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29/06/2017

Perispírito, uma análise integrada Backpacker


Inicio este pequeno esboço a respeito do perispírito, com um frase incentivadora de Kardec, a qual nos faz cada vez mais desejosos da busca pela Verdade, através da ciência acadêmica, rumo às comprovações inequívocas dos axiomas espíritas.

Caminhando de par com o progresso, o Espiritismo jamais será ultrapassado, porque, se novas descobertas lhe demonstrassem estar em erro acerca de um ponto qualquer, ele se modificaria nesse ponto. Se uma verdade nova se revelar, ele a aceitará. (Allan Kardec)

PREÂMBULO

A existência de um corpo sutil energético, com caracteres de duplicata do corpo físico, é apregoado por místicos e ocultistas de todos os tempos (Miranda, 1993). A partir de crenças diversas, assim surgiram denominações diversas, tais como:

  • Egípcios: Khá
  • Pitágoras: Corpo sutil da alma
  • Aristóteles: Corpo sutil e etéreo
  • Tertuliano: Corpo vital da alma
  • Budismo: Kama-rupa
  • Cabala: Rouach
  • Hipócrates: Eu astral
  • Paulo de Tarso: Corpo espiritual
  • Cristãos primitivos: Corpo glorioso
  • Católicos: Alma
  • Espiritismo: Perispírito
  • André Luiz: Psicossoma
  • Hernani Guimarães: Modelo Organizador Biológico
  • Pesquisadores modernos: Corpo Psíquico, Corpo Bioplasmático

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Porém, como Kardec dizia, para cada acepção um novo vocábulo. Surgia portanto o termo perispírito, citado e discutido inúmeras vezes nas obras do Espiritismo.

Na etimologia da palavra, depreende-se que péri é um radical originário do idioma grego, o qual significa: no entorno, ao redor. Seria portanto o envoltório semi-material do Espírito. Entre os encarnados serviria de liame ou intermediário entre o Espírito e a matéria. Entre os Espíritos errantes constituiria o corpo fluídico do Espírito. (OLM, Cap XXXI, Vocabulário Espírita). O termo “Espírito” se origina do latim spiritus, tendo como significados “alma, coragem, vigor, respiração”.

OBJETIVO

Este artigo tem o objetivo de esclarecer, na ótica doutrinária espírita, os aspectos provenientes do perispírito, as conjecturas de possíveis funções e limitações, fundamentados no arcabouço de ideias consistente da codificação espírita. Demonstrar-se-á ainda, de maneira resumida, a perspectiva de pesquisadores diversos para descrição do que seria o perispírito em suas visões, consonantes ou refutáveis perante a lógica doutrinária.

CRÍTICA

Conforme a opinião do pesquisador Donha (2014), as funções do perispírito comumente têm se tornado obsoletas ante os novos conhecimentos científicos de Kardec até os dias de hoje. A transmissão das sensações não necessita de um corpo fluídico. Hoje, sabe-se que tal transmissão é feita pelas informações transmitidas pelos impulsos elétricos no sistema nervoso. Bastaria que a alma fosse uma espécie de “chip espiritual”, colocado na glândula pineal e, dali, comandaria todo o organismo, receberia todas as informações, sem necessidade de ter também um outro braço ou perna envolvendo o membro físico. Algo como o imaginado pelo velho Descartes.

A função de “fôrma”, ou mesmo “campo estruturador”, também só se justificaria numa época em que não se conhecia a programação de computador. Hoje temos até as impressoras 3D que reproduzem um objeto à distância apenas com a programação, sem necessidade de “fôrma”. O corpo físico por sua vez, tem sua programação no DNA, que determina o tipo de célula a ser produzido e seu posicionamento no organismo em formação. Não há mais o receio expressado por Gabriel Delanne de que, sem a “fôrma” limitante, a célula não saberia exatamente onde se posicionar e poderia ultrapassar os limites do corpo.

O mesmo se poderia dizer da função que permite a constatação da individualidade do espírito, quer ante si mesmo, quer ante os demais. Hoje, com essa virtualidade toda em que a sociedade vive, a individualidade poderia muito bem ser mantida num conjunto de informações codificadas, transmitidas pelo pensamento entre os espíritos, sem necessidade de um correspondente físico. O mesmo raciocínio se aplicaria à função de conferir a aparência apropriada para identificação junto aos vivos. Tudo pode ser transmitido virtualmente (no caso, espiritualmente) de mente a mente.

Tais críticas lançam dúvida sobre a existência do perispírito. A seguir serão demonstradas as diversas acepções que já foram defendidas por autores de períodos distintos, culminando na criação do vocábulo perispírito por Kardec, e de que forma a ciência acadêmica tem avançado de forma direcionada a comprovar ou refutar a existência do mesmo.

ACEPÇÕES DIVERSAS

Será demonstrado a seguir, na visão de alguns autores, os conceitos e supostas funções atribuídas ao perispírito. Em resumo, as teorias demonstradas com maior frequência tem sido:

– Invólucro fluídico formado a partir da atmosfera dos planetas;

– Função de “fôrma”, “diretriz organizacional” ou “campo estruturador” do corpo físico;

– Constatação da individualidade do espírito.

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Guimarães (1971), em sua tese “Matéria Psi“, sugere a existência de duas variáveis funcionais,  denominadas como MOB (Modelo Organizador Biológico) e CBM (Campo Biomagnético).

Segundo o pesquisador, o MOB gozaria de certas propriedades particulares e, dentre elas, a de ser portador de um campo de natureza magnética, cuja principal função seria permitir a ação do MOB sobre as moléculas da matéria orgânica. O referido campo, ao qual daremos o nome de campo Biomagnético (CBM), deveria existir também na própria matéria.

O autor assegura nessa teoria, uma função modeladora do MOB, determinando as linhas morfológicas e hereditárias do corpo físico. Teria ainda o MOB memórias tidas como extracerebrais conforme Banerjee (1981) e outros pesquisadores, e o campo biomagnético o agente de transmissão, como fator de recapitulação objetiva das nossas experiências biológicas.

 

Apesar de o autor não mencionar o termo perispírito, ficam claramente demonstradas as supostas funções elencadas no início deste item. Outro autor que sugere aspectos eletromagnéticos que seriam designados ao perispírito é Albert de Rochas em sua obra Exteriorização da Sensibilidade de 1899 (Pgs 52/53 e seguintes).

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Novaes (2014) considera que o perispírito é o ente que registra os atos das existências, prestando-se à armazenagem das experiências complexas que vivenciamos nas mesmas.

MIRANDA (1993), no Capítulo 2 (Item 6) de sua obra A Memória e o Tempo, parte da premissa de que a memória não precisaria necessariamente do cérebro para continuar funcionando após a morte, sugerindo a hipótese de o perispírito ser um depositário de arquivos e registros da alma.

Seria portanto um agente de transmissão em duplo sentido: as memórias de cada encarnação em nossa trajetória seriam transmigradas individualmente para o perispírito. O Espírito, por sua vez, assimilaria em forma de representação todos esses registros. De maneira bem grosseira ilustraríamos assim:

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A primeira transcrição ocorreria nas vizinhanças da morte do corpo físico, do que resulta, como especula Miranda, um fenômeno de recapitulação de todos eventos que experimentamos diante da manifestação do corpo físico.

O autor afirmar que ignora a estrutura e o funcionamento do dispositivo sugerido, ao qual admiramos a honestidade intelectual em suas especulações. Sugere por fim, um segundo processo de transcrição, que ocorreria paulatinamente com a sutilização progressiva do perispírito, no qual o banco de dados seria assimilado de forma integral pelo Espírito, que já teria acesso total a este arcabouço de informações.

IMBASSAHY (2004), em debate na plataforma virtual PalTalk exemplifica a existência de três níveis de fenômenos: energéticos, potenciais e cinéticos. Neste caso, a energia ectoplásmica transformaria-se em energia potencial capaz de realizar trabalho, conforme conceito físico. Destaca-se a materialização opaca, tangível, denominada por Crookes como sendo aparição estereológica, obtida apor ele a partir da médium Florence Cook, cujo fantasma de Katie King foi auscultado pela equipe de estudos verificando-se que possuía reações orgânicas peculiares aos seres encarnados, como pulso e batimento cardíaco, respiração, apalpamento verificando a existência de víscera e que mais, fazendo com que Crookes supusesse que o Espírito levaria com ele, após o desencarne tais fenômenos, invertendo as ideias. De fato, ocorre o inverso: o Espírito, ao se encarnar, materializaria-se no corpo fetal os órgãos correspondentes à sua vida espiritual, através do perispírito.

Observa-se que as explanações de Imbassahy e Miranda vão de encontro com a tese de Guimarães (1971). Demonstraremos a seguir o que a Doutrina Espírita demonstrou acerca do tema perispírito.

ARCABOUÇO DOUTRINÁRIO

Woetzel (1804) em seu livro “Aparição real de minha mulher depois de sua morte” causou enorme sensação no início deste século. Segundo ele, “a alma, depois da morte, seria envolvida de um corpo etéreo, luminoso, por meio do qual ela poderia se tornar visível; que ela poderia colocar outras vestimentas por cima desse envoltório luminoso; que a aparição não agiu sobre seu senso interior, mas unicamente sobre seus sentidos exteriores.” A esta explicação não falta, como se vê, senão a palavra perispírito. Tal terminologia foi mencionada por diversas vezes e pormenorizada nas obras de Kardec, atribuídas aos espíritos superiores que teriam auxiliado na organização do Espiritismo.

Utilizando-se da ferramenta pesquisar (Control + F) no aplicativo Adobe Reader foi realizado um levantamento inicial para inferir o número de instâncias em que o termo perispírito é mencionado nas principais obras espíritas. Foram também considerados os termos: perispirítico e perispiritual.

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Verificou-se portanto a menção do termo em mais de 600 oportunidades, em contextos distintos contendo características que subsidiarão um entendimento coerente do tema.

Em alguns momentos é comparado ao termo perisperma de modo análogo, em alusão ao envolvimento da semente de determinado fruto. É utilizado também o termo “liame” para as elucubrações de seus aspectos.

Menciona-se a seguir, o conteúdo demonstrado no Livro dos Espíritos, Livro Segundo, Capítulo I, Item IV (Perispírito) e Capítulo VI, Item IV (Ensaio Teórico sobre a Sensação dos Espíritos). Seguem na íntegra os itens, com grifos nossos:

O Espírito propriamente dito vive a descoberto, ou, como pretendem alguns, envolvido por alguma substância?

– O Espírito é envolvido por uma substância que é vaporosa para ti, mas ainda bastante grosseira para nós; suficientemente vaporosa, entretanto, para que ele possa elevar-se na atmosfera e transportar-se para onde quiser.

Como a semente de um fruto é envolvida pelo perisperma,o Espírito propriamente dito é revestido de um envoltório que, por comparação, se pode chamar perispírito.

De onde tira o Espírito o seu envoltório semi-material?

Do fluido universal de cada globo. É por isso que ele não é o mesmo em todos os mundos; passando de um mundo para outro, o Espírito muda de envoltório, como mudais de roupa.

O perispírito é o liame que une o Espírito à matéria do corpo; é tomado do meio ambiente, do fluido universal; contém ao mesmo tempo eletricidade, fluido magnético, e até um certo ponto, a própria matéria inerte. Poderíamos dizer que é a quintessência da matéria. (…)o princípio da vida orgânica, mas não o da vida intelectual, porque esta pertence ao Espírito.

Pela vontade de quem e com qual objetivo o fato ocorreu?

-R. Produziu-se quando eu estava vivo e sem a minha vontade; um estado particular da atmosfera o revelou depois. Estabelecida uma discussão entre os assistentes, sobre as causas prováveis desse fenômeno, e várias opiniões tendo sido emitidas sem que fossem dirigidas perguntas ao Espírito, este disse espontaneamente: E a eletricidade e a galvanoplastia que agem também sobre o perispírito, vós não as tendes em conta. (Revista Espírita, 1858)

Observamos que fala-se de forma frequente em eletricidade, o que nos induz a supor a necessidade de estudos na abrangência da física quântica e bioeletricidade para a verificação da existência ou não deste campo designado ao perispírito, e consequentemente a seus mecanismos, que futuramente dará subsídio para comprovação cabal da existência do espírito.

Neste quesito, menciona-se Harold Burr. Burr publicou entre 1916 e 1956, um total de 93 artigos, que versavam sobre o desenvolvimento neural e a bioeletricidade. Em 1935 ele realizou um estudo utilizando microvoltímetro para medição de fenômenos de bioeletricidade, os quais ele denominou como campos vitais (L-fields).

Ele afirma em seu estudo que a eletricidade parece fazer a ponte entre o mundo vivo e não-vivo, sendo um fator fundamental em seus processos.

A pesquisa de Burr contribui para os ramos de embriologia e neuroanatomia experimentais, detecção elétrica de células cancerosas, regeneração e desenvolvimento do sistema nervoso. Estes campos magnéticos presidiriam a formação do corpo físico e manteriam sua operação.

O falecido professor Henrique Rodrigues esteve na Russia, junto com parapsicologos , estudiosos dos fenomenos supostamente espiritas. Baseados no estudo realizado na Suécua (A Pesagem da Alma) provaram que, de fato, o Espirito possui um campo – assim como o iman – inductor capaz de elaborar o corpo no ventre materno para nele nascer. A este campo (perispirito de A. Kardec) eles deram o nome de “psicossoma” (corpo psiquico).

Mais recentemente alguns autores tem se debruçado, no âmbito da mecânica quântica, a respeito dos neutrinos, partículas que contêm massa, mas são tão infinitamente pequenos que podem, aos trilhões, atravessar todos os corpos sólidos.

Em analogia citada por Eurípedes Kühl (2004), isso lembraria uma das propriedades do perispírito, que mesmo ainda sendo matéria (segundo as questões n° 93 e 94 de “O Livro dos Espíritos” e o item n° 23 do Cap XIV de “A gênese”), atravessa corpos sólidos sem a menor dificuldade e se desloca instantaneamente a grandes distâncias.A interatividade nas formas dos neutrinos, também lembraria por sua vez, as diferentes constituições perispirituais a que Kardec se refere, quando registrou as diferentes classes de espíritos, com as respectivas densidades dos perispíritos que os recobrem.

Por fim, recomenda-se verificar os estudos elaborados por Ted Serios (Demonstrado por Colin Wilson em The Occult), Albert de Rochas (Limitações do Perispírito) – Louise Caso n.5 e a tese de Andrija Puharich.

Cada vez a ciência acadêmica está mais próxima de desvendar o grande mistério do perispírito, seus mecanismos e funções.

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REFERÊNCIAS

KARDEC, A. A Gênese. Cap I, n° 55, p. 44, 35ª Ed., 1992.

KARDEC, A. O Livro dos Espíritos. Págs 133-247. Perispírito e Ensaio Teórico sobre a Sensação dos Espíritos.

KARDEC, A. Uma nova descoberta fotográfica. Revista Espírita, Julho de 1858).

Disponível clicando aqui.

NOVAES, A. Perispírito e Mediunidade. Palestra proferida em maio de 2014.

HERNANI GUIMARAES. A matéria psi. Disponível em:

http://bvespirita.com

IMBASSAHY, C. A pesagem da alma. Citado em http://www.espirito.org.br

H.S. Burr, c.T. Lane & LF. Nims. A Vacuum Tube Microvoltmeter for the Measurement of Bioelectric Phenomena. Yale Journal of Biology & Medicine (1936), pp. 65-76.

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