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29/06/2017

Não vim trazer a Paz, mas a Espada Backpacker


Toda ideia nova encontra forçosamente oposição, e não houve uma única que se implantasse sem lutas. A resistência, nesses casos, está sempre na razão da importância dos resultados previstos, pois quanto maior ela for, maior será o número de interesses ameaçados. Se for uma ideia notoriamente falsa, considerada sem consequências, ninguém se perturba com ela, e a deixam passar, confiantes na sua falta de vitalidade.

Mas se é verdadeira, se está assentada em bases sólidas, se é possível entrever-lhe o futuro, um secreto pressentimento adverte os seus antagonistas de que se trata de um perigo para eles, para a ordem de coisas por cuja manutenção se interessam.

E é por isso que se lançam contra ela e os seus adeptos. A medida da importância e das consequências de uma ideia nova nos é dada, portanto, pela emoção que o seu aparecimento provoca, pela violência da oposição que desperta, e pela intensidade e a persistência da cólera dos seus adversários. – (O Evangelho Segundo o Espiritismo)

Na historia da humanidade, observamos vários pesquisadores que levaram existências inteiras para criarem teorias científicas plausíveis, algumas aceitas até hoje, outras extintas ao longo do tempo, substituídas por novas evidências que eclodiram adiante. Uma delas é a teoria do Big Bang1, que segundo novas hipóteses está para ser extinta.

Este comportamento não é nenhuma surpresa. Em qualquer ambiente acadêmico as ideias são dissecadas e contestadas a todo momento, o questionamento move o progresso humano. Qualquer tese de graduação ou outros níveis de ensino superior, não é validada e publicada sem passar pelo crivo de um grupo de pessoas, reconhecidamente experientes em determinado assunto.

Na Doutrina Espírita, este crivo não deixou de ser caracterizado e empreendido. O Espírito que se apresentou como Verdade, ou Espírito da Verdade para alguns, não apareceu com uma solução pronta, ou uma revelação mirabolante à qual Allan Kardec aceitou passivamente. Não, ele se disponibilizou a observar atentamente e aconselhar em períodos determinados um método científico de observação que o codificador estava desenvolvendo, para imputar credibilidade a todo arcabouço de informações que chegaria e seria tabulado, filtrado e analisado antes de fazer parte da estrutura doutrinária.

Se atente a esta postura caro leitor: a suposta entidade se dispôs a observar a própria construção do espírito encarnado, não o sugestionou com fórmulas prontas e mensagens chafurdadas de termos chulos que servem mais para confundir do que auxiliar. Enfim, respeitou o livre arbítrio e o conhecimento que Kardec estava empreendendo. Esta é a postura dos espíritos sérios.

Foi assim que o codificador estruturou o CUEE – Controle Universal do Ensino dos Espíritos, tema já abordado em nosso jornal1.

No livro A História do Espiritismo, Doyle apresentou esta mesma seriedade, como investigador curioso e divulgador da Doutrina. Viajou por dezenas de países e analisou diversos casos de suposta mediunidade, sempre apresentando discurso imparcial e consistente.

Mais recentemente um pesquisador brasileiro, Hermínio Miranda, demonstrou com segurança e maestria este comportamento. Nunca fez afirmações contundentes, nem impôs ideias que não escapam ao campo das conjecturas.

Porém o comportamento que se observa no movimento espírita brasileiro, e em outras correntes filosóficas é a aceitação passiva de revelações individuais, algo que está na contramão das boas práticas supramencionadas. Algumas destas revelações já chocam o bom senso devido aos nomes e títulos veneráveis com que as entidades se apresentam, mas principalmente, pelo conteúdo que visa manter o leitor ouriçado com supostas novidades, e estagnado num período de infância fantasiosa, desafiando níveis de compreensão já alcançado outrora, com a refutação destas mesmas ideias por outras correntes filosóficas.

O próprio Espiritismo é uma doutrina recente, que veio com propósito de auxiliar no discernimento das leis que regem o mundo espiritual, eminentemente moral. Refutou brilhantemente correntes tais como o panteísmo, o niilismo e algumas pseudociências tais como exemplo a astrologia. Demonstrou ainda em seu corpo doutrinário, a inexistência de locais circunscritos no plano espiritual, pelo menos da forma como a ideia é simploriamente apresentada por alguns aclamados ícones criados artificialmente pelo movimento espírita brasileiro.

Ideias que desafiam o crivo da razão, incompletas ou integralmente estapafúrdias, serão atropeladas e esquecidas pela força das coisas. Nada que visa o progresso é constituído sem que hasteie os atributos científicos, e a moral… é consequência de todo esforço empreendido.

Não vim trazer a paz, mas a Espada.


REFERÊNCIAS

1 – Disponível em: Revista Galileu

2 - Disponível em: Um convite à postura científica

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