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25/07/2017

Orgulho e Simulação Mediúnica Henri Sausse


No começo do Grupo Amizade, o meu amigo, Sr. Laurent de Farget era muito assíduo das nossas reuniões. Uma noite, quando chegou, perguntou-me:

— “Você leu a Revista Espírita deste mês?

— Não, por quê?

— Porque contém uma comunicação assinada por George Sand (1), que nada tem a ver com o estilo desse autor, que é mais do meu agrado do que muitos outros, parece-se menos com o estilo dele do que um burro com um bispo!  Para o burro vai ser indiferente, — disse rindo,— mas pouco lisonjeiro para o bispo! — E acrescentou — “Escrevi ao Sr. Leymarie (2), para lhe dizer que não compreendia como a revista podia publicar tais loucuras.”

Na reunião seguinte, de Faget me diz: — “Você conhece em Lyon uma médium chamada Marguerite? Conheci muito bem na casa do Sr. Finet lá para 1874, uma médium com esse nome, porém perdi-a de vista a partir de então e pelo que posso lembrar, sentia-se muito envaidecida pela mediunidade que possuía e deixou de assistir às reuniões porque as comunicações dela não eram levadas em conta como ela gostaria que fossem.

– Olhe aqui, então, leia esta resposta ao assunto da comunicação assinada por George Sand.

Então, li: “Estimado Sr., não tenho tempo a perder com apreciações como as suas, os Espíritos que me guiam são elevados demais para se rebaixarem a discutir com pessoas de baixa estofa como você”.— O que você acha?

Acredito que o orgulho sempre é um muito mau conselheiro.

Levando em conta os resultados que eram obtidos pelo nosso pequeno grupo de dez pessoas, fomos crescendo e logo chegamos a ser vinte e depois vinte e cinco, sem saber muito bem com quem estávamos a tratar. Entre os novos, estava a Sra. G…, que tinha uma instrução muito básica, porém era boa médium e conseguia excelentes comunicações escritas com uma ortografia fonética, muito pouco realista. Gostávamos dela, porque seus ditados eram verdadeiras páginas de literatura e até de eloquência que surpreendiam e encantavam a nós todos.

Certa noite, sozinho em casa, eu estava lendo perto do fogão da minha cozinha, e escutei um barulho singular; parecia o barulho de sucata a se mover dentro de uma saladeira. Pego a lâmpada na mão e começo a procurar a causa daquele barulho, mas não enxergo nada que possa me dar noção do que está acontecendo. Continuo na leitura, mas dali a um instante o mesmo barulho torna a se ouvir. Vou de novo procurar, com mais atenção, porém sem êxito. Então pensei que talvez fosse um aviso que alguém está querendo me dar. Se for isso, falei, façam de novo, e a seguir o barulho voltou a se deixar ouvir pela terceira vez e então escrevo: “Estão te enganando, não diga nada, porém observe e acabará por descobrir.” — Assinado, teu avô.

E o mesmo barulho acontece, pela quarta vez.

No dia seguinte, dia da sessão, acabava de colocar Luisa em sonambulismo, quando ela me diz: “Seu avô está perto de você, ele é que veio à sua casa na noite de ontem: observe e verá”.

Não precisei esperar muito. Na segunda reunião depois dessa, a Sra. G… leu uma comunicação de um lirismo sublime; porém à medida em que ela ia lendo, um ronrom aparecia no meu cérebro e quando ela terminou a leitura, pergunto a ela: “quem assina é Chateaubriand?”

— Sim, senhor, justamente. – e continuou – É o rouxinol, sim. Aprendi este texto na escola, em um livro de trechos escolhidos em literatura!…

A mulher ficou vermelha como uma crista de galo e não tornou a aparecer em nossas reuniões. Ela tinha umas meninas que aprendiam na escola, em um livro, as páginas dos mestres da nossa língua; quando ajudava as meninas a memorizá-las, ela também as aprendia e depois as escrevia como podia; no entanto, ela era médium; deu provas sérias disso depois, mas só para aparentar e atrair lisonjas, ela falsificava uma faculdade verdadeira e a transformava em uma faculdade simulada.

Lisonjear os médiuns é fazer que se percam, não devemos lisonjeá-los nunca se não queremos que eles nos enganem, devemos estar sempre alerta.

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NOTAS:

(1) George Sand. – É o pseudônimo de Amandine Aurore Lucile Dupin, baronesa de Dudevant, aclamada romancista e memorialista francesa, considerada a maior escritora francesa e uma das precursoras do feminismo.

(2) Pierre Gaëtan-Leymarie.

 

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