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30/05/2017

Noventa e dois anos de nascimento de Wallace Leal Orson Peter Carrara


Se encarnado estivesse entre nós, no dia 11 de dezembro de 2016, o genial Wallace Leal V. Rodrigues – cujo nascimento ocorreu em 1924 – poderia comemorar conosco seus noventa e dois anos de nascimento, embora nossas vibrações de admiração e gratidão – de todos aqueles que conhecem sua lucidez doutrinária e mesmo sua brilhante inteligência – no plano imortal dos espíritos. E naturalmente se lembra, com vigor e gratidão, de sua recente peregrinação terrena, de tantas experiências valiosas no campo da cultura e da arte.

Wallace foi redator chefe da Casa Editora O Clarim – fundada por Cairbar Schutel, em Matão, no interior paulista –, destacando-se, todavia, pelas impecáveis traduções e conteúdo doutrinário de seus livros e prefácios de tantas obras, durante seu tempo de trabalho junto à editora, nos idos tempos das décadas de 60 a 80.

Nascido em Divisa (ES), mudou-se para Araraquara (SP) em 1940, quando tomou contato com a editora fundada por Schutel e tornou-se um de seus principais cérebros, trazendo significativos progressos à vida da editora, especialmente se considerarmos a significativa produção literária de próprio punho ou traduções entregues para publicação.

Escritor, tradutor, pesquisador inveterado, de grande capacidade e esmero intelectual – de forma e fundo –, de linguagem, estilo e conteúdo, gostava de pesquisar obras e autores importantes, brasileiros e estrangeiros. Buscava o belo, a cultura, a arte, vinculando-os sempre ao objetivo de exaltar a grandeza da vida e das virtudes humanas, sempre possíveis de serem conquistadas, em qualquer idade. Alma de grande sensibilidade, deixou-se tocar pela Doutrina Espírita, dela fazendo o sol e a luz de sua existência.

Escreveu o magnífico E, para o resto da vida, bem como o extraordinário Esquina de Pedra. Mas também escreveu o romance Remotos Cânticos de Belém, todos editados pela mesma editora. Obras de reconhecido valor doutrinário e cultural, de grande sucesso editorial, entre outras que sugiro ao leitor pesquisar.

Traduziu inúmeras obras, entre elas, Viagem Espírita em 1862, A Obsessão e Instruções Práticas sobre as Manifestações Espíritas, todas de autoria de Allan Kardec, obras de reconhecido valor doutrinário espírita. Os prefácios, por exemplo, de Viagem Espírita em 1862 e A Obsessão constituem, por si mesmos, verdadeiras pérolas doutrinárias, tamanha a perfeita conexão com o mais legítimo pensamento doutrinário da Codificação.

Mas não ficou só nisso, naturalmente. Muitos de seus trabalhos também estão publicados na Revista Internacional de Espiritismo – que é quase centenária, pois que fundada em 1925 –, e na tradicional publicação Anuário Espírita – publicado pelo IDE-Araras – com várias matérias de sua lavra, tendo traduzido também inúmeros romances estrangeiros e posteriormente publicados pela mesma editora, destacando-se os notáveis A Janela do Meio, O Ignorado Amor, Voltou mas esqueceu, Vozes na casa, entre outros, muitos deles disponíveis com novas paginações e novas capas, no trabalho constante da editora em mantê-los à disposição do público.

E isso ainda sem falar na análise doutrinária de outras obras publicadas pela editora e, então, à época, sob sua responsabilidade. Sua inteligência lúcida e invulgar impressiona. O trabalho que deixou vai merecer no futuro, sem dúvida, a publicação de outros livros de artigos e traduções que deixou. Sempre envolvido com livros e pesquisas, deixou seu exemplo de amor e dedicação à Doutrina Espírita. Os prefácios dos livros que traduziu, apresentando-os ao movimento espírita, colocam à mostra a grandeza intelectual desse espírito e, em muitos casos, valem o próprio, tamanha a profundidade e quantidade de informações colocadas à disposição do leitor atento. Recomendamos com expressiva ênfase tais trabalhos ao leitor interessado em estudar e conhecer as belezas da Doutrina Espírita pela lucidez de um grande pensador e escritor espírita, nascido em dezembro de 1924 e cujos nove decênios de nascimento desejamos homenagear na presente abordagem, com gratidão pelo legado que deixou às reflexões da atualidade.

Durante a segunda edição do Encontro Anual Cairbar Schutel – promovido pelo Instituto Cairbar Schutel –, em 23/092012 e na ocasião realizado em Matão-SP, Wallace manifestou-se pela psicografia da médium Lucy Dias Ramos (de Juiz de Fora-MG), oferecendo aos presentes ao citado evento a seguinte mensagem, que reproduzimos aos leitores:

“Irmãos correligionários desta terra abençoada onde vivenciamos momentos de lutas, conquistas espirituais e, principalmente, compreendemos o amor, a caridade na arte sublime do exercício do Evangelho de Jesus. Estamos emocionados e se junta a esta emoção a sensibilidade da médium pela qual me dirijo a todos vocês nesta manhã radiosa de bênçãos e luzes. Exulta minha alma de gratidão a Deus, a esta terra abençoada e a esta Doutrina de fraternidade e amor. 

Gratidão pelo ensejo deste Encontro em que nossas almas, unidas pelo ideal superior, congregam-se mais ainda, na exemplificação do melhor que possuímos, mais uma vez, na exemplificação do que é mais importante na divulgação espírita, prosseguindo assim nossas tarefas – vocês aí na Terra e nós no plano espiritual. 

Grato a todos que se recordaram de mim, com palavras de carinho, pela lembrança dos tempos áureos de nossa mocidade. 

Jesus nos envolva a todos em bênçãos de paz e luz, clarificando nossas mentes. 

Cairbar Schutel, o amigo e Mestre que nos orientou com amor, nossa gratidão eterna. 

Paz para todos! Do amigo e companheiro das lides espíritas,” 

Wallace

Acrescente-se a tudo isso que nosso homenageado – tema também do mesmo evento citado, em 2013 na cidade de Araraquara (SP), onde veio com a família na década de 30 e ali viveu muitos anos – estudou Ciências Econômicas em Ribeirão Preto (SP), e ofereceu grande contribuição à cultura da cidade nas décadas de 50 a 60, principalmente, merecendo ser homenageado com o próprio nome num teatro da cidade. Ator e diretor de teatro, diretor de cinema, escritor, jornalista, foi produtor, autor do roteiro e diretor do filme “Santo Antonio e a Vaca”, uma obra de profundo alcance social quando a ideia principal seria “desde que tenhamos onde nos encostar, jamais seguiremos nossos passos sozinhos”. Fez um verdadeiro tratado em forma de poesia para Araraquara, no qual retrata a nossa origem, um verdadeiro documentário de páginas, lindas e perfeitas. Realizou seu primeiro filme em 1953: o documentário “Aurora de uma Cidade”. Depois formou com amigos, o Clube do Cinema na cidade, atividade que durou somente um ano.

Por falar em dedicação à arte, permito-me sugerir ao leitor visitar o site da Federação Espírita do Paraná – Biografias, pesquisando o nome de Wallace, para encontrar-se com informações mais detalhadas de sua dedicação à arte, com desdobramentos que entusiasmam àqueles que buscam o belo e o bem.

E, para encerrar, no ano em que se comemora os 90 anos de seu nascimento, a editora – em feliz e oportuna iniciativa – reedita um de seus clássicos: Katie King, em muito bem elaborado documento literário sobre as pesquisas de Willian Crookes em torno da imortalidade com as materializações de Florence Cook, cuja obra merece abordagem específica.

Indicamos aos leitores aprofundarem pesquisas sobre essa notável personalidade, especialmente por meio de seus livros e de sua rica biografia, fartamente disponível.

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