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24/11/2017

O método de Allan Kardec para investigação dos fenômenos mediúnicos


Descrição: Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Saúde da Universidade Federal de Juiz de Fora, como parte dos requisitos para a obtenção do título de Mestre em Saúde Brasileira.


Contexto: Ao longo do século XIX, investigações sobre a natureza de fenômenos psíquicos/espirituais como transes e supostas aquisições de informações indisponíveis aos canais sensoriais normais geraram grande debate, mobilizando médicos, cientistas e intelectuais. O professor francês Allan Kardec (1804-1869) foi um dos primeiros pesquisadores a propor uma investigação científica dos fenômenos mediúnicos, tornando-se um influente intelectual na Europa durante a segunda metade daquele século e no Brasil a partir do século XX. Todavia, seu método de investigação é amplamente desconhecido ou mal interpretado.

Objetivos: Identificar e analisar o método de investigação empregado por Allan Kardec em suas investigações das experiências mediúnicas.

Método: A pesquisa se concentrou na leitura e na análise, no idioma original, de toda obra publicada por Kardec: seus livros e os doze volumes da Revue Spirite: Journal d’Études Psychologiques. Foram obtidos e analisados documentos originais inéditos de Kardec. Fontes secundárias foram utilizadas como ferramentas de interpretação e de contextualização do trabalho de Kardec.

Resultados: Kardec levantou e testou diversas hipóteses para explicar os fenômenos mediúnicos: fraude, alucinação, forças físicas, sonambulismo, inconsciente, clarividênica, transferência de pensamentos (telepatia) e espíritos desencarnados. Concluiu que todas estas hipóteses eram necessárias para explicar a totalidade das experiências chamadas de mediúnicas. Todavia, por concentrar sua atenção naquelas experiências que ele considerava envolver a comunicação de personalidades desencarnadas (espíritos), buscou desenvolver um método para obter informações úteis e confiáveis sobre a dimensão espiritual do universo. O objetivo de Kardec era naturalizar o domínio espiritual, fazendo dele um objeto de investigação racional e empírica para identificar as leis naturais que regeriam as supostas relações entre espíritos desencarnados e a humanidade encarnada. Por meio do estudo dos processos de investigação e de elaboração das teorias de Allan Kardec para os casos específicos das chamadas sensações dos espíritos logo após o desencarne e para o caso da possessão, percebe-se a busca de uma ampla e diversificada base empírica, bem como a construção progressiva e a reformulação de teorias explicativas.

Conclusão: As investigações sobre os fenômenos psíquicos e mediúnicos preenchem uma importante lacuna, ainda negligenciada, da história da ciência e da medicina. Allan Kardec foi um dos pioneiros desses estudos ao propor a naturalização da dimensão espiritual e sua subsequente investigação empírica e racional. Uma melhor compreensão de seus métodos pode expandir nosso conhecimento sobre as relações entre ciência e espiritualidade no século XIX, bem como oferecer contribuições para os estudos atuais sobre o tema.

Palavras-chave : Pesquisas psíquicas, Século XIX, Espiritismo, Allan Kardec, Mediunidade, Método.

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Juiz de Fora (MG) – Fevereiro de 2014 – Núcleo de Pesquisas em Espiritualidade e Saúde

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7 Responses “O método de Allan Kardec para investigação dos fenômenos mediúnicos”

  1. Mairla
    19/08/2017 at 10:15

    Gostei do site e do trabalho científico de Pimentel. Sou professora e estudante do Espiritismo. Achei o texto bem explicado e objetivo. A metodologia do trabalho foi bem rigorosa e o trabalho é interessante pelo objeto e pela riqueza de informações. Obrigada, Jornal Ciência Espírita. Vou divulgar.

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  2. Laerte Oliveira
    07/10/2017 at 23:25

    A grosso modo, parece que o método científico de Kardec consiste em consultar os espíritos e examinar criteriosamente as respostas. OK!
    Mas alguém pode me descrever que método ele utilizou para demonstrar cientificamente que os espíritos realmente existem? Que método ele empregou para demonstrar cientificamente que as comunicações provinham dos mortos? Que método fantástico ele empregou durante 18 meses de pesquisas (até a publicação do Livro dos Espíritos) e que era totalmente desconhecido por Flammarion, que em mais de 40 anos de pesquisas não conseguiu demonstrar estes pontos básicos da Doutrina Espírita?

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    • 09/10/2017 at 15:31

      A resposta a sua primeira pergunta pode ser encontrada no livro de título: O que é Espiritismo, editado e publicado pelo próprio Kardec. O método de Kardec para a elaboração das obras que são classificadas como “Fundamentais”, utilizam o critério positivista, ou seja, a soma da universalidade de opiniões sobre o tema, estes primeiros esclarecimentos são facimente respondidos quando se tem contato mesmo que superficialmente com suas obras básicas, haja vista que em cada uma delas, ele majestosamente responde a todas as dúvidas sobre o método, sobre o meio e sobre os fins. Se você deseja realmente saber acerca da Ciência Espírita, tem que pesquisar, estudar metódicamente e tirar suas conclusões. Não espere ficar confortávelmente ai sentado esperando alguém lhe convencer ou demonstrar erros ou acertos dos seus questionamentos, a Doutrina Espírita não foi concebida para fazer prosélitos, nem salvar almas, e tampouco converter ou convencer alguém de alguma coisa, é um caminho que podem optar os que tiverem uma razão desapaixonada, e mente a aberta, para tanto exige-se muito estudo e pesquisa, caso contrário, não se ocupe disso. Sobre Flammarion, a sua questão ficou um tanto quanto obscura, mas como argumentador eu recomendaria ao colega deixar de lado um pouco da sua ironía e do seu deboche, pois este é um ambiente sério e frequentado por pessoas, educadas que não toleram debates e argumentos que fujam da urbanidade e da seriedade, se você deseja questionar e possui bons argumentos para tal, nós teremos imenso prazer em debater sobre isso no ambiente adequado, como no fórum em que você solicitou ingresso e até o momento não se pronunciou sobre a respostas as suas perguntas pretéritas. Além disso, antes de questionar a posição, a importância e a relevância de Flammarion para a Doutrina e seu método, se faz necessário que você aprenda o bêàbá do Espiritismo no livro que indicamos acima, sem o conhecimento fundamental que lá é exposto, seria uma perda de tempo direcionar-lhe aos motivos e as razões pelo qual Flammarion afastou-se da mesma, mesmo após ter colaborado por um longo tempo na mesma. O conhecimento acerca da Ciência Espírita segue os mesmos princípios de uma edificação, sendo um alto edifício, necessita que suas bases sejam bem fundadas e exauridas todas as suas medidas e possibilidades, para a partir de então, subir-lhe os andares um a um. Boa sorte!

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  3. Laerte Oliveira
    08/10/2017 at 10:08

    Parece que é assim: Kardec com seu “conhecimento” do magnetismo e seus fluidos imateriais, examinando relatos populares de fenômenos mediúnicos, resolveu participar de seções com alguns médiuns para obter mais informações. Em poucos meses de observações da atuação destes poucos médiuns e juntando com suas observações dos relatos populares que havia observado, num passe de mágica, concluiu inequivocamente que espíritos dos mortos estavam se comunicando com os vivos.
    O gênio de Kardec foi tamanho, que dezenas e dezenas de pesquisadores, por mais de 70 anos de pesquisas após a década de 1850 não conseguiram demonstrar inequivocamente estas comunicações. Na verdade, a pobre e ingênua comunidade científica de então, no final do século XIX, concluiu, erroneamente é óbvio, que a esmagadora maioria dos fenômenos observados eram provenientes de fraudes. No começo do século XX, novo fiasco da comunidade científica: trabalhos realizados pela pesquisadora Amy Tanner, utilizando principalmente o método de conversar com supostos espíritos, concluiu que as comunicações provinham da inteligência dos próprios médiuns. Não é revoltante a ignorância e a incompetência da comunidade científica?

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  4. Laerte Oliveira
    09/10/2017 at 21:56

    Meu caro, fui espírita durante anos e nestes anos, fora a Revista Espírita, que só comprei os dois primeiros volumes, estudei bastante e de forma sistemática toda a obra de Kardec, portanto, informo-lhe que você está redondamente enganado sobre minha suposta ignorância do assunto, Sou também e sempre fui um amante e estudioso das ciências em geral, portanto também não sou totalmente leigo neste outro assunto. Desculpe-me, mas não preciso de aulas nem orientação sobre o assunto. O que quero aqui é colocar questionamentos sérios sobre o tema, se você está interessado em respondê-los, por favor se atenha ao tema e pare de discorrer sobre minha pessoa, peço também que pare de me dar conselhos. Podemos continuar? Aguardo resposta.

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    • 10/10/2017 at 09:18

      Caro Laerte.

      O fato de você se denominar espírita ou ex espírita, não lhe dá autoridade sobre o conhecimento doutrinário. Não basta estudar há anos, é necessário compreender. E pela natureza dos seus questionamentos nota-se claramente que você de fato, deixou passar muita coisa nos seus estudos, ou não os compreendeu.

      Você faz questionamentos tão primários, que já foram exaustivamente debatidos e respondidos tanto nas obras fundamentais como na Revista Espírita. Ademais, o seu tom irônico e seu deboche acerca do objeto do assunto nos dão a entender que você não deseja questionar, e sim rebater, embora com argumentos frágeis carregados de ironia.

      Se você tem realmente o desejo e a seriedade de fazer questionamentos justos e receber respostas com o âmbito de compreender o objeto da Ciência Espírita, então comporte-se adequadamente, pois não toleramos pessoas que fujam da seriedade que o assunto exige, com ironias e deboches. Não temos tempo a perder com pessoas de natureza arredia.

      Você não está compartilhando ideias com pessoas de uma seita religiosa, ou ignorantes do assunto de que tratam, tampouco pessoas deseducadas, portanto, comporte-se como tal.

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  5. Laerte Oliveira
    10/10/2017 at 10:19

    Não, a reposta à minha primeira pergunta não pode ser encontrada no livrinho O Que é o Espiritismo e também não pode ser encontrada nas demais obras do pentateuco espírita. Kardec nestas obras não demonstrou de forma inequívoca que os espíritos existem e nem que as supostas comunicações provinham dos mortos. Kardec, nestas obras, mostra o método empregado para compilar a suposta nova ciência que está criando, mas em parte alguma explicita o método utilizado para demonstrar a realidade dos fundamentos básicos desta nova ciência. Acho que o fato de tal ciência não preencher estes requisitos científicos básicos é fator fundamental para explicar seu fracasso histórico.
    Em relação a Flammarion, o que quis dizer é tão somente o que está escrito em minha pergunta, que ele, após mais de 40 anos de pesquisas no campo espírita, também não conseguiu demonstrar inequivocamente e cientificamente que os espíritos realmente existem e que as comunicações observadas provinham dos mortos. Foi ele próprio que reconheceu isso em uma obra do início do século XX.

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