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19/10/2017

Materializações: Segundo Caso


Este caso é extraído das já célebres experiências do Dr. Glen Hamílton, de Winnipeg, Canadá. Do ponto de vista que nos ocupa, difere, consideravelmente, do da Sra. Bisson, pois que os fenômenos de materialização liliputiana se limitam, aqui, à formação de rostos animados e vivos, de três dimensões, que se produzem com o auxílio de uma emissão de ectoplasma aderente à face da médium, atingindo suas proporções a apenas um terço do rosto dessa.

Difere também do caso da Sra. Bisson sob este outro aspecto: são produzidos em plena obscuridade. Vários aparelhos fotográficos, assestados para o mesmo ponto, as fixaram em chapas sensíveis. Escreve o Dr. Hamílton: Não fomos levados a fazer experiências por motivo de natureza sentimental nem por convicções ou considerações religiosas mas sim impulsionados por intensa curiosidade de natureza científica.

Queríamos verificar o que de verdade havia nas manifestações mediúnicas. Como nos propuSemos satisfazer nossas intenções de maneira rigorosamente científica, decidimos só conceder atenção aos fenômenos observados em condições de fiscalização que permitissem eliminar toda a espécie de fraude. Com este fim, empregamos sempre métodos científicos:

1.°) Provocando a repetição do mesmo fenômeno em condições diversas;

2.°) Tomando notas exatas à medida que os fenômenos se produziam;

3.°) Empregando amplamente a fotografia. (Psychic Science, 1929, pág. 180)

Fotografia n° 1 – Várias máquinas fotográficas, assestadas para o mesmo ponto, fixavam as fotografias, tiradas nas sessões, em chapas sensíveis. Note-se que máquinas fotográficas não se alucinam.

Fotografia n° 1 – Várias máquinas fotográficas, assestadas para o mesmo ponto, fixavam as fotografias, tiradas nas sessões, em chapas sensíveis. Note-se que máquinas fotográficas não se alucinam.


 

Fotografia n ° 2 – A médium Maria M. no começo de seu estado de transe e formação ectoplásmica.

Fotografia n ° 2 – A médium Maria M. no começo de seu estado de transe e formação ectoplásmica.


 

Dr. Hamílton experimentou com duas médiuns que se prestaram, graciosamente, às experiências, mas as materializações de rostos minúsculos foram exclusivamente obtidos pela mediunidade de Maria M., a respeito da qual dá o narrador as seguintes informações: Aprendemos a respeitar nela uma mulher trabalhadora, desinteressada, devotadamente sensível aos interesses de sua confissão religiosa, de seus amigos, de sua pequena família.

Do mesmo modo que a outra médium, não teve ocasião de receber uma instrução qualquer que fosse, todavia, é inteligente, com capacidades diversas notáveis. Desde a sua infância que percebera que possuia faculdades visuais e auditivas que não podia compreender. Há alguns anos, interessou-se pelas experiências mediúnicas, frequentou sessões e não tardou a cair em transe. Em janeiro de 1928, Maria M. tornou-se membro de nosso grupo, do qual a outra médium Elisabeth continuava a fazer parte. Durante os três primeiros meses, o esperado desenvolvimento de suas faculdades mediúnicas causou nos certa decepção, pois, com efeito, não se notava nela nenhum sinal de faculdades supranormais. Seus progressos pareciam depois encaminhar-se para as formas comuns de mediunidade, com estado de transe mais profundo, acompanhado de um aumento de suas faculdades de clarividência e clariaudiência. Eis, porém, que, em dado momento, uma mudança feliz se operou graças à intervenção de uma entidade espiritual que tomou o controle da médium. (Psychic Science, 1929, pág. 183-4).

Achando-me na necessidade de abreviar esta narração, direi que esse novo espírito-guia, que reformou a mediunidade de Maria M., deu o nome de Walter Stimson, irmão e guia espiritual da famosa médium de Boston, Sra. Margery Crandon. Ele começou por ensaiar a produção dos mesmos fenômenos probantes executados no grupo de Boston, porém, como á experiência das campainhas, que se faziam ouvir em uma caixa fechada, a qual abria a série de fenômenos, pouco interessasse ao Dr. Hamílton, este não executou as minuciosas instruções de fiscalização científica ordenada por Walter.

Walter acabou por indispor-se com o Dr. Hamílton e declarou-lhe que, se ele não fazia o que lhe ordenara, não voltaria. Em seguida, para justificar o seu ressentimento e a sua insistência, disse ainda: Eles (isto é, os sábios) não acreditam nisto. Não tiveram a coragem de dizer que a minha irmã falava pelos ouvidos? (Esta asserção foi confirmada), Walter satisfez o desejo do grupo, produzindo a emissão de ectoplasma e dele se utilizando para a materialização de rostos, mais ou menos pequenos, de defuntos que afirmavam estar presentes.

Esses, ao que parece, produziam os seus rostos em proporções reduzidas porque não dispunham de muita substância ectoplásmica. No n.° de outubro de 1929, da revista inglesa Psychic Science, apareceu uma série muito interessante de fotografias de rostos materializados. O retrato n.° 15 é o mais notável. Cinco desses rostos, representando o mesmo desencarnado, são colocados em confronto com três fotografias comuns do defunto tal qual era quando vivo, em épocas diferentes.

Umas, de modo notável, correspondem às outras: a identificação é fora de dúvida. O desencarnado em questão era ministro de uma igreja protestante e se chamava G. H. Spurgeon.

A história de suas manifestações merece ser aqui resumida:

No decurso da sessão de 4 de novembro de 1928, Walter pedira a um dos assistentes para passar a mão pelo rosto da médium. A pessoa, a quem se dera essa ordem, depois de haver executado a ordem recebida, declarara nada lhe ter percebido nem no rosto nem no pescoço. Walter deu então o sinal convencionado para que se acendesse o magnésio.

Logo que essa ordem foi executada, Walter pediu a um dos experimentadores que passasse um lápis e uma folha de papel à médium, que se achava mergulhada em profundo transe.

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DIAGRAMA MOSTRANDO A DISPOSIÇÃO DA SALA DAS SESSÕES PARA OS EXPERIMENTOS COM MARIA M.]

OBSERVAÇÃO — O diagrama acima mostra a disposição da sala das sessões. No gabinete ficava a médium Maria M. e, ao redor, 9 experimentadores cujos nomes podem ser facilmente lidos. Por detrás dos experimentadores ns. 3 e 4 e 6 e 7, estavam colocadas as máquinas fotográficas que eram acionadas ao mesmo tempo, tirando as fotografias de vários ângulos. Havia, bem defronte do gabinete em que se achava a médium, uma mesa grande e, no canto da sala, o 10° experimentador que era encarregado de tomar notas de tudo que acontecia nas sessões.


 

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Fotografia n° 4 – Materialização ectoplásmica minúscula do rosto de Water, o falecido irmão e guia espiritual da médium Margery.


 

A médium escreveu no papel qualquer coisa e Walter anunciou que ela escrevera o nome do defunto cujo rosto materializado saíra na chapa. Ele ordenou que se entregasse a falha de papel ao Dr. Hamílton, não devendo ninguém vê-la enquanto a fotografia obtida não fosse mostrada à outra médium, visto que essa, tendo percebido, pela clariaudiência, o defunto que se materializara, iria reconhecê-lo na fotografia.

Preciso é acrescentar que Walter tinha antes pronunciado algumas palavras de momento, contendo referências religiosas, dizendo que o que ele fazia era repetir o que lhe transmitia um dos espíritos presentes, de nome John Plowman. Seguiram-se as instruções de Walter e, quando a chapa fotográfica foi mostrada à médium Elisabeth, esta observou, com espanto, que se tratava de um espírito que conhecia muito bem e que lhe dissera chamar-se Spurgeon.

O Dr. Hamílton tirou então do bolso o papel escrito pela outra médium, no qual se lia Charles Haddon Spurgeon. Fizeram-se, em seguida, outras descobertas notáveis, isto é, que o nome John Plowman, pronunciado por Walter, era o pseudônimo de Spurgeon quando escrevia artigos para revistas. Verificou-se, além disto, que as frases pronunciadas por Walter constituíam uma passagem do último sermão proferido pelo reverendo Spurgeon. Concebe-se que nenhum dos assistentes tinha conhecimento dos fatos em questão.

Relativamente à fotografia obtida durante a referida sessão, escreve o Dr. Hamílton:

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Fotografia n° 5 – Abundante emissão de ectoplasma que sai da boca da médium Maria M., mostrando rostos minúsculos entre os quais o do falecido Sir Arthur Conan Doyle.


 

Esta materialização foi fixada por três aparelhos, entre os quais um estereoscópico. Os três retratos apresentam o mesmo fenômeno: um rosto absolutamente perfeito em todos os seus detalhes e que mostra tais indícios de vitalidade e uma semelhança tão espantosa com os retratos de G.H. Spurgeon que provocaram imenso interesse e grande surpresa. Do ponto de vista biológico, é de notar que, na fotografia, as duas seções de ectoplasma se estendem como asas de uma borboleta em repouso: Analisando as margens das duas asas, verïfica-se que são notavelmente análogas, como se constituissem duas seções de um invólucro que seria fendido lateralmente em uma linha bem nítida para fazer aparecer o rosto nele contido. Esta forma morfológica de desenvolvimento parece ter algumas semelhanças com o fenômeno que se observa na vida das plantas.

Enfim, este rosto em miniatura se mostra em três dimensões como um rosto normal, pelo menos, no exterior; reproduz a figura de um indivíduo normal, salvo nas proporções (Psychic Science, 1929, pág. 200-1) . Em uma outra relação sobre os mesmos fenômenos e se referindo ao conjunto dos fatos, observa o Dr. Hamílton: Dos treze rostos fotografados até aqui, todos, menos um, são rostos em miniatura, ainda que todos, menos um, sejam figuras de pessoas adultas.

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Fotografia n° 6 – Outra abundante emissão de massa ectoplásmica, mostrando vários rostos minúsculos de pessoas mortas, que foram reconhecidas.


 

Estas miniaturas delicadas, que não atingem um terço do rosto da médium, são perfeitas em seus traços e parecem vivas; elas se impõem então aos pesquisadores como uma fonte inesgotável de estudos e maravilhas. Graças ao relevo que as sombras conferem aos traços da figura, assim como ao fato da incidência produzida pela luz nas pupilas dos olhos (como se observa nas fotografias tomadas em ângulo diferentes), obtem-se excelente prova de sua formação em três dimensões. Uma outra circunstância de grande valor científico consiste no fato de que todos estes rostos ectoplásmicos são cercados desta substância em condições amorfas, de maneira a fazer supor que elas se formam no invólucro da substância que se fende quando a organização do rosto está completa. Se esta hipótese é exata, e nossas experiências o demonstram muito eficazmente, achamo-nos em face de um processo embrionário semelhante ao de todo processo gerador natural. Notarei que esta analogia já foi assinalada pelo Dr. Geley (Psychic Science, 1931, pág. 268).

O Dr. Hamílton evita construir teorias, entretanto, sente-se que ele está muito impressionado com o fato dos rostos minúsculos de defuntos que afirmam estar presentes e que são identificados e, sobretudo, com o outro fato das admiráveis provas de identificação pessoal que se ligam à imagem materializada de Spurgeon, o que faz com que ele conclua, dizendo: É verdade que grande número de pesquisadores eminentes, no domínio das pesquisas psíquicas, se propuseram ignorar ou antes ocultar o traço característico de natureza subjetiva que sempre está associado à emissão de ectoplasma. Esta atitude foi sábia no primeiro período transitório, no decurso do qual se tratou, sobretudo, de certificasse da realidade dos fenômenos, mas, presentemente, o momento é ‘sem dúvida chegado em o qual podemos e devemos analisar os fatos em seu conjunto, isto é, tomando seriamente em consideração a circunstância da inteligência ou das inteligências interpostas, que dirigem os fenômenos.

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Fotografia n:° 7 -. A mesma fotografia n° 6 mostrando a médium segura por ambos os braços.

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Fotografia n° 8 – Ainda a fotografia n:° 7, tirada de outro ângulo, de acordo com a colocação de uma das máquinas fotográficas.

 

Fotografia n° 9 – Excelente ampliação da fotografia n°xxx mostrando dois rostos de pessoas bem conhecidas em vida, sendo um de Raymond, o filho de Sir Oliver Lodge, e o outro de um jovem cujo nome não se quis divulgar.

Fotografia n° 9 – Excelente ampliação da fotografia n° 6 mostrando dois rostos de pessoas bem conhecidas em vida, sendo um de Raymond, o filho de Sir Oliver Lodge, e o outro de um jovem cujo nome não se quis divulgar.


 

Devemos fazê-lo com um cuidado escrupuloso e com a mesma coragem moral que empregamos em analisar as maravilhas da substância ectoplásmica (Psychic Science, 1929, pág. 208).

Eis palavras serenas, sábias e sagradas, que, infelizmente, não serão muito facilmente ouvidas pelos investigadores eminentes aos quais o Dr. Hamílton faz alusão.

Não importa que a circunstância das inteligências interpostas, que acompanham sempre estas manifestações, seja a mais importante para a penetração de sua origem.

Notarei a este respeito que o conjunto das manifestações, de que falamos, já nos permite entrever qual deveria ser a orientação do pensamento científico para chegar ao fim desejado.

É que, se os fenômenos em questão parecem ser produtos da ideoplastia, se parecem ser criações de um pensamento e de uma vontade exteriorizadas tomando forma concreta, não é menos verdade que tudo contribui para demonstrar que este prodígio não deveria ser sempre exclusivamente atribuido ao poder supranormal do pensamento e da vontade dos vivos (Animismo), mas também, conforme as circunstâncias, ao pensamento e à vontade dos defuntos (Espiritismo). E, no caso em questão, no qual se obtiveram imagens de defuntos que os experimentadores não conheciam e que deram excelentes provas de identificação pessoal, esta segunda versão da hipótese ideoplástica teria todas as probabilidades de ser verdadeira.

Jamais deixarei de repetir que o Animismo e o Espiritismo, longe de serem hipóteses oposta, são complementares urna da outra e ambas necessárias à interpretação espiritualista dos fenômenos mediúnicos.

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Fotografia n° 10 – Comparação do rosto de “Raymond”, quando fardado de soldado, com o aparecido na massa ectoplásmica saída da boca da médium Maria M.


 

Efetivamente, se a sobrevivência é um fato, só se pode encontrar nas profundezas da subconsciência as faculdades supranormais do espírito, já formadas, posto que ainda em estado latente, faculdades que não poderiam ser criadas do nada, no momento da morte. Se assim é, essas faculdades devem emergir, por jatos fugazes, nas crises de minoração vital ás quais os indivíduos estão sujeitos (sono fisiológico, sono mediúnico, síncope, narcose, coma). Ora, é justamente o que atestam os fenômenos anímicos que, pelo simples fato de existirem, provam que o homem já é um espírito durante a sua vida na carne, na expectativa de exercer suas faculdades espirituais latentes em um meio adaptado, depois da crise da morte. Donde ainda uma vez: a existência dos fenômenos anímicos constitui uma condição indispensável para admitir-se a existência dos fenômenos espíritas.

Segue-se daí que, do nosso ponto de vista e graças ao fenômeno anímico da ideoplastia, devemos conjecturar que aquilo que um espírito encarnado pode fazer, um espírito desencarnado deve poder fazer também, com a vantagem, para este último, de poder realiza-lo muito melhor, visto achar-se livre do envólucro carnal que cria um obstáculo, em certa medida, ao exercício das faculdades transcendentais do espírito.

Concluímos: a análise do caso em questão nos autoriza a pensar que, em princípio, é integramente provável que as materializações minúsculas de rostos e de espíritos constituem simples simulacros (do mesmo modo que várias fotografias transcendentais), porém simulacros projetados e materializados pela vontade das personalidades mediúnicas que operam e que, em certos casos, são as personalidades dos defuntos representados nas formações em apreço.

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Fotografia n ° 11 – Começo de uma formação de massa ectoplásmica, ampliada, obtida com a médium Maria M.

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Fotografia n ° 12 – Outra formação de massa ectoplásmica com a mesma médium.

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Fotografias n°. 13 e 12 – Ainda dois inícios de formações ectoplásmicas. O ectoplasma, como se sabe, sai geralmente da região epigástrica pela boca e pelo nariz.


 

Acrescento, todavia, que esta interpretação dos fatos admite várias exceções à regra, pois que se encontram condições especiais de manifestações, como, por exemplo, no caso da Sra. Bisson e nos três casos análogos que vão seguir. Estas condições especiais exigem interpretações diferentes, considerando que as figuras liliputianas se mostram vivas e inteligentes. Fiz referência a uma destas interpretações a propósito do caso relatado pelo Dr. Hamílton, notando que certas personalidades mediúnicas explicaram que elas se materializaram em proporções reduzidas porque não dispunham de ectoplasma suficiente para fazê-lo em proporções normais. Falarei de uma interpretação destes fatos quando tratar do VI caso: o rosto apareceu em forma reduzida a fim de não despender muita força.

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Fotografia n ° 14 – Materialização de Lucy, um dos guias da médium Maria M.

Com as duas interpretações que acabo de indicar, estamos em condições de responder, por completo, às seguintes interrogações da Sra. Bisson:

Se, como supõem os espíritas, são espíritos de desencarnados que vêm visitar-nos, de qual esfera desce esta forma em miniatura? Donde provem estas manifestações insólitas?

Finalmente, dever-se-ia conjecturar que estas últimas só são simples simulacros projetados e materializado pela vontade das personalidades mediúnicas que operam, ao passo que as figuras minúsculas, vivas e inteligentes, não proviriam de nenhuma esfera espiritual especial; elas se organizariam em proporções minúsculas ou por falta de ectoplasma à sua disposição ou pela vontade das próprias entidades que se materializavam e que assim agiriam para não gastarem muita força. Acrescento que estas duas interpretações receberão, pouco mais adiante, confirmações absolutamente decisivas.

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