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18/10/2017

Magia cerimonial & Bruxaria, na mira da Ciência Espírita Krayher


O que é magia cerimonial? As obras de vários estudiosos, de Platão a Manly P. Hall e outros, sugerem que é essencialmente o uso de rituais e técnicas para evocar e controlar “Espíritos” ou formas de vida que poderiam existir dentro de outras dimensões ou mundos.

Por exemplo, de acordo com Hall, “um mago, envolto em vestimentas santificadas e carregando uma varinha inscrita com figuras hieroglíficas, poderia pelo poder investido em certas palavras e símbolos controlar os habitantes invisíveis dos elementos e do mundo astral. Enquanto a elaborada magia cerimonial da antiguidade não era necessariamente malvada, surgiu de sua perversão várias escolas falsas de feitiçaria, ou magia negra “. (1)

Contudo, se examinarmos as obras de Platão, vemos que ele condena especificamente, tanto nas “Leis” quanto na “República” (suas obras), a ideia de que os “deuses” podem ser influenciados pela realização de certos rituais – chamados de “necromancia” ou “ataque mágico”. Ele acreditava que aqueles que tentam controlar o mundo espiritual devem ser penalizados.

A Doutrina Espírita, que constitui o que se tem de mais atual, seguro e confiável no que diz respeito ao Ensino Universal dos Espíritos, tanto pelo seu método quanto pela profundeza e lógica, nos ensina que somente o pensamento pode agir sobre um Espírito. Isto posto, com limitações bem circunscritas, uma vez que não se pode influenciar um Espírito senão pelo apelo que se faz por nossos sentimentos, desejos, emoções e principalmente preces. Não se pode colocar os Espíritos sob uma subjugação, exceto pela superioridade moral, mas apenas influencia-los a tal ou qual ação. Segundo os próprios Espíritos, um encarnado não pode se associar a um desencarnado para a realização de ações maléficas no mundo material, A Lei de Deus não o permite.

O suposto “poder de influência” sobre os Espíritos evocados, guarda relação com a Superioridade ou Inferioridade moral do evocador. É assim, que em certas reuniões espíritas, os doutrinadores conseguem cessar algumas obsessões em outros encarnados através da doutrinação. Então qual seria o malefício em praticar estas evocações ritualísticas? A natureza inferior do espírito que vem ditar extravagâncias, misticismo e mentiras, que se riem e se divertem.

Portanto, na Doutrina Espírita, qualquer espécie ritualística neste sentido é desnecessária e inócua sobre os Espíritos, especificamente, já sobre os encarnados ela pode exercer de fato influência maléfica e benéfica, pela razão de que nestas práticas o encarnado pode transmitir a outro encarnado sua influência magnética maléfica ou benéfica, de acordo com suas intenções. Para as reuniões espíritas de auxílio ao público ou de estudo, as práticas neste sentido não fazem parte de seus princípios e devem ser ignoradas por seus adeptos. Somente o exercício da vontade e do pensamento devem ser utilizadas. Isto é uma coisa.

Frequentemente ignorada pelos estudantes da Doutrina que observam outras escolas espiritualistas, como a Umbanda, Candomblé, Xamanismo, Curandeirismo, e afins, diz respeito ao métodos que estas outras vertentes utilizam para a evocação dos seus Guias e Espíritos Familiares. É preciso esclarecer que, se uma ritualística é desnecessária para a evocação, já que pode ser feita somente pelo pensamento e pela vontade fervorosa, isto não quer dizer que os adeptos de outras correntes estejam totalmente equivocados nas suas práticas ao fazê-las. As ritualísticas empregadas nas mais variadas vertentes do espiritualismo, são explicadas pelos próprios Espíritos, que afirmam categoricamente que, estes métodos ajudam os “médiuns” e “evocadores” destas linhas de trabalho, a entrar em sintonia através da prática de gestos, dizeres e cantorias, condicionamentos mentais, ou como queira, muletas mentais para própria concentração. Isto é outra coisa, e nisso nada há de inútil ou desnecessário.

Quando se estuda as práticas ritualísticas orientais, sabe-se que os Monges, os Faquires, Bonzos, Sadhus e Gurus, utilizam a repetição de mantras para entrar no estado de transe sonambúlico, sem o qual também conseguiriam, entretanto com muito mais esforço e dificuldade. Esse método tem sido passado de geração em geração e tem resultados positivos, pois condiciona a mente materialista e seu pensamento cartesiano, a se desprender temporariamente destes conceitos materais. Semelhante comparação pode ser feita, nas práticas Xamânicas dos nossos nativos, que utilizam cantos, rezos e danças para condicionar a mente para entrar no estado de transe sonambúlico e consequentemente em contato com o mundo espiritual de modo mais eficiente, também e principalmente pela utilização de bebidas sacramentais com poder emancipativo.

Não esqueçamos que muitos dos objetos ditos “sagrados“, incluindo incensos, utilizados durante essas cerimônias de evocação, são magnetizados consciente ou inconscientemente pelas pessoas que os manipulam, isto quando o objeto por si não possua forte poder magnético como é o caso de muitas Plantas de Poder[2]. E a pergunta que nos surge, é, qual é o limite de influência que o magnetismo pode causar entre os desencarnados? Para tentar encaminhar a questão para um estudo racional e baseado na Ciência Espírita, recorremos ao livro dos médiuns:

O Livro dos Médiuns ou guia dos médiuns e dos evocadores > Segunda parte – Das manifestações espíritas > Capítulo XXV – Das evocações > Espíritos que se podem evocar > questão 279

Ninguém exerce ascendentes sobre os Espíritos inferiores, senão pela superioridade moral.Os Espíritos perversos sentem que os homens de bem os dominam. Contra quem só lhes oponha a energia da vontade, espécie de força bruta, eles lutam e muitas vezes são os mais fortes. A alguém que procurava domar um Espírito rebelde, unicamente pela ação da sua vontade, respondeu àquele: Deixa-me em paz, com teus ares de matamouros, que não vales mais do que eu; dir-se-ia um ladrão a pregar moral a outro ladrão.

Há quem se espante de que o nome de Deus, invocado contra eles, nenhum efeito produza. A razão desse fato deu-no-la São Luís, na resposta seguinte:

“O nome de Deus só tem influência sobre os Espíritos imperfeitos, quando proferido por quem possa, pelas suas virtudes, servir-se dele com autoridade. Pronunciado por quem nenhuma superioridade moral tenha, com relação ao Espírito, é uma palavra como qualquer outra. O mesmo se dá com as coisas santas com que se procure dominá-los. A mais terrível das armas se torna inofensiva em mãos inábeis a se servirem dela, ou incapazes de manejá-la.”

Com esta passagem podemos concluir que qualquer objeto impregnado com magnetismo só terá efeito sobre os Espíritos Inferiores, quando manipulado por aquele encarnado que lhe é Superior em moralidade, e que tenha a forte e sincera vontade no que objetiva fazer, afinal não é objeto que influi, mas a vontade exercida pelo pensamento do encarnado que o manipula.

Logo, compreende-se o motivo pelo qual as vertentes espiritualistas afirmam que certos amuletos e talismãs podem agir sobre os Espíritos. Algumas vertentes espiritualistas, como as de origem africana, acreditam que estes objetos por si só tem este poder, quando na verdade o poder creditado a eles de influir sobre os espíritos encontra-se exclusivamente na superioridade moral da pessoa que os manipula, e que podem ser somados ao poder magnético impregnado nestes objetos. Mas ressaltamos que, apenas pelo pensamento puro e pela vontade é que este poder se exerce, seja para persuadir ou para evocar um Espírito que é superior ao inferior, para fazer com que o segundo se afaste e não mais importune. Vamos a um exemplo prático, acontecido durante uma sessão de estudos na residência de Kardec:

O excelente médium Sr. V… é um moço que geralmente se distingue pela pureza de suas relações com o mundo espírita. Contudo, depois que se mudou para os aposentos que atualmente ocupa, um Espírito inferior se intromete em suas comunicações, interpondo-se até em seus trabalhos pessoais.

Encontrando-se, na noite de 6 de setembro de 1859, em casa do Sr. Allan Kardec, com quem devia trabalhar, foi entravado por aquele Espírito, que lhe fazia traçar coisas incoerentes ou impedia que escrevesse.

Então o Sr. Allan Kardec, dirigindo-se ao Espírito, manteve com ele a seguinte conversa:

1. ─ Por que vens aqui sem ser chamado?
─ Quero atormentá-lo.

2. ─ Quem és tu? Dize o teu nome.
─ Não o direi.

3. ─ Qual o teu objetivo, intrometendo-te naquilo que não te diz respeito? Isto não te traz nenhum proveito.
─ Não, mas eu o impeço de ter boas comunicações e sei que isto o magoa muito.

4. ─ És um mau Espírito, pois que te alegras em fazer o mal. Em nome de Deus eu te ordeno que te retires e nos deixes trabalhar tranquilamente.
─ Pensas que metes medo com essa voz grossa?

5. ─ Se não é de mim que tens medo, tê-lo-ás sem dúvida de Deus, em nome de quem te falo e que poderá fazer que te arrependas de tua maldade.
─ Não nos zanguemos, burguês.

6. ─ Repito que és um mau Espírito, e mais uma vez te peço que não nos impeças de trabalhar.
─ Eu sou o que sou, é a minha natureza.

Tendo sido chamado um Espírito superior, ao qual foi pedido que afastasse o intruso, a fim de não ser interrompido o trabalho, o mau Espírito provavelmente se foi, porque durante o resto da noite não houve mais nenhuma interrupção. Interrogado sobre a natureza desse Espírito, respondeu o superior: Esse Espírito, que é da mais baixa classe, é um antigo carreteiro, falecido perto da casa onde mora o médium. Escolheu para domicílio o próprio quarto deste, e há muito tempo é ele que o obsidia e o atormenta incessantemente. Agora que ele sabe que o médium deve, por ordem de Espíritos superiores, mudar de residência, atormenta-o mais do que nunca. É ainda uma prova de que o médium não escreve o seu próprio pensamento. Vês assim que há boas coisas, mesmo nas mais desagradáveis aventuras da vida. Deus revela o seu poder por todos os meios possíveis.

─ Qual era em vida o caráter desse homem?
─ Tudo o que mais se aproxima do animal. Creio que seus cavalos tinham mais inteligência e mais sentimento do que ele.

─ Por que meio pode o Sr. V… desembaraçar-se dele?
─ Há dois: o meio espiritual, pedindo a Deus; o meio material, deixando a casa onde está.

─ Então há realmente lugares assombrados por certos Espíritos?
─ Sim, Espíritos que ainda estão sob a influência da matéria ligam-se a certos locais.

─ Os Espíritos que assombram certos lugares podem torná-los fatalmente funestos ou propícios às pessoas que os habitam?
─ Quem poderia impedi-los? Mortos, exercem influência como Espíritos; vivos, exercem-na como homens.

─ Alguém que não fosse médium, que jamais tivesse ouvido falar de Espíritos e que nem acreditasse neles poderia sofrer tal influência e ser vítima de vexames de tais Espíritos?
─ Indubitavelmente. Isto acontece mais frequentemente do que pensais, e explica muitas coisas.

─ Há fundamento na crença de que os Espíritos frequentam de preferência as ruínas e as casas abandonadas?
─ Superstição.

─ Então os Espíritos assombrarão uma casa nova da Rua de Rivoli, do mesmo modo que um velho pardieiro?
─ Por certo. Eles podem ser atraídos antes para um lugar do que para outro, pela disposição de espírito dos seus moradores.

Tendo sido evocado, na Sociedade, o Espírito do carreteiro acima mencionado, por intermédio do Sr. R…, ele manifestou-se por sinais de violência, quebrando os lápis, enfiando-os com força no papel, e por uma escrita grosseira, trêmula, irregular e pouco legível.

1. (Evocação).
─ Aqui estou.

2. ─ Reconheceis o poder de Deus sobre vós?
─ Sim; e daí?

3. ─ Por que escolhestes o quarto do Sr. V…, e não um outro?
─ Porque isto me agrada.

4. ─ Ficareis ali muito tempo?
─ Tanto quanto me sentir bem.

5. ─ Então não tendes a intenção de melhorar?
─ Veremos. Eu tenho tempo.

6. ─ Estais contrariado porque vos chamamos?
─ Sim.

7. ─ Que fazíeis quando vos chamamos?
─ Estava na taberna.

8. ─ Então bebíeis?
─ Que tolice! Como posso beber?

9. ─ Então o que quisestes dizer quando falastes da taberna?
─ Quis dizer o que disse.

10. ─ Quando vivo, maltratáveis os vossos cavalos?
─ Sois da polícia municipal?

11. ─ Quereis que oremos por vós?
─ E faríeis isto?

12. ─ Certamente. Nós oramos por todos aqueles que sofrem, porque temos piedade dos infelizes e sabemos que a misericórdia de Deus é grande.
─ Oh! Bem, sois boa gente mesmo. Eu gostaria de poder vos dar um aperto de mão. Procurarei merecê-lo. Obrigado.

OBSERVAÇÃO: Esta conversa confirma o que a experiência já provou muitas vezes, relativamente à influência que podem os homens exercer sobre os Espíritos, e por meio da qual contribuem para a sua melhora. Mostra a influência da prece.

Assim, essa natureza bruta e quase indomável e selvagem encontra-se como que subjugada pela ideia das vantagens que se lhe pode oferecer. Temos numerosos exemplos de criminosos que vieram espontaneamente comunicar-se com médiuns que haviam orado por eles, testemunhando-nos assim o seu arrependimento.

Às observações acima juntaremos as considerações que seguem, relativas à evocação de Espíritos inferiores.

Temos visto médiuns, justamente ciosos de conservar suas boas relações de além-túmulo, recusarem-se a servir de intérpretes dos Espíritos inferiores que podem ser chamados. É de sua parte uma suscetibilidade mal entendida. Pelo fato de evocarmos um Espírito vulgar, e mesmo mau, não ficaremos sob a dependência dele.

Longe disso, e ao contrário, nós é que o dominaremos. Não é ele que vem impor-se, contra a nossa vontade, como nas obsessões. Somos nós que nos impomos. Ele não ordena, obedece. Nós somos o seu juiz, e não a sua presa. Além disso, podemos serlhes úteis por nossos conselhos e por nossas preces e eles nos ficam reconhecidos pelo interesse que lhes demonstramos. Estender-lhe a mão em socorro é praticar uma boa ação. Recusá-la é falta de caridade; ainda mais, é orgulho e egoísmo. Esses seres inferiores, aliás, são para nós um grande ensinamento. Foi por seu intermédio que pudemos conhecer as camadas inferiores do mundo espírita e a sorte que aguarda aqueles que aqui fazem mau emprego de sua vida.

Notemos, além do mais, que é quase sempre tremendo que eles vêm às reuniões sérias, onde dominam os bons Espíritos. Ficam envergonhados e se mantêm à distância, ouvindo a fim de instruir-se. Muitas vezes vêm com esse objetivo, sem terem sido chamados.  Por que, pois, recusaríamos ouvi-los, quando muitas vezes seu arrependimento e seu sofrimento constituem motivo de edificação ou, pelo menos, de instrução? Nada há que temer dessas comunicações, desde que visem o bem. Que seria dos pobres feridos se os médicos se recusassem a tocar em suas chagas?

É uma superstição sem fundamento, creditar a influência sobre os Espíritos inferiores de amuletos e outros objetos, estejam eles magnetizados ou não, sem o concurso do encarnado, através da ação de seu pensamento. Poucos praticantes destas doutrinas espiritualistas tem conhecimento claro sobre isto, e continuam acreditando que basta acender um incenso ou espalhar alguns cristais para que o ambiente fique livre dos espíritos inferiores. Não é isso que os Espíritos nos ensinam!

Afinal de contas, que tipo de influência estes objetos causam por si só, sem o concurso da vontade ou da moralidade do médium?

– Exercem influência magnética benéfica ou maléfica sobre os encarnados através do magnetismo de que dispõem. Há minerais que podem causar influência sobre regiões e órgãos do corpo humano e consequentemente sobre a neuroquímica dos corpos, ou seja, sobre os encarnados apenas, assim como há incensos e plantas com o mesmo raio de ação, benéfica ou maléfica, estritamente nas funções terapêuticas, atingindo centros de força que consequentemente influem na saúde. Para maiores detalhes sobre esta influência, clique aqui e leia um artigo científico com estudos controlados. Há uma crescente publicação de artigos neste sentido, nos últimos 10 anos, que chegam para demolir as crenças de poderes sobrenaturais das plantas e minerais e até mesmo objetos, que explicam sob o prisma científico que de fato eles exercem influência, mas muito diversa daquela que se poderia supor.

Conclusão: As práticas ritualísticas das mais variadas vertentes espiritualistas, são nada além de um auxilio mental, mas não são proibidas ou tampouco estão equivocadas/incorretas, desde que se compreenda a mecânica para o qual são empregadas, como espécie de gatilho mental para os médiuns, somente.

Vamos a Sócrates e Platão, e ao que a história deles nos ensina sobre a Magia e a Superstição

Sócrates, sobre quem Platão escreveu muito, também falou de uma entidade que o guiou. Nunca foi dado um nome, mas as referências a ele variaram de daemon a daimon. Sócrates acreditava que essa entidade era um dom e se manifestava na forma da voz interior, algo que todos nós possuímos. Sua comunicação com esta entidade foi realmente usada como uma das acusações contra ele quando ele foi posto à morte. Sócrates acreditava que era um elo entre o homem mortal e Deus.

Sócrates parece ser uma exceção quando se trata de usar esses conceitos por razões perversas e, como salienta Hall, ele demonstrou que “o status intelectual e moral do “mago/magista” tem muito a ver com o tipo de elementar que ele é capaz de evocar, mas mesmo o daemon de Sócrates abandonou o filósofo quando a sentença de morte foi passada. ” – (Notou a semelhança de fundo com o Ensino dos Espíritos segundo a Doutrina Espírita?)

Sócrates foi condenado à morte por “corromper a juventude” e espalhar informações “falsas” entre as pessoas, mas olhando para trás, parece ser uma figura mais parecida com nossos revolucionários modernos do que uma influência malévola, condenada à morte por expor os segredos da aristocracia e encorajar as pessoas a questionar a verdadeira natureza da realidade, a questionar a doutrina que tinha sido fornecida às massas por aqueles no poder.

Há também registros nativos que contêm abundantes provas de que as civilizações da América Central e do Sul foram fortemente envolvidos nestes tipos de artes, magia negra e branca. Isso está bem documentado no Popuol Vuh [3].

Se tais informações forem verdadeiras, não é surpreendente. Os seres humanos sempre foram sujeitos à atração do poder, impulsionado por seu ego, ganância e falta de visão. É desconcertante imaginar esse poder de trabalhar com o mundo espiritual nas mãos daqueles que o usariam por suas próprias razões, tomadas pelo poder da magia negra.

Em um avanço rápido para o nosso dia-a-dia moderno, nós temos algumas histórias como a do Dr. Johannes Faust. Através de seu estudo de magia e evocação, ele afirma ter sido capaz de conjurar um “Elemental” que o serviu por muitos anos de várias maneiras diferentes. Há mesmo um trecho do livro de Dr. Faust, Wittenberg, 1524 descrevendo sua experiência.

Napoleão Bonaparte, o líder militar e político francês, é outro exemplo. Ele costumava falar de um “Homem vermelho pequeno do destino”, um “Espírito” que apareceu em um Palácio Real. Aparentemente, quando algo importante estava acontecendo, ele aparecia. Este homem, e o que os outros agora consideram ser superstições tolas e crenças folclóricas, realmente influenciaram Napoleão e suas ações e guiaram suas campanhas.

De acordo com Hall, o pequeno homem vermelho do destino é um exemplo “dos resultados desastrosos de permitir que os seres elementais ditem o curso do procedimento humano.”

Qual a gravidade deste tipo de evocação?

O LIVRO DOS ESPÍRITOS

Parte Segunda
Do mundo espírita ou mundo dos Espíritos

CAPÍTULO I
DOS ESPÍRITOS

A Terceira ordem – Espíritos Imperfeitos

103. Nona classe. ESPÍRITOS LEVIANOS.

São ignorantes, maliciosos, irrefletidos e zombeteiros. Metem-se em tudo, a tudo respondem, sem se incomodarem com a verdade. Gostam de causar pequenos desgostos e ligeiras alegrias, de intrigar, de induzir maldosamente em erro, por meio de mistificações e de espertezas. A esta classe pertencem os Espíritos vulgarmente tratados de duendes, trasgos, gnomos, diabretes. Acham-se sob a dependência dos Espíritos superiores, que muitas vezes os empregam, como fazemos com os nossos servidores. Em suas comunicações com os homens, a linguagem de que se servem é, amiúde, espirituosa e faceta, mas quase sempre sem profundeza de idéias. Aproveitam-se das esquisitices e dos ridículos humanos e os apreciam, mordazes e satíricos. Se tomam nomes supostos, é mais por malícia do que por maldade.

Fenômenos como estes aparecem em várias culturas durante diferentes períodos de tempo ao longo da história humana, então o que nos faz pensar que essas práticas pararam hoje?

Há mesmo um modus operandi para a evocação de espíritos em vários textos, sendo um deles o Livro Completo da Ciência Mágica que, de acordo com Hall, foi publicado pela primeira vez no Museu Britânico original. Isso também é mencionado por outros estudos de filosofia ocultista, como Francis Barret em seu Magus, onde ele descreve o uso de símbolos e mais coisas relacionadas ao ocultismo.

As criaturas vivas que existem em um mundo que não podemos perceber têm sido objeto de lendas que datam de inúmeros anos. É incorporado nas histórias e transmitido oralmente, e escrito sobre em vários textos religiosos como a Bíblia e o Alcorão. Não estou me referindo a seres extraterrestres neste caso, mas a seres existentes em reinos indistinguíveis aos nossos sentidos.

Magia negra versus Magia Branca ou Magnetismo benéfico versus maléfico?

Uma distinção é feita no início do artigo sobre “magia negra” e “magia branca”. Basicamente, a magia negra é o processo de usar entidades para realizar uma meta através da magia cerimonial, no entanto sabemos que esta prática não é possível pois a Lei natural divina não a permite, no entanto, temos o seguinte esclarecimento nas obras fundamentais, especificamente no Livro dos Espíritos:

551 Pode um homem mau, com a ajuda de um mau Espírito que lhe é devotado, fazer o mal a seu próximo? 

– Não. A Lei de Deus não o permite.

552 O que pensar da crença no poder que certas pessoas teriam de enfeitiçar?

– Algumas pessoas têm um poder magnético muito grande do qual podem fazer mau uso se seu próprio Espírito é mau e, nesse caso, podem ser ajudadas por outros maus Espíritos. Entretanto, não acrediteis nesse pretenso poder mágico que está apenas na imaginação das pessoas supersticiosas, ignorantes das verdadeiras leis da natureza. Os fatos que citam para comprovar o seu poder são fatos naturais mal observados e, principalmente, mal compreendidos.

553 Qual pode ser o efeito das fórmulas e práticas com que algumas pessoas pretendem dispor da cooperação dos Espíritos?

– É o efeito de torná-las ridículas se forem pessoas de boa-fé. Caso contrário, são patifes que merecem castigo. Todas as fórmulas são enganosas; não há nenhuma palavra sacramental, nenhum sinal cabalístico, nenhum talismã que tenha qualquer ação sobre os Espíritos, porque eles são atraídos somente pelo pensamento e não pelas coisas materiais.

553 a Alguns Espíritos não têm, às vezes, ditado fórmulas cabalísticas?

– Sim, há Espíritos que indicam sinais, palavras esquisitas ou prescrevem alguns atos com a ajuda dos quais fazeis o que chamais de tramas secretas; mas ficais bem certos: são Espíritos que zombam e abusam de vossa credulidade.

554 Aquele que, errado ou certo, tem confiança no que chama virtude de um talismã, não pode por essa própria confiança atrair um Espírito, já que é o pensamento que age? O talismã não será apenas um sinal que ajuda a dirigir o pensamento?

– É verdade; mas a natureza do Espírito atraído depende da pureza da intenção e da elevação dos sentimentos; portanto, devemos crer que aquele que é tão simples para acreditar na virtude de um talismã não tenha um objetivo mais material do que moral. Além do mais, em todos os casos, isso indica uma inferioridade e fraqueza de idéias que o expõem aos Espíritos imperfeitos e zombeteiros.

555 Que sentido se deve dar à qualificação de feiticeiro?

– Aqueles que chamais feiticeiros são pessoas, quando de boa-fé, dotadas de algumas faculdades, como o poder magnético ou a dupla vista. Então, como fazem coisas que não compreendeis, acreditais que são dotados de um poder sobrenatural. Vossos sábios, freqüentemente, têm passado por feiticeiros aos olhos das pessoas ignorantes.

O Espiritismo e o magnetismo nos dão a chave de uma multidão de fenômenos sobre os quais a ignorância teceu uma infinidade de fábulas em que os fatos são exagerados pela imaginação. O conhecimento esclarecido dessas duas ciências, que por assim dizer são apenas uma, mostrando a realidade das coisas e sua verdadeira causa, é a melhor defesa contra as idéias supersticiosas, porque mostra o que é possível e o que é impossível, o que está nas leis da natureza e o que é apenas uma crença ridícula. – Kardec

Continuando…

Hall escreve:

Por meio dos processos secretos da magia cerimonial é possível entrar em contato com essas criaturas invisíveis e obter sua ajuda em alguma empreitada humana. Os bons espíritos voluntariamente prestam sua ajuda a qualquer empreendimento digno, mas os espíritos malignos servem apenas aqueles que vivem para perverter e destruir… A forma mais perigosa de “magia negra” é a perversão científica do poder oculto para a gratificação do desejo pessoal.

De acordo com estudiosos de várias filosofias, ocorreu, há muito tempo, uma destruição sistemática de todas as chaves da sabedoria, para que ninguém mais pudesse ter acesso ao conhecimento. Quem o fez, inverteu completamente os rituais dos antigos mistérios, ao mesmo tempo que afirmava preservá-los, acreditando que o que eles faziam era a coisa certa a se fazer.

A magia também usa símbolos e geometria sagrada. A magia negra, por outro lado, usa o simbolismo invertido, tomando símbolos puros com significados nobres e pervertendo-os. O simbolismo invertido parece ser a maneira de invocar espíritos para propósitos malévolos.

“Eles mutilavam os rituais dos Mistérios enquanto professavam preservá-los, de modo que, mesmo que o neófito tivesse passado pelos graus (Maçonaria Livre), ele não poderia assegurar o conhecimento a que ele tinha direito. A idolatria foi introduzida encorajando a adoração das imagens que no princípio o sábio erigira apenas como símbolos para estudo e meditação. Foram dadas falsas interpretações aos emblemas e figuras dos Mistérios e elaboradas em teologias que foram criadas para confundir as mentes de seus devotos. “

Parece que havia muitos “magos negros” ao longo da história que se desviaram dos nobres conceitos que subjazem ao núcleo da espiritualidade e que trabalham com o mundo espiritual. Entenda-se mago negro, como místicos ou detentores de algum poder magnético que utilizavam sempre a evocação de Espíritos e o magnetismo como forma de operar a matéria ou influenciar a vida material.

A “magia branca” ou o magnetismo benéfico, por outro lado, lida com o nobre, o moralmente puro, e não pode ser usado para realizar fins egoístas. O ego, a ganância e o desejo pessoal não têm lugar na “magia branca”.

Concordo com Sócrates de que os conceitos de “magia branca”, ou como queira, “o magnetismo” existem dentro de todos nós e podem ser usados ​​como ferramentas poderosas de manifestação, desde que sejamos puros no coração e intenção. É simples, e não pode ser usado como um meio para um fim, ou para cumprir um desejo pessoal específico.

NOTAS:

(1) Manly Palmer Hall foi um místico e autor canadense de mais de cem livros, dentre eles The Secret Teachings of All Ages: An Encyclopedic Outline of Masonic, Hermetic, Qabbalistic and Rosicrucian Symbolical …

(2) Plantas de Poder dizem respeito a certas espécies do reino vegetal que tem poderes magnéticos, muitas são utilizadas como incenso, outras para a preparação de bebidas sacramentais que induzem ao estado sonambúlico e outras como medicinas naturais, por exemplo o óleo de orégano, sálvia, arruda, entre outros.

(3) (O termo Popol vuh, comumente traduzido do idioma quiché como “livro da comunidade”, é um registro documental da cultura maia, produzido no século XVI, e que tem como tema a concepção de criação do mundo deste povo.)

 

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