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25/05/2017

O Espiritismo como disciplina escolar e universitária na Espanha do Séc XIX Herivelto Carvalho


A Revolução Liberal de 1868, na Espanha, destituiu a Rainha Isabel II do trono e permitiu o surgimento da Primeira República Espanhola em 1873. Esta revolução teve intensa participação de espíritas e maçons que lutavam inclusive pela implantação da liberdade de culto e da laicidade do Estado. Com maior liberdade, a propaganda espírita conseguiu ampla divulgação e penetração entre as massas e também entre a classes mais intelectualizadas da sociedade espanhola deste período.

Em 1873, durante o período republicano, o deputado espírita José Navarrete propôs uma emenda na Lei de Educação Pública que incluía a disciplina de Espiritismo como matéria obrigatória nos currículos de ensino secundário e das faculdades de Filosofia, Ciências e Letras da República Espanhola. Esta emenda, recebeu ainda a assinatura de outros quatro deputados espíritas: Luís F. Benítez de Lugo, Anastasio García López, Manuel Corchado y Juarbe e Mamés Redondo Franco.

Como justificativa para a proposição, os deputados assim se manifestaram:

Os Deputados que subscrevem, sabendo que a causa inicial da confusão que reina na nação espanhola, na esfera da inteligência, na região do sentimento e no campo das obras, é a falta de uma fé racional, é a carência no ser humano de um critério científico para ajustar suas relações com o mundo invisível, relações profundamente perturbadas pela influência fatal das religiões positivas, têm a honra de submeter à aprovação da Assembleia Constituinte a seguinte emenda ao projeto de lei sobre a reforma do ensino secundário e das Faculdades de Filosofia, Letras e Ciências.

Junto à proposta de emenda, foi elaborado um Programa de Curso Elementar de Espiritismo, que contemplava os seguintes conteúdos: Noções de Cosmologia, Antropologia e Filosofia, Catecismo da Doutrina Kardequiana, Deus, a Criação, Conceito de Espírito, Lei do Progresso, Vida Planetária e Mundos Habitados, Magnetismo e fluidos, código moral e religioso, Ciência Espírita, a vida futura e reencarnação, etc.

Infelizmente, antes que o projeto fosse discutido e aprovado pelo Parlamento Espanhol, um golpe de Estado liderado pelo general Martínez Campos deu fim a Primeira República Espanhola e restabeleceu a monarquia na pessoa de D. Alfonso de Bourbon, filho de Isabel II. Consequentemente, a influência dos espíritas na política espanhola, foi diminuída após este acontecimento.

Mas mesmo assim o movimento espírita espanhol continuou atuando junto à sociedade, pois foi amplamente conhecida a atuação das sociedades espíritas na criação de escolas de ensino laico, que atendia a uma parcela significativa da população que não contava com políticas públicas de educação ou condições de pagar pelo ensino ministrado em colégios católicos.

Este acontecimento histórico, com todo o seu contexto, é um farto manancial de informações que podem nos inspirar no presente a buscar soluções para o desenvolvimento da Educação Espírita, bem como, estabelecer condições para que o conhecimento espírita cumpra seu papel de renovador social.


Por Herivelto Carvalho

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