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18/11/2017

A identidade dos Espíritos e o excesso de credibilidade Maria Ribeiro


A importância capital na distinção dos Espíritos diz respeito, a saber-se se são bem ou mal intencionados, sábios ou ignorantes, sendo o restante de importância secundária, salvo se tratar-se de identificá-lo como pessoa desencarnada de nossas relações, onde se faz necessária a comprovação da identidade. A identificação será mais difícil quando tratar-se de personagens antigas, por isso a orientação em O Livro dos Médiuns, em que “a apreciação será puramente moral”.

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A linguagem é apontada como principal forma de identificação, ao menos moral e intelectual do Espírito. Aliás, há entre eles, quando há concordâncias de idéias, o costume de assinar com um nome que imprima mais confiabilidade, sem por isso tratar-se de um Espírito mal intencionado; estes são mais esclarecidos, que, conservando sua individualidade, vão perdendo aos poucos os caracteres que distinguem sua personalidade. Também há os que se fazem passar por personagens veneráveis, mas com o intuito de enganar, e, claro, estes são sempre de ordem inferior.

“A questão da identidade é, pois, como dissemos, quase indiferente quando se trata de instruções gerais, uma vez que os melhores Espíritos podem se substituir uns aos outros sem que isso tenha conseqüência. Os Espíritos superiores formam, por assim dizer, um todo coletivo, do qual as individualidade nos são, com poucas exceções, completamente desconhecidas. O que nos interessa não é a sua pessoa, mas o seu ensinamento…” (cap XXIV – 256 – OLM)

Analisando estas sábias instruções, testemunha-se outra realidade no meio espírita, visto que grande parte dos profitentes adoram saber quem é quem. A curiosidade pelo nome do irmão desencarnado é maior que o interesse em interiorizar o ensinamento deixado por ele.

Não é de nosso costume pessoal, citar nominalmente nenhuma personalidade, antiga ou contemporânea, mas neste caso particular nos vemos obrigada a este proceder, dada a necessidade de uma análise que possa trazer novas reflexões acerca do assunto. Que não se entenda nas nominações nenhum laivo de depreciação, já que não é este o objetivo.

Há exemplos que se tornaram clássicos; um deles diz respeito ao Espírito Bezerra de Menezes, que segundo uns, foi Zaqueu, contemporâneo de Jesus. Outro exemplo é o de Francisco de Assis, afirmado como João, discípulo do Cristo. Outra opinião diz que o Espírito Miramez é o mesmo jovem rico de uma conhecida passagem evangélica. Há os que afirmam ser a Madre Tereza de Calcutá a mesma Maria de Magdala. Joanna de Angellis teria sido Joana de Cusa, também discípula cristã. Os exemplos mais difundidos são, entretanto, o de Emmanuel como o controverso Publio Lentullus, e André Luiz, como sendo Carlos Chagas, um médico sanitarista que viveu na cidade Rio de Janeiro; e com exceção deste, todos os outros estiveram com o Cristo…

Estas informações surgiram, decerto, através de desencarnados ignorantes ou mal intencionados, e ganharam credibilidade geral, sem nenhum exame, aliás, como provar que um Espírito nascido no século XIII como Francisco de Assis tenha animado um homem no tempo de Jesus, como João? Quem se arriscaria a dar cem por cento de certeza?

Se com os Espíritos que viveram no passado mais distante é impossível comprovar a identidade, com os que viveram mais recentemente é viável realizar um levantamento histórico e descobrir fatos que tornem (ou não) a comprovação identificatória algo concreto.

Nada impediria que André Luiz, por exemplo, fosse o Carlos Chagas, não fossem as discordâncias das informações. Segundo seus biógrafos, Carlos Chagas ficou órfão de pai aos quatro anos; viveu grande parte de sua vida e desencarnou no Rio de Janeiro, é bem verdade, mas era mineiro de nascimento. Seu desencarne se deu em 1934, ironicamente, de infarto do miocárdio, aos cinqüenta e cinco anos de idade. Estes dados estão em flagrante contradição com os oferecidos por André Luiz sobre sua biografia: morreu aos quarenta e poucos anos, durante uma cirurgia de câncer intestinal. Convivera com o pai, tanto que relata em Nosso Lar um episódio onde, juntamente com este, repreende um personagem de nome Silveira, por causa de uma dívida, além de afirmar que o pai desencarnara três anos antes dele, André (cap. 7); relata ter deixado três filhos, mas ora fala de um primogênito (cap. 6), ora fala de uma primogênita (cap. 49); enquanto Carlos Chagas teve dois filhos, que na época de seu desencarne já eram adultos e diplomados. Há também uma dificuldade cronológica, pois, tivesse desencarnado em 1934 e passado oito anos no umbral, André Luiz jamais teria condições de estar presente quando da explicação de Lísias em relação ao início da Segunda Guerra Mundial (cap. 24), em 1939. Na ocasião, ele já se encontrava perfeitamente restabelecido. Não se quer repetir a imprudência das especulações, sempre pouco ou nada proveitosas, mas aventamos: ou seja, seu desencarne se deu no máximo em 1930 e seu nascimento entre 1885 e 1888, e não em 1879, como o de Carlos Chagas. Isto, aliás, se forem corretas tais informações oferecidas na obra.

Sobre a questão moral, também não há registro da vileza de comportamento do grande cientista mineiro, conforme o autor de Nosso Lar se confessa portador, principalmente na juventude, quando diz ter enganado uma jovem empregada de sua casa que foi posta na rua por seu pai… Como, se Chagas era órfão desde os quatro anos, assumindo o papel de “homem da casa” aos quatorze, e passando a viver no Rio de Janeiro por volta dos dezoito?! São palavras de Eurico Villela, professor e médico, colaborador de Chagas:

“Sua compaixão pelo sofrimento alheio, sincera e profunda, não era, porém, passiva e resignada. Para atenuá-lo nunca se poupou, tudo dava de si num esforço que não distinguia o dia da noite, torturado na angústia de remediar o inelutável”.

“A nobreza de caráter e a desambição são outras características da sua personalidade. Quando, em 1919, o governo lhe outorgou um prêmio em dinheiro, no valor de cinquenta contos de réis, elevada importância para aquela época, abriu mão do mesmo em favor da construção de um monumento a Oswaldo Cruz. Ao acumular duas funções públicas, a de Diretor do Instituto Oswaldo Cruz e Diretor do Departamento Nacional de Saúde, aceitou apenas os vencimentos de uma das funções.” (Fonte: Vertentes da Medicina, Joffre Marcondes de Rezende, São Paulo, editora Giordano, 2001).

Ao que consta, Chagas nunca teve nenhum de seus filhos “a praticar loucuras”, (cap. 49). Ao contrário, foram tão brilhantes quanto ele mesmo. Um deles desencarnou prematuramente, em 1940, aos 35 anos de idade, deixando várias obras consagradas. Já o filho mais moço que leva seu nome desencarnou no ano 2000, também um grande cientista e pesquisador. Não consta que sua esposa tenha contraído segundas núpcias, conforme André afirma que a sua tivera. Dona Íris Lobo desencarnou dezesseis anos depois do marido, em 1950, não podendo constatar-se que tenha se casado novamente após a viuvez.

Apenas com estas informações vê-se a impossibilidade de tratar-se do mesmo Espírito. Em suma, André Luiz e Carlos Chagas são duas individualidades distintas. André pode ter sido um admirador, talvez integrante da mesma equipe de médicos sanitaristas, ou talvez atuasse num outro grupo com os mesmos objetivos, sem evidentemente o mesmo brilhantismo de Chagas, (embora Emmanuel no prefácio, se refira a ele como “médico terreno e autor humano”) já que consta que o ilustre cientista mereceu honras, recebendo prêmios em vários países do mundo.

Com relação às outras personagens, é manifesta a impossibilidade de se fazer o mesmo estudo. Quem foi Madre Tereza de Calcutá? Maria de Magdala, só porque fora prostituta, regenerou-se e reencarnou envergando a indumentária de uma freira? Porque isto faria sentido? O personagem Emmanuel já tivera sua identidade investigada e que, por hora, se encontra sob suspeita. Outros Espíritos têm sido objeto de investigação, mas definitivamente, as especulações acerca dos supracitados que viveram séculos atrás se fazem infundadas.

Porque Joanna de Angellis teria sido a mesma Joana de Cusa, discípula de Jesus? Ao que parece ela mesma traçara sua biografia, partindo daquela personagem; ou seja, ninguém tem como provar que isto seja real, mas o bom senso tem um peso enorme sobre isto: esta informação deveria ficar engavetada até sabe-se lá quando, mas jamais ter sido difundida.

Os Espíritos Codificadores alertaram para a importância das instruções advindas dos Espíritos: o que tem relevância são as características morais que eles denotam, e para isto tem-se que estar atento. Descrevem tais características, comparando os bons e os maus Espíritos. O 23° princípio, inserto no capítulo XXIV de O Livro dos Médiuns, diz:

“Não basta interrogar um Espírito para conhecer a verdade. É preciso, antes de tudo, saber a quem se dirige; porque os Espíritos inferiores, ignorantes eles mesmos, tratam com frivolidade as questões mais sérias. Também não basta que um Espírito tenha tido um grande nome na Terra, para ter, no mundo espírita, a soberana ciência. Só a virtude pode, em purificando-o, aproximá-lo de Deus e desenvolver seus conhecimentos.”

No 25º, completam: “Estudando-se com cuidado o caráter dos Espíritos que se apresentam, sobretudo do ponto de vista moral se reconhece sua natureza e o grau de confiança que se lhe pode conceder. O bom senso não poderia enganar.”

Parece claro, mas não é uma aplicação prática no meio espírita. Aliás, os Codificadores deram também uma receita nem sempre fácil de realizar-se: eles ensinaram que para julgar os espíritos é preciso saber primeiro julgar a si mesmo. E continuam: “Infelizmente, há muitas pessoas que tomam sua opinião pessoal por medida exclusiva do bom e do mau, do verdadeiro e do falso; tudo o que contradiga sua maneira de ver, suas idéias, o sistema que conceberam ou adotaram, é mau aos seus olhos.”

Não é o que se presencia no Movimento Espírita? Cada um se vê no direito de interpretar a obra segundo o próprio entendimento, não permitindo exames, nem críticas, nem questionamentos, e isto não é um proceder que se possa chamar Espírita. Há várias décadas que grande parte dos profitentes aprende e ensina que André Luiz foi Carlos Chagas, embora já existam, desde muito tempo, resultados de pesquisas que provam tal impossibilidade, não sendo possível se chegar a uma conclusão exata sobre a personalidade real de André Luiz. Aliás, nenhum dos nomes cotados, como Oswaldo Cruz e outros, se enquadra no perfil de André. O fato em si, conforme pontuaram os Espíritos, não é relevante. O Espírita, manda o bom senso, deve aprender com eles o que for bom e útil, não se esquecendo de que, apesar de demonstrarem bondade e boas intenções, têm ainda limitações do saber, portanto, nem tudo o que disserem será verdadeiro. Mas, questiona-se: porque um Espírito que se esconde atrás de um pseudônimo, cujas razões foram explicadas, ao ter sua identidade questionada, não desfaz os equívocos a que teve que recorrer, justamente para não ser descoberto? E, não sendo Carlos Chagas, porque permite tal engano? Aqui entra uma nova questão: considerando tal estado de coisas como uma prova, pode-se concluir pela falência quase total do movimento espírita brasileiro: deslumbre excessivo pelas manifestações copiosas, fáceis, para as quais se creditou grande valor, sem a preocupação com as orientações do mestre Kardec. Os Espíritos Codificadores advertiram mais de uma vez sobre as necessidades básicas do exame sério e frio; traçaram diretrizes seguras para que se evitasse todo o tipo de equívocos. Coube aos homens colocarem em ação o que aprenderam com a Doutrina Espírita e exercerem seu poder de raciocínio, sua inteligência e discernimento. E tudo o que fizeram foi cair nas armadilhas do caminho… Se achando muito espertos.

Cabe, ainda, aos homens colocarem em prática o que aprendem com a Doutrina, exercitar o raciocínio, a inteligência e o discernimento, reconhecendo que ainda há grande ignorância e tibiez de vistas a vencer para que se compreenda o Espiritismo na sua grandiosidade e sublimidade.

Os adeptos sinceros devem procurar sempre e acima de tudo a verdade, evitando os pactos com supostas verdades, as que nascem do orgulho e da vaidade dos modernos “doutores da lei”.
É inútil no atual momento querer repetir-se o mesmo regime repressor dos tempos idos. Os questionamentos vão se tornar cada vez mais acirrados, as discussões mais vivas, e só restará o insulamento para os que pretendam intimidá-los, porque, apesar de tudo, os homens evoluem!

Artigo originalmente publicado no Blog Crítica Espírita.

4.5/5 (2)

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4 Responses “A identidade dos Espíritos e o excesso de credibilidade Maria Ribeiro

  1. Miriam Maria de Araújo
    11/08/2016 at 16:56

    Um texto magnifico, acima te tudo bastante compreensível, e de um conteúdo de um ensinamento, bastante lógico e de uma alerta sem pá,para nós espírita, no que tem a ver com a divulgação da Doutrina Espírita, e com os cuidados que deveremos ter com os espíritos que estão ligados a nós
    nas casas Espíritas que frequentamos. Vamos colocar em prática o que aprendemos com a Doutrina, exercitar o raciocínio a inteligência e o discernimento.

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  2. wilson
    27/04/2017 at 10:07

    Caríssimos, não acrediteis em todos os Espíritos, mas provai se os Espíritos são de Deus, porque são muitos os falsos profetas que se levantaram no mundo. (João, Epístola I, cap. IV: 1).

    O Espiritismo vem revelar outra categoria de falsos cristos e de falsos profetas, bem mais perigosa, e que não se encontra entre os homens, mas entre os desencarnados. É A DOS ESPÍRITOS ENGANADORES, HIPÓCRITAS, ORGULHOSOS E PSEUDO-SÁBIOS, QUE PASSARAM DA TERRA PARA A ERRATICIDADE, E SE DISFARÇAM COM NOMES VENERÁVEIS, PARA PROCURAR, ATRAVÉS DA MÁSCARA QUE USAM, TORNAR ACEITÁVEIS AS SUAS IDÉIAS, FREQÜENTEMENTE AS MAIS BIZARRAS E ABSURDAS. Antes que as relações mediúnicas fossem conhecidas, eles exerciam a sua ação de maneira menos ostensiva, pela inspiração, pela mediunidade inconsciente, auditiva ou de incorporação. O número dos que, em diversas épocas, mas sobretudo nos últimos tempos, se apresentaram como alguns dos antigos profetas, como o Cristo, como Maria, sua mãe, e até mesmo como Deus, é considerável.

    São João nos põe em guarda contra eles, quando adverte: “Meus bem-amados, não acrediteis em todos os Espíritos, mas provai se os Espíritos são de Deus; porque muitos falsos profetas se têm levantado no mundo.” O Espiritismo nos oferece os meios de experimentá-los, ao indicar as características pelas quais se reconhecem os bons Espíritos, características sempre morais e jamais materiais. (Ver O Livro dos Médiuns, Caps. 24 e segs.). É sobretudo ao discernimento dos bons e dos maus Espíritos, que podemos aplicar as palavras de Jesus: “Reconhece-se a árvore pelos seus frutos; uma boa árvore não pode dar maus frutos, e uma árvore má não pode dar bons frutos.” Julgam-se os Espíritos pela qualidade de suas obras, como a árvore pela qualidade de seus frutos.

    Submetendo-se todas as COMUNICAÇÕES A RIGOROSO EXAME, sondando e analisando suas idéias e expressões, como se faz ao julgar uma obra literária e rejeitando sem hesitação tudo o que for contrário à lógica e ao bom senso, tudo o que desmente o caráter do Espírito que se pensa estar manifestando, consegue-se desencorajar os Espíritos mistificadores que acabam por se afastar, desde que se convençam de que não podem nos enganar. Repetimos que este é o único meio, MAS É INFALÍVEL PORQUE NÃO EXISTE COMUNICAÇÃO MÁ QUE RESISTA A UMA CRÍTICA RIGOROSA.
    Os Espíritos bons jamais se ofendem, pois eles mesmos nos aconselham a proceder assim e nada têm a temer do exame. Somente os maus se melindram e procuram dissuadir-nos, porque têm tudo a perder. E por essa mesma atitude provam o que são.

    Eis o conselho dado por São Luís a respeito:

    “Por mais legítima confiança que vos inspirem os Espíritos dirigentes de vossos trabalhos, há uma recomendação que nunca seria demais repetir e que deveis ter sempre em mente ao vos entregardes aos estudos: A DE PESAR E ANALISAR, SUBMETENDO AO MAIS RIGOROSO CONTROLE DA RAZÃO TODAS AS COMUNICAÇÕES QUE RECEBERDES; a de não negligenciar, desde que algo vos pareça suspeito, duvidoso ou obscuro, de pedir as explicações necessárias para formar a vossa opinião.”

    Reconhece-se a qualidade dos Espíritos por sua linguagem; a dos Espíritos verdadeiramente bons e superiores é sempre digna, nobre, lógica, isenta de contradições; anuncia a sabedoria, a benevolência, a modéstia e a mais pura moral; é concisa e sem palavras inúteis. Entre os Espíritos inferiores, ignorantes ou orgulhosos, o vazio das idéias, quase sempre, é compensado pela abundância das palavras. TODO PENSAMENTO EVIDENTEMENTE FALSO, TODA A MÁXIMA CONTRÁRIA À SÃ MORAL, TODO CONSELHO RIDÍCULO, TODA EXPRESSÃO GROSSEIRA, TRIVIAL OU SIMPLESMENTE FRÍVOLA, ENFIM, TODA MARCA DE MALEVOLÊNCIA, DE PRESUNÇÃO OU DE ARROGÂNCIA, SÃO SINAIS INCONTESTÁVEIS DE INFERIORIDADE EM UM ESPÍRITO.

    Allan Kardec
    O Livro dos Médiuns
    O Evangelho seg Espiritismo

    Wilson Moreno

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  3. wilson
    27/04/2017 at 10:09

    Os espíritos podem comer e beber no mundo espiritual???
    Andre Luiz narra em suas obras que sim, que os espíritos podem tomar sopas e sucos de frutas podem comer e beber.
    Kardec já explica que isso não existe, que os espíritos inferiores como estão apegados as coisas materiais e terrenas eles criaram as ilusões das necessidades materiais em suas mentes.
    Eles pensam que sentem essas necessidades, mais são ilusões.
    Os espíritos não podem comer e beber no mundo espiritual.
    Vejamos esse texto de Kardec.

    Revista Espirita ANO 2 – ABRIL 1859 – Nº. 4 de Kardec

    Há sensações que têm sua fonte no próprio estado de nossos órgãos; ora, as necessidades inerentes ao nosso corpo não podem ocorrer do momento que nosso corpo não existe mais. O ESPÍRITO NÃO SENTE, POIS, NEM A FADIGA, NEM A NECESSIDADE DE REPOUSO, NEM A DE ALIMENTAÇÃO, PORQUE NÃO TEM NENHUMA PERDA A REPARAR; NÃO É AFLIGIDO POR NENHUMA DE NOSSAS ENFERMIDADES.

    As necessidades do corpo ocasionam as necessidades sociais, que não existem mais para os Espíritos: assim, para eles, os cuidados dos negócios, os tormentos, as mil tribulações do mundo, as aflições que se dão para se proporcionar as necessidades ou as superfluidades da vida não existem mais; têm piedade do trabalho que nos damos por vãs futilidades; e, todavia, tanto os Espíritos elevados são felizes, quanto os Espíritos inferiores sofrem, mas esses sofrimentos são de preferência angústias, que por nada terem de físicas não são menos pungentes; eles têm todas as paixões, todos os desejos que tinham em sua vida (falamos dos Espíritos inferiores), E SEU CASTIGO É NÃO PODER SATISFAZÊ-LOS; PARA ELES, É UMA VERDADEIRA TORTURA, que crêem perpétua, porque sua própria inferioridade não lhes permite ver o fim, e lhes é, ainda, um castigo.

    Revista Espirita ANO 2 – ABRIL 1859 – Nº. 4 de Kardec

    Como disse Kardec

    O ESPÍRITO NÃO SENTE, POIS, NEM A FADIGA, NEM A NECESSIDADE DE REPOUSO, NEM A DE ALIMENTAÇÃO, PORQUE NÃO TEM NENHUMA PERDA A REPARAR; NÃO É AFLIGIDO POR NENHUMA DE NOSSAS ENFERMIDADES.

    Vejamos essas questões.

    Andre Luiz narra em sua obra Nosso lar que os espiritos podem comer e beber e que podem tomar sucos de frutas e sopas.
    Perguntamos, da onde vem essas frutas para fazer esses sucos???
    Existem arvores dando frutas no mundo espiritual???
    É possível que exista no plano espiritual plantações de arvores frutíferas???
    Andre Luiz não explica essa questão.
    Ele fala também de sopas, perguntamos, da onde vem os legumes para fazer tal sopa???
    Existem plantações de legumes no plano espiritual???
    Se os espíritos podem comer e beber, eles tem que mais tarde eliminar essas substancias perguntamos, os espíritos desencarnados podem evacuar e urinar???
    Andre Luiz mistificou nessas informações que os espíritos podem comer e beber.

    Wilson Moreno

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  4. wilson
    02/05/2017 at 09:19

    A FOME ENTRE OS ESPÍRITOS.

    Revista Espirita ANO 11 – JUNHO 1868 – Nº. 6 de Kardec

    Comunicação do espírito de Bizet.

    Encontrei muitos amigos cuja simpática acolhida ajudou-me poderosamente a me reconhecer; mas tive também sob os olhos o espetáculo atroz da fome entre os Espíritos. ENCONTREI NO OUTRO MUNDO NUMEROSOS DESSES INFELIZES, MORTOS NAS TORTURAS DA FOME, PROCURANDO AINDA SATISFAZER EM VÃO UMA NECESSIDADE IMAGINÁRIA, lutando uns contra os outros para arrancar um pedaço de alimento que ocultam nas mãos, se despedaçando mutuamente, e, se assim posso dizer, se devorando mutuamente; uma cena horrível, hedionda, ultrapassando tudo o que a imaginação humana pode conceber de mais desolador!…

    Muitos desses infelizes me reconheceram, e seu primeiro grito foi: Pão! Foi em vão que tentei fazê-los compreender a sua situação; estavam surdos às minhas consolações. – Que coisa terrível é a morte em semelhantes condições, e como esse espetáculo é bem de natureza afazer refletir sobre o nada de certos pensamentos humanos!.. Assim, enquanto que sobre a Terra pensa-se que aqueles que partiram estão ao menos livres da tortura cruel que sofrem, percebe-se, do outro lado, que não é nada disto, e que o quadro não é menos sombrio, se bem que os autores tenham mudado de aparência.

    Bizet

    Nota de Kardec.
    A quem não conhece a verdadeira constituição do mundo invisível, parecerá estranho que os Espíritos que, segundo eles, são seres abstratos, imateriais, indefinidos, sem corpo, sejam vítimas dos horrores da fome; mas o espanto cessa quando se sabe que esses mesmos Espíritos são seres como nós; que eles têm um corpo, fluídico é verdade, mas que não é menos da matéria; que, em deixando o seu envoltório carnal, certos Espíritos continuam a vida terrestre com as mesmas vicissitudes durante um tempo mais ou menos longo. Isto parece singular, mas isto é, e a observação nos ensina que tal é a situação dos Espíritos que viveram mais da vida material do que da vida espiritual, situação freqüentemente terrível, PORQUE A ILUSÃO DAS NECESSIDADES DA CARNE SE FAZ SENTIR, E SE TÊM TODAS AS ANGÚSTIAS DE UMA NECESSIDADE IMPOSSÍVEL DE SER SACIADA.

    Allan Kardec
    Revista Espirita ANO 11 – JUNHO 1868 – Nº. 6 de Kardec

    Kardec explica que as necessidades da carne ou materiais que os espiritos inferiores sentem é por que eles estão apegados a matéria, não podem ser saciadas no mundo espiritual é uma necessidade impossível de ser saciada.
    Vejamos as palavras de Kardec PORQUE A ILUSÃO DAS NECESSIDADES DA CARNE SE FAZ SENTIR, E SE TÊM TODAS AS ANGÚSTIAS DE UMA NECESSIDADE IMPOSSÍVEL DE SER SACIADA.

    Os espiritos inferiores não podem saciar suas necessidades matérias como fome e sede por que isso são ILUSÕES da vida terrena que eles guardam em suas mentes materializadas.
    Eles pensam que sentem fome e sede mais são ilusões terrenas que não podem ser saciadas no mundo espiritual.

    E o espírito de Bizet se comunicando com Kardec explica o seguinte ENCONTREI NO OUTRO MUNDO NUMEROSOS DESSES INFELIZES, MORTOS NAS TORTURAS DA FOME, PROCURANDO AINDA SATISFAZER EM VÃO UMA NECESSIDADE IMAGINÁRIA, lutando uns contra os outros para arrancar um pedaço de alimento que ocultam nas mãos.

    Veja bem ele diz o seguinte PROCURANDO AINDA SATISFAZER EM VÃO UMA NECESSIDADE IMAGINÁRIA.
    Uma necessidade IMAGINARIA ou seja a fome ou sede que eles sentem são necessidades imaginarias são ilusões terrenas que eles guardam em seus espiritos que ainda estão apegados a matéria, portanto, eles pensam que sentem fome ou sede.

    Conclusão os espiritos desencarnados não podem comer e nem beber no mundo espiritual, isso são ilusões da vida terrena., Andre Luiz quando fala que os espiritos podem comer, beber, tomar sucos de frutas e sopas isso é uma mistificação isso não existe.

    Wilson Moreno

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