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18/11/2017

Quem foi: Arthur Conan Doyle Biografias


Dada a projeção de seu nome em todo o mundo, Arthur Conan Doyle tornou-se um dos mais renomados espiritualistas do presente século, devendo-se a ele apreciável parcela da penetração que o Espiritismo alcançou em muitos países de fala inglesa, principalmente nos anos que se seguiram à grande catástrofe que foi a I Grande Guerra de 1914/18.

Muito pouco se sabe sobre a sua ascendência, entretanto, seu avô era o famoso caricaturista John Doyle. Seu pai, Charles Doyle, era um artista, possivelmente “Sir” Francis Hastings Charles Doyle, poeta nascido no Condado de York, em 1810 e desencarnado em 1888.

Arthur Conan Doyle fez sua educação no Stonyhurst College, na Alemanha, e na Universidade de Edimburgo, onde, em 1881, terminou o curso de medicina (M.B.) e quatro anos mais tarde o doutorado em medicina (M.D.).

Ainda bastante jovem, encetou numerosas viagens pelas regiões árticas e costa ocidental da África. Nessa época escreveu “A Study in Scarlet”, publicada em 1887, quando já estava clinicando em Southsea. No ano seguinte fez editar “Micah Clarck”. A história da rebelião de Monmouth. “The sign of Four”, em 1889 e em 1891 — “The White Company”, que alcançou grande sucesso. Nesse mesmo ano de 1891, conquistou enorme popularidade com as “Aventuras de Sherlock Holmes”, que apareciam em “The Strand Magazine”.

Com a criação do genial Sherlock Holmes, cujas primeiras aventuras apareceram em “A Study in Scarlet”, a prática da medicina de “Sir” Arthur Conan Doyle foi relegada a plano secundário, à medida que avançou a fama do escritor.

Em 1893 reaparece o genial detetive nas “Memórias de Sherlock Holmes”, seguidas de “O Cão de Baskervilles”, em 1902 e de “A Volta de Sherlock Holmes”, em 1905.

Ele não se limitou a esse gênero literário.

Já em 1896 publicava alguns estudos históricos, dentre eles “As Explorações do General Gerard”. Foram também de sua autoria “A História de Waterloo”, “The Fires of Fate”, “The House of Temperley” e “The Poison Belt”.

Nos momentos críticos a sua pena esteve a serviço da Inglaterra. Ele não procurou servir a grupos isolados, mas tão somente à sua Pátria, fazendo-o com honestidade e elegância. Desta forma, em defesa do Exército Britânico na África do Sul, publicou em 1900, “The Great Boer War” e, dois anos depois, um estudo mais minucioso dessa guerra, intitulado “The War in South África; its Causes and Conduct”. Nessa época Conan Doyle já havia sido agraciado pelo governo inglês com o título de “Sir“.

Pouco antes já havia publicado “The Tragedy of the Korosko”, em 1898, uma pequenarhistória do Sudão anglo-egípcio e “The Green Flag”, que aborda assuntos de origem africana. Nesse mesmo grupo se inclui a sua obra-prima “Sir Nigel”. Publicou, ainda, de 1894 a 1912, oito obras abordando assuntos diversos, dentre elas alguns romances.

De 1915 a 1920, dentre outros trabalhos destacam-se “Cause and Conduct of the World War”, que logrou traduções em doze idiomas, e “History of the British Campaign in France and Flanders”, que representou a sua última contribuição para a sua terra e para a sua gente no sentor político.

O recurso de que era dotado para exteriorizar a sua imaginação, secundado pela comunicabilidade do seu estilo e a espontaneidade do seu poder criativo, fizeram dele um escritor de renome mundial, admirado por todos os povos.

O insigne novelista foi, em decorrência, um precursor dos métodos científicos de pesquisa policial e admirável historiador.

Falemos agora de “Sir” Arthur Conan Doyle espiritualista. Nos últimos anos do século passado, grandes médiuns ingleses, norte- americanos e de outros países haviam chamado a atenção de figuras de renome do mundo científico inglês. Os fenômenos eram patentes em toda a parte. Era o advento do novo-espiritualismo, provocando polêmicas, controvérsias, críticas e entusiasmos. Em 1882 foi fundada a “S.P.R.” (Sociedade de Pesquisas Psíquicas), da qual grandes vultos da ciência se tornaram associados.

No dia 2 de julho de 1887, a revista inglesa “Light”, publicou a célebre carta de Conan Doyle, dirigida ao seu diretor delineando as razões da sua conversão ao Espiritismo. Essa mesma carta foi reproduzida na adição de 27 de agosto de 1927, da mesma revista.

O conhecido pioneiro espírita brasileiro Caírbar Schutel, também publicou sua tradução, na edição de 15 de julho de 1929, da “Revista Internacional de Espiritismo”. Nessa carta ele manifesta a sua profunda compreensão dos postulados da Terceira Revelação, e essa confissão de fé espírita representa valioso documento da História do Espiritismo.

São também de sua autoria as obras .“História do Espiritismo” e “A Nova Revelação”, ambas já vertidas para o português, e “A Mensagem Vital” e “Memórias e Aventuras”.

Conan Doyle engrossava as fileiras dos materialistas-deístas, quando teve a oportunidade de presenciar as primeiras sessões realizadas com a mesa “pé-de-galo”, e de ler as “Memórias do Juiz Edmonds”. A curiosidade predominava então em seu Espírito, o qual demonstrava nítida propensão para o ceticismo, entretanto, não deixava de ler todos os livros que abordavam problemas psíquicos que surgiam no mercado livreiro.

No ano de 1891, a “Sociedade Dialética de Londres” publicou extenso relatório que muito o impressionou, levando-o a ingressar no quadro de associados daquela douta organização.

A sua conversão definitiva para o Espiritismo concretizou-se em sua plenitude quando leu a obra “A Personalidade Humana e sua Sobrevivência após a Morte”, de Frederich Myers, obra essa que teve o mérito de receber dele os mais francos encômios. Nessa altura escreveu ele:

Sir Arthur Conan DoyleEnquanto considerei o Espiritismo como ilusão vulgar de ignorantes, tratei-o com desprezo, mas quando o vi apoiado por sábios como Crookes, o maior químico inglês, por Wallace, o rival de Darwin, e por Flammarion, o mais conhecido dos astrônomos, não pude mais desprezá- lo.

Sua esposa, após ter-se comunicado com o Espírito de um seu irmão desencarnado em Mons, tornou-se a sua mais eficiente assessora, passando a acompanhá-lo em um número incontável de viagens de propaganda, encetadas à África do Sul, Cabo da Boa Esperança, Rodésia e Nairóbi, onde teve a oportunidade de falar a um auditório de 10.000 pessoas, sendo sempre ouvido com inusitado interesse e admiração, o que o levou a afirmar:

Em três anos de seguidas conferências, durante as quais visitei quase todas as nossas grandes cidades, nunca fui interrompido e tenho a convicção de jamais haver maçado os ouvintes.

Conan Doyle havia-se convencido de ser o Espiritualismo Moderno uma nova revelação, de suma importância não só para a ciência, para a medicina e para a criminologia, mas também destinada a penetrar fundo no campo da filosofia e da religião.

Quando se cogitou de elevá-lo a Par do Reino Unido da Grã-Bretanha, que é a mais relevante distinção que um homem pode ambicionar na Inglaterra, o fato significou o reconhecimento tácito do seu valor moral e intelectual.

Uma condição surgiu, no entanto, deveria abjurar as suas idéias espíritas. Essa exigência encontrou nele a mais franca repulsa, embora sabendo com antecipação que a sua fidelidade ao Espiritismo significava a perda daquela excepcional oportunidade, além de perder numerosos amigos apegados a sectarismos e preconceitos. Ele, no entanto, situou a verdade acima de tudo, preferindo continuar a apregoar uma mensagem nova repleta de amor e paz para o gênero humano.

A sua recusa em trocar a glória de um título mundano pelo abandono de uma ideia libertadora, que ele reputava ser a lídima expressão da verdade, acarretou-lhe muitos detratores, porém, ele não os combateu, reconhecendo ser homens bitolados pelas mais variadas formas de observância de meros tradicionalismos.

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