma outra pode ser justificada. Assim eles ficam, evidentemente descontentes com o que os espiritualistas alegam por eles mesmos, de terem surgido por outros meios com a crença na imortalidade, o que é admitido por todos os lados e que é o maior conforto para as aflições que a vida temporal é responsável. Há além disso esta discordância na doutrina cristã: — “Em conformidade com as escrituras, o homem é colocado aqui para provação, e está suscetível de ser eternamente punido se ele se provar delinquente”. — De acordo com o espiritualismo, o homem é colocado aqui para progressão, e quando ele for para o outro mundo, ainda terá a oportunidade de progredir, no entanto, quanto mais delinquente ele seja, mais ele se afasta dessa vida… Crentes na revelação, encaram incredulamente quando é feita menção de um espírito, como se sua existência fosse uma impossibilidade; ainda tem sido demonstrado de acordo com a ortodoxia, a morte desembaraçando a alma do corpo, o espírito deve começar imediatamente sua vida espiritual. A existência dos espíritos sendo assim estabelecida, e que eles poderem comunicar-se conosco, é, mais provável do que o contrário, por impossibilidade, com exceção que, “até agora” isto não tinha acontecido. [2]

DE PAI PARA FILHO

Professor Robert Hare recebeu numerosas comunicações do seu pai, também chamado Robert Hare, o Sênior Hare tinha servido como Porta-voz do Senado na legislatura da Pennsylvania e também possuía uma padaria na Filadélfia. Abaixo você encontrará algumas das coisas que ele transmitiu ao seu filho sobre o mundo dos espíritos.

CORPO ESPIRITUAL — O corpo espiritual é uma forma humana perfeita, originada dentro, e análoga a organização corporal em suas muitas partes, funções e relações. O homem em seu estado rudimentar é tripartite, consistindo de uma alma, do espírito e da carne [1], mas nas esferas uma dualidade, composta da alma e do espírito, tendo se aproximado nos portais da morte, despe-se a si mesmo da sua forma exterior como se livra de uma roupa velha. A máquina física grosseira e pesada que lhe foi dada com o propósito de desenvolver seu corpo espiritual mais belo e excelente, e de trazê-lo para um relacionamento mais imediato com o mundo exterior; não pode mais servir aos seus propósitos.

FORMA DO ESPÍRITO — Em vez de ser como muitos de vocês imaginam, meras entidades sombrias e não substanciais, estamos possuídos de formas definidas, tangíveis e primorosamente simétricas, com membros bem arredondados e graciosos, e ainda assim tão leves e elásticos que podemos deslizar através da atmosfera com uma velocidade quase elétrica… Estamos, além disso, dotados de toda a beleza! — beleza e vivacidade da juventude, e estamos vestidos em vestimentas fluindo da natureza refulgente adequadas para o grau particular de refinamento de nossos corpos. Nossas vestes sendo compostas de princípios radiantes, temos o poder de atrair e absorver ou refletir os raios evolvidos de acordo com nossa condição mais ou menos desenvolvida, isto explica sermos vistos por clarividentes em diferentes graus de luminosidade, de uma tonalidade escura para uma luz mais intensamente brilhante.

MUNDO ESPIRITUAL — O mundo espiritual encontra-se entre 60 e 120 milhas da superfície terrestre, todo o espaço intermediário incluindo aquele imediatamente sobre a terra, a habitação dos mortais, é dividido em sete regiões concêntricas chamadas esferas. A região próxima da terra, a cena principal da existência do homem, é conhecida como a primeira ou esfera rudimentar. As seis restantes podem ser distinguidas como esferas espirituais, as seis esferas espirituais são concêntricas, ou círculos, de matéria extremamente refinada, abrangendo a terra como cinturões ou cintas. A distância de cada um dos outros é regulada por leis fixas. Você vai entender, então, que elas não são quimeras sem formas, ou meras projeções da mente, mas entidades absolutas, tanto assim que de fato como os planetas do sistema solar ou do globo onde agora você reside. Eles tem latitudes, longitudes e atmosferas de ar vital peculiar.

TEMPO — Nós não temos divisões de tempo em dias, semanas, meses ou anos, nem alternação de estações causada pela revolução anual da terra, esses períodos são observados apenas com referências aos assuntos da terra.

CONSTITUIÇÃO SOCIAL — No que diz respeito a constituição social das esferas, cada um é divido em seis círculos ou sociedades, em que parentes e espíritos simpáticos estão unidos e subsistem juntos, concordando com as leis de afinidade.

PROFESSORES — Cada sociedade tem professores elevados, e não raro das esferas superiores, cuja providência é nos transmitir os conhecimentos adquiridos a partir de suas instruções e experiências, nos diferentes departamentos da ciência, e que por sua vez transmitem aqueles abaixo. Nós não abandonamos o estudo iniciado na terra, como muitas pessoas no estado rudimentar imaginam, o contrário pressuporia a perda de nossos poderes de raciocínio e nossa consequente inferioridade para vós, mas, pelo contrário vamos progredindo em conhecimento e sabedoria, e iremos progredir ao longo dos tempos sem limites na eternidade.

ESPÍRITOS MALIGNOS — Os espíritos malignos ou desviados, encontram suas afinidades na segunda esfera, aonde os mais baixos e menos desenvolvidos estão associados juntos e permanecem por períodos indefinidos, mas com toda a depravação moral e escuridão com a qual eles estão envolvidos, através da influência exercida benigna sobre as suas faculdades perceptivas e racionais por inteligências superiores, cada um começa a sentir-se, mais cedo ou mais tarde, a posição baixa e degradada que ocupa… As propensões vis de sua natureza cedendo aos ditames da razão, suas paixões grosseiras diminuem, fazendo com que ele aspire a mais elevadas associações e circunstâncias, que por sua vez geram novos desejos, pensamentos e sentimentos.

MÉDIUNS — Quando nós desejamos impressionar a mente de um médium pelo esforço de nossa vontade mágica, providos sempre de que ele ou ela está em simpatia com, ou sustém uma relação negativa com o operador, nós podemos dispor ou organizar as correntes magnéticas do cérebro de modo a formá-los em ideias próprias. Nós também podemos aprender a ler os pensamentos dos outros — as condições sendo favoráveis — tão facilmente como você adquire um conhecimento dos personagens ou símbolos de uma língua estrangeira para o da sua própria.

ESCRITA AUTOMÁTICA — Para influenciar mecanicamente a mão de um médium para escrever, nós direcionamos correntes de energia espiritual vitalizada sobre os músculos específicos que se deseja controlar. Para produzir manifestações físicas, não é por qualquer médium, exige-se que o médium seja possuidor de um bom caráter moral ou uma mente bem equilibrada, como um indivíduo de pequeno calibre mental, responderia ao nosso propósito igualmente bem; mas um espírito avançado não poderia impressionar diretamente ou controlar os órgãos da mente com quem ele não está em afinidade, e vice-versa.

LINGUAGEM — Como não existem palavras na língua humana em que as ideias espirituais possam ser concretizadas de forma a transmitir seu significado literal e exato, somos obrigados frequentemente recorrer ao uso de analogismos e modos de expressões metafóricas. Em nossa comunhão com vocês, temos de respeitar a estrutura e as regras de seu idioma peculiar, mas o gênio de nossa língua é tal que podemos dar mais ideias para o outro em uma única palavra do que você pode transmitir em cem.

A ciência convencional tem certamente negado suas conclusões e aqueles que tem testificado em favor da comunicação com os espíritos.

— Os homens que são apenas nominalmente “Nulidades” tem provado uma formidável participação nas políticas, infelizmente o espiritualismo tem, em seus mais ativos oponentes, verdadeiras “Nulidades”, que não irão admitir qualquer fato de uma origem espiritual, a menos que como eles tenham sido educados a acreditar. Neste caso, muitos tem poderes de deglutinação intelectual que rivalizam com os da Anaconda na forma física!”

A imprensa também tem sido antagônica, não tem sido?

— Quase todos os editores são, mais ou menos os censores para a imprensa, e peões da popularidade. A tendência não para reprimir, mas para satisfazer, e é claro, para promover o preconceito existente. Este fanatismo e seu irmão siamês chamado intolerância, existe em todos os países e idades, vindo a exercer um travesso, embora muitas vezes bem intencionado vigilante, sobre qualquer inovação de natureza a emancipar a mente humana de um erro educacional; e sempre apoiada por poder temporal, tem recorrido a perseguição — mesmo com uso da espada, do serrote e do fantoche; e neste país da liberdade, e da liberdade se vangloriou a tão apregoada a imprensa, mostra seu poder maligno de difamação, alegando ou desqualificando, no emprego de onde quer que sua influência possa ser exercida.

Uma notável imprensa nesta cidade recusou a imprimir uma edição de meu folheto recente, como se não permitisse que nada que vá contra a bíblia, pudesse passar por sua impressora. Isso mostra o quão longe vai o fanatismo, mesmo nesta avançada era da ciência e justo neste país da alardeada liberdade intelectual.

Eu creio que o senhor mencionou que certos espíritos podem somente se comunicar por certos médiuns, ou alguma coisa deste efeito.

— Tem sido afirmado que os mortais tem cada um uma auréola perceptível aos espíritos, por que eles são capazes de determinar a que esfera o indivíduo irá passar depois de atravessar o portal da morte. Os espíritos não podem se aproximar efetivamente de um médium de uma esfera muito acima ou muito abaixo da qual eles pertencem. Em média, na proporção em que eles são mais capazes de servir a uma comunicação intelectual mais elevada, menos capazes são de servir para uma demonstração mecânica, assim espíritos menos capazes de movimentos mecânicos são mais capazes de comunicações mais elevadas, e vice-versa. Tem sido mencionado que tendo-se empregado o meu aparato de teste, minha irmã alegou que isto não poderia ser por ela empregado sem a assistência de um espírito de uma esfera inferior.

Qual a sua ideia sobre Deus?

— Enquanto nós tivermos tanta evidência de uma Divindade como temos de nós mesmos, nós somos totalmente incapazes de formar qualquer ideia de sua forma, modo de existência, ou o seu maravilhoso poder. Estamos tão certos da imensidão e onipresença de seu poder como da existência do universo, com o qual ele deve pelo menos ser coextensivo e indissociável. Que seu poder deve ter existido sempre, nós também estamos certos; pois se nada tivesse prevalecido, jamais qualquer coisa poderia ter sido concebida, pois fora do nada, nada pode se tornar.

O senhor frequentemente menciona as esferas. Se importaria de elaborar uma ideia a respeito deste assunto?

— É claro que entre os mais baixos graus de vício, ignorância e insensatez, e os mais altos graus de virtude, aprendizado e sabedoria, há muitas gradações. Quando são traduzidas para as esferas damos uma classificação proporcional ao nosso mérito, o que parece estar lá intuitivamente suscetíveis de estimação pela lei acima aludida, da grosseria sendo maior quando o caráter é mais imperfeito. Ambos os espíritos e as esferas são representadas como tendo gradações em um refinamento de constituição, então as esferas que os espíritos pertencem é intuitivamente manifesta. O ranking é determinado por uma espécie de gravidade moral específica, em que o mérito é inversamente empregado como o peso.

O senhor acha difícil reconciliar a ciência e o espírito?

— Eu não considero que em minha mudança de opinião eu tenha sido envolvido em qualquer inconsistência em princípio. Sempre pareceu para mim que em explicar os movimentos planetários, depois de chegar até a era Newtoniana constituída pelo ímpeto e gravitação, não poderia haver alternativa entre apelar para o poder espiritual de Deus ou recorrer ao ateísmo. Um apelo ao poder de Deus sempre foi a minha escolha, no entanto, considero que o maravilhoso pode ser de natureza completamente ininteligível para o homem finito.

Obrigado Professor Hare! Algum pensamento de despedida?

— Sim, isto é evidente que a partir do poder criativo que os espíritos afirmam eles mesmos possuírem, que exerçam faculdades que eles não entendem. Suas explicações sobre o mistério da mediunidade somente substituem um mistério pelo outro. Aparenta para mim um grande erro da parte dos espíritos, tal como os mortais, que façam esforços para explicar o fenômeno do mundo dos espíritos pelos ponderáveis e imponderáveis agentes do mundo temporal. O fato de que os raios do nosso sol não afetam o mundo espiritual e que há para esta região uma iluminação apropriada nos quais os raios nós não percebemos, precisa demonstrar que o elemento imponderável a que devem sua luz peculiar difere do fluído etéreo que, de acordo com a teoria ondulatória, é o meio de produção de luz da criação terrestre.


NOTAS:

[1] — O termo alma foi empregado pelo Espírito, mas segundo a Doutrina dos Espíritos, o homem em seu estado rudimentar é composto por Espírito, Perispírito e Corpo Físico. E que a palavra alma, é a mesma para aludir a um Espírito que está encarnado.

[2] — A comunicação com os Espíritos está registrada na história da humanidade desde o homem primitivo e das primeiras civilizações. A menção a que se refere o Professor Hare, trata-se da espécie de comunicação generalizada que só deu início em meados de 1850, através das mesas e demais objetos.

[3] — Este artigo foi majestosamente concebido por Michael E. Tymn aqui. Tradução e adaptação — Jornal de Ciência Espírita.

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