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25/04/2017

Quem foi: Alexander N. Aksakof


Dentre os grandes cientistas que se notabilizaram na investigação e análise dos fenômenos espíritas, nos últimos anos do século passado, destaca-se a figura respeitável de Alexander N. Aksakof, membro de tradicional família da nobreza russa, doutor em filosofia e conselheiro íntimo de Alexandre III, Tzar de todas as Rússias.

No desenrolar de sua mocidade, demonstrou acentuada tendência para uma vida de seriedade, palmilhando caminho diferente e revelando notáveis qualidades de investigador, preocupado com as coisas da alma e do mundo espiritual. Devido a essa sua inclinação, teve que enfrentar prolongados anos de vicissitudes espirituais e sociais.

Conquistando o pergaminho de doutor, enveredou pelos árduos caminhos que conduzem ao êxito no campo do conhecimento, tornando-se lente da Academia de Leipzig, na Alemanha.

Integrando-se resolutamente no campo da investigação psíquica, tornou-se diretor do jornal “Psychische Studien”, órgão publicado na Alemanha. Não satisfeito com o seu trabalho na direção desse órgão, lançou em Moscou, no ano de 1891, a revista de estudos psíquicos “Rebus”, a primeira do gênero que apareceu na Rússia.

O seu nome já era bastante conhecido, como notável doutor em filosofia, quando sustentou viva polêmica com o filósofo alemão, Dr. von Hartmann, no decurso da qual refutou, com sobeja superioridade científica e demonstrações irretorquíveis, as explicações do sábio alemão sobre os fenômenos espíritas, aos quais atribuía um fundo biológico.

Aksakof realizou numerosas experiências e observações no campo científico, tendo realizado trabalhos tão profundos, tão interessantes, que até hoje jamais foram excedidos em matéria de Espiritismo experimental. Para a consecução dessa finalidade, valeu-se do valioso concurso da célebre médium italiana Eusápia Paladino. Com fundamento nesses trabalhos publicou na Alemanha o seu famoso livro “Animismo e Espiritismo”, em dois volumes, obra de fôlego impressionante e insuperável em todo o mundo.

Participou ainda de elevado número de experimentação, valendo-se do concurso de médiuns famosos, do que resultou a divulgação do seu notável relatório da “Comissão de Professores”, que se reuniu em Milão (Itália), no ano de 1892, a fim de dar parecer sobre os fenômenos observados na obscuridade, baseado nas considerações expressas pelo grande criminalista italiano, Cesare Lombroso, que a essa comissão se confessou envergonhado e condoído, em carta do próprio punho, escrita ao professor Ernesto Giolfi.

Dessa famosa comissão de professores fizeram parte os seguintes doutores:

  • Alexander Aksakof, lente da Academia de Leipzig, diretor do jornal “Psychische Studien” e conselheiro de S.M. o Imperador da Rússia;
  • Giovanni Schiaparèlli — Diretor do Observatório Astronômico de Milão;
  • Dr. Carl Du Prel — Doutor em Filosofia de Munique;
  • Ângelo Brofferio — Professor de Filosofia;
  • Giuseppe Gerosa — Professor de Física da Escola Real Superior de Agricultura de Porcini;
  • G. M. Ermacora — Professor de Física;
  • Giorgio Finzi — Professor de Física;
  • Charles Richet — Professor da Faculdade de Medicina de Paris e diretor da “Revista Científica”;
  • Cesare Lombroso, notável criminalista italiano.

Mais tarde com o valioso concurso dos médiuns Elisabeth D’Esperance e Politi, além da já mencionada Eusápia Palladino, Cesare Lombroso expõe, de forma definitiva, o resultado de suas experiências realizadas quinze anos depois. Esse trabalho de Lombroso corroborou de forma decisiva tudo aquilo que Aksakof havia descrito em sua obra.

O livro de Aksakof “Animismo e Espiritismo” foi uma réplica à brochura que o célebre filósofo alemão Eduardo von Hartmann — continuador de Schopenhauer — fez editar em 1885, abordando aspectos do Espiritismo. A primeira edição alemã, subordinada ao título “Animismus und Spiritismus” foi publicada em Leipzig, no ano de 1890, provocando da parte do Doutor von Hartmann uma resposta à qual deu o título: “A Hipótese dos Espíritos e seus Fantasmas”. No ano de 1891, ele voltou novamente, com bastante insistência, procurando reafirmar os argumentos que já havia exposto. Nessa época Alexander Aksakof já estava com a saúde bastante combalida, entretanto, o sábio Carl Du Prel se encarregou de continuar a polêmica com aquele adversário temível, mas derrotado.

No prefácio de sua monumental obra, retrocitada, escreveu Aksakof:

Não pude fazer outra coisa mais do que afirmar publicamente o que vi, ouvi e senti; e quando centenas, milhares de pessoas afirmam a mesma coisa, quanto ao gênero do fenômeno, apesar da variedade infinita das particularidades a fé no tipo de fenômeno se impõe.

Escreveu ainda Aksakof, em fevereiro de 1890:

Interessei-me pelo movimento espírita desde 1855 e, desde então, não deixei de estudá-lo em todas as suas particularidades e através de todas as literaturas. Durante muito tempo aceitei os fatos apoiado no testemunho alheio; foi só em 1870 que assisti à primeira sessão, em um círculo íntimo que eu tinha organizado. Não fiquei surpreendido de verificar que os fatos eram realmente tais quais me tinham sido referidos por outros; adquiri a convicção profunda de que eles nos ofereciam — como tudo o que existe na Natureza — uma base verdadeiramente sólida, um terreno firme para a fundação de uma ciência nova que seria talvez capaz, em um futuro remoto, de fornecer ao homem a solução do problema da sua existência. Fiz tudo o que estava ao meu alcance para tornar os fatos conhecidos e atrair sobre o seu estudo a atenção dos pensadores isentos de preconceitos.

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