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23/07/2017

Quem foi: William Stainton Moses CHARLTON TEMPLEMAN SPEER


Seu pai, William Moses, era reitor da Escola de Gramática, e sua mãe, do mesmo condado, era filha de Tomas Stainton d’Alford. O jovem William começou os estudos sob a direção doe seu pai e foi em seguida confiado a um professor particular que, maravilhado pelas suas aptidões, se empenhou ardentemente com W. Moses para enviar o filho a uma escola pública. Em 1855, William entrou para a Escola de Gramática de Bedford; os três anos que ali passou proporcionaram-lhe os mais lisonjeiros elogios e testemunhos dos seus mestres, encantados por notar que as suas brilhantes faculdades se achavam aliado um inalterável sentimento do dever. William deixou a Escola depois de ter ganhado inúmeros prêmios e obtido uma das duas bolsas fundadas em favor desse estabelecimento.

De Bedford, Stainton Moses entrou para o Exeter College, Oxford, no começo da época de São Miguel, em 1858. A sua vida de estudante foi toda digna da vida escolar, e os professores tinham nele as maiores esperanças, quando as forças lhe faltaram, pois o excesso de trabalho o fez adoecer mesmo na véspera do dia em que devia fazer o último exame.

Na convalescença mandaram-no viajar. Quase um ano consagrou ele a percorrer o continente com amigos e, na volta, passou seis meses no velho mosteiro grego do monte Atos. A curiosidade e sobretudo uma grande necessidade de meditação e de insulamento o obrigaram a ficar por muito tempo nesse convento. Alguns anos depois, IMPERATOR, seu guia espiritual, cientificou-o de que, desde essa época, estava ele sendo influenciado por amigos invisíveis, que o haviam dirigido para o Monte Atos com o fim de ajudar na sua educação espiritual.

Aos 23 anos Stainton Moses voltou para Oxford, e aí, recebendo o diploma, deixou a Universidade em 1863. A sua saúde, posto que muito melhor, não se achava todavia bastante vigorosa. O médico aconselhou-lhe a vida do campo, o que o induziu a aceitar um curato em Maughold, perto de Ramsey, ilha de Man, onde permaneceu quase cinco anos substituindo o reitor que, por idoso e enfermo, não podia mais exercer as suas funções, assumindo Moses tarefa dupla. Uma epidemia de varíola que se manifestou pôs em relevo os recursos do coração e a intrepidez do caráter de Stainton Moses. Como não houvesse médico no distrito, o jovem pastor, que tinha alguns conhecimentos de medicina, tratou dos corpos e das almas das suas ovelhas. Dia e noite ele se multiplicava enquanto o flagelo ia assolando, até que, uma ou duas vezes depois de haver cuidado dos doentes e de os ter consolado, se viu obrigado a amortalhá-los e a preparar-lhes o túmulo, pois o pânico fez evadir até o próprio coveiro. As forças de Stainton Moses não enfraqueceram um instante nessa terrível provação, que o tornou ainda mais caro aos seus paroquianos; porém a sua saúde, que não podia suportar as obrigações impostas pela administração de duas paróquias, obrigou-o a procurar uma outra residência.

Logo que conheceram o projeto do pastor, dirigiram-lhe espontaneamente uma petição, redigida pelos habitantes grados, pedindo-lhe desistisse do seu intento e exprimindo o reconhecimento que lhe devotavam. Stainton Moses retirou-se pesaroso para ocupar, em 1868, o curato de Saint-Georges, Douglas, ilha de Man, onde caiu gravemente doente, sendo tratado pelo Doutor Stanhope Speer, que residia em Douglas com sua mulher e que não exercia mais a sua arte.

Dessa época datam as relações, que se tornaram íntimas e exerceram considerável influência sobre o futuro dessas três pessoas. Em setembro de 1869, Stainton abandonou o curato, onde tinha deixado profunda impressão pela prédica e caridade. Depois de alguns meses passados ainda em desempenhar interinamente funções eclesiásticas em Langton, e em um curato da diocese de Salisbury, uma moléstia de garganta, rapidamente agravada, obrigou o pastor a renunciar ao ministério, pois que o médico o proibiu de pregar. Moses partiu para Londres, onde desejava empregar-se como professor, e aí permaneceu perto de um ano, hóspede do Doutor e da Senhora 5peer, dirigindo como amigo a educação de seu filho, autor do presente artigo. Entre fins de 1870 e começo de 1871, Stainton obteve o lugar de professor de inglês na University College School, cargo que ocupou até 1889. Inútil será dizer que, tanto quanto lhe permitira a saúde, exerceu o cargo com zelo e talento.

Na qualidade de professor de inglês de uma grande escola, soube exercer influência sobre inúmeros discípulos, e muitos dentre eles recordava-se de seus excelentes conselhos, das suas amigáveis e perspicazes críticas sob o ponto de vista do estilo e gosto literários.

A acentuada personalidade de Moses exercia enorme influência sobre os colegiais confiados aos seus únicos cuidados, pois era costume antigo da University College School entregar a alguns dos professores um certo número de moços para dirigir-lhes ao moral e o físico. A influência de Stainton não cessava com a partida dos discípulos, que muitas vezes, em ocasiões críticas, lhe iam pedir conselhos, sempre dados com cordialidade, retidão e bondade.

Como as nossas relações de professor com o discípulo duraram mais de sete anos, sem interrupção, posso testemunhar a excelência do seu método de ensino. O seu esforço vencia qualquer dificuldade, e verificou-se que ele conseguia fazer compreender claramente o que ensinava. Quando, devido ao estado de saúde, foi obrigado a resignar as funções, o conselho da University College votou os seus agradecimentos a Stainton Moses em reconhecimento pelos longos e úteis serviços que tinha prestado à escola. Foi-lhe também enviada uma carta assinada por vinte e oito dos seus colegas, em que se exprimiam os mais afetuosos sentimentos.

A atenção de Moses foi em 1870 atraída para o espiritualismo, durante o tempo em que residiu na casa do Doutor Speer, em Londres. A Senhora Speer durante três semanas permanecera enferma, e para se distrair lia um dia “Debatable Land” (Terra Contestada), de Dale Owen. Interessando-se ardentemente por esse livro, logo que ela pôde reassumir o lugar na reunião de família, pediu ao seu hóspede para o ler e procurar descobrir o que podia haver de verídico nos fatos que o autor narrava. Ainda que pouco inclinado a ocupar-se do espiritualismo, que o não interessava e lhe parecia um efeito da prestidigitação, prometeu atendê-la. Havia já algum tempo que Stainton Moses e o Doutor Speer discutiam sobre diversos pontos de controvérsia religiosa. Ambos tendiam gradualmente para idéias pouco ortodoxas, quase gnósticas, mas, como estivessem cada vez menos satisfeitos com as doutrinas existentes, queriam a absoluta verdade sobre a vida futura e a imortalidade. Obter uma prova de base estritamente científica parecia impossível ao Doutor Speer, que se tornara rapidamente um materialista intransigente. Stainton, para cumprir a palavra que tinha dado a Senhora Speer, começou a estudar o espiritualismo, assistindo a várias sessões onde se achavam médiuns; a sua primeira experiência, digna de ser citada, realizou-se na primavera de 1872 com Lottie Fowler. Pouco depois o Doutor Speer, que continuava a considerar o espiritualismo como um absurdo contra-senso, foi levado pelo seu amigo à casa do médium William. Aí voltaram eles várias vezes e ficaram desde logo convencidos de que havia uma força exterior em ação; ficaram certos dessa opinião por uma notável sessão que se realizou em casa do Doutor Speer, sendo William o médium.

Nessa época, o poder mediúnico de Stainton Moses começou a desenvolver-se. As particularidades sobre essa fase da sua vida são amplamente narradas nas “Memórias da Senhora Speer”, publicadas no (Light) (Luz). Penso, porém, que devem interessar algumas das minhas recordações pessoais. Tive o privilégio de assistir às sessões que se realizaram durante os dois últimos anos da mediunidade de Moses. As impressões de uma outra testemunha podem ser úteis, quando confirmam novamente os poderes extraordinários do médium e a realidade dos fenômenos obtidos com a sua intervenção.

É importante notar que nunca se produziam menos de dez espécies diferentes de manifestações no decurso dessas sessões. Quando elas eram menos numerosas, diziam-nos que as condições eram desfavoráveis. Quando, ao contrário, as condições eram favoráveis, as manifestações se multiplicavam, as pancadas tornavam-se mais freqüentes, as luzes mais brilhantes e os sons musicais mais distintos.

ENUMERAREI RESUMIDAMENTE AS FORMAS DIVERSAS DOS FENÔMENOS

— I —

Grande variedade de pancadas, muitas vezes simultaneamente, produzindo ruídos que iam do som de uma pancada com a unha ao de fortes passadas que ,estremeciam o aposento. Cada Espírito produzia sempre um som distinto e algumas vezes de tal maneira particular que imediatamente era reconhecido. Esses sons eram muitas vezes ouvidos no quarto bem iluminado, para que os assistentes pudessem ver-se e, o que é mais importante, pudessem ver suas mãos; percebiam-se freqüentemente pancadas batidas na porta, no guarda-louça e na parede, distante da mesa em torno da qual estavam sentados. Certifiquei-me por todos os meios imagináveis de que essas pancadas não podiam ser devidas à intervenção humana.

— II —

Pancadas respondendo conexa e claramente a perguntas formuladas, dando às vezes comunicações muito extensas por meio do alfabeto. Nessa ocasião, todos os ruídos cessavam, exceto o que era peculiar ao Espírito que se comunicava; uma tranqüilidade perfeita reinava até à terminação da mensagem. Podíamos quase sempre designar imediatamente o Espírito, graças à feição muito distinta das pancadas que se provocava. Espíritos mais elevados nunca se manifestavam por pancadas; depois das primeiras sessões eles anunciavam sua presença por uma nota de música ou um rápido clarão, porém, entre os que se manifestavam conforme o modo ordinário, seria difícil esquecer o passo pesado de Rector, que estremecia o aposento ao mesmo tempo em que se tinha a impressão de que ele andava ao redor dos assistentes.

— III —

Inúmeros clarões, em geral visíveis a todos os assistentes, eram de duas espécies: objetivos e subjetivos. Os primeiros assemelhavam-se habitualmente a pequenos globos luminosos, que brilhavam francamente sem vacilar, e moviam-se com rapidez ao redor da sala, sendo vistos por todos os assistentes. Maravilhou-me sempre um fato curioso relativo a essas luzes; olhando-se por sobre a tábua da mesa podia-se ver um clarão subir lentamente do chão e, conforme toda a aparência, passar através da madeira da mesa, que parecia não opor nenhum obstáculo nem à luz, nem à vista dos assistentes. E difícil dar uma explicação perfeita do que quero dizer, mas ainda que a tábua da mesa fosse de vidro, o efeito da luz ascendente teria sido o mesmo que o que víamos através do acaju maciço, sendo além disso preciso que o vidro fosse perfurado para deixar emergir o clarão. As luzes subjetivas eram descritas pelos que podiam vê-las (Moses, a Senhora Speer e alguns outros) quais grandes massas de vapor luminoso, a flutuar no quarto sob as mais variadas formas. Sendo eu e o Doutor Speer de natureza antimediúnica, nunca pudemos observar senão os clarões objetivos, que tinham a propriedade de, qualquer que fosse o seu brilho, não irradiar nem iluminar todo o local como a lâmpada ordinária o fazia. Em cima, embaixo e ao redor reinava a escuridão.

— IV —

Perfumes variados eram sempre trazidos ao nosso grupo; principalmente o almíscar, a verbena, o feno fresco e um aroma desconhecido; cheiro de Espírito, disseram-nos. Algumas vezes uma aragem saturada de perfumes perpassava em redor de nós, outras vezes derramavam grande quantidade de almíscar líquido nas mãos dos assistentes, ou em nossos lenços quando o pedíamos. Ao terminar as sessões, quase sempre se exalava da cabeça do médium um perfume, que quanto mais enxugávamos mais intenso se tornava.

— V —

Inúmeros e variados sons musicais ocupam um lugar proeminente na série dos fenômenos de que fomos testemunhas. Tendo eu recebido profunda educação musical, estava habilitado a aquilatar em seu justo valor a importância dessas manifestações, bem somo me achava em posição de julgar da maior ou menor possibilidade da sua emissão por meios naturais ou pela intervenção humana. Esses sons podem, no todo, ser divididos em duas classes: os que provinham incontestavelmente de um instrumento, um harmônio, colocado no compartimento onde fazíamos todos a cadeia ao redor da mesa, e os que ressoavam em um local onde não havia piano, violão ou qualquer outro instrumento. Os sons obtidos sem nenhum intermédio aparente eram naturalmente os que mais nos admiravam. Desses podiam distinguir-se cerca de quatro, que ofereciam sensíveis diferenças:

A ) – Aquele a que chamávamos as campainhas mágicas parecia o tilintar produzido por um pequeno martelo batendo sobre teclas de vidro; eram claros os sons, vibrantes, melodiosos, e, posto que nunca exibissem um trecho completo, deslizavam, a pedido, uma escala perfeita ascendente e descendente. Era difícil saber donde provinham os sons. Muitas vezes apliquei o ouvido na mesa, mas o músico parecia estar na madeira, por baixo, e se, ao contrário, me colocava embaixo, então o executante parecia estar em cima da mesa.
B ) – Um som que parecia ser emitido por um instrumento de cordas, assemelhando-se mais ao nosso violoncelo que a qualquer outro, ainda que mais sonoro e poderoso, o qual apenas produzia notas insuladas e só era emitido por um Espírito que se servia dele para responder às perguntas em vez de o fazer por pancadas.
C ) – Um som que imitava exatamente o tilintar de uma campainha ordinária, e que era vibrado alegremente para anunciar a presença do Espírito ao qual esse som pertencia. Como era natural, tínhamos tomado a precaução de verificar se não existia campainha no local, mas, embora houvesse alguma, dificilmente poderia ela tanger de todos os lados ao longo das paredes e do teto.
D ) – Um som dificílimo de descrever, mesmo de maneira aproximativa. Não posso dar uma ideia dele sem o auxílio da perspicácia do leitor; peço-lhe pois imaginar o agradável som de um clarinete, aumentando de intensidade até produzir o som estrepitoso de um clarim e diminuindo de novo até a primeira emissão abafada, som que às vezes também se extinguia em gemido longo e melancólico. Como nunca ouvisse nada que se aproximasse desse som verdadeiramente extraordinário, só posso descrevê-lo muito insuficientemente, O caso extraordinário que só tivéssemos obtido notas insuladas e, quando muito, compassos destacados. Os agentes invisíveis atribuíam isso à organização antimusical do médium.

— VI —

Recebíamos muitas vezes a escrita direta em uma folha de papel colocada ao centro de mesa, em igual distância de cada um dos assistentes. Às vezes um de nós colocava as mãos sobre um pedaço de papel datado e marcado, e ordinariamente ao fim da sessão achava-se nele escrita uma comunicação; se colocarmos ou um lápis ou um fragmento de chumbo sobre o papel, o resultado era o mesmo. Em geral, a escrita respondia às nossas perguntas, mas recebíamos uma ou outra vez comunicações independentes, resumidas e de boa fonte.

— VII —

Não era raro verem-se corpos pesados, mesas, cadeiras, postos em movimentos assinalados, por exemplo: ser a mesa elevada a um ângulo considerável; as cadeiras de um ou de vários assistentes serem empurradas para longe da mesa, até a parede, que se achava a alguma distância, ou, enfim, a mesa afastar-se das pessoas que estavam sentadas de um lado para se aproximar irresistivelmente das que se achavam em frente, e que tinham de se retirar para não serem ofendidas por tão pesado móvel. Esse móvel, ao redor do qual tínhamos o costume de nos sentar, era uma mesa de sala de jantar, de sólido acaju de Honduras, de enorme peso, o que lhe não impedia fosse movida com uma facilidade que os nossos esforços reunidos não podiam atingir, sendo-nos pois impossível impedi-la de ir a tal ou qual direção. Experimentamos muitas vezes, porém sempre em vão, impedir essa invisível e poderosa força.

— VIII —

Passagem da matéria através da matéria, que se produzia algumas vezes de maneira surpreendente pelo transporte de diversos objetos através de portas fechadas e aferrolhadas, fotografias, quadros, livros e outros objetos provenientes dos quartos vizinhos ou dos do andar superior nos eram trazidos, não sei como, sem que todavia o processo empregado os estragasse.

— IX —

Emanação bocal diretamente do Espírito, em vez da voz produzida pelo médium em transe, raras vezes foi ouvida e nunca era distinta. Quando, excepcionalmente, se obteve essa manifestação pudemos, prestando grande atenção, distinguir uma ou duas frases truncadas, antes sibiladas em um murmúrio rouco, do que pronunciadas. Esses sons emitidos, com evidente dificuldade, pareciam, em geral, lançados no ar sobre nós. Muitos outros meios de comunicação oferecidos, como a voz direta, pouco pesquisamos.

— X —

A Senhora Speer tratou extensamente, nas suas “Memórias”, dos discursos pronunciados por Moses em estado de transe, sob a direção de diversos Espíritos. Acrescentarei a minha impressão pessoal. Que a voz, passando pela boca do médium, não era a dele, isso se percebia imediatamente; as idéias também estavam muitas vezes em desacordo com as que naquele momento Stainton Moses professava. Inúmeros Espíritos se serviam desse modo de comunicação, e a voz que se ouvia mudava e reconhecíamos perfeitamente nela a inteligência que se comunicava, pelo som da voz e pela maneira de se enunciar. Ouvíamos um ou dois discursos em cada sessão, os quais eram sempre articulados com um tom digno e moderado, em termos claros e persuasivos.

Durante o período ativo da sua mediunidade, Stainton Moses ocupou-se assiduamente em formar sociedades cujo fim era o de estudar o espiritualismo e todas as questões a ele concernentes. Contribuiu para criar: – A Associação Nacional Britânica dos Espiritualistas, em 1873; a Sociedade Psicológica da Grã-Bretanha, em abril de 1875, da qual foi um dos primeiros membros do Conselho; a Sociedade das Pesquisas Psíquicas, em 1882. Enfim, fundou a Aliança Espiritualista de Londres, da qual foi o primeiro presidente, cargo esse em que se conservou até a morte. Ele passou para outro, pouco antes do seu decesso, a incumbência de dirigir a publicação do “Light”, jornal espiritualista. A sua atividade mediúnica quanto aos fenômenos físicos cessou completamente, mas até a morte conservou a faculdade de escrever automaticamente.

Desde 1889, a sua saúde enfraqueceu, ataques sucessivos de influenza minaram-lhe a constituição, que nunca foram robusta, e a 5 de setembro de 1892, no momento em que todos o julgavam fora de perigo, expirou, causando esse acontecimento profunda emoção nas pessoas que o conheciam.

A personalidade de Stainton Moses era muito interessante, só podendo apreciá-la em seu justo valor quem vivesse em sua intimidade. A força do seu caráter era pouco comum, surpreendente as suas faculdades excepcionais e a variedade das suas aptidões. Nenhum trabalho rejeitava, nenhuma particularidade lhe parecia insignificante quando se tratava de servir a verdade. Consciencioso até ao escrúpulo, cumpria os seus deveres profissionais devotadamente e ocupava-se das pesquisas espiritualistas e da imensa correspondência que elas impunham, com enérgico ardor. Sempre pronto a responder e a auxiliar, o mais que pudesse, aos pesquisadores da verdade, ele consagrava uma parte do tempo a visitar muitas personagens consideradas por sua posição social, política, literária, científica ou artística, as quais, interessando-se pelos fenômenos espiritualistas, desejavam ouvi-lo sobre esse assunto. Essas pessoas estão vivas, mas não querem que os seus nomes sejam publicados.

Fora do espiritualismo, Stainton Moses oferecia um conjunto de qualidades, raras vezes reunidas em um só indivíduo. Justo, cordato, de um julgamento reto e são, nunca outro homem teve coração mais cálido, simpatias mais ardentes nem foi mais empenhado em ajudar por conselhos àqueles que se lhe dirigiam. Muito modesto, ele não tinha nenhuma vaidade pelos seus dons mediúnicos, raros no gênero; não recusava jamais discutir, nem menosprezava nenhum contraditor. A esclarecida inteligência de Moses e o seu espírito lógico permitiam-lhe confundir de modo decisivo os antagonistas que se arriscavam a atacá-lo sem razão nem saber. Stainton Moses gostava do retiro e fugia de exibir-se em público para falar ou presidir “meetings”. Os seus dons obrigaram-no a sacrificar a sua inclinação e a sair muitas vezes dos hábitos de pesquisador, mas a isso se submetia com coragem, tato e discrição, preenchendo o seu dever e dando exemplo do perfeito esquecimento de si mesmo. Granjeou o respeito afetuoso e a estima de centenas de homens, que amam a lembrança da sua amizade e a conservam como um legado precioso.

Nos limites de uma curta notícia é impossível dar um esboço completo do caráter de Stainton Moses. Ser-me-ia agradável insistir sobre os admiráveis elementos que lhe compunham o caráter; o amor da verdade, a pureza, a integridade, a amizade confiante, generosa, grande e calorosa desse homem, ao qual nenhuma soma de orgulho, de fanatismo ou de presunção maculava. Que elogios poderia eu fazer que pudessem aumentar o afeto e a veneração das pessoas que o conheceram, quando àqueles que não tiveram essa felicidade só posso dar uma fraca ideia do seu mérito e do seu talento. Que possamos colher um útil auxílio dos inspirados ensinos que ele nos legou e aos quais esta memória deve servir de introdução, e durante algum tempo repitamos ainda a velha fórmula: “Requiescat in pace“.

 

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