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25/07/2017

Quem Foi: Caírbar de Souza Schutel O Bandeirante do Espiritismo


Foi grande divulgador do Espiritismo. A sua missão na Terra foi das mais completas. Ele atuou no campo da imprensa escrita e falada, escreveu e publicou livros, proferiu palestras e conferências e, acima de tudo, soube exemplificar tudo aquilo que ensinava, pois, a caridade presidia sempre seus atos.

Aos 17 anos de idade trabalhou como prático de farmácia. Procurando emprego, ficou sabendo que em Matão não havia farmácia e nem outra infraestrutura, tratou logo de montar uma, denominando-a Farmácia Schutel.

Adentrou no campo da política, fez de Matão um município, assumiu a prefeitura em 28/05/1899. Inaugurou um programa de desenvolvimento, fazendo com que a cidade progredisse. Era um administrador na verdadeira acepção da palavra. Era humanitário, probo, patriota.

Suspirou em conhecer algo novo, o espiritismo, possuía um amigo que fazia algumas sessões, mas que estava desanimado com as solicitações dos espíritos: queriam lhe pedir missas. Mas Caírbar convenceu-o a realizar uma sessão para que ele pudesse conhecer. Seu amigo Calixto concordou e assim se comunicaram muitos espíritos e finalmente ocorreu uma importante e decisiva comunicação atribuída ao espírito de D. Pedro II, último imperador do Brasil. Tratava- se de mensagem de alto nível. Esse acontecimento fez com que Caírbar no dia seguinte solicitasse urgente o Evangelho Segundo o Espiritismo e o Livro dos Espíritos de Allan Kardec.

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Aprofundou-se nos estudos, analisou e comparou com outras religiões. Ele fez dos ensinamentos da Doutrina Espírita a sua norma de conduta, compreendia que essa doutrina é a caridade em ação. Foram inumeráveis os atos humanísticos que o apóstolo de Matão praticou, tornando-se um paradigma para os espíritas do futuro. Ele tornou-se a personificação da caridade para todos que buscavam, sequiosos de esclarecimentos para a alma e de alívio para os problemas do corpo. Fundou em 15/07/1905 o “Centro Espírita Amantes da Pobreza”.

Foi perseguido pelo clero, mas não deixou-se abater, lutou para que seu Centro Espírita continuasse funcionando.

Caírbar Schutel era a caridade em ação. Em sua residência, na farmácia, no Centro Espírita, ou em outro lugar onde se achasse, praticava atos altruísticos sempre que necessários. Chegou a merecer o cognome de “pai da pobreza” ou “pai dos pobres de Matão“. O preceito cristão “amai ao vosso próximo como a vós mesmos” havia sido assimilado por ele em toda a sua plenitude. Sua inteligência era grande, mas maior era seu coração. Os próprios adversários do espiritismo não tinham coragem de atacá-lo, tão grande era a sua projeção moral. E a grandeza da sua dedicação fazia que o estimassem, cheios de respeito.

Lançou em 15/08/1905, o primeiro número do Jornal O Clarim, um cometimento arrojado na época. Abriu uma Editora onde passou a imprimir o Clarim, os próprios livros e de outros autores.

Em 15/02/1925 lançou a Revista Internacional de Espiritismo.

Em 1936 fez um programa radiofônico espírita pela Rádio Cultura de Araraquara, PRD-4. Agigantou-se e projetou- se como um dos mais lídimos missionários da Terceira Revelação.

São muitos os livros publicados:

  • “Espiritismo e Protestantismo (1911)”;
  • “Histeria e Fenômenos Psíquicos (1911)”;
  • “O Diabo e a Igreja (1914)”;
  • “Espiritismo para as Crianças (1918)”;
  • “Interpretação Sintética do Apocalipse (1918)”;
  • “Médiuns e Mediunidade (1923)”;
  • “Gênese da Alma (1924)”;
  • “Materialismo e Espiritismo (1925)”;
  • “Fatos Espíritas e as Forças X… (1926)”;
  • “Parábolas e Ensinos de Jesus (1928)”;
  • “O Espírito do Cristianismo (1930)”;
  • “A Vida no Outro Mundo (1932)”;
  • “Vida e Atos dos Apóstolos (1933)”;
  • “Livro de Preces (1936)”;
  • “Conferência Radiofônicas (1937)”, além de Cartas a Esmo e uma obra intitulada: “O Batismo”.

Era homem de fé, contou um amigo o seguinte caso:

“Estando o Sr. Schutel atendendo a uma criança pobre, já com aspecto cadavérico, tal o estado de desidratação, pediu-me um vidro com água destilada e nele pingou gotas de homeopatia, entregando depois o vidro à mãe e dando-lhe instruções sobre a alimentação do bebê. Eu então perguntei ao Sr. Caírbar: — Mas esse remédio vai curar essa criança? E ele respondeu: Esse remédio vai ajudar muito, mas o que cura virá lá de cima, por isso, quando você manipular qualquer medicamento, tenha o pensamento voltado para o Pai celestial, pois é de lá que vem a cura”.

Divulgava o espiritismo e promovia intenso e persistente combate aos falsos cristãos.

Leopoldo Machado, em seu livro “Uma Grande Vida“, discorre a personalidade de Schutel:

— “Irradiava simpatias. Sua presença era um dínamo de animação e entusiasmo. Dir-se-ia que perto dele, amava-se o trabalho não pelo próprio trabalho, mas pelos exemplos de Caírbar; que se amava o sofrimento para imitá-lo. Amava-se a verdade e a sabedoria para segui-lo. É que ele, sempre animadoramente, dava, como os recursos materiais de que dispunha, o coração, a inteligência, mandava-se a seu contacto. Os pobres sentiam-se menos pobres, perante seu grande amigo. Os ignorantes sempre tinham o que aprender. Os deserdados da sorte podiam contar com um amigo. Os indecisos com a decisão firme, com exemplos fortes de perseverança e fé”.

Aos 69 anos já era conhecido como um dos mais respeitáveis espíritas do Brasil e internacionalmente.

Já acamado em 1938 e com muita confiança num espírito conhecido por “pai João”, e este havia-lhe assegurado que até o último Domingo de janeiro ele ficaria curado. O velho seareiro, no entanto, estava mais propenso a acreditar que a tal prometida cura seria o seu desenlace. E assim aconteceu.

O corpo do seareiro já estava na urna funerária, quando o Espírito Cairbar fez um médium sentir suas influências de modo muito mais intenso. Nova hesitação, mas o Espírito impeliu-o com veemência e de forma irresistível, e deste modo, diante de seu próprio corpo, o Espírito desencarnado teceu belíssima dissertação sobre a imortalidade da alma, deixando bem claro que a alma não se encerra no túmulo. A comunicação espiritual representou verdadeiro bálsamo suavizador para todos os presentes.

Cairbar colocava acima de tudo os superiores interesses da Doutrina Espírita, por isso chegou a dizer certa vez a José da Costa Filho, referindo-se aos seus bens materiais:

— “Se for preciso venderei tudo isto para dar continuidade ao trabalho de divulgação do Espiritismo”. Foi na realidade UMA GRANDE VIDA.

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3 Responses “Quem Foi: Caírbar de Souza Schutel O Bandeirante do Espiritismo

  1. Ivonete
    15/04/2016 at 09:45

    Os deserdados da sorte podiam contar com um “inimigo.” Nesse parte da frase que destaquei acho que a palavra certa é AMIGO.

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    • 15/04/2016 at 13:19

      Olá Ivonete,
      Obrigado pela observação. Já efetuamos a correção do termo!
      Atenciosamente,

      Editor geral.

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