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27/04/2017

Pequeno ensaio sobre animais e homens Moura Rêgo


Meus amigos, neste pequeno estudo tento, escusada a minha imperícia para com as palavras e o pouco conhecimento adquirido da Doutrina dos Espíritos, conversar com vocês acerca de tema interessante mas ainda muito controverso no meio do Movimento Espírita. Busquem em suas mentes, vasculhem suas memórias e me digam os amigos já têm como certa e pacificada a firmação de que homens teriam sido antes, no começo do começo, animais? Por certo essa resposta sincera e lúcida nos vem de acordo e não nos afirma senão as nossas dúvidas. Uns asseveram que sim, outros que não. Este o cerne de nosso ensaio, que com a ajuda de vocês, tento esclarecer.

O Livro dos Espíritos, em suas duas edições, trás-nos, a nós, perguntas feitas pelo codificador a grande número de Espíritos, estes houveram de respondê-las dentro do que sabiam e do que podiam falar no estreito limite de nossas apreensões humanas. Assim é que a dúvida ainda persiste entre nós, espírita.

Se de um lado, a tônica tende para asseverar no matiz supremo da verdade, esta que ainda não podemos alcançar, deixando então, nas entrelinhas, apenas conjecturas ou hipóteses, do lado dos que afirmam o contrário, ainda não encontramos uma narrativa excelente, que nos vá conduzir à resposta e é nesse sentido que tento enfocar o trabalho que hora lhes entrego ao estudo.

Gostaria de entremear este estudo com os itens das Obras Básicas, que enfocam o assunto, para tal, venho de municiar-me tão somente da Obra catalogada pelo título “O Livro dos Espíritos”, trago das duas edições do mesmo, o assunto, nas colocações em sua íntegra, para depois enfocar o ponto de vista desse amigo de vocês. Então comecemos.

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Capítulo IV

PRINCÍPIO VITAL

I – SERES ORGÂNICOS E INORGÂNICOS

“Os seres orgânicos são os que trazem em si mesmos uma fonte de atividade íntima, que lhes dá a vida; nascem, crescem, reproduzem-se e morrem; são providos de órgãos especiais para a realização dos diferentes atas da vida e apropriados às necessidades de sua conservação. Compreendem os homens, os animais e as plantas.

Os seres inorgânicos são os que não possuem vitalidade nem movimentos próprios, sendo formados apenas pela agregação da matéria: os minerais, a água, o ar, etc.” (Livro dos Espíritos)

66. “O princípio vital é o mesmo para todos os seres orgânicos? – Sim, modificado segundo as espécies. E ele que lhes dá movimento e atividade, e os distingue da matéria inerte: pois o movimento da matéria não é a vida; ela recebe esse movimento, não o produz.”

Comentário: como vemos, houve modificações variadas e em todas as espécies, tais modificações, importa explicar, trazem novo elemento, este totalmente desconhecido antes, que não se adita aos anteriormente conhecidos, tornando-se elemento novo, sendo, por assim dizer, o zênite, de novas construções. Os elementos que os constituíram, continuam a existir, seguindo a ordem normal daquelas espécies, pois não há, sob o manto Justo e Bom de Deus, necessidade de que aquelas espécies viessem a deixar de existir.

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III – INTELIGÊNCIA E INSTINTO

71. A inteligência é um atributo do princípio vital? – Não; pois as plantas vivem e não pensam, não tendo mais do que vida orgânica.

A inteligência e a matéria são independentes, pois um corpo pode viver sem inteligência, mas a inteligência só pode manifestar-se por meio dos órgãos materiais: somente a união com o espírito dá inteligência à matéria animalizada. A inteligência é uma faculdade especial, própria de certas classes de seres orgânicos, aos quais dá, com o pensamento, a vontade de agir, a consciência de sua existência e de sua individualidade, assim como os meios de estabelecer relações com o mundo exterior e de prover as suas necessidades.

Podemos fazer a seguinte distinção:

1.º) os seres inanimados, formados somente de matéria, sem vitalidade nem inteligência: são os corpos brutos;

2.º) os seres animados não-pensantes, formados de matéria e dotados de vitalidade, mas desprovidos de inteligência;

3.º) os seres animados pensantes, formados de matéria, dotados de vitalidade, e tendo ainda um princípio inteligente que lhes dá a faculdade de pensar.

Comentário: Por mais que alguns de nós queiramos, quer pelo imenso amor que nutramos por nossos animais de estimação, ou mesmo pela capacidade de que algumas espécies são dotadas (espécie de inteligência, ainda em estado de rubor e só atinente para as coisas da matéria), a distinção feita, à qual dei de minha responsabilidade a cor castanha, demonstra explicitamente que os Espíritos e o próprio codificador na exposição feita, entendem ser dos homens, essa inteligência apregoada na fala dos espíritos. Animais não pensam, apenas respondem às indicações a que são condicionados. Seus atos inteligentes estão na razão direta de sua vida material, por isso não têm como nós o Livre arbítrio que o conhecimento intrínseco que todos nós detemos de Deus, e os condutos de intelectualidade e moral alargados e em ação, desta maneira, não vige para eles a lei de Causa e Efeito, tal como vige para nós.

Entramos agora em capítulo introdutório do Livro Segundo em O Livro dos Espíritos.

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MUNDO ESPÍRITA OU DOS ESPÍRITOS

Capítulo I

DOS ESPÍRITOS

I – ORIGEM E NATUREZA DOS ESPÍRITOS

76. Como podemos definir os Espíritos? – Podemos dizer que os Espíritos são os seres inteligentes da Criação. Eles povoam o Universo, além do mundo material.

NOTA – A palavra Espírito é aqui empregada para designar os seres extracorpóreos e não mais o elemento inteligente Universal.

Comentário: Como a resposta dada pela Espiritualidade é taxativa quanto ao quesito inteligência, de plano concluímos que esta se trata da faculdade que somente o Espírito encarnado detém, sobressaindo este, em o Reino Animal, exatamente por sua obra intelectiva e moral, atributos que por assim dizer, formam, no Reino Animal, o que muitos de nós temos como Reino Hominal, este puramente moral. Atentem para a nota, pois esta esclarece e coloca de certo, aclarada nossa percepção.

Estudemos agora, o que nos trás parte constante do capítulo onze da mesma obra supra citada.

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Livro Segundo – Capítulo XI

OS TRÊS REINOS

II – OS ANIMAIS E O HOMEM

592. Se comparamos o homem e os animais, em relação à inteligência. parece difícil estabelecer a linha de demarcação, porque certos animais têm, nesse terreno, notória superioridade sobre certos homens. Essa linha de demarcação pode ser estabelecida de maneira precisa? – Sobre esse assunto os vossos filósofos não estão muito de cardo. Uns querem que o homem seja um animal, e outros que o animal seja um homem. Estão todos errados. O homem é um ser à parte, que desce às vezes muito abaixo ou que pode elevar-se muito alto. No físico, o homem é como os animais e menos bem provido que muitos dentre eles; a Natureza lhes deu tudo aquilo que o homem é obrigado a inventar com a sua inteligência, para prover às suas necessidades e à sua conservação. Seu corpo se destrói como o dos animais, isto é certo, mas o seu Espírito tem um destino que só ele pode compreender, porque só ele é completamente livre. Pobres homens, que vos rebaixais mais do que os brutos! Não sabeis distinguir-vos deles? Reconhecei o homem pelo pensamento de Deus. (grifo nosso)

593 Podemos dizer que os animais só agem por instinto? – Ainda nisso há um sistema. É bem verdade que o instinto domina na maioria dos animais: mas não vês que há os que agem por uma vontade determinada? É que têm inteligência, porém ela é limitada.

Além do instinto, não se poderia negar a certos animais a prática de atos combinados, que denotam a vontade de agir num sentido determinado e de acordo com as circunstâncias. Há neles, portanto, uma espécie de inteligência, mas cujo exercício é mais precisamente concentrado sobre os meios de satisfazer às suas necessidades físicas e prover à conservação. Não há entre eles nenhuma criação, nenhum melhoramento; qualquer que seja a arte que admiremos em seus trabalhos, aquilo que faziam antigamente é o mesmo que fazem hoje, nem melhor nem pior, segundo formas e proporções constantes e in-variáveis. Os filhotes separados de sua espécie não deixam de construir o seu ninho de acordo com o mesmo modelo. sem terem sido ensinados. Se alguns são suscetíveis de uma certa educação, esse desenvolvimento intelectual, sempre fechado em estreitos limites, é devido à ação do homem sobre uma natureza flexível, pois não fazem nenhum progresso por si mesmos, e esse progresso é efêmero, pura-mente individual, porque o animal, abandonado a si próprio, não tarda a voltar aos limites traçados pela Natureza.

600. A alma do animal, sobrevivendo ao corpo, fica num estado errante, como a do homem após a morte? – Fica numa espécie de erraticidade, pois não está unida a um corpo. Mas não é um Espírito errante. O Espírito errante é um ser que pensa e age por sua livre vontade; o dos animais não tem a mesma faculdade. E a consciência de si mesmo que constitui o tributo principal do Espírito. O Espírito do animal í classificado após a morte, pelos Espíritos incumbidos disso, e utilizado quase imediatamente: não dispõe de tempo para se pôr em relação com outras criaturas.

601. Os animais seguem uma lei progressiva, como os homens? – Sim, e é por isso que nos mundos superiores, onde os homens são mais adiantados, os animais também o são, dispondo de meios de comunicação mais desenvolvidos. São, porém, sempre inferiores e submetidos aos homens, sendo para estes servidores inteligentes. Nada há nisso de extraordinário. Suponhamos os nossos animais de maior inteligência como o cão, o elefante, o cavalo, dotados de uma conformação apropriada aos trabalhos manuais, o que não poderiam fazer sob a direção do homem?

602. Os animais progridem como o homem, por sua própria vontade, ou pela força das coisas? – Pela força das coisas; e é por isso que, para eles, não existe expiação.

603. Nos mundos superiores, os animais conhecem a Deus? – Não. O homem é um deus para eles, como antigamente os Espíritos foram deuses para os homens.

604. Os animais, mesmo aperfeiçoados nos mundos superiores, sendo sempre inferiores aos homens, disso resultaria que Deus tivesse criado seres intelectuais perpetuamente votados à inferioridade, o que parece em desacordo com a unidade de vistas e de progresso que se assinalam em todas as suas obras? – Tudo se encadeia na Natureza, por liames que não podeis ainda perceber, e as coisas aparentemente mais disparatadas têm pontos de contato que o homem jamais chegará a compreender, no seu estado atual. Pode entrevê-los, por um esforço de sua inteligência, mas somente quando essa inteligência tiver atingido todo o seu desenvolvimento e se libertado dos preconceitos do orgulho e da ignorância poderá ver claramente na obra de Deus. Até lá, suas idéias limitadas lhe farão ver as coisas de um ponto de vista mesquinho e acanhado. Sabei que Deus nunca se contradiz e que tudo, na Natureza, se harmoniza através de leis gerais, que jamais se afastam da sublime sabedoria do Criador.

604-a. A inteligência é assim uma propriedade comum, um ponto de encontro entre a alma dos animais e a do homem? – Sim, mas os animais não têm senão a inteligência da vida material; nos homens, a inteligência produz a vida moral.

605. Se considerarmos todos os pontos de contato existentes entre o homem ê os animais, não poderíamos pensar que o homem possui duas almas: a alma animal e a alma espírita; e que, se ele não tivesse esta última, poderia viver, mas como os animais? Dizendo de outra maneira: o animal é um ser semelhante ao homem, menos a alma espírita? Disso resultaria que os bons e os maus instintos do homem seriam o efeito da predominância de uma ou de outra dessas duas almas? – Não, o homem não tem duas almas, mas o corpo tem os seus instintos, que resultam da sensação dos órgãos. Não há no homem senão uma dupla natureza: a natureza animal e a espiritual. Pelo seu corpo, ele participa da natureza dos animais e dos seus instintos; pela sua alma, participa da natureza dos Espíritos.

607. Ficou dito que a alma do homem, em sua origem, assemelha-se ao estado de infância da vida corpóreos, que a sua inteligência apenas desponta e que ela ensaia para a vida. (Ver item 190). Onde cumpre o Espírito essa primeira fase? – Numa série de existências que precedem o período que chamais de Humanidade.

607-a. Parece, assim, que a alma teria sido o princípio inteligente dos seres inferiores da criação? – Não dissemos que tudo se encadeia na Natureza e tende à unidade? É nesses seres, que estais longe de conhecer inteiramente, que o princípio inteligente se elabora, se individualiza pouco a pouco, e ensaia para a vida, como dissemos. E, de certa maneira, um trabalho preparatório, como o da germinação, em seguida ao qual o princípio inteligente sofre uma transformação e se torna Espírito. É então que começa para ele o período de humanidade, e com este a consciência do seu futuro, a distinção do bem e do mal e a responsabilidade dos seus atas. Como depois do período da infância vem o da adolescência, depois a juventude, e por fim a idade madura. Nada há, de resto, nessa origem, que deva humilhar o homem. Os grandes gênios sentem-se humilhados por terem sido fetos informes no ventre materno? Se alguma coisa deve humilhá-los, é a sua inferioridade perante Deus e sua impotência para sondar a profundeza de seus desígnios e a sabedoria das leis que regulam a harmonia do Universo. Reconhecei a grandeza de Deus nessa admirável harmonia que faz a solidariedade de todas as coisas na Natureza. Crer que Deus pudesse ter feitio qualquer coisa sem objetivo e criar seres inteligentes sem futuro, seria blasfemar contra a sua bondade, que se estende sobre todas as suas criaturas.

Comentário: Após toda essa exposição de motivos acima elencada, sabendo-se que partiram de Espíritos de Escol, entendendo-se como estes, como aqueles a quem o próprio codificador elenca como sendo os que “nunca se contradizem”, não há o que possamos conjeturar contrariamente. Se de um lado, em nosso atual estágio, não temos senão vetor de verdade, não tendo também a Espiritualidade se manifestado através dos tempos, em contrariedade ao que antes houvera proposto como sendo verdade, fica esse amigo de vocês, justo na certeza de que advoga o sentido correto, aliado às colocações de Espíritos que foram como sabemos, comandados pelo Espírito de Verdade, a quem São Luis e Erasto, Espíritos da mais alta linhagem dizem ser Jesus, nosso Modelo e Guia.

Gostaria, como fecho, colocar aqui o constante na pergunta de número cento e vinte e sete da primeira Edição de O Livro dos Espíritos:

“A alma do Homem não teria sido primitivamente o Princípio Vital de ínfimos seres vivos da Biocriação, que chegou ex-vi de lei progressiva, até o ser humano, percorrendo os diversos graus da escala orgânica?” – “Não! Não! Os Espíritos, homens somos desde natos. Cada ser vivo só evolui na sua espécie e em sua essência. O Homem não foi jamais outro senão homo.”

Neste ponto, em que encerro o enunciado de minha convicção, não querendo, como já o afirmei acima, deter o condão de portador da verdade absoluta, que reconheço não ter, apenas faço deste pequeno ensaio, tal como Kardec o atesta no finalizar do capítulo III item trinta e cinco de O Livro dos Médiuns:

“Não queremos nem temos a pretensão de sermos os portadores das luzes da verdade, apenas colocamos um tijolo a mais na construção…”

Seja o tijolo, por este amigo de vocês colocado, apenas o início de mais um belo e importante estudo de todos nós, no interesse de todos nós e sob a égide da doutrina que reconhecemos todos, ser, dos Espíritos.

Por favor, avalie este artigo.

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6 Responses “Pequeno ensaio sobre animais e homens Moura Rêgo

  1. Sandra Valencio
    18/07/2016 at 22:13

    Estudo esclarecedor! Muito agradecida.

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  2. Raphilx
    20/07/2016 at 16:49

    E a famigerada frase: “A alma dorme na pedra, sonha no vegetal, agita-se no animal e acorda no homem”, atribuída a Léon Denis, como se explica??

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    • Krayher
      25/07/2016 at 09:33

      Olá amigo.
      A frase super simplifica o desenvolvimento do princípio inteligente, que começa a se desenvolver nos minerais, após longo período, transforma-se e passa a habitar os micro organismos, transforma-se novamente e vem a habitar os animais, até sofrer nova transformação, passando a habitar corpos humanizados. Não se segue entretanto que o mesmo princípio seja o mesmo após cada transformação.

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      • Raphilx
        26/07/2016 at 17:41
        • 27/07/2016 at 08:36

          As opiniões e justificativas do Dr. Ary Lex são muito plausíveis, mas ao que parece ele tem uma interpretação um pouco diferente daquela que de modo geral temos nas obras fundamentais. Olhe nos comentários do artigo e veja a explicação do colega Oswaldo Merino.

          Recomendo também, não ter como certa toda e qualquer informação que ler em artigos, eles tem a função de exercitar o raciocínio dos leitores e encaminhar as questões para uma compreensão e resolução, com opiniões contra e a favor de certos temas para então, colocar na balança da sua razão.

          Abs

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          • Raphilx
            27/07/2016 at 18:35

            Meu caro Khrayer, não vejo como ponto negativo o fato do Dr Ary Lex ter uma interpretação diferente do senso comum sobre algum ponto das obras fundamentais, e obviamente, não tenho como certo todo artigo que leio. Prova disso é que,, no intuito de aproximar-me de um consenso, além do artigo do Dr Ary Lex, li o presente artigo e ainda estou levando em consideração o seu ponto de vista, afinal, como você mesmo disse, devemos exercitar o raciocínio analisando opiniões contra e a favor…

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