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22/09/2017

O método kardequiano Maria Ribeiro


Tudo seria perfeito se entre os adeptos houvesse a concordância de que o método kardequiano ainda é a forma mais segura de se iniciar e prosseguir nos estudos acerca dos postulados Espíritas.

A exemplo do que aconteceu com os ensinamentos do Cristo, cujos sentidos foram distorcidos ou alterados, os ensinamentos dos Espíritos também foram e são vítimas de distorções e alterações criminosas. Palavras criadas pelas férteis imaginações de homens ignorantes ou mal intencionados comprometem o entendimento verdadeiro da Doutrina Espírita, já que nem todos se prestam à investigação particular, ao estudo por si mesmos, preferindo se deixar guiar pelos que pensam ser os mais experientes.

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A experiência virá com o estudo, e talvez o primeiro sinal desta será o reconhecimento de que o Espiritismo fala por si só, não tem porta-voz. Qualquer um que tiver o desejo de estudar o Espiritismo, basta a leitura das obras kardequianas. Do estudo, certamente, originará a crítica, inimiga número um da falta de transparência e da falta de coerência. O Espiritismo não teme a crítica, ao contrário, provoca-a. Os piores críticos da Doutrina dos Espíritos têm sido seus próprios adeptos que, mal informados, trazendo uma bagagem inconsistente, de origem não-espírita, simplista por demais, tornam os ensinos de uma qualidade inferior, não correspondente com aqueles trazidos pelos Espíritos Codificadores. Tomam-se aqui as palavras críticos/crítica não no sentido que Kardec faz alusão, aos detratores, aos que queriam derrubar a doutrina, mas àqueles que a analisam, e, o que poderia ser feito saudavelmente, acaba por se tornar uma verdadeira detração, porém feita pelos que deveriam defendê-la. Utilizem-se, entretanto, o que o nobre mestre lionês argumenta para aqueles, pois cabe com perfeição para estes: “O verdadeiro crítico deve provar não somente erudição, mas um saber profundo no que concerne ao objeto que trate, um julgamento sadio, e de uma imparcialidade a toda prova…”; “O Espiritismo não pode considerar como crítico sério senão aquele que tiver visto tudo, estudado tudo, aprofundado tudo, com a paciência e a perseverança de um observador consciencioso…”(Parte I, cap. II, item 12 e 14 – O Livro dos Médiuns) Quantos eruditos conta o Espiritismo, mas nas condições já descritas…Quantas análises torpes tem-se deparado nos jornais, revistas e outros meios de comunicação intitulados espíritas…Como poderá o adepto defender a doutrina se ele mesmo lhe é desconhecedor?

Kardec, no capítulo III de O Livro dos Médiuns – Método, diz que o meio mais seguro de se fazer novos adeptos, obviamente em maior número entre os espiritualistas, é mesmo, em resumo, o estudo teórico.

Mas como se pretende fazer prosélitos apelando para as propagandas, para as formas exteriores, quando o Espiritismo é todo Moral, todo racional? Examinem-se as palavras de Kardec no referido capítulo, item 32:“O estudo preliminar da teoria tem uma outra vantagem, qual seja a de mostrar, imediatamente, a grandeza do objetivo e a importância desta ciência; aquele que se inicia por ver uma mesa girar ou bater está mais inclinado à zombaria, porque dificilmente imagina que de uma mesa possa sair uma doutrina regeneradora da humanidade…” Muitos irmãos ignoram até hoje esta grave missão da Doutrina – regenerar a humanidade. E certamente isso não se dará com as manifestações dos Espíritos, com prodígios, com curas, ou com outras invencionices. Kardec continua: ”Nós sempre mencionamos que aqueles que creem antes de ter visto, porque leram e compreenderam, longe de serem superficiais, são, ao contrário, os que refletem mais…”  O convite é ao raciocínio, a Doutrina Espírita o exige, senão jamais faria adeptos conscientes, sensatos, e o poder de fazê-los convictos está na reflexão.“Todo aquele que reflete, compreende muito bem que se poderia fazer abstração das manifestações, e que a doutrina não subsistiria menos por isso…”

Infelizmente, grande número de companheiros vê nos fenômenos a base do Espiritismo. Apesar destes terem aberto o caminho, sozinhos não tocam aqueles que mais fazem uso da razão. Kardec aconselha a observação e o estudo da fenomenologia, pois sem ela, obviamente, estaria o entendimento da ciência espírita feito pela metade. E o desejável é o todo.

Outro ponto de reflexão é sobre os noticiários leigos, os programas de tevê de massa, que apresentam pessoas que se dizem médiuns espíritas, realizando peripécias, adivinhações, recebendo até mensagens do além, ali, ao vivo. Não se pode duvidar que sejam médiuns, mas, espíritas, é um pouco demais. O problema é que alguns dos próprios adeptos se deleitam, pensando que assim grande número de pessoas ficará convencido. Mais uma vez a mensagem kardequiana é veemente e taxativa: “…é preciso, pois, observar, esperar os resultados e apanhá-los de passagem; também dissemos claramente que todo aquele que se gabasse de os obter à vontade, não poderia ser senão um ignorante ou um impostor: por isso ao Espiritismo verdadeiro não se porá jamais em espetáculo, e jamais subirá ao palco.” (item 31). O que ocorre nestas exposições demasiadamente desnecessárias é o  uso indevido do termo Espírita, isto poderia ser considerado falsidade ideológica, que é um crime previsto na lei. Mas ninguém vai à imprensa leiga tentar desfazer os equívocos. Filmes são lançados, milhares de pessoas assistem, gostam, saem do cinema maravilhados com as aventuras ficcionistas e histórias mirabolantes de personagens os mais curiosos. Uma certa parcela de estudiosos espíritas reclama, censura, mas nada faz para reverter o que se pode considerar já um processo irreversível. O ideal seria se se encontrasse um meio de revelar ao grande público a história real da Doutrina, como ocorreram e ocorrem os fatos, tudo baseado nas obras da Codificação. Pois, ainda muitos são movidos pelo interesse de ver retratadas fantasias que aquele tipo de obra desenvolve muito bem; e não imaginam a real grandeza do Espiritismo e nem dos fenômenos que este explica irretocavelmente.

Kardec teceu uma recomendação, ordenando as obras que deveriam se suceder na leitura e estudo de quem pretendesse obter o conhecimento doutrinário. Assim, no item 35, ele prescreve 4 títulos, a saber:O que é o Espiritismo, O Livro dos Espíritos, neste ele ajunta: “contém a doutrina completa, ditada pelos próprios Espíritos, com toda a sua filosofia e todas as suas consequencias morais”; O Livro dos médiuns,complemento de O Livro dos Espíritos; A Revista Espírita.

Se O Livro dos Espíritos contém a doutrina completa, há uma desnecessidade de os adeptos recorrerem a outras obras. Ou não!? Só que mais adiante, ele prossegue: “Aqueles que querem tudo conhecer numa ciência devem necessariamente ler tudo o que está escrito sobre a matéria, ou, pelo menos, as coisas principais, e não se limitar a um só autor; devem mesmo ler o pró e o contra, as críticas como também as apologias, iniciar-se nos diferentes sistemas a fim de poder julgar pela comparação. Sob esse aspecto, não preconizamos nem criticamos nenhuma obra, nem queremos influir em nada sobre a opinião que se pode delas formar; trazendo nossa pedra ao edifício, colocamo-nos nas fileiras: não nos cabe ser juiz e parte, e não temos a pretensão ridícula de sermos os únicos dispensadores da luz; cabe ao leitor apartar o bom do mau, o verdadeiro do falso.”

As obras Espíritas mais os volumes da Revista Espírita devem ser considerados como ”as coisas principais” a que ele se referiu, em relação ao conhecimento do Espiritismo.

Este Espírito que animou a doce personagem do Sr. Rivail é de tamanha grandeza que é impossível citá-lo sem experimentar uma emoção diferente! Ele diz: “e não se limitar a um só autor”.  Ele recomenda que os adeptos exerçam a liberdade de pesquisa por si mesmos, sem estacionarem somente no trabalho que ele, Kardec, realizou; e que reflitam e tirem suas próprias conclusões. Kardec, certamente, pensava em homens realmente sem preconceitos e abertos. Esta recomendação não só é útil, como necessária. Os homens inteligentes pensam por si mesmos, mas baseados na lógica e na sensatez.

Hoje sabe-se que os que estudaram Kardec estão aptos a lerem outras obras; mas fatalmente, o mestre francês será sempre requisitado – está-se sempre retornando a Kardec, pois, após seguir sua recomendação de ler tudo e todos, a decepção dá lugar a nostalgia Kardequiana…

Obviamente não se pode esperar que todos tenham por ele a mesma emoção nem a mesma saudade, porque encontraram em suas palavras dificuldades que foram e ainda são resolvidas com fórmulas, ritos e outras anedotas.

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