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25/07/2017

O Espiritismo é científico? João Donha


Alguns argumentos que põem em dúvida o caráter científico do espiritismo são dignos de atenção e provocam um bom debate. Outros, porém, são de uma puerilidade comovente. Outro dia li alguém argumentando que o espiritismo não é científico porque “não se fazem pesquisas nos centros espíritas”.

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Ora, dentro de qualquer ciência existem os centros de pesquisas, e os centros de aplicação prática dos conhecimentos acumulados. E, entre os centros de aplicação prática existem aqueles mais abertos às novidades que vêm dos centros de pesquisas, e aqueles que são mais refratários a novidades e mudanças. Nas capitais ou no interior temos inúmeros consultórios de dentistas, médicos, veterinários, advogados, psicólogos, assim como, inúmeros pedagogos, professores de educação física, de língua portuguesa, literatura e outros, todos eles, aplicando conhecimentos acumulados ao longo de décadas ou séculos, poucos realizando pesquisas, mas, todos, atualizando-se constantemente por publicações que relatam os resultados das pesquisas realizadas em universidades, institutos, fundações, laboratórios, enfim, centros que se dedicam à pesquisa. Os centros espíritas não têm compromisso com a pesquisa porque são centros de aplicação de conhecimentos. Têm, sim, o compromisso de se manterem atualizados com as pesquisas e questionamentos gerados em centros outros, como, por exemplo, a SBPE de Curitiba, o CPDOC de São Paulo, aquele outro herdado do Engenheiro Hernani, e mais uma porção existentes do Brasil e no mundo.

Outro fator a se considerar é a necessária adaptação da metodologia de ciência para ciência e de prática para prática. Não se pode pretender estudar um poema, uma pulsão ou uma virose, com o mesmo método que se estuda um combustível, o deslocamento de um objeto no vácuo ou um terremoto.
Temos que levar em conta também, em nossa analogia, os diferentes objetivos das atividades científicas. O espiritismo não pretende formar profissionais; sua prática não se dirige a um mercado. Ele é uma causa; gera uma atividade voluntária e não lucrativa. Daí, suas imbricações com a filosofia e a religião serem mais fortes e presentes que em outras atividades humanas.

E, se o argumentador pretender que o espiritismo não pode ter um aspecto científico por não ser ou não gerar uma atividade profissional, lembramos a ele que a profissionalização não é privilégio da ciência. Se admitimos a existência de religiosos profissionais, por que não admitirmos a existência de cientistas não profissionais?

Por favor, avalie este artigo.

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One Response “O Espiritismo é científico? João Donha

  1. 14/07/2016 at 08:42

    Gostei muito de conhecer o seu ponto de vista. Concordo praticamente com tudo o que foi dito. Porem, não acho que os centros espiritas tem essa preocupação em conta (atualizacao do conhedcimentpo cientifico), ja trabalhei em CE e na minha epoca… os estudos iam até Leon Denis, Aksakof, Gabriel Dellane… e parava por aí. Isso pra quem fazia o ESDE…. é muito pouco. Acho que o mvto espirita devia ELEVAR o nivel de preocupação com o desenvolvimenrto pelo menos do conhecimento das pesquisas atuais… eu nao vejo isso, sinceramente. Foi por isso quer o nosso grupo resolveu agir e botar isso na pauta aqui no Ceara. Esse ano teremos o II Simposio Espiritismo e Ciencia ( veja a pag https://www.facebook.com/EspiritismoCientifico/ ) …. Tentei encontrar algum outro evento/curso ou coisa parecida com esse objetivo…e nao encontrei. Os CE espirtas, de fato, nao tem objetivo de fazer experimentos, mas deveriam facilitar que a comunidade cientifica assim o fizesse dentro dos CE… nao é isso que vejo. Até mesmo famosos mediuns se negam, educadamente a participar de qualquer experimento… digo isso por experiencia propria. A FEB então…. nem se fala.

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