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EM FOCO

24/05/2017

O Nascimento da Doutrina dos Espíritos Moura Rêgo


Em 18 de abril de 1857, com a chegada da primeira edição de O Livro dos Espíritos, marcou-se o nascimento da Doutrina dos Espíritos. Ora, nenhuma doutrina nasce de um dia para outro, mormente quando o desenvolvedor, o divulgador, o codificador chama-se Allan Kardec. Pedagogo laureado por duas vezes academia real D’Arras, Denisard Hipolite-Leon Rivail, detinha-se desde o ano de 1854, estudando, observando, experimentando, juntamente com os Espíritos, as nuanças quem formavam os meandros do Espiritismo.

Há, porém, vasta fenomenologia espirítica que deva ser alvo de um pequeno arrazoado, vindo nos servir de momento de precursor do que hoje chamamos de Doutrina dos Espíritos, haja vista que as manifestações dos Espíritos acontecem desde que o tempo de fez tempo.

E não foi diferente, o acontecimento de Hydesville, a 31 de março de 1848, apesar de repercutir com grande intensidade nos Estados Unidos, apenas marcava o início de nova era, esta de observação e experimentação daquilo que costumava o vulgo chamar de coisa dos fantasmas, das almas penadas. Sim, porque pouco a pouco a necessidade de conhecimento do fenômeno, fez com que o homem prestasse mais atenção, procurasse compreender mais ao fenômeno espiritíco que acontecia sob os olhares preocupados dos circunstantes do local. Assim, de Swedenborg às Irmãs Fox, passando por Edward Irwing, Andrew Jackson Davis, cognominado “o profeta da nova revelação”, seguindo pelas histórias de Home¸ dos irmãos Davemport, Eddy, Holmes, Slade, Eusápia Palladino e tantos outros, o advento da doutrina dos Espíritos veio de ser anunciado desde os Estados Unidos, passando pelos países europeus, como Inglaterra, Alemanha, e chegando a França, de Denisard Hipollite Leon Rivail, homem de ciência e positivista ferrenho, onde a dança das mesas fez crescer o interesse no fenômeno que em seus primeiros dias, era tido como mais um dos folguedos burgueses da burguesia abastada.

Segundo Arthur Conan Doyle, na obra História do Espiritismo, Ed. Pensamento é impossível marcar-se com exatidão o zênite das primeiras aparições da “força Inteligente” que se designou a si mesma por Espírito. Tomou-se então o 31 de março de 1848, como a datação oficial para o início da época onde a pesquisa mais apurada do fenômeno psíquico.
Note-se que a experiência de Edward Irwing datada entre 1830 e 1833, soma como de grande valia ao estudioso dos fenômenos psíquicos. Encontramos bons momentos de estudo sobre Irwing e os Shakers, nas páginas da obra supracitada de Conan Doyle.

Também a qualidade mediúnica de Andrew Jackson Davis, nascido às margens do rio Hudson no ano de 1826, fez com que o “pai da medicina”, Hipócrates, médico grego, nascido na ilha de Cós, dizer: “A alma vê de olhos fechados as afecções sofridas pelo corpo”.

Notemos o que Conan Doyle relata desse extraordinário homem: “Na tarde de seis de março de 1844, Davis foi subitamente tomado por uma força que o faz voar da pequena cidade de Poughkeepsie, onde vivia, e fazer uma pequena viagem no estado de semi transe. Quando voltou à consciência encontrou-se entre montanhas agrestes e ai, diz ele, encontrou dois anciãos, com os quais entrou em íntima e elevada conversação. Uma sobre medicina e outra sobre moral. Esteve ausente toda a noite; e quando indagou de outras pessoas na manhã seguinte, disseram-lhe que tinha estado nas montanhas de Catskill, a cerca de quarenta milhas de casa. A história tem todas as aparências de uma experiência subjetiva, um sonho, ou uma visão e ninguém hesitaria em considerá-la como tal, se não fosse o detalhe de seu regresso e da refeição que tomou a seguir. Uma alternativa seria que o vôo para as montanhas fosse uma realidade e as entrevistas um sonho. Diz ele que posteriormente identificou seus dois mentores como sendo Galeno e Swedenborg, o que é interessante, por ser o primeiro contato com mortos por ele próprio reconhecido. Todo o episódio parece visionário e não teve qualquer ligação como notável futuro desse homem.” A força desse homem se derrama por sua obra “Revelações Psíquicas de Davis”, veio a ser encontrada em várias outras obras compendiadas como “Filosofia Harmônica”.

Um outro pequeno sinal da força de Davis: sua predição quanto ao aparecimento do Espiritismo, em “Princípios da Natureza” editado em 1847, onde ele nos conta:
“É verdade que os Espíritos se comunicam entre si, quando um está no corpo e o outro em esferas mais altas – e, também quando uma pessoa em seu corpo é inconsciente do influxo e, assim, não se pode convencer do fato. Não levará muito tempo para que a verdade se apresente como viva demonstração. E o mundo saudará com alegria o surgimento dessa época, ao mesmo tempo em que o último homem. Será aberta e estabelecida a comunicação espírita, tal e qual desfrutem os habitantes de Marte, Júpiter e Saturno.”
Deixamos para o final uma breve visão de Swedenborg — Emmanuel Swedenborg — Este homem notável, por assim dizer, um dos, senão o mais genial dos precursores do Espiritismo, foi de certa maneira uma viva contradição para as nossas generalizações psíquicas, comenta Doyle, isso em razão do dito conhecido na época: “Uma lousa limpa é, por certo, mais apta para nela escrever-se uma mensagem, porém, o cérebro de Swedenborg, — ainda no dizer do Conan Doyle — não era uma lousa limpa, mas um emaranhado de conhecimentos exatos de suscetível aquisição naquele tempo.”

Grande engenheiro, também engenheiro militar, mudou a sorte de muitas campanhas de Carlos XII da Suécia. Autoridade no terreno da Física, autor de muitos trabalhos sobre as marés e sobre determinação das latitudes. Era também, zoologista e anatomista, financista e político, tendo se antecipado às conclusões de Adam Smith.

Profundo estudioso da bíblia, tendo sido alimentado de teologia com o leite materno. Ainda menino teve suas visões, porém esse episódio de ocasionais ocorrências eram apenas pequenos chamados das forças que eclodiram subitamente em Londres, num abril de 1744.

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HYDESVILLE

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Chegamos então aos trinta e um de março de 1848, data em que se cogita para a anunciação dos fenômenos espiríticos e que alguns espíritas acreditam ser, da anunciação da doutrina, o que a meu conhecer, trata-se de erro crasso. Primeiro porque de forma à anunciação do fenômeno espirítico ou espiritual, isso acontece desde os tempos imorredouros, e como Espírita, o acontecido na modesta cidade de Hydesville, assim não poderia ser classificado, mas sim como espiritual.

Hydesville é uma pequena cidade, um vilarejo, se o quiserem próximo da cidade de New York.
Ao tempo do episódio, os habitantes de Hydesville, por certo seriam pessoas de pouca erudição pessoas semi-educadas, porém, provavelmente mais isentas de preconceitos e mais abertos às novas idéias.

Situada a mais ou menos vinte milhas da cidade de Rochester, Hydesville, não passava de um povoado, de grupamento de casas de madeira de construção muito humilde.
Numa dessas casas, que não passariam numa avaliação por um inspetor de conselho distrital britânico que o fenômeno ocorreu. Tal casa era a residência da família Fox – fazendeiros – nome que por estranha coincidência, tinha sido registrado na história religiosa como o do apóstolo dos Quakers, – informa Conan Doyle -.
Os Fox, pai e mãe, eram Metodistas, duas de suas filhas, moravam, na casa ao tempo em que as manifestações atingiram, por sua intensidade, o conhecimento geral.
Eram elas: Margareth — quatorze anos de idade — e Kate  — com onze anos — Havia outros filhos do casal, porém não eram estes moradores do local. Uma delas, chamada Leah, professora de música em Rochester, deve ser lembrada.

Os Fox alugaram a casinha no dia onze de dezembro de 1847. Mas foi só em 1848 que os ruídos que já haviam sido notados pelos moradores anteriores da casa voltaram a ser ouvidos. — Este fato, pouco lembrado, lustra e demonstra que não foram somente os Fox, os únicos a escutarem tais ruídos, sendo estes, talvez, a causa da má reputação da casinha alugada pela família Fox.
Tais ruídos pareceriam pouco naturais para serem atribuídos a visitantes de fora, como que se quisessem os produtores dos ruídos, se apresentarem aos moradores da casa. Soaram como arranhões pareciam como tais, porém, estes mesmos arranhões foram também verificados em 1661, na Inglaterra, na residência da Mrs Monpesson, em Tedworth, há também registros de idênticos arranhões por Melanthou, verificados em Oppenain, na Alemanha em 1520 e em Epworth-Vicarage – em 1716. Porém, foi a porta da humilde casa dos Fox, que se abriu à eles.

No começo os ruídos não atrapalhavam a vida dos Fox, porém, cresceram em intensidade após março de 1848, as vezes batidas outras vezes arrastar de móveis, estas ocorrências fizeram com que as meninas não quisessem dormir sozinhas, e iam sempre para o quarto dos pais. Conta-se que eram de tal intensidade os sons, que as camas tremiam e se moviam.
Pai e mãe fizeram todas as experiências possíveis, mas não descobriram a causa dos arranhões. Mas foi a 31 de março de 1848, durante uma manifestação das mais fortes, com ruídos muito altos, que a jovem Kate desafiou a “Força Invisível” a repetir as batidas que ela dava com os dedos. A resposta não poderia ter sido diferente, dentro daquele pequeno e rústico quarto, onde as pessoas em mangas de camisa, se apertavam, iluminando o ambiente com velas.
Conquanto o desafio da pequena Kate Fox tivesse sido feito em volume baixo, foram imediatamente reeditados os ruídos ouvidos anteriormente e a cada novo pedido chegavam novas repetições dos ruídos. Kate, agora dobrava o dedo, porém sem produzir barulho e o arranhão se fazia ouvir. Mrs Fox fez diversas perguntas que foram por números respondidas, mostrando grande conhecimento de seus próprios negócios do que mesmo ela. Insistiam em que ela tinha tido sete filhos, o que Mrs, Fox dissera ter tido somente seis, até se lembrar que um deles havia morrido em tenra idade. Também, uma vizinha, a Sra. Redfield, sendo chamada, se assustou ao serem respondidas com acerto em minúcias perguntas de caráter bastante íntimo.
Uma vez, as meninas foram retiradas da casa e passaram a noite na residência da Sra. Redfield, porém o fenômeno continuou a acontecer exatamente como antes.
Formou-se então uma comissão de investigação. Esta, de suas perguntas houve de receber como resposta de que tratava com um Espírito. Este fora morto naquela casa, por causa de dinheiro, por um antigo inquilino, tendo indicado o nome do assassino, e procurando-se na adega, sob dez pés de profundidade, seguindo-se a indicação dada pelo Espírito, foram encontrados seus despojos carnais. O crime, segundo o Espírito, acontecera há cinco anos atrás e contava o morto com trinta e cinco anos de idade no momento de seu assassinato.
Quando o investigador chegou à adega sons pesados soaram, aparentemente originados de dentro da terra, enquanto o investigador estava no meio da peça. Não houve mais sons em outras ocasiões. Aquele, pois, seria o local da sepultura. O nome do morto, – Charles B. Rosna -, foi recebido por um vizinho que pela primeira vez usou um alfabeto para obter respostas por via dos arranhões nas letras. Esse vizinho chamava-se Duesler.
A idéia de se coordenar as mensagens só foi desenvolvida mais tarde, por Izaac Post, um Quaker de Rochester, que tomara a direção das investigações. Os fenômenos continuaram e se confirmaram sob os olhares de duzentas pessoas e descobriu-se que havia sido falsa a afirmação acerca de que só aconteceriam a noite.

Bem amigos, este foi um pequeno resumo dos acontecimentos que culminaram com as investigações, já em França, por Denisard Rivail, dos fenômenos que houve de conhecer na residência dos Plainemaison, e que nos trouxeram este legado de subida importância: A Doutrina dos Espíritos.

Passemos agora ao período francês e o surgimento das “Mesas Girantes”.

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RIVAIL E OS ESPÍRITOS

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Nascido no Burgode Ai em “aos doze do vindemiário do ano XIII, auto do nascimento de Denisard Hipolite – Leon Rivail, nascido ontem as sete horas da noite, filho de Jean Baptiste – Antoine Rivail, magistrado, Juiz, Jeane Duhamel, sua esposa, residentes em Lion Rua Sala 78” como consta deste auto de nascimento, o futuro fundador do Espiritismo chegava ao convívio dos humanos.

Fez suas primeiras letras em Lion, completando em Iverdum – Suíça, o restante de seu aprendizado, tendo sido aluno e depois representante de seu mestre – Pestalozzi. Era bacharel em letras e ciências, lingüista apurado, conhecia a fundo e falava fluentemente o alemão, o inglês, o Italiano e o Espanhol; Tendo também grande conhecimento de Holandês. Podia expressar-se nessa língua com grande facilidade.

Em seis de fevereiro de 1832 casa-se com Amelie Garielle Boudet, professora, nove anos mais velha que ele. Ao tempo de seu casamento, Rivail era diretor do instituto técnico à Rua Seres (método de Pestalozzi). Vindo a fechar esse instituto por requerer sua liquidação, e assim desfazer a sociedade que mantinha com um tio seu que tinha o vício do jogo e havia perdido soma imensa nas mesas de six-la-Chapelle e em Spa. Coube a cada um a quantia de quarenta e cinco mil francos. Rivail e esposa vieram a perder essa soma em virtude da falência do negociante a quem pediram para aplicar o capital. A este tempo, Denizard, membro de várias sociedades sábias, notadamente na Academia Real d’Arras, foi premiado, por concurso, em 1831, pela apresentação da sua importante e notável memória: “ Qual O Sistema de Estudo Mais Em Harmonia com as Necessidades da Época”?

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Obras Publicadas

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— Plano apresentado para o melhoramento da instituição pública – 1828.

— curso Prático de Aritmética – Para Uso das Mães de família e dos professores – tal curso seguia o método Pestalozzi. – 1829.

— Gramática Francesa Clássica 1831.

— Manual dos exames para obtenção dos diplomas de capacidade, soluções racionais das questões e problemas de aritmética e geometria – 1846.

— Catecismo Gramatical da Língua Francesa – 1848.

Em 1849 Rivail era professor no Liceu Polimático nas cadeiras de fisiologia, Astronomia, química e Física. Em obra de grande aceitação, resume seus cursos e depois faz publicá-los:
— Ditados Normais dos Exames na Municipalidade e na Sorbona;

—Ditados Especiais sobre as dificuldades ortográficas.

Poderia ter continuado sua carreira de homem de ciências se não tivesse acontecido com ele o que se segue:

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RIVAIL E AS MESAS GIRANTES

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Foi em 1854, da voz do amigo magnetizador, o Sr. Fortier, que Rivail ouve falar pela primeira vez nas “Mesas Girantes”. O fenômeno que causava frisson em França, naqueles dias de muita influência da Igreja. E causou tanta impressão ao amigo do professor Rivail, que chega a lhe dizer: “Eis aqui uma coisa que é bem mais extraordinária: não somente se faz girar a mesa, magnetizando-a, mas também se pode fazê-la falar. Interroga-se e ela responde”. Tal colocação recebe a seguinte réplica do professor liones: “Isso é uma outra questão; eu acreditarei quando vir e quando me tiverem provado o que u’a mesa tenha cérebro para pensar, nervos para sentir e que se pode torná-la sonâmbula. Até lá, permita-me o amigo, que não veja nisso senão uma fábula para provocar o sono”.

Denisard, homem inteligente, apesar de não acreditar no que ouvia, pedia provas cabais do fenômeno que tanta impressionara ao amigo com quem estudava mesmerismo já há trinta e cinco anos, queria observar, estudar, pare depois concluir sobre o que havia escutado do Sr. Fortier, para assim poder crer.

Mas há certos chamados aos quais a espiritualidade faz “mexer os pauzinhos”, encaixando as coisas, para que a sucessão de acontecimento siga rito bem, delineado e no ano de 1855, outro amigo, o Sr. Carlotti, corso, de falar alegre e gesticulado, com quem mantinha amizade séria já há mais de vinte e cinco anos, encontrando-se com o futuro codificador da doutrina dos Espíritos faz grande comentário sobre as mesas girantes, descrevendo fartamente o fenômeno sendo o primeiro que chama a baila o pensar sobre serem os espíritos os condutores e as inteligências por detrás do fenômeno. Este fato faz com que Rivail queira se aproximar das experiências, aguçando o “faro” do pesquisador, do homem de ciências. Ao cabo de sua narrativa, ainda sentindo a distância do amigo professor, sobre o fenômeno, o Sr. Carlotti lhe diz em seu tom alegre e enérgico: “Você um dia será um dos nossos”, — ao que Rivail responde — “Não digo que não, veremos isso mais tarde“.

Chega o mês de maio, ainda sob os auspícios do ano de 1855, Rivail é convidado a estar na residência da Sra. Roger, com o Sr. Fortier, lá se encontra com o Sr.Patiêr a Sra. Plainemaison, quem lhes falam com a mesma tônica empregada pelo Sr. Carolotti, anteriormente. Mas o Sr. Patiêr, homem, instruído e de caráter grave, em seu tom tranqüilo e comedido é quem causa impressão forte em Rivail, que vem a aceitar seu convite para estar entre os que apreciariam a experiência que seria levada a efeito na residência da Sra. Plainemaison no mesmo mês de maio, as 20 horas, na rua Grange-Bateliere nº 18. Esta seria, então, a primeira vez em que Rivail participaria da observação do fenômeno tão decantado por todos.

Estas são as primeiras linhas de anotação do professor Rivail: “(…) as mesas giravam, saltavam e corriam e isso em condições tais que a dúvida não era possível.” Diz ele em seguida: “ai vi também, ensaios muito imperfeitos de escrita mediúnica em ardósia, com o auxílio de uma cesta”.

Engana-se quem pensa que a partir daquela data tivesse o professor Denisard, mudado de pensar acerca do fenômeno.

A narrativa de Denisard prossegue: ”(…) naquilo havia um fato, e este deveria ter uma causa. Entrevi sob estas aparentes futilidades e a espécie de divertimento com que esses fenômenos faziam alguma coisa de sério e como a revelação de uma nova lei, que a mim mesmo prometi aprofundar.”

A ocasião se fazia palco de inúmeras observações para a mente aguçada de Rivail. O prosseguir das visitas o levava a estar mais amiudadamente nas seções da Sra. Plainemaison, que acabam fazendo com que trave conhecimento com a família Baudin, moradora a Rua Rochechouait.

O Sr. Baudin convida Denisard a comparecer e assistir uma das sessões hebdomadárias (semanais), que se faziam acontecer em sua residência, Rivail aceita e se faz figura cativa, por sua assiduidade. Delas extrai-se o que se segue: “(…) foi ai que fiz meus primeiros estudos sérios em Espiritismo, menos ainda por efeito de revelação que por observação. Apliquei a essa nova ciência, como até então havia feito, o método da experimentação; nunca formulei teorias preconcebidas; observava atentamente, comparava, deduzia as conseqüências dos efeitos tentava remontar às causas, pela dedução, pelo encadeamento lógico dos fatos, não admitindo como válida uma explicação, senão quando ela podia resolver todas as dificuldades da questão (…)”.

Esta é a fotografia da mente científica em pesquisa séria. Dessa pesquisa Rivail deduziu o que comenta: “(…) Compreendi desde logo o princípio, a gravidade da exploração que ia empreender. Entrevi nesses fenômenos a chave do problema tão obscuro e tão controvertido do passado e do futuro, a solução do que havia procurado toda a minha vida; era, em uma palavra, uma completa revolução nas idéias e nas crenças; preciso, portanto, se fazia agir com circunspeção e não levianamente, ser positivista e não idealista, para não me deixar arrastar pela ilusão”.

De fato, ao noviço nesse metier, o fenômeno pode causar ao observador idealista, muitas conclusões eivadas de erro, malgrado a sua vontade em acertar, por esta razão é que Rivail buscava ser positivista ao extremo.

Seus olhos e cérebro procuravam abranger do efeito à causa, a tudo observando com positivo interesse. Nada lhe passava despercebido, tanto que é ele quem nos vem ensinar ponto capital para qualquer um que se lance num estudo aprofundado da doutrina Espírita. Vejamos as palavras daquele viria a ser o codificador do Espiritismo: “Um dos primeiros resultados de minha observação foi que os Espíritos, não sendo senão as almas dos homens, não tinham nem a soberana sabedoria nem a soberana ciência. Que o seu saber era limitado ao grau do seu adiantamento, e que a sua opinião não tinha senão o valor de opinião pessoal. Esta verdade, reconhecida desde o começo, evitou-me o grave escolho de crer na sua infalibilidade e preservou-me de formular teorias prematuras sobre a opinião de um só ou de alguns (…)”.

Mais claras e objetivas do que estas palavras não se poderia exigir, porém, no nosso hoje, contestadores, me desculpem pelo termo, de “calças curtas”, se acham em posição de até desdizerem esta conclusão do professor Rivail, — Mas sigamos em frente, — Observemos mais um pouco o trabalho do Sr. Denisard, no estudo a que se destinou, aprendamos com suas próprias palavras:

“Só o fato da comunicação com os Espíritos, o que quer que eles pudessem dizer, provava a existência de um mundo invisível ambiente; era já um ponto capital, um imenso campo franqueado às nossas explorações, a chave de uma multidão de fenômenos inexplicados. O segundo ponto, não menos importante, era conhecer o estado desse mundo e seus costumes, se assim nos podemos exprimir. Cedo observei que cada Espírito, em razão de sua posição pessoal e de seus conhecimentos, desvendava-me uma fase desse mundo, exatamente como se chega a conhecer o estado de um país interrogando os habitantes de todas as classes e condições, podendo cada qual nos ensinar alguma coisa e nenhum deles podendo, individualmente, ensinar-nos tudo. Cumpre ao observador formar o conjunto, com o auxílio dos documentos recolhidos de diferentes lados, colecionados, coordenados, e confrontados entre si. Eu, pois, agi com os Espíritos como teria feito com os homens: eles foram para mim, desde o menor até o mais elevado, meios de colher informações e não REVELADORES PREDESTINADOS (grifo meu).

Mal sabia Rivail, que em mais alguns dias, receberia um chamado eu explicaria a natureza de sua missão…

Coube a Z, Espírito protetor de Denisard, a incumbência de por um médium, trazer-lhe comunicação pessoal que lhe informava entre outras coisas: de tê-lo conhecido ao tempo dos Druidas, nas Gálias, nesse tempo ele Rivail, chamava-se Allan Kardec. Dizia também que a amizade nas Galias nascida, perdurava e crescia até aquele tempo, e ele Z, iria secundá-lo em difícil tarefa, mas que com facilidade seria desempenhada pelo amigo Kardec.

Denisard Rivail, lança mão do trabalho, arranja, coordena, compila, cada uma das mensagens existentes nos mais de cinqüenta livros que lhe foram entregues pelos amigos que também assistiam as reuniões na casa dos Plainemaison e do Sr. Patiêr; assinala lacunas a serem preenchidas, as obscuridades a serem clareadas, preparando para tal, um rol de perguntas, que seriam feitas como fito de chegar a tal resultado. Até então, comenta ele: “as reuniões na casa do Sr.Baudin não tinham nenhum fim determinado;” Rivail então passa a utilizar-se delas para resolver os problemas e as dúvidas obtidas sob o ponto de vista da filosofia, da psicologia, e da natureza do mundo invisível. As perguntas elencadas por ele, ali eram feitas e metodicamente classificadas. Estas, diante do novo e grave caráter que tomavam as reuniões, foram sempre respondidas com a maior presteza pelos Espíritos.

A observação aguçada de Rivail o leva a concluir que as anotações que fizera e que por sua natureza, diante das respostas obtidas, tomavam o caráter de uma doutrina, teriam melhor fim se publicadas e assim então, sob as vistas da espiritualidade, Denisard Rivail, aos dezoito dias do mês de abri do ano de mil e oitocentos e cinqüenta e sete, faz sair do prelo a primeira edição de “O Livro dos Espíritos”.

Nesse momento amigos, saía de cena o professor, o cientista consagrado e laureado, nascendo, ou melhor, reaparecendo o antigo druida, Allan Kardec. Sim, Rival , para se distanciar de qualquer conotação que pudesse notabilizá-lo junto à doutrina que surgia, adota o nome que tivera em encarnação anterior, onde fora Druida, nas Gálias. Aos dezesseis dias do mês de março de mil oitocentos e sessenta, chega revista e ampliada às livrarias, a segunda edição de O Livro dos Espíritos, contando agora com mil e dezoito perguntas e respostas. Este o Zênite da Doutrina Espírita, que vem, a ser conhecida também pelo nome de Espiritismo, neologismo criado por Allan Kardec, que atesta logo nas primeiras linhas da introdução ao livro básico de doutrina: “Para ciência nova, palavras novas”.

Após a apresentação à França, a nova doutrina fez o codificador editar, formando a coletânea conhecida como a Codificação Espírita as seguintes obras:

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ESTAS conhecidas como Obras Básicas

 

1858- Revista Espírita – Jornal de Estudos Psicológicos (editada até 1860).
1859- O Que é o Espiritismo.
1860- 2ª Edição do Livro dos Espíritos (entre as datações de 1859 e 1861, o codificador descontinua a edição de uma pequena Brochura conhecida pelo titulo de O Espiritismo Em Sua Mais Simples Expressão, explicando que precisaria renová-la e ampliá-la, porém seu trabalho o levou a outros caminhos deixando sem reedição esta obra.).

– Sob a característica de obra codificada deixou para nós as seguintes obras:

1861- O Livro dos Médiuns
1865- O Céu e o Inferno
1868- A Gênese – Os Milagres E As Predições Segundo O Espiritismo

1864- O Evangelho Segundo O Espiritismo (esta obra teria como título, anteriormente “A Imitação do Evangelho”).

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Amelie Boudet, sua esposa, faz, depois do passamento de Kardec, editar uma coletânea de artigos e estudos tidos na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas conhecidas como Obras Póstumas.

Anotamos também, como curiosidade, que era tanta a preocupação de Allan Kardec com as crianças e os jovens, que tentando apresentar de forma mais fácil a doutrina a estes, fez editar um pequeno gibi, sim história em quadrinhos, sob o título de “A História de Um Espírito”.

Esta, meus amigos, nossa singela contribuição, sempre no sentido de facilitar a divulgação e propagação dos postulados espíritas.

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Muita paz,

Equipe de Coordenação da Sala filosofia Espírita.

Rio de Janeiro, 07 de fevereiro de 2006.

 

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