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25/04/2017

To besta… Moura Rêgo


Pois é, a vida tem dessas coisas, hoje vivo, amanhã desencarnado.

Hoje, ao abrir o Face, me deparo com uma chamada inbox do mano Tadeu que me alertava:

“Prezados amigos, viemos informar que o nosso querido Alamar Régis retornou a pátria espiritual nessa madrugada do dia 29. O velório será no C.E. Casa da Paz, na rua Tomé de Souza 200, Jardim Paulistano – Jacareí, SP, as partir das 13hs de hoje dia 29. O enterro será amanhã dia 01 de março, as 15h no cemitério Jardim da Paz na cidade de Jacarei – SP.”

Não sou de me deixar levar por notícias assim, já mataram amigos meus, muitas vezes, hoje em dia tento buscar com parentes a verdade, mas, devo confessar que sabedor do estado do meu mano Alamar, a quem há anos chamo de “O homem da gravata de Mickey”, fiquei alarmado.

Alamar é um cabra forte, um cara que não se deixa abater; Quando nos trouxe a confirmação da doença que o atacava, disse, é um tumor agressivo, mas já iniciei o tratamento e enquanto isso vou cantar que é o melhor que eu faço. Este é o Alamar a quem conheci há mais de 14 anos, uma pessoa que mesmo quando passava por ataques dos mais vis, nunca respondeu com alguma palavra deselegante ou grosseira.

Quando iniciava a programação num canal, de TV paga, paga por ele mesmo, Alamar, certo dia me escreveu um e-mail, dizendo: — “Raimundão, fi di Deus, estou sabendo da sua divergência com um artigo que escrevi dias atrás”,— e deu o título. Na verdade tinha sido duro na crítica, pois não admitia que um divulgador da Dourina pudesse se afastar tanto do “cerne doutrinário”, deixando aparecer que tratava o tema sob óptica própria.

Naquele tempo eu ainda não aprendera a lição de que palavras duras, mais afastam do que carreiam maior conhecimento ou dão certidão de verdade; Dai seguiram-se mais uns dez e-mails, e ao final ele me escreve dizendo: — “Raimundão, não é que você está certo? Fui no livrão (OLE), e pude ver que a construção do meu escrito me levara a desaprender da doutrina, foi preciso que um amigo me chamasse a atenção mais pela dureza das palavras do que pelo que escreveu explicando, para que mergulhando no tema achasse meu erro. Quero te agradecer, “fi di Deus”, por ter me alertado, e saiba que quando você puder vir a São Paulo,vou fazer um programa só com você, sem censura e onde você possa se expressar tal como fez nos e-mails, o povo do movimento precisa de umas sacudidelas como as que eu levei de você.

Por culpa minha, este programa nunca aconteceu, eu trabalhava demais e o pouco tempo de que dispunha não me deixava viajar muito. Pois bem, passa o tempo em uma tarde de sexta-feira, quem toca a campainha da porta do meu AP? Ele mesmo, pena que sem a gravatinha de Mickey, Alamar.

Após as gozações de praxe, passamos a conversar sobre assuntos sérios e formos terminar no CE Cristófilos para ouvir as ideias inovadoras do Alamar. Desde então não desgrudamos um do outro, mas nossas conversas se davam mais por e-mails ou telefonemas.

Alamar era incansável, hoje estava aqui ou em Sampa, amanhã estava no Ceará etc, pagando pelas passagens e estadias.

Quando ele mesmo deu ciência de sua doença, eu fiquei contristado, lembro que não escrevi nada sobre o lance e nem enviei e-mail à ele, não dava meus manos. Ele me conhecia bem, sabia que sendo uma pessoa muito emotiva, ficaria tao mal quanto no dia em que fomos entrevistar nosso irmão Altivo Pamphiro, desencarnado pelo mesmo mal. Foi ele a ultima pessoa a fazê-lo, pois que eu lhe passei a vez, já que o Altivo e eu éramos muito amigos.

Meu mano Alamar, era assim, sabia reconhecer caráter, sabia diferenciar a bondade ou a hipocrisia, não destratava ninguém, todavia não era melífluo, não se escondia atrás das roupas de Jesus, para por via indireta, falar mal, ou diminuir a quem quer que fosse, por isso meus manos, é que ao saber da notícia, de plano escolhi o título deste pequeno artigo, “Tô besta”.

Rio de Janeiro, 29 de fevereiro de 2016.

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One Response “To besta… Moura Rêgo

  1. 15/08/2016 at 16:13

    Psicografia de Alamar Régis por Ari Rangel
    http://vivenciaespirita.com.br/psicografia-de-alamar-regis-por-ari-rangel/

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