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19/10/2017

Recomendações para a composição de grupos de experimentação Henri Sausse


Uma ideia vem muitas vezes à minha mente, uma ideia encantadora que me embala nas horas de insônia, e que tende a me fazer admitir que não somente para a minha satisfação pessoal foi que pude obter, durante os meus 50 anos de investigação, os fenômenos mais diversos e também os mais interessantes.

A longa série de manifestações espíritas, que me foi permitido constatar nas condições mais favoráveis, e o relato que aparece consignado nas atas das nossas sessões, também devem servir para estimular nas suas pesquisas àqueles que foram menos favorecidos e indicar a eles o caminho das condições requeridas para chegar a conseguir esses bons resultados. Vou tentar responder do melhor modo possível a esta voz interior, declarando, primeiro, que as minhas investigações, as minhas pesquisas, não tinham de início nenhum propósito além de me convencer a mim mesmo; que procurei fazê-las com toda a minha boa-fé, com o desejo ardente de chegar a estabelecer uma prova da sobrevivência da alma após a destruição do corpo material, assim como da intervenção dos encarnados na produção de todos os fenômenos espíritas. Como fiel discípulo de Allan kardec que sou, estudei as suas obras e, seguindo os conselhos que delas obtive, dei andamento aos nossos trabalhos. Tive também a sorte de travar conhecimento com alguns bons médiuns que só me trouxeram satisfação, aos quais fico sinceramente grato, pela cooperação assídua, afetuosa e abnegativa que eles me prestaram submetendo-se a esta primeira condição, a de ser levados ao sonambulismo no início de cada sessão; isto para poder pedir a eles um esforço maior para a produção dos fenômenos, a plena luz, branca ou vermelha e não na escuridão onde os fenômenos são obtidos muito mais facilmente, mas onde é muito mais fácil fraudar, sendo que a minha principal intenção era poder afirmar a absoluta autenticidade dos resultados obtidos.

Graças a este estado de sonambulismo lúcido sempre consegui reparar as fadigas dos médiuns quando, após as longas sessões ou a obtenção de fenômenos materiais, achavam-se esgotados e pediam que atuasse sobre eles com passes magnéticos, para devolver-lhes as forças fluídicas despendidas; e cada vez, antes de despertá-los, certifiquei-me de que não sentiam cansaço algum e se encontravam em perfeita saúde.

Portanto:

1 – Todos os fenômenos que desejo relatar foram obtidos a plena luz, branca ou vermelha, e amplamente suficiente para poder enxergar as horas no relógio.

2 – Durante todas as sessões, os médiuns foram colocados por mim em sonambulismo, e mantiveram-se em comunicação constante tanto comigo como com os Espíritos Guias que dirigiam, através deles, o desenrolar das sessões.

Estas condições, que sempre mantive, permitem-me afirmar a realidade e a sinceridade de todos os fenômenos que vou expor, e também render homenagem à boa-fé dos médiuns, graças aos quais, reconheço-o, fomos realmente privilegiados.

Antes de empreender o relato das experiências feitas no Grupo Amizade e no Grupo Esperança, para guiar nas pesquisas àqueles que tiverem a vontade, a paciência e a perseverança necessárias para conduzir seus trabalhos a bom fim, e também para secundá-los com a experiência adquirida, desejo dizer o seguinte:

Não se deve esperar obter resultados notáveis em uma reunião numerosa demais. O propósito das sociedades espíritas não é mostrar aos incrédulos fenômenos extraordinários, e sim divulgar por todos os meios ao seu alcance, como sejam conferências, palestras, distribuição de folhetos, etc., a consoladora filosofia do Espiritismo, chamar a atenção de todos aqueles que duvidam, que sofrem e que buscam, e que têm o coração e a razão insatisfeitos pelos mitos religiosos com que foram enganados na infância; guiá-los para o caminho de uma filosofia positiva que se estabelece não sobre dados metafísicos mais ou menos disfarçados, e sim sobre fatos reais, absolutamente convincentes e rigorosamente controlados; incitá-los a investigar e pesquisar por si mesmos os fenômenos do Espiritismo para que possam deduzir as conseqüências que carregam e basear suas convicções apenas em experiências pessoais, uma vez que nada tem aos nossos olhos tanto peso como aquilo que nós mesmos controlamos. Mas para chegar a resultados satisfatórios, convincentes, é imprescindível colocar-se nas condições requeridas; para tanto há que se criar um círculo restringido de pessoas com desejos e sentimentos em comum, unidas entre si por certa simpatia, certa confiança recíproca. Quando em um grupo estabelecido sobre estas bases e composto de 8 a 15 pessoas no máximo, dos dois sexos se possível, consegue-se obter a harmonia fluídica necessária, estaremos perto de atingir a nossa meta: porém, repito, é preciso comparecer com grande assiduidade às sessões, muita regularidade, muita paciência e muitos esforços sobre si próprios; e ainda fica faltando a participação dos invisíveis que nos auxiliam, sem a qual a produção dos fenômenos seria impossível, ou seria apenas uma farsa; por último, é imprescindível um médium, desenvolvido ou não. Com boa vontade, boa-fé, com amor único pela verdade, o auxílio dos nossos Guias nunca nos faltará, nossos amigos do espaço sempre estão desejosos de nos comunicarem a sua simpatia e de nos demonstrarem sua presença quando a pedimos.

Levando em conta que em matéria de experimentação não existe nenhuma regra fixa e absoluta, os nossos amigos invisíveis serão, em muitos casos, nossos Guias para nos indicarem a direção a seguir nas sessões, o tipo de experiência a fazer segundo as faculdades desenvolvidas no médium ou médiuns; nessa hora, um bom sujeito magnético seria de grande utilidade, a não ser que exista no grupo um sujeito que entre em transe sob a influência dos invisíveis. Nessa hora, também, um conhecimento aprofundado da obra de Allan Kardec, O Livro dos Médiuns, será imprescindível não só para o chefe do grupo como também para os assistentes, para evitar os escolhos que possa apresentar a prática da mediunidade.

Em geral, primeiro é preciso estudar a filosofia espírita antes de sair à procura dos fenômenos.

É preciso passar, sempre, todas as manifestações pelo cadinho da razão, da consciência; e rejeitar sempre nos escritos mediúnicos qualquer bajulação, qualquer questão de ordem material; um nome apócrifo pode assinar uma mensagem, e será preciso analisá-lo e, acima de tudo, quanto mais respeitável, maior razão para rejeitá-lo, mesmo com a menor das suspeitas.

Nas nossas reuniões íntimas, quase sempre são nossos pais, nossos amigos defuntos, nossos Guias que nos auxiliam e se manifestam; quando se apresentar um espírito estrangeiro que não podemos reconhecer, devemos escutá-lo com cautela, principalmente se ele declara um nome que parece ser de algum personagem importante. Os Espíritos superiores não enfeitam seus conselhos com atavios vãos; eles se conformam com nos serem úteis e não tentam nos impor nada com um nome e um título pomposo.

A credulidade de alguns espíritas de boa-fé, mas que se deixam enganar muito facilmente por assinaturas mais ou menos ilustres, tem causado prejuízos demais à nossa filosofia como para não estarmos sempre alertas e não reagirmos energicamente contra a ingenuidade daqueles que aceitam tudo sem controle.

Por tanto, devemos ser sempre prudentes e perspicazes nas nossas experiências; e não renunciar nunca ao testemunho, ao controle da nossa consciência, da nossa razão; somente agindo assim é que poderemos esperar obter resultados sérios e satisfatórios, é que conseguiremos levantar o véu da casta Ísis e indagar no mistério do nosso destino.

Precisamos assimilar que o Espiritismo é um estudo sério e profundo; se queremos conseguir resultados sérios, precisamos gastar tempo e nos esforçarmos muito seriamente.

Alguns céticos eliminaram o hábito de fazer uma prece no início de cada sessão de evocações. Rejeitando seu misticismo, não compartilhamos essa opinião, pois a prece feita em comum, do fundo do coração e da ponta dos lábios é uma alavanca poderosa, uma força considerável que seria um erro desperdiçar; favorece a comunhão de pensamentos, de sentimentos, sem a qual os fenômenos espíritas quase não poderiam ser produzidos; ao mesmo tempo em que eleva os nossos corações para um ideal sempre superior, favorece a harmonia que sempre deve reinar entre os membros de um grupo de estudos espíritas.

Eu sei que os Espíritos fortes, em busca de alguma entidade quimérica, cantam o “mère gaudichon” ou o “petit navire” para lhe dar forças; é problema deles, nós espíritas entendemos que devemos nos mostrar dignos dos bons Espíritos se queremos que os bons Espíritos nos auxiliem.

Esta é a prece com que, no Grupo Amizade, abrimos sempre a sessão:

“Meu Deus, tem piedade daqueles que sofrem, dá forças aos fracos, saúde aos doentes e alento àqueles que precisam. Permite- nos, Senhor, conhecer os meios para chegar o quanto antes a Ti e dá- nos forças para colocá-los em prática. Permite aos nossos Guias virem em nosso auxílio e nos assistirem com os seus fluídos e seus conselhos nas nossas experiências e nos comprazerem sempre com a sua imprescindível colaboração.”

Acredito que esta evocação nada tem que possa assustar o livre pensamento de um espírita e fazê-lo passar por um místico.

Depois destas explicações que considerei indispensáveis, relato a seguir o detalhe fiel dos resultados obtidos no Grupo Amizade em Lyon, entre 1883 e 1890.

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