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24/08/2017

Materializações: Primeiro Caso


Começo a narração dos fatos, reproduzindo a interessantíssima narração da Sra. Juliette Bisson. Escreve ela:

Há 5 meses, o engenheiro Sr. Jeanson, um dos meus assistentes, mostrou-se muito interessado pelas minhas experiências às quais ele assistia regularmente. Baseando-se nos fenômenos espontâneos obtidos por Eva em plena luz do dia (fenômenos assinalados em minha obra), ele me perguntou se eu aceitaria fazer sessões, à tarde, no grande aposento em que moro.

Confesso ter hesitado um pouco por causa da médium. Sabia que a experiência era possível, mas que causaria uma reação muito viva na médium e, por repercussão, uma fadiga muito intensa, nele. Consenti, porém, reservando-me o direito de suspender a sessão se a médium não pudesse suportar esse gênero de experiências…

… Na hora atual, podemos trabalhar com a luz do meu atelier; víamos aparições de dia, sem inconvenientes.

Há algumas semanas, com grande surpresa nossa, depois de ter seguido com interesse a evolução de uma porção de ectoplasma que se desenvolvia em Eva, uma deliciosa mulherzinha de 20 centímetros de altura apareceu no meio dessa substância. Essa mulherzinha deslizou de cima de Eva e avançou docilmente para nós e, continuando os seus movimentos, veio colocar-se nas mãos de Eva, fora das cortinas, depois nas mãos do Sr. Jeanson e, em seguida, nas minhas.

Passo à exposição dos fenômenos, lendo-vos a ata feita pelo Sr. Jeanson:

SESSÃO DE 25-5-1921, ÀS 16 HORAS E 36 MINUTOS

Os assistentes são em número de seis. A Sra. Bisson adormece a médium. Esperamos três quartos de hora. No fim desse tempo, a respiração da médium se acelera, faz ouvir sons, guturais e, em suas mãos, que, segundo o costume, não deixavam de ser seguras por nós, a Sra. Bisson à direita e eu à esquerda, aparece, subitamente, um pouco de uma substância cinza e branca, cujo volume aumenta, atinge o de uma tangerina, depois ovaliza-se e alonga-se de tal modo que o seu comprimento pode ter uns vinte centímetros e seu diâmetro seis. Nesse momento e em plena luz diuturna, a materialização se desprende das mãos da médium e dos fiscalizadores e se mostra um pouco acima. Cada um de nós verifica que a extremidade esquerda da materialização se transforma em cabelos muito finos e que a parte central se torna branca e muito clara. Ela se modela muito rapidamente e podemos todos reconhecer, admiravelmente modelada, a curva da cintura de uma mulher, vista de costas, como que engastada em uma, ganga sem forma. A parte branca se dirige rapidamente para a direita, depois para a esquerda e a substância se transforma progressivamente em uma mulherzinha nua, de forma impecável, na qual vemos surgir, sucessivamente, a cintura, as coxas, as pernas e os pés.

caso1-1Foto n° 1 – Uma das materializações minúsculas obtidas com a médium Eva Carriere

Da substância primitiva só restam alguns cordões cinzentos e pretos, enrolados no baixo ventre e dos quais não vemos os pontos de ligação. A pequena aparição é admirável de delicadeza; longos cabelos louros a cobrem, enrolados na cintura; seios descobertos; a parte inferior é de uma brancura notável.

A materialização tem 20 centímetros de altura; ela é perfeitamente iluminada. pela luz que jorra através dos vidros de uma larga janela; ela é visível a todos. No fim de dois minutos, desa- parece, depois se mostra de novo. Os cabelos estão dispostos de outra maneira, pondo-lhe o rostoà mostra. Verificamos que as pernas têm movimentos próprios; uma delas se dobra, fazendo movimentar as articulações do quadril e do joelho. Ela desaparece bruscamente. Logo depois a substância branca ressurge nas mãos da médium, ai se mostrando, muito rapidamente, um delicado rosto de mulher, parecendo iluminado por uma luz que lhe é própria. É, em tamanho, cinco vezes maior do que a materialização precedente. Admiramos lhe o azul dos olhos e o carmim dos labios. A aparição some. Introduzo minha mão livre pela abertura do saco e sinto então um contato indefinível que se pode comparar ao roçar que produziria uma teia de aranha. Pouco depois, a médium entreabre o saco: tornamos a ver a mulherzinha nua, estendida no avental da médium.

m-caso1-2

 

Fotografia n° 2 – Outra materialização minúscula saída também de dentro do saco de pano grosso em que se achava o médium, cujas mãos eram seguras por 2 experimentadores.

Ela é vista em sua forma primitiva, porém cinco centímetros menor; está deitada no regaço da médium, com a cabeça voltada para a esquerda. Os braços estão desembaraçados da cabeleira. A Sra. Bisson pede à aparição para mover-se, a fim de mostrar que está viva. Logo a pequena forma se agita e, sem mudar de lugar, se move, mostrando, sucessivamente, o lado direito e depois a face.

Ela retoma a sua posição anterior. As pernas, que estavam à direita, deslocara-se e se cruzam à esquerda; depois, apoiando-se sobre as mãos, a forma faz um movimento ascendente à força dos músculos dos braços, assim como é clássico em ginástica, colocando-se de pé para tornar a deitar-se em nova posição, dessa vez com a cabeça voltada para a direita.

A médium me segura a mão livre e, levando-a a boca, faz-me explorar-lhe a cavidade, que acho inteiramente vazia. Durante este tempo, a formazinha continua as suas evoluções, subindo e descendo, verticalmente, pelo peito da médium, como um ludrião.

Nesta ocasião, a médium retira as suas mãos das nossas e, segurando este corpozinho, deposita-o nas minhas mãos, a 40 centímetros de distância do saco. A aparição fica nas minhasmãos dez segundos e cada um pode verificar-lhe a perfeição das formas. Este pequeno corpo é pesado e o tato que dele tive é seco e suave, porém não me deu a impressão nem de quente nem de frio. Depois desaparece das minhas mãos. Vimô-lo ainda um momento evoluir sobre os joelhos da médium, depois desaparece definitivamente. Deixamos a médium repousar alguns instantes, depois a revistamos e a estendemos em um divã próximo.

Esta sessão é inesquecível, quer pelo interesse dos fenômenos, quer pela admirável fiscalização.

Lida e achada absolutamente exata (as.) Juliete Bisson, Maurice Jeanson, Anne Barbin, Renê Duval, Jean Lefebvre, J. de Ia Beaumelle.

A Sra. Bisson comenta assim a ata desta memorável sessão:

Que significam estas manifestações? De onde saem elas? Que são? Muitas hipóteses foram arquitetadas, todas elas interessantes ainda que uma só possa pretender ser a verdadeira. Se, como supõem os espíritas, são espíritos de desencarnados que nos vêm visitar, de que esfera desce esta mulher em miniatura de que acabo de falar? De onde provêm estas manifestações insólitas? Se a teoria da ideoplastia, que ensina que a idéia em ação provém sempre do médium ou dos espectadores (para fazer uso de um termo já antigo) é a verdadeira, como explicar o papel quase negativo que representam os espectadores do ponto de vista da produção do fenômeno? Como explicar igualmente – sempre dentro da hipótese ideoplástica – o transe brutal da médium em horas imprevistas? Como explicar, por exemplo, que, às 8 horas da manhã, Eva, ocupada, quer em seu toucador, quer em seu apartamento, caia bruscamente adormecida? Só tenho tempo de transportá-la para a sala das sessões onde ela me dá uma materialização… Enfim, precisamos todos continuar com as nossas verificações e experiências, sem buscar dar um nome à força X que utilizamos durante os nossos estudos. Todavia, somos obrigados a declarar que tal força é inteligente. É impossível, atualmente, afirmar que tal ou qual hipótese corresponde à realidade dos fatos. O que é inegável é a existência de uma força X, de uma energia inteligente que preside certas experiências, parecendo dirigi-las.

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Fotografias n°. 3 e 4 – Ampliações dos rostos de duas das materializações minúsculas obtidas nas sessões

O momento ainda não chegou de fazer seguir as considerações da Sra. Bisson pelas nossas. Com efeito, os processos da análise comparada, aplicados a alguns episódios dos casos de que tratamos, poderão apenas permitir-nos descobrir algum fundamento indutivo legítimo para a solução do problema. Limito-me, então, a insistir no fato das condições experimentais literalmente irrepreensíveis, dentro das quais o fenômeno se produziu. Notarei que o ideal dos metapsíquistas foi sempre o de obter fenômenos físicos em plena luz diuturna e que, dessa vez, chegou-se a atingir o fim desejado. Os experimentadores tiveram oportunidade de seguir a evolução de uma materialização minúscula, em todas as fases do seu desenvolvimento, desde o aparecimento de um núcleo de ectoplasma que, alongando-se e condensando-se, modelou-se como por encanto, sob os seus olhos, começando as suas transformações por uma das extremida- des. Viram surgir dai uma fina cabeleira loura que chegava até a cintura da forma feminina em miniatura, a qual, depois de toda formada, se moveu, levantando, deitando-se, subindo na médium e deixando-se colocar na palma da mão dos espectadores para desaparecer em seguida, bruscamente, e depois reaparecer, não menos repentinamente, menor ainda. Estas circunstâncias eliminam, de modo absoluto, qualquer possibilidade de fraude, sendo, pois, absurdo duvidar-se da autenticidade dos fatos.

Aquele que duvidasse delas seria convidado a explicar como poderia reproduzir, pela fraude, semelhante manifestação, em plena luz do dia, na presença de seis pessoas e com um médium seguro pelas mãos. Que se poderia pretender ainda? Suponho que ninguém pensará em pôr em dúvida o fenômeno aqui relatado, estupefaciente que ele é.

Outros episódios análogos, que seguem, demonstram que o fenômeno de que se trata não é único em seu gênero: eles contribuem para torná-los mais assimiláveis às nossas mentes sempre obstinadas em querer circunscrever as possibilidades da natureza.

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