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17/10/2017

Os Médiuns especiais


A experiência prova, cada dia, o quanto são numerosas as variedades da faculdade medianímica; mas ela nos prova também que as diversas nuanças dessa faculdade prendem-se a aptidões especiais, ainda não definidas, abstração feita das qualidades e dos conhecimentos do Espírito que se manifesta.

A natureza das comunicações é sempre relativa à natureza do Espírito, e traz a marca de sua elevação ou de sua inferioridade, de seu saber ou de sua ignorância; mas, com igualdade de mérito do ponto de vista hierárquico, incontestavelmente, há nele uma propensão para se ocupar de uma coisa antes que de uma outra; os Espíritos batedores, por exemplo, não saem quase nada das manifestações físicas; e entre aqueles que dão manifestações inteligentes, há poetas, músicos, desenhistas, moralistas, sábios, médicos, etc. Falamos de Espíritos de uma ordem mediana, porque, chegados a um certo grau, as aptidões se confundem na unidade da perfeição. Mas, ao lado da aptidão do Espírito, há a do médium que é para ele um instrumento mais ou menos cômodo, mais ou menos flexível, e no qual ele descobre qualidades particulares que não podemos apreciar.

Tomemos uma comparação: Um músico, muito hábil, tem sob a mão vários violinos que, para o vulgo, serão todos bons instrumentos, mas entre os quais o artista consumado faz uma grande diferença; aí percebe nuanças. de uma extrema delicadeza que lhe farão escolher uns e rejeitar os outros, nuanças que compreende por intuição de preferência, mas que não pode defini-las. Ocorre o mesmo com respeito aos médiuns: com qualidades  iguais na potência mediúnica, o Espírito  dará preferência a um ou a outro, segundo o gênero de comunicação que quer fazer. Assim, por exemplo, vêem-se pessoas  escreverem, como médium, admiráveis poesias embora, nas condições normais, jamais puderam ou souberam fazer dois versos; outras, ao contrário, que são poetas, e que, como médiuns, não puderam jamais escrever senão prosa, apesar de seu desejo. Ocorre o mesmo com o desenho, coma música, etc. Há os que, sempre sem terem por si mesmos conhecimentos científicos, têm uma aptidão toda particular para receberem comunicações sábias; outros são para os  estudos históricos;   outros servem, mais facilmente, de   intérpretes   aos Espíritos  moralistas;  em uma palavra, qualquer que seja   a flexibilidade do médium, as comunicações que ele recebe com a maior facilidade têm, geralmente, um cunho especial; há mesmo aqueles que não saem de um certo círculo de idéias, e quando dele se afastam, não têm senão comunicações incompletas, lacônicas, e freqüentemente falsas. Fora as causas de aptidão, os Espíritos se comunicam ainda, mais ou menos de bom grado, por tal ou tal intermediário segundo a sua simpatia; assim, além de serem todas as coisas iguais, o mesmo Espírito será sempre mais explícito com certos médiuns, unicamente porque isso lhe convém mais.

Estar-se-ia em erro se, só porque se tem sob a mão um bom médium, tivesse ele a escrita mais fácil, pensando-se obter por ele boas comunicações em todos os gêneros. Para ter boas comunicações, a primeira condição, sem contradita, é assegurar-se da fonte de onde elas emanam, quer dizer, das qualidade do Espírito que as transmite; mas não é menos necessário levar em conta as qualidades do instrumento que se dá ao Espírito; é necessário, pois, estudar a natureza do médium, como se estuda a natureza do Espírito, porque aí estão os dois elementos essências para se obter um resultado satisfatório. Há um terceiro que desempenha um papel igualmente importante, é a intenção, o pensamento íntimo, o sentimento mais ou menos louvável daquele que interroga; e isso se concebe. Para que uma comunicação seja boa, é necessário que ela emane de um Espírito bom; para que esse bom Espírito POSSA transmiti-la,  lhe  é  necessário um bom  instrumento;  para que QUEIRA transmiti-la, é necessário que o objetivo lhe convenha. O Espírito, que lê no pensamento, julga se a questão que se lhe propõe merece uma resposta séria, e se a pessoa que dirige é digna de recebê-la; em caso contrário, não perde seu tempo semeando bons grãos sobre pedras, e é então que os Espírito levianos e zombeteiros se dão inteira liberdade, porque, pouco se importando   com a verdade,  eles não a olham de tão   perto,   e são, geralmente, bem pouco escrupulosos sobre o objetivo e sobre os meios.

Segundo o que acabamos de dizer, compreende-se que deve haver Espíritos mais especialmente ocupados, por gosto ou por razão, com o alívio da Humanidade sofredora; que, semelhantemente, deve haver médiuns mais aptos do que outros para servir-lhes de intermediários. Ora, como esses Espíritos agem exclusivamente tendo em vista o bem, eles devem procurar em seus intérpretes, além da aptidão que se poderia chamar fisiológica, certas qualidades morais, entre as quais figuram, em primeira linha, o devotamento e o desinteresse. A cupidez sempre foi, e será sempre, um motivo de repulsão para os bons Espíritos e uma causa de atração para os outros. Ocorre.com efeito, dentro do bom senso, que Espíritos superiores se prestem a todas as combinações do interesse material, e que estejam às ordens do primeiro que pretenda explorá-los? Os Espíritos, quaisquer que eles sejam, não querem ser explorados, e se alguns parecem a isso dar a mão, e mesmo se vão ao encontro de certos desejos muito mundanos, é quase sempre tendo em vista uma mistificação, da qual seriem em seguida como de uma boa peça pregada às pessoas muito crédulas. De resto, talvez não seja inútil que alguns queimem os dedos, a fim de lhes ensinar que é necessário jogar com as coisas sérias.

Seria aqui o caso de se falar de u m desses médiuns privilegiados que os Espíritos parecem tomar sob seu patrocínio direto. A senhorita Désirée Godu, que mora em Hennebon (Morbihan), goza a este respeito de uma faculdade verdadeiramente excepcional, e da qual faz uso com a mais devotada abnegação. Sobre isso já dissemos algumas palavras num relatório das sessões da Sociedade, mas a importância do assunto merece um artigo especial que ficaremos felizes em consagrá-los no nosso próximo número. Além do interesse que se liga ao estudo de toda faculdade sem paralelo, consideraremos sempre como um dever fazer conhecer o bem e prestar justiça a quem o pratica.

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