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27/06/2017

Preceptor, Imperator, Rector, Doctor e William Stainton Moses Por Krayher


A mediunidade de Rev. William Stainton Moses, pastor anglicano, começou em 1872. De acordo com seu biógrafo, Charlton Speer, que muitas vezes se sentou com Moses durante suas sessões, sua mediunidade começou com uma variedade de raps (batidas) e progrediu para a voz direta, escrita direta, a voz em transe, e a escrita a automática.

Speer escreveu que a voz direta, fenômeno em que às vozes surgem pelo ar acima ou ao redor do médium, não era clara ou distinta, enquanto que a escrita direta, fenômeno em que um lápis intocado por mãos humanas, proporcionava mensagens curtas, como as que recebia de um músico distinto, era muito raro.

Speer relatou ainda que a voz em transe mediúnico, fenômeno em que os espíritos usufruíam do corpo em estado de sonambulismo extático de Moses, vinha através de um tom “digno, temperado, claro e convincente”. Além disso, era sempre evidente que a personalidade que se endereçava ao grupo, não era a do médium. As vozes eram distintamente diferentes e as ideias expressas eram algumas vezes contrárias as de Moses.

Embora diferentes espíritos vinham comunicar-se através de Moses, o primeiro espírito comunicante identificou-se como Imperator. Sra Speer, a mãe de Charlton, fez a gravação das mensagens durante o estado de transe. Alegava porém, ser muito difícil capturar a “beleza e o requinte das manifestações” ou o “poder e a dignidade da influência de Imperator”.

“Eu, eu mesmo, Imperator Servus Dei, sou o líder de um bando de quarenta e nove espíritos, o espírito que preside e controla, sob cuja orientação e direção os demais trabalham,” ― Sra Speer tomou nota. ― “Eu vim dá sétima esfera para espalhar afora a vontade do Todo-Poderoso; e, quando o meu trabalho estiver completo, voltarei para aquela esfera da bênção da qual ninguém retorna novamente para a terra. Mas isso não se dará até que o trabalho do médium na Terra esteja concluído, e sua missão na Terra seja então substituída por uma ainda maior, nas esferas”.

Imperator acrescentou que espíritos nomeados como Rector e Doctor eram seus assistentes imediatos. Ele tinha vindo, ― dizia ―  para explicar o mundo espiritual, como é controlado, e a forma como a informação é transmitida aos seres humanos.

“A escada entre o céu e a terra sempre existiu,” ― Imperator falando por Moses, ― “mas a incredulidade do homem interrompeu-a a partir do ministério dos anjos.”

Certa vez quando Imperator falava através de Moses, os assistentes observaram uma grande cruz brilhante, atrás da cabeça e seus raios em torno de Moses. As luzes pareciam culminar em uma bela linha de luz de grande brilho a vários pés de altura e movendo-se de lado a lado. Um dos assistentes pediu para Imperator para explicar as luzes. Ele respondeu que o pilar de luz era ele mesmo, a luz brilhante atrás dele seus assistentes, e as inúmeras luzes vistas na sala pertenciam ao bando dos 49. Ao todo, haviam sete círculos de sete espíritos cada. Cada círculo compunha um espírito que presidia a uma determinada missão e seis ministros.

Em 30 de março de 1873, as mensagens dos espíritos começaram a chegar através das mãos de Moses por meio da “escrita automática”. Este método foi adotado, ― Moses fora informado, ― para fins de conveniência de modo que poderia melhor preservar o corpo de ensino. Quer isto dizer, para organização, classificação e consulta futura.

Inicialmente, a escrita era muito pequena e irregular, e foi necessário para Moses escrever lenta e cautelosamente. No entanto, a escrita tornou-se rapidamente mais regular e mais legível. A maioria das primeiras mensagens vieram de Doctor, mas depois de um tempo outros espíritos começaram a usar as mãos de Moses. Cada qual distinguia-se por uma caligrafia diferente, bem como peculiaridades no estilo e na expressão. Quando alguns espíritos concluíam que não conseguiam influenciar as mãos de Moses, eles chamavam a Rector para obter assistência. Rector mesmo, agiu como um amanuense para Imperator.

Em 1883, Moses compilou o resultado de alguns de seus escritos em um livro intitulado Spirit Teachings (Ensinos Espirituais).

Moses perguntava como poderia ter certeza de que Imperator e seu bando não eram espíritos malignos ― lobos em pele de ovelha ― na tentativa de levá-lo ao erro. Ele esteve continuamente preocupado, pois muito do que os espíritos tinham a dizer parecia contrário aos dogmas e a sua interpretação da doutrina Cristã. Imperator respondeu, elogiando a Moses, pelo “espírito” questionador em sua mente e salientando que esta era uma das razões pelas quais ele fora escolhido como o seu veículo. ― “Saudaremos suas dúvidas quanto a melhor prova de nossa intenção, pelo sucesso com você”, ― disse ele, ― passando a mencionar entretanto, que há um ponto além do qual não é possível fornecer provas.

Ele convidou Moses a aplicar os padrões de Jesus, ― “Pelos seus frutos os conhecereis” e “não se colhem uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos”, ― dizendo ainda que ele deveria considerar aplicar todo o teor de seus ensinamentos a prova do que é ou não, Divino.

Para a prova definitiva, ― Imperator continuou, ― Moses deveria contentar-se em esperar até que estivesse em sua companhia. O máximo que se pode esperar é o estabelecimento progressivo de convicção. ― “Nós queremos que você aplique a nós a mesma lei pela qual o Mestre julgava. ― A lei divina de julgar os outros como você mesmo gostaria de ser julgado”.

Moses pediu continuamente pelas identidades terrenas de Imperator e dos outros. Imperator inicialmente resistiu, informando Moses que revelar seus nomes terrenos resultaria em lançar dúvidas adicionais e desnecessárias sobre a validade das mensagens. No entanto, Imperator mais tarde revelou os seus nomes, aconselhando a Moses que eles não deveriam ser mencionados nos livros que ele haveria de escrever. Foi só depois da morte de Moses que as identidades foram tornadas públicas por A. W. Trethewy em um livro intitulado: Os controles de Stainton Moses.

Imperator foi Malachias, o profeta do Antigo Testamento. Rector fora Hipólito de Roma foi o mais importante teólogo do século III na Igreja antiga e Doctor fora Athenodorus. Imperator tomou instruções de Preceptor, que fora Elias. Preceptor, por sua vez, comungou diretamente com Jesus. Outros comunicadores incluíam Daniel, Ezequiel, João Batista, Salomão, Platão, Aristóteles, Sêneca, Plotino, Alexandre Achillini, Algazzali, Kabbila, Chom, Said, Roophal, e Magus.

Moses retornou para o mundo dos espíritos em 1892, mas logo o bando começou a se comunicar novamente em 1895 através da mediunidade de Sra. Leonora Evelina Simonds ou Leonora Piper de Boston, Massachusetts, EUA. Até então, Piper tinha sido controlada pelos espíritos de Phinuit e “George Pelham” (um pseudônimo para George Pellew).

A qualidade das mensagens que chegavam através da Sra. Piper tinham começado a deteriorar-se e haviam indicações de que espíritos inferiores e levianos haviam sido capazes de controlar o organismo de Piper. Escritores falecidos como Sir Walter Scott e George Eliot supostamente comunicaram-se diretamente através das mãos de Piper, mas a natureza inferior e incompatíveis das comunicações, sugeriam impostores.

Pellew e Phinuit gradualmente deram lugar a “Rector”, que lhes advertiu que organismo de Piper estava enfraquecendo e que precisava de um descanso. Posteriormente, enquanto Rector e o bando dos 49 utilizavam o organismo de Piper, era com mais cuidado do que Pellew e Phinuit poderiam proporcionar. Rector disse que eles (Pellew e Phinuit) estavam substituindo uma “melodia suave”, por um dialeto áspero, desarmonioso e inculto, referindo-se principalmente a Phinuit.

Apesar de não ser “da terra”, Rector esclareceu que Phinuit estava também vinculado às atrações de mentes terrenas. Ele advertiu ainda Dr. Richard Hodgson, o investigador-chefe dos fenômenos mediúnicos de Piper, para não confiar demais em Pellew como infalível ou muito superior, ou seja, muito avançado, para ser eficaz. ― “Seu espírito é puro, sua mente sincera, toda a sua vida aqui é honrada e a ser respeitada por todos nós”, ― escreveu Rector através das mãos de Piper. ― “No entanto, gostaríamos de falar a verdade e dizer que o seu trabalho em seu campo está completo.”

Alguns pesquisadores questionaram se o espírito de Rector através da mediunidade de Piper era o mesmo que o Rector de Moses.

“É um quebra-cabeça”, ― disse Sir Oliver Lodge, afirmando não acreditar que se tratava do mesmo bando de Imperator.

Logo depois de sua morte, em 1905, Dr. Richard Hodgson começou a se comunicar através de Piper. Durante uma sessão em 1906 com Piper, o pesquisador George Dorr perguntou a Hodgson sobre Rector. Hodgson por sua vez, explicou que Rector é quem estava no controle completo da médium e que ele, Rector, era quem falava com ele próprio. Hodgson passou a dizer que Rector era quem realmente se comunicara e que estava constantemente sob a direção do Imperator.

Os ensinamentos do bando de Imperator, vieram lançar a luz sobre muitos pontos que permaneciam obscuros do velho testamento e principalmente sobre os dogmas da Igreja. Derrubando os mitos religiosos criados pelos homens por argumentos insofismáveis e racionais.

É, na literatura espiritualista o que há de mais elevado nos ensinos de teor moral, com exemplos práticos e irretocáveis.


REFERÊNCIAS:

  • Barrett, Sir William, On the Threshold of the Unseen (New York: E.F. Dutton & Co., 1917).
  • Holt, Henry, On the Cosmic Relations (Boston and New York: Houghton Mifflin Company, 1914).
  • Lodge, Sir Oliver, The Survival of Man (London: Methuen & Co., Ltd., 1909)
  • Moses, William Stainton, Spirit Teachings (New York: Arno Press, New York, 1976, reprinted from 1924 edition published by London Spiritualist Alliance)
  • Moses, William Stainton, More Spirit Teachings
  • Myers, F. W. H., Human Personality and its Survival of Bodily Death (2 vols) (London: Longmans & Green, 1903; reprint, New Hyde Park, NY: University Books, Inc., 1961).

Por Krayher

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