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27/04/2017

Quem foi: Henri Sausse Licurgo S. de Lacerda Filho


Praticamente todos os informes que hoje possuímos da vida pessoal e da missionária de Allan Kardec devemos ao representante comercial francês, nascido em Lyon, Henri Sausse (1851-1928).

Henri descobriu-se médium aos dezesseis anos, quando ouvia ruídos inexplicáveis na casa de seus pais. Em 1869, quando Allan Kardec desencarnou, ele passou a se dedicar com afinco aos estudos das obras do codificador. Nesta época filiou-se ao “Groupe Finet”, que realizava reuniões mediúnicas com a presença de mais de trinta e cinco pessoas.

O prefeito de Lyon recebeu, em 1873, determinações da “Ordem Moral” – recurso mencionado no capítulo 21, da segunda parte, desta unidade – para proibir reuniões espíritas, sob a acusação de anarquia. O “Groupe Finet” foi fechado. Contudo, alguns médiuns continuaram as sessões na residência de Sausse. As mensagens recebidas eram destruídas após cada encontro, para evitar que fossem deixados vestígios que pudessem servir de prova contra os componentes. Passado o período da repressão o grupo voltou a reunir-se até o desencarne do Senhor Finet.

Em 06 de maio de 1883, Pierre-Gaetan Leymarie, então diretor da “Revue Spirite” (Revista Espírita), reuniu-se com os espíritas de Lyon. No encontro o poeta francês Adolphe Laurent de Faget, propôs a criação de uma Federação para reunir os espíritas lioneses. Apesar de a idéia ter sido aceita por todos, o resultado final não foi a criação de uma Federação, mas sim, da “Société Fraternelle dÉtude Scientifique et Morale du Spiritisme” (Sociedade Fraternal de Estudos Científicos e Morais do Espiritismo). Em 30 de setembro de 1883, Adolphe tornava-se o seu presidente e Sausse o vice-presidente.

As atividades de Henri no meio espírita não cessavam. Ele ajudou na criação e se tornou dirigente, em agosto de 1883, do “Groupe Amitié” (Grupo Amizade), composto por seus amigos da Sociedade Fraternal. O grupo dedicava suas reuniões à educação da Mediunidade dos participantes; utilizavam o recurso das “mesas girantes”, mas, apesar dos constantes encontros, não conseguiram nenhum fenômeno. Em busca de respostas para o insucesso, Henri provocou a hipnose em uma jovem médium de nome Louise; o resultado foi a resposta: “Quando se sabe ler corretamente não se tem mais necessidade de soletrar. Todos sabem escrever, escrevam por conseguinte, em vez de perder o vosso tempo e o nosso”.

A partir desta orientação eles abandonaram as “mesas girantes” e se dedicaram primeiramente ao estudo do magnetismo (hipnose). Em janeiro de 1884, por meio da mediunidade de Louise, assistiram ao transporte de rosas; em maio foram surpreendidos com a escrita direta. O grupo começava a obter resultados com seus esforços.

As materializações de Espíritos foram obtidas após insistentes tentativas. Em 11 de fevereiro de 1889, conseguiram obter moldes em parafina das mãos do Espírito Esther (um dos que se materializava para o grupo). As atividades do Grupo Amizade duraram até 28 de outubro de 1890, quando Louise casou-se.

Por ocasião da visita de Gabriel Delanne, em julho de 1885, Henri voltou à questão levantada por Adolphe Laurente de Faget, quando da visita de Leymarie. Por sua insistência foi criada, oficiosamente, a “Fédération Spirite Lyonnaise” (Federação Espírita Lionesa). Por meio desta Federação, Henri fundou, em 1888, uma sociedade de socorro mútuo composta por espíritas Lioneses para ajudar aos necessitados durante o rigoroso inverno francês. A Federação Espírita Lionesa foi a responsável pela visita de Léon Denis, em 1887.

Durante o 2º. Congresso Espírita e Espiritualista Internacional, Henri Sausse foi nomeado secretário da Comissão de Propaganda, presidida por Léon Denis. A amizade que se formou entre os dois espiritistas propiciou a Henri elementos para escrever uma biografia de Denis.

Entretanto, não foi aquele o único relato biográfico escrito por ele. Em 1896, Henri realizou uma de suas principais contribuições aos espíritas: a biografia de Allan Kardec. Para tanto pesquisou documentos e obteve informações com pessoas próximas ao codificador, particularmente Leymarie. A “Biographie d´Allan Kardec” (Biografia de Allan Kardec), é talvez até hoje a principal fonte de consulta para os que pretendem conhecer algo da vida do codificador.

Reunindo esforços ele conseguiu oficializar a Federação Espírita Lionesa, em 02 de agosto de 1903, nela sendo nomeado secretário-geral.

Em 21 de março de 1910, criou o “Groupe Espérance” (Grupo Esperança). É interessante ressaltar que o nome foi sugerido pelos Espíritos orientadores. Seus componentes decidiram tornar o grupo rigorosamente fechado para curiosos; novos elementos só seriam admitidos com a aprovação dos Espíritos.

No Grupo Esperança a médium era a jovem Bernadette (chamada carinhosamente de Bedette por Henri). Depois, em 03 de fevereiro de 1913, Louise retornou às atividades para auxiliar o grupo.

Durante as sessões do novo grupo foram realizadas diversas materializações, o primeiro objeto materializado foi um anel que o Espírito Esther deu de presente para a médium Bedette; para se obter o ajuste perfeito no dedo da jovem foram necessárias vinte sessões. Na medida em que as materializações ficaram mais sofisticadas os Espíritos revelaram que a presença de Henri, em virtude de sua mediunidade, era fundamental para a realização dos fenômenos.

Em 27 de junho de 1914, os Espíritos deram uma licença não solicitada para que seus membros se afastassem por um período, depois se descobriu que foi em virtude da Primeira Guerra Mundial que foi declarada no dia seguinte.

Pouco antes do final da guerra, em 01 de janeiro de 1918, Henri passou a editar o periódico mensal “Spiritisme Kárdeciste” (Espiritismo Kardecista) – é bem verdade que Kardec não admitia vincular desta forma seu nome ao Espiritismo, pois ele sabia que o Espiritismo é obra dos Espíritos.

Por fim, em 1923, depois de estar à frente da Federação por trinta e oito anos, Henri transferiu o cargo de secretário-geral e mudou-se para a aldeia francesa Drôme, onde passou a atualizar a quarta edição da biografia de Kardec. Desencarnou naquele local em 26 de fevereiro de 1928.

“É um fato para mim incontestável, que se as obras de Allan Kardec fossem lidas frequentemente e mais seriamente, seriam mais bem compreendidas, seus ensinos melhor observados, e seria apreciado o seu justo valor pelos detratores que o desacreditam apenas por conhecê-lo mal, ou mesmo por não conhecê-lo de forma alguma”.

 

Fonte: Livro: A Mediunidade Na História Humana – Vol. III

 

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