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EM FOCO

24/05/2017

Uma entrevista com o Juiz John Worth Edmonds Por Michael E. Tymn - Traduzido e adaptado pela Equipe JCE


Antes de ser promovido a Juiz da Suprema Corte, John Worth Edmonds (1816-74) serviu em ambas as casas da legislatura de Nova Iorque, inclusive como Presidente do Senado. Para muitos pesquisadores ele é considerado um dos pioneiros na investigação dos fenômenos mediúnicos e psíquicos. Seguindo o advento da epidemia espiritualista que teve início em 1848 em Rochester, um número muito grande de pessoas educadas e proeminentes observaram com muita atenção os fenômenos mediúnicos diversos, mas o Juiz Edmonds conduziu a sua pesquisa de um modo muito mais particular e extenso do que a simples observação.

O INÍCIO

Grandes feitos começam por pequenas coisas

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No começo do ano de 1851, ele deu início as suas investigações com outros médiuns, em sessões controladas nas formas mais inimagináveis que se poderiam conceber na busca da verdade. Pretendia descobrir que espécie de truques de mágica se utilizavam os médiuns, e em que circunstâncias eles poderiam obter informações pessoais. No entanto, a realidade se mostrou bem diversa, derrubando seu ceticismo, tornando-se ele mesmo um médium e depois um grande divulgador da causa.

No começo de 1852, o Juiz Edmonds conheceu Dr. George T. Dexter, um médico de Nova Iorque, que como Edmonds, começara sua investigação na condição de cético, depois em um defensor da causa e por último médium. Esta amizade daria início a criação de círculo de pesquisa e investigação, e juntamente com outros homens interessados em desbravar a fenomenologia, realizaram periodicamente reuniões onde centenas de mensagens com profundeza e lógica foram transmitidas. Entre as personalidades comunicantes, estavam Emanuel Swedenborg, e Francis Bacon, pelas mãos do Dr. Dexter.

Esta entrevista com o Juiz Edmonds foi retirada de duas das suas obras, Spiritualism volumes I e II, de coautoria do Dr. Dexter. Exceto as palavras entre [ Colchetes ] inseridas para dar uma transição entre o texto. As respostas são verbetes retirados dos livros, e as questões foram criadas de modo a dar sentido nas respostas.

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a entrevista

Juiz Edmonds, é do nosso entendimento que o você deu início a sua investigação da mediunidade em janeiro de 1851, logo após a morte da sua esposa. Está correto?

[ Sim ], naquele tempo eu estava afastado da sociedade em geral. Estava trabalhando com uma grande depressão espiritual, procurando ocupar o meu lazer em ler a respeito da morte e da vida futura. Fui então convidado por um amigo a presenciar os fenômenos das batidas em Rochester, compareci mais por obrigação e para matar as horas tediosas.

Nos recordarmos de ter lido que você estava procurando descobrir as fraudes

Eu permaneci a todo momento cético, e tentei a paciência dos crentes pelo meu ceticismo, minha implicância, e minha recusa obstinada em ceder a crença. Eu presenciei ao meu redor pessoas que cederam a uma fé, após apenas uma ou duas sessões; quando outros, na mesma circunstância permaneceram ainda receosos e descrentes; ainda outros que se recusavam a testemunhar toda a sessão e ainda assim permaneciam incrédulos.  Eu não poderia imitar nenhuma destas partes e me recusei a ceder até um testemunho irrefragável.

Quais eram suas crenças religiosas no tempo em que se iniciaram suas investigações?

No curso da minha vida, li e ouvi do púlpito, tantas doutrinas contraditórias e conflitantes sobre o assunto que eu mal sabia no que acreditar. Eu não poderia, mesmo se pudesse acreditar em algo que eu não era capaz de compreender. Eu estava ansioso por saber se na vida após a morte nós estaríamos novamente em contato com aqueles que em vida nós amamos aqui na, e sobre quais circunstâncias.

O que aconteceu na sua primeira sessão?

Minha primeira entrevista (sessão) ocorreu com batidas (rappings) uma batida para cada letra do alfabeto, três batidas para sim, e uma para não. Três coisas me pareceram notáveis. Uma delas era que os sons produzidos estavam além do que qualquer instrumentalidade que alguém poderia produzir naquelas circunstâncias. Outra é que, minhas perguntas mentais foram respondidas quando eu estava certo de que nenhuma pessoa presente saberia do que se tratavam, e por último, eu fui direcionado a corrigir um erro que eu tinha escrito em meu memorando do que estava ocorrendo, quando eu sabia que ninguém estava ciente do erro em que eu tinha incorrido ou do que se tratava.

Você se recorda deste erro?

Uma comunicação havia sido soletrada pelo alfabeto, e quando eu estava escrevendo, anotei: “Nº one”, “Nº wo”. Meu erro não foi visto por ninguém na sessão, mas foi corrigida pelas [batidas] soletrando novamente: “Number one”, “Number two”.

O que você achou das batidas?

Obviamente eu as encarava como enganosas e, a princípio invocando meus sentidos e as conclusões que a minha racionalidade poderia tirar das provas. Mas eu não sabia dizer como os médiuns poderiam causar o que eu presenciei sobre aquelas circunstâncias. Eu imaginei que o que tinha presenciado foi uma boa evidência, e fiquei determinado em investigar a matéria e descobrir o que era, se era um engano ou uma ilusão, eu acreditei ser capaz de detectá-la. Por cerca de quatro meses eu dediquei pelo menos 2 noites por semana, e as vezes até mais, para testemunhar os fenômenos em todas as suas fases. Eu guardei os relatórios detalhados de tudo aquilo que testemunhei de tempos em tempos fazendo comparações, procurando detectar as inconsistências e contradições. Eu li tudo o que consegui colocar em mãos sobre o assunto, especialmente tudo o que era professado a respeito das exposições de fraude. Eu fui de lugar em lugar, assistindo a diferentes médiuns, participando de várias sessões de pessoas, frequentemente com pessoas que eu nunca tinha visto antes, e algumas vezes onde eu mesmo era um desconhecido completo. Em suma, eu me aproveitei de cada oportunidade que me foi oferecida para peneirar sobre o assunto do começo até o final.

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Você foi auxiliado ou assistido por alguém na sua investigação?

Depois de examinar todas as fases dos fenômenos apenas com os meus sentidos, invoquei a ajuda da ciência, e com o auxílio de um Eletricista experiente e seus equipamentos, mais oito ou dez assistentes bem estudados, inteligentes e esclarecidos, examinamos minuciosamente o assunto. Nós prosseguimos com nossos inquéritos por muitos dias, e estabelecemos como satisfatórias duas coisas: primeiro, que os sons não eram produzidos pela agência de qualquer pessoa presente ou próxima a nós; e segundo, que não se produziam a nossa vontade ou prazer.

Você se importaria de relatar um pouco mais sobre suas investigações iniciais?

Na minha [segunda ] entrevista, algumas coisas ocorreram, e que me chamaram a atenção. Nenhuma das minhas questões foram feitas oralmente, algumas foram escritas e outras foram feitas mentalmente. Mas todas foram respondidas corretamente. Uma vez eu comecei a escrever uma pergunta que eu tinha elaborado mentalmente, e ela foi prontamente respondida, quando tinha escrito somente duas palavras. E novamente me fora dito para fazer outra correção nas minhas minutas – que eu era um novato e que não tinha feito o trabalho tão bem quanto poderia – também fomos informados do que estava ocorrendo na sala adjacente com uma pessoa que havia entrado na sala assim que nós tínhamos saído da mesma, abrindo as portas dobráveis, verificamos o que de fato ocorria, tal como dito.

Então qual foi sua reação inicial a isso tudo?

Fiquei muito surpreso, pois aquilo para mim constituiu evidências da qual eu não poderia escapar. Que os meus mais secretos pensamentos eram conhecidos pela inteligência que estava em lidando comigo, não havia como evitar esta conclusão. Razão sobre a qual eu deveria imaginar que solução poderia dar a isso, havia o fato plenamente diante de mim, e eu sabia disso. Eu entendo que a comunicação algumas vezes vem através de outras línguas.

Eu reconheci mensagens em latim, francês e espanhol todas ditadas através das batidas, e eu tenho ouvido médiuns que não conheciam nenhuma outra língua senão a própria. Também em Italiano, Alemão e Grego e em outras línguas que eram desconhecidas pra mim mas que eram apresentadas como sendo arábicas, chinesas e indianas, tudo transmitido com facilidade e a rapidez de um nativo.

Em seu livro, você escreveu que um médium disse a você sobre a morte de seu amigo Isaac T. Hopper.

[ Correto ], em torno das 10 horas da noite, enquanto participava de um círculo, eu questionei se poderia propor uma questão mental. Fiz assim, sabendo que nenhum dos presentes poderia saber o que seria nem sobre o assunto de que tratara. Minha questão relacionava-se ao Senhor Hopper [ que tinha estado doente ], e eu recebi como resposta através das batidas, por ele mesmo, que se encontrava morto! Eu corri imediatamente para sua casa, e confirmei que realmente havia morrido. Este fato não poderia ter sido conhecido por nenhum dos presentes, que não sabiam sobre sua morte, pois não sabiam qual tinha sido também a minha pergunta mental e tampouco haviam entendido a resposta que eu havia recebido. Isto também não poderia ter sido fruto do meu reflexo mental, porque eu o havia encontrado vivo da ultima vez que nos vimos e estava certo de que ele viveria por muitos dias. O que era aquilo ou o que pretendia ser, eu não conseguia imaginar.

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 E os fenômenos físicos?

“Detalhar o que eu testemunhei extrapolaria muito os limites da presente comunicação. Contando os meus registros destes quatro meses, tenho pelo menos, cento e trinta páginas muito bem preenchidas. Irei, no entanto, mencionar algumas coisas, que lhe dará uma ideia geral de como se caracterizam as entrevistas nas sessões; agora na cassa das várias centenas… Eu presenciei uma mesa de pinho com quatro pernas ser levantada acima do chão, no centro de um círculo de seis ou oito pessoas, ela virou de cabeça para baixo e colocada sobre os nossos pés, em seguida, levantou-se sobre as nossas cabeças, e colocou-se encostada na parte de trás do sofá em que nos reunimos. Eu presenciei essa mesma mesa ser inclinada sobre duas de suas pernas, sua parte superior ficou em um ângulo com o chão de quarenta e cinco graus, sem que ela caísse sobre si mesma, e nem conseguia qualquer pessoa presente colocá-la de volta em seus quatro pés. Eu vi uma mesa de mogno, com apenas uma perna no centro e uma lâmpada acesa sobre ela, levantar do chão, pelo menos, um metro do chão, apesar dos esforços dos presentes em impedi-la, e sacudindo para trás e para a frente como se agitaria uma taça na mão, e a luz se manter no seu lugar embora seus pingentes de vidro houvessem tocado a chama. Eu vi a mesma mesa inclinar-se com a lâmpada sobre ela, até o momento que a lâmpada deveria ter caído a menos que estivesse presa por algo além da sua própria gravidade, mas não caiu, nem se mexeu… Eu frequentemente presenciei mesas serem puxadas com tal força que seria impossível para os presentes impor qualquer oposição, além de toda a minha força ter sido adicionada, em vão. Este não é um dízimo – ou melhor! Não é uma centésima parte do que tenho testemunhado, mas é o suficiente para mostrar a natureza geral do que acontecia diante de mim”.

Eu lembro de ter lido em algum lugar que todos esses fenômenos foram provocados pelos espíritos para provar a sua existência. É isso que você entendeu?

“[Foi dito em uma sessão que] essas manifestações são dadas à humanidade para provar a sua imortalidade, e ensiná-la a olhar para a frente e para a mudança de uma esfera para outra com prazer.”… Eu estava convencido de que havia algo a mais do que a simples satisfação de uma mera curiosidade; algo mais além do que simplesmente favorecer o apetite pelo maravilhoso; algo mais do que a perturbação dos objetos materiais para a admiração do maravilhoso; algo mais do que dizer a idade dos vivos ou mortos, etc. ”

O que seria esse “algo mais”?

“Era a inteligência apresentada por este poder invisível. Isso foi quase sempre manifesto em todas as entrevistas, e a questão que, obviamente, se apresentou no primeiro momento foi, se era da mente de todos os presentes mortais, ou de alguma outra fonte. De modo que, mesmo que tivesse sido estabelecido que os sons e as manifestações físicas das quais tenho falado tivessem sido produzidas pela agência dos vivos e presentes, ainda a questão permaneceria; de onde vinha a inteligência que era exibida? Por exemplo: Qual era o poder de ler os pensamentos que eu tinha enterrado durante um quarto de século nas profundezas do meu coração? Qual era o poder que conhecia os meus questionamentos no instante em que eram formados em minha mente? Qual era o poder capaz de ler as perguntas que eu tinha escrito na solidão do meu estudo? Qual o poder que revelou os meus propósitos secretos para os espectadores, os meus fins para os espectadores e os propósitos dos outros para comigo?

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Mas você perguntou aos espíritos comunicantes do que afinal tudo isso se tratava?

“[Certamente], uma das primeiras perguntas foi a seguinte: O que é “isso” que estou testemunhando? É uma exceção das leis da natureza ou está de acordo com elas? É um milagre, ou é a operação de alguma causa até então desconhecida, mas pré-existente, e agora, pela primeira manifestando-se? A resposta que obtive foi: É o resultado do progresso humano, é uma execução, não uma suspensão das leis da natureza, e não é a primeira vez que está se manifestando, mas em todas as épocas do mundo tem sido, por vezes, exibida. ”

Como você e outros têm frequentemente perguntado, Cui Bono?

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(A expressão latina cui bono? – Às vezes também expressada como cui prodest? – significa literalmente “a quem beneficia?” E é usada tanto para sugerir um motivo oculto quanto para indicar que o responsável por algo pode não ser aquele que, a princípio, parece ser)

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“Para esta questão tenho dado séria atenção, dedicando-me à tarefa por mais de dois anos, empregando todos os momentos de lazer que poderia ter tido, retirando-me de todas as minhas antigas ocupações inúteis… Eu concluí que eram muito numerosas maneiras pela qual essa inteligência invisível conversava conosco, além das pancadas e inclinações de mesa (escrita automática, de escrita direta, voz em transe), e que através desses outros modos, vieram muitas comunicações distinguidas pela sua eloquência, a sua alta ordem intelectual e com seu tom moral puro e elevado; ao mesmo tempo, eu descobri muitas inconsistências e contradições que foram calculadas para enganar “.

Calculadas para enganar? Não estou entendendo.

“A dificuldade nesta questão reside na nossa expectativa de perfeição nos espíritos, olhando para eles e achando que eles sabem mais do que eles realmente sabem, e como sendo capazes de fazer mais do que nós podemos; em outras palavras, a concepção errada da verdadeira natureza e carácter do mundo espiritual … [Além disso] eu tenho uma boa razão para acreditar que há uma oposição no mundo espiritual sobre este intercurso com a gente, e que uma combinação tem sido formada para interromper e, se possível, para anular este intercâmbio, e de algum modo está visitando círculos e indivíduos, excitando as suas suspeitas nos espíritos e encorajando maus pensamentos quanto à sua boa fé e pureza de propósito. ”

Então, pode muito bem haver razões pelas quais algumas passagens bíblicas alertam contra isso?

“Oh, como é triste o erro daquele que a partir de um exame superficial, ventura-se a declará-lo todo o mal! Ele pode muito bem entrar nos antros de iniquidade nesta grande cidade, e ouvir em meio a sua purulenta maldade o grito misturado de blasfêmia e obscenidade que subirá antes dele, daí inferir que tal é o caráter de toda esta comunidade, não”.

Havia muita sabedoria nas comunicações recebidas.

“[O] caráter geral tem sido tal que me garante dizer que fui atingido com a sua beleza – a sua sublimidade às vezes – e o tom uniformemente elevado de moral que ensinam. Eles são eminentemente práticos em seu caráter, não há um único sentimento que seria inaceitável para o cristão mais puro e humilde. As lições que são de amor e bondade, são dirigidas para a calma, deliberar a razão do homem, pedindo a ele não uma fé cega, mas uma cuidadosa investigação e um julgamento deliberado … [em uma sessão] foi dito: ‘Imite o Cristo em sua humildade, em sua submissão à vontade de Deus e no seu amor ao homem, e você será aceitável a Deus. ‘ ”

Eu soube que os discursos de Swedenborg e Bacon foram recebidos através das mãos do Dr. Dexter. Você se importaria de explicar um pouco sobre isso?

“A escrita de cada um deles é diferente das dos demais, e embora ambos sejam escritos pela mão do Dr. Dexter, ambos são ao contrário diferentes da do médium; de modo que, com facilidade, quando ele está sob a influência (dos espíritos), escreve vários tipos diferentes de escrita manual, e em algumas delas mais rapidamente do que escreve a sua própria. Isso ele não é capaz de fazer quando não está sob a influência dos espíritos; e eu nunca vi qualquer pessoa que poderia, em sua condição normal, escrever com tal rapidez, em uma sessão, quatro dos cinco tipos diferentes de escrita, cada qual distintamente marcados, sempre mantendo a sua característica peculiar “.

Embora Swedenborg e Bacon pareçam estar em acordo um com o outro, uma das dificuldades em aceitar todas estas comunicações espirituais é o fato de que existem ocasionalmente várias contradições em relação ao que é supostamente verdade. Suponho que isso é porque os espíritos estão em diferentes níveis de progresso.

[A verdade é que], não são, por vezes contradições e inconsistências na relação espiritual, como todos devem estar cientes, mas há um fato notável, que diz respeito a todas essas incongruências – através de todos os meios, seja parcialmente ou altamente desenvolvido – de todos os espíritos que comunicam, que já progrediram ou não, há um acordo universal sobre um ponto; e isso é que nós passamos para o próximo estado de existência exatamente como saímos deste; e que não são subitamente transportados para um estado de perfeição ou imperfeição, mas nos encontramos no mesmo estado de progressão, e que esta vida na Terra é apenas uma preparação para a seguinte, e a seguinte, uma continuação desta.

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Diz-se frequentemente que as mensagens são distorcidas pela mente do médium. Você concorda com isso?

“Não conheço nenhum modo de relação espiritual que está isento de uma interferência dos mortais – nenhum tipo de mediunidade, onde a comunicação não pode ser afetada pela mente do instrumento. Tome minha própria mediunidade como uma ilustração. As visões que tenho são impressas na minha mente tão vividamente e distintamente como qualquer objeto material, possivelmente, pode ser, ainda, ao dizer sobre elas aos outros, que eu devo apoiar-me no meu próprio poder de observação, minha memória, o meu próprio comando de linguagem, e eu não raramente trabalho sob a dificuldade sentindo que não há trabalho mais difícil para mim do que para transmitir as novas ideias comunicadas.

Muitas vezes estou consciente de que falhei, da pobreza da linguagem, em transmitir o sentimento que recebo com o mesmo vigor e clareza com que chegou até mim. Assim também é com o que eu posso chamar de ensinamentos didáticos através de mim. Às vezes, a influência que me é dada é tão forte, não apenas as ideias, mas as próprias palavras em que são vestidas, e eu estou inconsciente sobre o que eu vou dizer até que eu realmente diga. Em outras ocasiões, o pensamento me é dado frase por frase, e não sei que ideia ou frase deve se seguir, mas a linguagem usada é minha e é selecionada por mim a partir do armazém da minha própria memória. E em outras vezes toda a corrente de pensamento ou processo de raciocínio me é dado de antemão, e eu escolho a linguagem e as ilustrações usadas para transmiti-lo, às vezes a fim de dá-lo. Mas, em todos esses modos, há mais ou menos um pouco de mim neles, mais ou menos da minha individualidade subjacente a isso tudo. Com efeito, deve ser assim, ou por que eu deveria falar ou escrever na minha própria língua em vez na de um espírito ou uma língua estrangeira desconhecida para mim? ”

Antes de publicar seus relatórios ao público, qual era a visão popular de toda esta relação do intercâmbio espiritual?

“Eu estava desde cedo ciente de que o mundo em geral encarava o assunto como excessivamente trivial e insignificante. Eu não estava surpreso com isso, eu vi que o que atingiu a orelha geral através dos jornais comuns do dia era quase sempre sem importância, e muitas vezes absurdo e ridículo. Havia boas razões para isso. Os condutores desses periódicos estavam desejos por inserir apenas o que iria divertir seus leitores, e não estavam dispostos, muitas vezes se recusavam, a abrir as suas colunas para as questões mais graves e mais importantes que fluíam a partir da mesma fonte. E então os que recebiam essas comunicações mais graves muitas vezes não se sentiam chamados ao tribunal dos escárnios e zombarias e perseguições do mundo, apenas pela finalidade de dar ao mundo que visa unicamente o bem geral “.

O que fez você decidir ir a público com suas descobertas?

“Fui para a investigação inicialmente pensando que se tratava de um engano, e com a intenção de tornar pública a minha exposição sobre o mesmo. Tendo as minhas pesquisas, chegado a uma conclusão diferente, eu senti que a minha obrigação de dar a conhecer os resultados era muito forte. Portanto, é principalmente dar o resultado para o mundo. Eu digo, principalmente, porque não há outra consideração que me influencia ou motiva, além do desejo de estender a outros o conhecimento que estou consciente de que não deixará de torná-los mais felizes e melhores “.

Eu sei que você recebeu muitas críticas de políticos e da imprensa ao tornar públicos os seus pontos de vista. Você tem algum arrependimento?

“Eu sabia muito bem o que eu deveria atrair sobre mim mesmo falando para fora. Eu não poderia confundir tudo que eu vi em torno de mim: uma mensagem universal do ridículo e da condenação de todos os que professavam crer, ou melhor! Mesmo daqueles que entraram na investigação em tudo, a menos que viessem com vermelho flamejante em suas denúncias, como uma “impostura atroz.” Eu sabia muito bem que uma verdade já nasceria com uma pitada amarga e mais uma para aquele que lhe deu origem. E eu não tinha o direito de esperar, nem eu esperava, escapar deste destino comum e aparentemente inevitável. Mas confesso que no começo eu encolhi a perspectiva diante de mim”.

Por que você acha que tantas pessoas zombam e desprezam o que deveria ser uma boa notícia?

“Sua sabedoria é aquela das ovelhas dirigidas, que salta sobre um obstáculo irreal porque outra ovelha acaba de fazer o mesmo antes dele; e nele, pelo menos, isto não pode ser verdadeiramente dito, “Jamais a natureza abriria o peito diante de uma mente digna que apenas a pode contemplar, para em seguida, cair no sono. ”

Obrigado, Juiz Edmonds. Algum pensamento de despedida?

[ Permita-me deixá-lo com a mensagem que me foi dada em uma das sessões]: “Ninguém pode começar a progredir até que tenha corrigido as ideias da existência futura; e é somente quando não estiver em erro sobre esse assunto, só quando conhecer a nossa natureza espiritual e o destino, que nós começamos a progredir.”

Michael Tymn é o autor de obras como:

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