Go to ...

Jornal de Ciência Espírita on YouTubeRSS Feed

20/09/2017

Estrutura e Metodologia para Grupos de Pesquisa Mediúnica Sandra Régis e Egydio Régis


INTRODUÇÃO: Quem estuda o Espiritismo, principalmente quando iniciante, tem um verdadeiro fascínio pelo “misterioso” mundo dos Espíritos. O outro lado como costumamos dizer, ou, mais modernamente, a outra dimensão. As reuniões mediúnicas dos Centros Espíritas, são geralmente envolvidas em um clima de cerimônia esotérica, reservada a algumas pessoas especiais. Fora delas, as pessoas ficam imaginando a sensação excitante que deve ser a de trazer de volta os mortos e penetrar no seu mundo desconhecido. Quem está dentro, isto é, os médiuns e os dirigentes, portam- se como se estivessem diante de um oráculo, com respeitosa cerimônia, voz “silenciosa” e um absoluto desconhecimento do que se está passando do outro lado.

Os Espíritos, habitualmente designados como guias, que comandam as reuniões mediúnicas, não costumam dar aos dirigentes, já que estes não “enxergam” o lado deles, uma visão do ambiente e nem uma prévia do que está programado para aquela reunião. Os encarnados são meros instrumentos passivos do que desejam os Espíritos e esta é a cultura generalizada nos Centros. Na verdade, não existe uma co-participação em termos de programação e os encarnados não têm a menor interferência na condução dos trabalhos, sendo seu papel unicamente estar à disposição dos Espíritos. Isso é bom ou mau? Não nos ocuparemos desse julgamento, porque o escopo do presente trabalho é o de construir uma nova concepção de reunião mediúnica, um novo estilo de relacionamento entre os dois lados, de modo a estabelecer uma paridade de ações e de responsabilidades. Não propugnamos a substituição dos atuais métodos de trabalho. Apenas apresentamos um modelo que venha contribuir na organização e nos objetivos de reuniões mediúnicas que se dedicam a PESQUISAS DOUTRINÁRIAS.

divisor-6

Capítulo Primeiro

I) – O que se entende por Pesquisa Mediúnica?

Pesquisa Mediúnica, é a busca de conhecimentos através da participação efetiva dos Espíritos, por intermédio da mediunidade, único caminho que temos disponível para esse contato. Por que procurar os Espíritos, se temos vasta literatura produzida por espíritos encarnados? Porque, primeiramente, é inesgotável a fonte de conhecimentos que podem nos proporcionar o espírito humano, tanto daqui, como de lá. Dos Espíritos, desejamos cada vez mais entender o seu mundo, e, especialmente queremos explorar a experiência daqueles que foram nossos contemporâneos e que continuam estudando e pesquisando, agora com outros recursos e sem os entraves naturais do corpo físico.

Pode-se, então, desde já entender, que avançamos por um caminho diferente do que estávamos habituados em nossos trabalhos mediúnicos. Mesmo em se tratando das chamadas reuniões de “caridade”, de auxílio aos obsediados ou obsessores, podemos radicalmente mudar o estilo de relacionamento com os Espíritos e, obviamente, da reunião. Isto porque, tanto como nós os encarnados, os Espíritos podem também mudar o tradicional modelo de comunicação, tornando-omenos formal, menos carregado de emoções tristes, fúnebres e de lamentações.

A pesquisa mediúnica pode tomar vários caminhos, dependendo dos objetivos que o grupo eleger. Ela pode, por exemplo, dedicar-se ao estudo dos fenômenos de efeitos físicos, utilizando métodos científicos; ou pode restringir-se ao estudo teórico de temas doutrinários, com o objetivo

de aprofundá-los com a contribuição dos Espíritos. Pode ainda buscar mais informações sobre o chamado mundo dos Espíritos, continuando o trabalho de André Luiz e outros do gênero. Parece- nos, entretanto, importante não misturar as coisas, isto é, querer fazer de tudo um pouco e acabar chegando a lugar nenhum.

Ao optar por um trabalho de pesquisa, é importante conscientizar-se de que alguns aspectos devem ser considerados: paciência, persistência, tempo disponível, discrição, espírito de equipe, disciplina quanto à organização estabelecida pelo grupo. Se o perfil da pessoa inicialmente interessada não se enquadrar nesses critérios, é melhor não participar. A esse respeito, não somos daqueles que, em nome da fraternidade, tudo permitem. Somos favoráveis a uma seleção mais rigorosa possível, apesar de estarmos cientes de que não encontraremos a perfeição. O trabalho de pesquisa pressupõe que os pesquisadores tenham base suficiente para aprofundar os assuntos que serão pautados. Pois, não se trata de um curso de espiritismo para iniciantes. Da mesma forma, os Espíritos convidados a participarem da pesquisa, serão selecionados para estarem em nível igual ou superior aos dos encarnados.

Reconhecemos que a realização e trabalhos de pesquisa mediúnica dependem de alguns fatores que a tornam muito difícil. A primeira dificuldade está na disposição do grupo de encarnados, quanto ao interesse, convergência de idéias, constância, freqüência e pontualidade às reuniões. Um trabalho dessa natureza requer uma rigorosa observância de total dedicação, com muita perseverança.

II) Os participantes do grupo de pesquisa

A idéia de se constituir um grupo de pesquisa mediúnica, obviamente deve partir de uma ou mais pessoas interessadas nesse tipo de intercâmbio. Pode até ser uma iniciativa dos dirigentes de um Centro, ou particularmente de participantes do mesmo. Evidentemente, será necessária a concordância dos dirigentes para que esse tipo de trabalho, nada usual nos meios espíritas, possa ser realizado nas dependências e com os recursos do Centro. Especialmente para contar com a participação efetiva dos médiuns da casa. É claro que os interessados poderão partir para a constituição de um grupo independente, sem ligação com qualquer Centro. Entretanto, a experiência tem nos mostrado, que decisão é muito complicada, especialmente porque não é fácil encontrar-semédiuns dispostos e bem formados doutrinariamente, fora dos Centros, além de não contar com a estrutura espiritual aí existente. Entretanto, apesar de difícil, não é impossível e pode até produzir resultados satisfatórios, se o grupo for realmente sério e competente.

Aos participantes, especialmente os que chamamos aqui de “pesquisadores’, antes de se atirarem ao trabalho de aprofundamento doutrinário através da mediunidade, além da base teórica conseguida pelo estudo das obras de Kardec e das que lhe são complementares, convém um estágio demorado em alguns tipos de reuniões mediúnicas muito comuns nos Centros, a fim defamiliarizarem-se com as técnicas práticas de intercâmbio com os Espíritos.”O importante é que, ao iniciarmos o trato com os Espíritos desencarnados, voluntária ou involuntariamente, estejamos com um mínimo de preparação, apoiada num mínimo de informação.” (Hermínio C. Miranda- Diálogo com as Sombras- Introdução).

“A prática mediúnica não deve ser improvisada, pois não perdoa despreparo e ignorância” (idem). Por outro lado, a extensão da pesquisa, do ponto de vista do conhecimento, dependerá do grau de escolaridade, e/ou, da cultura dos participantes pesquisadores. A resposta é o corolário da pergunta.Allan Kardec é o ,maior exemplo disso.Entendemos que para atingirmos um plano ideal nesse trabalho , o grupo deve ser multidisciplinar, isto é, contar com participantes pesquisadores formados em áreas diversificadas, tais como: engenharia, medicina, psicologia, física e de outras especialidades, sem que com isso se deseje elitizar a pesquisa, porque pessoas sem graduação acadêmica, mas com um nível de cultura adquirido pela vivência e esforço pessoal, serão bem vindos ao grupo. Leon Denis, cuja obra literária é considerada como uma das consolidadoras do Espiritismo, é o nosso maior exemplo de auto-didatismo. Idem Manoel Porteiro.

Em relação aos médiuns, a dificuldade é bem maior. A cultura mediúnica dos Centros Espíritas, é um verdadeiro obstáculo para se conseguir médiuns afinados com o trabalho de pesquisa e de debates com os Espíritos. Em geral, os médiuns são educados de forma a não desagradar os Espíritos comunicantes. Consideram que qualquer questionamento é uma ofensa ao Espírito. Ou, então, sentem-se melindrados porque lhes parece que estão duvidando de sua faculdade mediúnica ou mesmo de sua honestidade. Há, ainda, o medo da fraude, etc. Isto significa dizer que os médiuns que habitualmente atuam nas reuniões chamadas de desobsessão e desenvolvimento mediúnico, não estão preparados para um trabalho de pesquisa. É preciso ter-se em mente, que as reuniões de pesquisa, são absolutamente diferentes das reuniões acima referidas. E isso serve para os encarnados como para os desencarnados.

Por outro lado, as reuniões de pesquisas requerem médiuns tarimbados, com muita experiência na relação mediúnica, cientes e conscientes do trabalho que irão realizar. Médiuns que já aprenderam a distinguir suas idéias da dos Espíritos comunicantes. Que entendem sua função de instrumento passivo da comunicação, Que não se sintam responsáveis por aquilo que estão lhe transmitindo. Que conseguem aceitar críticas e observações, tanto aos Espíritos, quanto à sua própria posição como médium. Enfim, que estejam suficientemente integrados ao estilo de trabalho e por ele tenham entusiasmo e prazer.

Os médiuns devem ser espíritas atuantes nas casas espíritas ou isso é condição que se possa dispensar? Há médiuns dentro e fora dos Centros. Existem médiuns excelentes, estudiosos, sérios e que acabam “amortecendo” sua faculdade ou realizando seus próprios trabalhos, porque não encontram campo ideal para suas aspirações dentro dos Centros Espíritas. A falha é deles ou dos Centros? Comumente concluímos que o médium não se adaptou porque não quis. Mas nem sempre essa é a realidade. É claro, que a preferência tende para os médiuns que já estão integrados na casa, principalmente porque são instados ao estudo da D.E. e encontram-se familiarizados com o meio, sendo isso um ponto positivo.Entretanto, as resistências naturais dentro dos Centros quanto aos trabalhos de pesquisa, muitas vezes impedem que os médiuns possam servir a esse mister. Busque- se então, esses médiuns e proponha-se-lhes um “treinamento” adequado para participarem do grupo. É importante, tanto para médiuns espíritas atuantes ou não, fazer um “exame” prévio de cada um, através de entrevistas informais para analisar a estrutura de pensamento, a filosofia de vida, as idéias fixas ou preconcebidas, o equilíbrio emocional, a cultura geral, o conhecimento da D.E., se como médium aceita críticas e orientações e se não está muito ligado a um determinado Espírito (que pode significar fascínio).Apesar de nos servimos de médiuns já formados e com longa experiência, o novo tipo de trabalho a que estarão ligados requer, como dissemos, uma adaptação para que se produzam os resultados esperados. Assim, nesse “treinamento” é bom sempre lembrar algumas recomendações, como as que se seguem: “O que se passa através do médium deve, em verdade, estar sujeito à influência do espírito dos vivos. As idéias preconcebidas, a vontade, a imaginação, os sentimentos, os pontos de vista particulares não podem deixar de exercer uma influência, mais ou menos acentuada, sobre as comunicações que os Espíritos de mortos procuram transmitir, por intermédio de um cérebro alheio. Além disto, as influências mesméricas e psicológicas da parte da mentalidade dos experimentadores, que podem dominar a do médium, devem igualmente produzir um efeito perturbador análogo. Segue-se que certas comunicações provenientes de Espíritos elevados são transmitidas ou, mais acertadamente, são traduzidas de um modo vulgar, não raro completamente diferente daquilo que foi ouvido pelo Espírito comunicante. É como se um francês se comunicasse com um inglês por intermédio de um dinamarquês, pouco familiarizado com aqueles dois idiomas. O interlocutor inglês teria não pequena dificuldade de apreender o sentido do recado transmitido.Em casos desta natureza nunca podemos estar certos de ser a comunicação recebida tradução perfeita do que tinha o Espírito comunicante intuito de transmitir.” (Adin Ballou, do livro “Spirit Manifestation”- 18952, citado por E.Bozzano em Metapsiquíca Humana). E ainda, alguns conselhos de A. Luiz, do livro Desobsessão: “* Desenvolvimento da autocrítica; * Aceitação dos próprios erros, em trabalho mediúnico, para que se lhes apure a capacidade de transmissão; * Reconhecimento de que o médium é responsável pela comunicação que transmite;* Abstenção de melindres ante apontamentos dos esclarecedores ou dos companheiros, aproveitando observações e avisos para melhorar-se em serviço;

* interesse real na melhoria das próprias condições de sentimento e cultura; * Defesa permanente contra bajulações e elogios, conquanto saiba agradecer o estímulo e a amizade de quantos lhe incentivem o coração ao cumprimento do dever.; * Discernimento natural da qualidade dos Espíritos que lhes procurem as faculdades, seja pelas impressões de sua presença, linguagem, eflúvios magnéticos, seja pela sua conduta geral.”. Interessante também citar do excelente trabalho de Ademar Chioro dos Reis- MECANISMOS DA MEDIUNIDADE / PROCESSO DE COMUNICAÇÃO MEDIÚNICA – edição CPDOC, pg22:” Por outro lado, quando o médium não vibra, não participa no seu íntimo do trabalho, não coopera, a produção do fenômeno é muito difícil para o Espírito comunicante. Desta forma, o Processo de Comunicação Mediúnica depende em muito da postura do médium. O “ser” do médium é produto de sua maneira de viver, de ver e sentir a vida, desse contínuo de vivência. Se mal humorado, reclamante, descrente, negativo, ainda que na hora da reunião faça as mais sentidas preces, dificilmente vai se tornar um pólo atrativo.

III) Número de Participantes

Quanto ao número ideal de participantes, entre médiuns e pesquisadores, não há nenhuma regra pré-estabelecida. A prática nos tem ensinado que um a quantidade muita grande de pessoas, é contraproducente, porque se torna difícil o controle da reunião e a indispensável ligação mais homogênea possível de idéias e objetivos. Leon Denis, em seu livro “No Invisível”, sugere de quatro a oito pessoas. Hermínio C. Miranda acrescenta: “É claro, porém, que um grupo muito pequeno tem suas possibilidades também limitadas. …Acima dos oito componentes sugeridos por Denis, vai-se tornando mais difícil a tarefa, não apenas do dirigente encarnado do grupo, como de seus orientadores invisíveis, porque a equipe se torna mais heterogênea, o pensamento divaga,quebra-se com freqüência o esforço de concentração e o prejuízo é certo para a tarefa. É possível, no entanto, se alcançada impecável homogeneização, fazer funcionar razoavelmente bem um grupo com mais de oito pessoas, mas acima de doze vai-se tornando bastante problemática a sua eficácia.” (Diálogo com as Sombras- Hermínio C. Miranda). Allan Kardec, em Instruções Práticas Sobre as Manifestações Espíritas, pg. 148, assevera: “A influência do meio faz compreender que quanto menos numerosos somos nas reuniões tanto melhor esta decorre, pois que, assim, é mais fácil obter homogeneidade. Entretanto, concebe-se que, se cem pessoas reunidas estão suficientemente recolhidas e atentas, obterão mais do que dez que fossem distraídas e ruidosas.”. Portanto, o número de pessoas dependerá sobretudo dessa homogeneização , sendo a quantidade de médiuns suficiente para se garantir comunicações e/ou experiências em todas as reuniões.

IV) A equipe de Espíritos

Obviamente, para que haja possibilidade de realização da pesquisa mediúnica, é imprescindível a colaboração e a integração de um grupo de Espíritos. Se o trabalho for realizado no Centro, isso deverá ser feito através dos Espíritos que dirigem as reuniões mediúnicas habituais. Sempre há um a quem denominamos “mentor”, guia ou orientador. É interessante, conversar com ele sobre os nossos desejos de fazer o, trabalho, pedir sua opinião a respeito, sua colaboração e apoio logístico. Apoio logístico, é o conjunto de providências que ele deverá tomar para a efetivação do trabalho do lado “lá”, como: organizar uma equipe de Espíritos interessados, afinados e competentes para esse tipo de objetivo; estrutura de ambientação e proteção das reuniões; nomeação de um ou mais coordenadores para , em função dos assuntos que serão colocados, trazer convidados ou preparar material para atender as indagações. Evidentemente, essa organização não se estabelece de pronto. Levará algum tempo porque inicialmente os Espíritos precisam ter certeza de que o grupo de encarnados está realmente interessado, demonstra vontade, seriedade, constância, etc. Aos poucos os grupos de cá e de lá vão se integrando e o trabalho vai evoluindo com segurança. Necessário dizer que o comando dos trabalhos é dos encarnados. Nós é que devemos conduzir os temas e a forma como devem ser desenvolvidos. A equipe de Espíritos, que também não são meros instrumentos passivos dos nossos desejos, deve ser ouvida sempre que qualquer alteração importante for decidida, assim como dar instruções sobre questões mediúnicas, informações sobre

determinados Espíritos e suas comunicações. Na verdade, deve-se estabelecer uma parceria com eles, sem qualquer intenção de imposições de ambos os lados. O trabalho de pesquisa deve ser “profissional” tanto quanto possível, pois “amadorismo” é para principiantes.

Uma questão pode ser levantada: e se o Espírito guia ou mentor, não concordar com a reunião de pesquisa? E, se os dirigentes forem do tipo que não discutem a opinião do Espírito guia? Então, não haverá condições de se realizar o trabalho nesse Centro, porque, se a palavra final for do Espírito guia, a cultura da casa jamais permitirá qualquer ato de rebeldia a essa ordem. Que fazer? A opção do grupo interessado é partir para uma de duas decisões: fundar um grupo independente, confiando que alguns Espíritos (talvez até familiares) interessados se engajem à idéia e possam consumar o objetivo desejado; ou bater à porta de outro Centro que não tenha objeções a esse tipo de reunião.

O grupo de pesquisa precisará estabelecer com os Espíritos, uma posição muita clara com relação à qualidade dos Espíritos que serão convidados a participarem das indagações: somente quem for especialista nos assuntos pautados. Também Espíritos evocados nominalmente. Neste tipo de reunião não haverá lugar para “doutrinações”, desobsessão e Espíritos sofredores, a menos que sejam parte de estudo de casos propostos pelos Espíritos. O coordenador encarnado estará sempre atento para que a reunião não seja invadida por Espíritos perturbadores cujo objetivo é impedir a sua continuação. Para isso os Espíritos coordenadores, devem estar preparados, como é comum nas reuniões mediúnicas.

Citamos como exemplo de organização dos Espíritos, o que ocorreu em 1989, no Centro Espírita Allan Kardec, quando se iniciou uma reunião de pesquisa mediúnica. O Espírito orientador, Rafael, atendendo nossos desejos, incorporou plenamente e tratou de formar uma equipe dentre os Espíritos que já atuavam na casa, nomeando um coordenador para se dedicar inteiramente a esse trabalho. Os frutos foram excelentes como mostraremos adiante.

V) Variedade de médiuns

Para um trabalho de pesquisa, quanto mais tipos de médiuns aparecerem, mais interessante e rico será o resultado. Em nossos meios, entretanto, está cada vez mais raro encontrar médiuns como por exemplo, de efeitos físicos, materializações, pneumatofonia, etc. Os mais comuns são os de psicofonia e psicografia. Nesse caso, a pesquisa deve ser desenvolvida em função dos tipos de médiuns que temos disponíveis. Para a indagação direta aos Espíritos, a psicofonia é a mais indicada, por sua natureza, que se presta a uma conversa dinâmica, tornando o trabalho mais eficiente, rápido. A psicografia também é muito usada, e pode se dar concomitantemente a uma comunicação psicofônica. Nossa experiência pessoal restringe-se à pesquisa através desses dois tipos de mediunidade. Além dessas duas modalidades, algumas tentativas com médiuns videntes não foram muito produtivas. Há quem defenda a prática de ter um médium vidente sempre presente às reuniões mediúnicas, ou de preferência que o coordenador seja vidente. Entretanto, em se tratando de modalidade tão problemática, é prudente não confiar sem exame apurado as informações advindas desses médiuns. Allan Kardec, em o Livro dos Médiuns – cap. XIV, n°171, afirma: “Quanto aos médiuns videntes, propriamente ditos, são ainda mais raros e temos muitas razões para desconfiar dos que pretendem ter essa faculdade. É prudente não lhes dar fé senão mediante provas positivas. Algumas pessoas podem sem dúvida enganar-se de boa fé, mas outras podem simular essa faculdade por amor-próprio ou por interesse. Nesse caso, deve-separticularmente levar em conta o caráter, a moralidade e a sinceridade habituais da pessoa.”

Dentro das modalidades de psicofonia e psicografia, quais os melhores médiuns para o trabalho de pesquisa mediúnica? O médium chamado de “inconsciente” na psicofonia é o que melhor se presta para esse tipo de trabalho, porque a sua influência sobre a comunicação é praticamente nula. Enquanto que o médium consciente tem maior dificuldade em isentar-se das idéias do Espírito comunicante. O mesmo se dá em relação ao médium psicógrafo, reputando-semaior segurança quanto à fidelidade da comunicação à psicografia mecânica. Como se distinguir essas faculdades? O próprio médium poderá informar em função daquilo que sente durante a comunicação. Desse modo, poderemos classificar cada médium e tratar cada comunicação de

acordo com essas características. Como diz Kardec: “O papel do médium mecânico é o de uma máquina; o médium intuitivo (consciente) age como um intérprete”. (O Livro dos Médiuns). Quanto aos médiuns audientes, também encontramos sérias restrições porque, como no caso dos videntes, não é o Espírito comunicante que se expressa diretamente utilizando-se dos órgãos específicos do médium. Ele, o médium, ouve uma suposta voz de um suposto Espírito e repete o que este diz. É fácil concluir que essa comunicação pode ser bastante modificada pelo intérprete, perdendo assim a confiabilidade quanto ao original. Obviamente, não há necessidade de se recusar esses médiuns para o trabalho. Mas, suas comunicações deverão ser cuidadosamente analisadas e se for percebida qualquer tentativa de fraude por parte do médium, o afastamento é inevitável.

divisor-6

CAPÍTULO SEGUNDO

I) AS REUNIÕES

1) Reuniões mediúnicas

“Uma das primeiras condições, quando se pretende evocar os mortos, é a concentração. É necessário, tanto quanto possível, que os assistentes evitem as discussões calorosas ou fúteis que perturbam os médiuns e alteram a harmonia do grupo. Sem dúvida, não há necessidade de preces, porque evocamos seres como nós, que só por sua invisibilidade diferem dos humanos; mas, a comunhão dos pensamentos, o desejo sincero de se instruírem devem guiar os experimentadores.” (Gabriel Delanne, O Fenômeno Espírita). O estilo de reunião de pesquisa, apesar de se enquadrar nas recomendações acima e de outras que em geral faz Kardec para s reuniões mediúnicas, difere bastante das sessões habituais efetuadas nos Centros Espíritas. Nossa experiência em Santos,levou-nos a considerar, por exemplo, que a iluminação artificial, a luz elétrica comum, em nada influi na realização do fenômeno mediúnico do tipo psicofônico ou psicográfico, nem na concentração dos médiuns e dos pesquisadores. Ao contrário, a claridade total torna a reunião menos formal, fazendo-a parecer-se a uma pequena assembléia onde todos têm vez de participar, ouvindo, perguntando e até trocando idéias entre si. Entretanto, a observação de Kardec é sempre válida em qualquer circunstância: “Uma reunião é um ser coletivo cujas qualidades e propriedades são a soma de todas as dos seus membros, formando uma espécie de feixe.Ora, esse feixe será tanto mais forte quanto mais homogêneo.” (O Livro dos Médiuns- n°331)

Quando da elaboração do primeiro capítulo, não nos referimos propositalmente à função de liderança, ou coordenação. Isto porque, o grupo não necessita de um condutor à moda tradicional. A liderança de alguém surgirá espontaneamente pelas qualidades naturais e o próprio grupo o reconhecerá e aceitará sem problemas. Pode-se também estabelecer coordenação rotativa por períodos, o que seria a melhor forma a ser adotada. Esse coordenador teria a responsabilidade de marcar reuniões, providenciar as atas das reuniões, manter a harmonia do grupo e abrir e fechar as reuniões.

“A prática fez notar também que a regularidade nas sessões é uma das causas de êxito. Tanto quanto possível, é necessário que a reunião se dê no mesmo local, nos mesmos dias da semana, e ás mesmas horas.” (Gabriel Delanne- O Fenômeno Espírita). Nada mais destrutivo para um trabalho do que a constante mudança de local, hora, dia. A reunião não pode ficar à mercê das dificuldades de alguns de seus participantes em comparecer. Quem não pode enquadrar-se às regras básicas para o desenvolvimento sério do trabalho, não deve se comprometer a participar.

A ordem dos assuntos e a indagação aos Espíritos obedecerão a um plano pré-estabelecidopelo grupo, em outro tipo de reunião, de que trataremos abaixo. O coordenador da reunião, inicialmente convidará a todos os presentes a ordenarem seus pensamentos para o momento procurando com algumas palavras,harmonizar o ambiente, utilizando inclusive de alguns recursos de concentração que poderá ser uma prece simples ou mesmo a leitura de algum trecho de livro ou artigo

cujo tema contribua para elevar o tônus vibratório dos que se encontram na sala, inclusive os Espíritos.não há fórmulas especiais, não se cria hábitos místicos, nem atitudes religiosas.

Da mesma forma que se estabelece uma hora para começar a reunião, o término da mesma também será previsto. O excesso de tempo contribui para o cansaço dos médiuns e dos demais participantes, além do que os Espíritos também têm seu tempo definido de participação. Mesmo porque, os assuntos naturalmente serão seriados, devendo estender-se por várias reuniões. Não deve haver pressa no trabalho de pesquisa. Terminada a reunião, o mínimo de comentários sobre as comunicações se impõe, principalmente se poderão atingir a pessoa do médium. Comentários, dúvidas, críticas serão objeto de reunião específica de que trataremos mais abaixo.

A primeira evocação deverá ser feita ao Espírito coordenador da equipe espiritual, para que ele apresente suas opiniões a respeito do trabalho, faça também suas críticas, e uma prévia do que está previsto para a reunião presente. Em seguida os médiuns serão instados a se colocarem em posição de receptores e o coordenador, se estiver previsto, evocará nominalmente o Espírito cuja presença foi selecionada pelo grupo no planejamento. A partir daí a reunião seguirá seu rumo previsto, cabendo ao coordenador a primeira indagação e as demais seguirão conforme a ordem pré- estabelecida , havendo,entretanto, liberdade de perguntas por parte dos pesquisadores, desde que dentro do tema que está sendo abordado.

As reuniões serão gravadas em fitas de áudio e vídeo (opcional). Posteriormente, as fitas de áudio serão ser transcritas e anexadas aos relatórios (Ata) e as de vídeo, reproduzidas para uma avaliação mais profunda, bem como registro de manifestações físicas que possam vir a ocorrer durante o desenvolvimento do trabalho de pesquisa. Sempre que necessário, aparelhos poderão ser usados, como por exemplo: eletrocardiógrafos, medidores de pressão, máquina kirlian, eletroencefalógrafos, etc.

Cada reunião terá uma Ata ou Instrumento de Registro (modelo/exemplo Anexo I), onde constem dados como: lista de presença, data, hora, número de comunicações, assuntos tratados, médiuns que produziram, nome dos Espíritos comunicantes. O translado das fitas serão anexados às respectivas atas.

2) Reuniões de estudo e debates

O trabalho de pesquisa, por sua importância e complexidade, não pode restringir-se a uma única reunião mediúnica, semanal. Temas devem ser pré-debatidos, estudados, assim como posteriormente, isto é, depois de receberem novas contribuições dos Espíritos, serão novamente debatidos em grupo para aferir os bons resultados. Nessas reuniões, presentes os pesquisadores, serão elaboradas as questões básicas e roteiros para as reuniões de contato com os Espíritos. Somos de opinião, muito embora verifiquemos que a maioria dos confrades com que já debatemos o presente trabalho, não concorde, que os médiuns devam participar das reuniões de preparação. Defendemos essa posição por entender que os médiuns precisam amadurecer em termos mediúnicos, desenvolvendo a capacidade de separar as suas idéias da dos Espíritos comunicantes. Os médiuns são habitualmente tratados como instrumentos “não muito confiáveis” na comunicação, e até entendemos que isso é inevitável em função da formação doutrinária, psíquica e comportamental que é comum nessa área. Como dissemos em algum lugar, isso, para a área de pesquisa precisa ser mudado. Porém, como se trata de assunto polêmico, não tomaremos posição definitiva sobre a questão, deixando a cada grupo fazer a experiência e tirar suas próprias conclusões.

Uma outra finalidade para as reuniões de debates ou estudo, é evitar uma segunda reunião logo após a mediúnica. Além de ser improdutiva, por causa do cansaço de todos, alguns comentários não serão nada interessantes para os médiuns presentes, porque fatalmente serão envolvidos nas críticas aos Espíritos, à qualidade da comunicação, o que em condição posterior de estudo programado, poderá ser evitado. Por outro lado, não devemos esquecer que os Espíritos comunicantes geralmente permanecem no local da reunião por algum tempo, sendo desagradável citações a seu respeito, sem que possam usar da palavra para se explicarem. Discutidas tais questões

em reuniões extras, poderão novamente ser reformuladas, dando, então, chance ao Espírito de tecer novos esclarecimentos.

Também poderão ser realizadas outras reuniões, sem a necessidade de periodicidade rigorosa, para debates mais amplos dos assuntos em estudo. Essas reuniões poderão contar com a presença de convidados, sem número pré-definido e nelas os assuntos pesquisados serão expostos para fins de estudo e debates, sem a pretensão de proclamar como verdades definitivas ou informações insuspeitas, as comunicações. Nunca esquecer que a pesquisa é inesgotável e cada dia mais se aprende. Cada assunto estudado e debatido fornecerá mais e mais material para perquirição.

3) O que perguntar aos Espíritos? – Metodologia

Allan Kardec, em “Instruções Práticas Sobre as Manifestações Espíritas” , trata do diálogo que se pode estabelecer com os Espíritos: “convém dirigir perguntas aos Espíritos? Algumas pessoas pensam que devemos nos abster e que é preciso deixar-lhes a iniciativa do querem dizer. Baseiam-se em que o Espírito, falando espontaneamente, expressa-se mais livremente, não diz senão o que quer, e assim ficamos mais certos de ter a expressão de seu próprio pensamento. Supõem que é até mesmo mais respeitoso deixar-lhe á livre escolha a lição que julgar conveniente ministrar.” “A experiência, contínua, contradiz essa teoria, como tantas outras nascidas quando do início das manifestações. O conhecimento das diferentes categorias de Espíritos estabelece o limite do respeito que lhes é devido e prova que, a não ser que estejamos certos de não tratar senão com seres superiores, seu ensino espontâneo não seria sempre edificante”. Ainda mais: “Reduzirmo-nos,em sua presença, a um papel puramente passivo seria um excesso de submissão que eles não exigem. O que desejam é atenção e recolhimento.” E adverte: “Os Espíritos podem abster-se de responder por vários motivos: 1º) a pergunta pode desagradar-lhes ; 2º) eles nem sempre têm os conhecimentos necessários; 3º) há coisas que lhes é proibido revelar. Se, pois, não satisfazem a uma pergunta é porque não querem, não podem ou devem. Seja qual for o motivo, é regra invariável que todas as vezes que um Espírito se recusa categoricamente a responder nunca se deve insistir.”

Quanto à metodologia, não poderíamos utilizar outra que não a kardequiana. Isto porque, o estilo de pesquisa que propugnamos neste trabalho, volta às origens do início da D.E.. Como deixamos claro na Introdução, o objetivo dos grupos de pesquisa mediúnica, não é provar a existência do Espírito, a reencarnação, a evolução, etc. etc. A pesquisa não se destina ao público não espírita. Poderá ter um caráter rigorosamente científico, se assim o grupo decidir e tiver condições técnicas para isso. Poderá restringir-se à simples perquirição com algumas experiências quando surgir oportunidade e meios mediúnicos adequados. Ela pretende ser um campo de extensão para o conhecimento espírita. Assim, nada mais do que correto utilizarmos as técnicas semelhantes às do Mestre. Evidentemente, adaptações, inovações e até uma maior ousadia são introduzidas no plano atual. De qualquer modo, Kardec traça algumas regras que não devemos nuca nos esquecer no trato com os Espíritos: “Dois pontos essenciais devem ser considerados na formulação das perguntas: o fundo e a forma. Quanto à forma elas devem, embora sem fraseologia ridícula, demonstrar as atenções e a condescendência que se devem ao Espírito que se comunica, se ele é superior, e nossa benevolência, se ele é nosso igual ou inferior à nós. De outro ponto de vista elas devem ser claras, precisas, sem ambigüidade. É preciso evitar aquelas que comportam um sentido complexo. De preferência é melhor formular duas, se necessário. Quando o assunto requer uma série de perguntas, importa que elas sejam classificadas com ordem, se encadeiem e se sucedam metodicamente. Eis porque é sempre útil prepará-las de antemão, o que, de resto, como dissemos, é uma espécie de invocação antecipada, que prepara caminhos. Meditando-as com vagar nós as formulamos e as classificamos melhor, e obtemos respostas mais satisfatórias. Isto não impede acrescentar, no curso da conversação, perguntas complementares, nas quais não se tivesse, ou que podem ser sugeridas pelas respostas; mas o quadro está sempre traçado, e isto é o essencial. (o grifo é nosso). (Idem, Allan Kardec- Instruções Práticas Sobre as Manifestações Espíritas-)

Dentro desse critério metodológico, é que são indispensáveis as reuniões de preparação e estudo conforme expusemos acima. É inútil querer desenvolver trabalhos sérios em aprofundamento

doutrinário, sem determinação e esforço pessoal. Se não for possível cumprir as etapas metódicas como propõe Kardec, é bom nem pensar em começar. As decepções serão muitas e os Espíritos sérios se afastarão com certeza.

Para exemplificarmos no plano prático, apresentamos um modelo desenvolvido pelo GPCEB

– Grupo de Pesquisas Científicas Ernesto Bozzano, de Santos, incluso nos trabalhos já citado de Ademar Arthur Chioro dos Reis: Mecanismos da Mediunidade- Processo de Comunicação Mediúnica, para o grupo de pesquisa do Centro Espírita Allan Kardec, de Santos, do qual participamos e do qual faremos algumas inclusões a título de exemplo de experiência, mais à frente. A metodologia de trabalho utilizada foi a análise crítica dos diálogos efetuados pelo grupo com os Espíritos comunicantes e estabeleceu-se , para tanto, alguns objetos de investigação, quais sejam:

a) Estrutura do CEAK no plano espiritual

b) Estrutura do Movimento Espírita no Plano Espiritual

c) Mecanismos da Mediunidade, o processo de comunicação mediúnica;

d) A vida no Plano Espiritual;

e) Perispírito

f) Emissões Energéticas à distância.

Para cada um dos objetos designou-se um responsável, com tarefa inicial de realizar pesquisa bibliográfica em relação ao tema, com a conseqüente elaboração de um roteiro de questões a serem respondidas pelos Espíritos, como o exemplo abaixo:

I – PERISPÍRITO

1- É o espírito um princípio totalmente distinto dos conceitos hoje conhecidos de matéria/energia, ou é uma simples diferenciação destes princípios? E o perispírito?

2- Pode-se conceber a existência do espírito sem perispírito e vice-versa?

3- A analogia que se faz muito comumente entre espírito/perispírito e corpo/roupa é válida? 4- A forma do perispírito é sempre a humana ou pode tomar formas diversas como a de

animais, fachos de luz, etc?

II – MEDIUNIDADE

1- Kardec coloca que só a experiência pode revelar a mediunidade. Haveria alguma característica que possibilitasse a identificação do médium? Existe alguma transformação visível no perispírito? Podem ser feitas medidas físicas (biométricas) com o médium que caracterizem a mediunidade?

2- A vontade do médium é fator limitante para os fenômenos de ordem física, ou mesmos podem ocorrer á revelia deste?

3- Nos fenômenos físicos onde há deslocamento material, Kardec cita que os espíritos dão vida factícia aos objetos. Como se dá isso? A teoria das alavancas psíquicas não é uma explicação válida?

4- A intervenção dos espíritos pode ser violenta a ponto de ferir pessoas?

5- Em alguns casos de manifestação obsessiva a prece não se mostra eficaz. Por que?

6- Nos fenômenos de transporte de objetos (aport´s) o que ocorre é uma ilusão dos sentidos, ou seja, os objetos são escondidos primeiramente para serem depois revelados, ou há alguma forma de desmaterialização?

III – VIDA ESPÍRITA

1- Podem os espíritos criar objetos permanentes? Uma maçã criada, por exemplo, teria gosto, cheiro, seria uma maçã real?

2- Pode um espírito vir a habitar um corpo que outrora pertenceu a outro espírito, ou seja, um corpo que o espírito original abandonou? (Vide relato sobre DAVID PALADIN e WASSILY KANDISNKI)

3- Como é contado o tempo?

4- O sol exerce alguma influência (através do calor, contagem do tempo,etc.) ? 5- Como são os sistemas de comunicação? Existem rádios, televisão, etc.?

6- É possível a gravação direta em fita magnética das comunicações ? 7- Como são mantidas as formas materiais no plano espiritual?

8- As relações afetivas como casamentos, relações sexuais, são mantidas apenas pelos espíritos inferiores?

9- Existem instalações de pesquisa científica como laboratórios por exemplo? No grupo a que pertencem existem interessados neste tipo de atividade?

divisor-6

CAPÍTULO TERCEIRO

1) Divulgação dos trabalhos

É muito comum entre os estudiosos de qualquer assunto, o desejo de levar ao conhecimento de outros aquilo que descobrimos, inventamos ou ficamos simplesmente sabendo. Essa impaciência leva ao abortamento de muitos trabalhos arduamente construídos. A precipitação não é, nem de longe, amiga da pesquisa. Na verdade, nossas incursões via mediúnica não nos vão apresentar, inicialmente, novidades surpreendentes. O resultado mais iminente, será o corolário daquilo que aprendemos na base kardequiana, em A. Luiz e outros. A partir daí, com paciência, inteligência, persistência e, mais do que nunca, seriedade, poderemos sim conseguir avançar bastante.

Convidados, considerados por nós ilustres, começarão a aparecer e isso nos fará muito felizes, mas aumentará nossa ansiedade para revelar aos outros, de fora, essa presença querida e sua contribuição. O comunicante “ilustre”, não estará interessado, assim entendemos, na exploração, ainda que carinhosa, da sua pessoa, mesmo porque, nem todos aceitariam com facilidade o fato, uma vez que há um envolvimento de grupos, amigos e parentes quando encarnado, que não aceitarão com facilidade a comunicação, podendo até considerar fraude. Em geral, pedem até que nada seja divulgado, até uma segunda ordem, principalmente quando sua opinião agora, é oposta àquela que sempre manifestou quando encarnado Por isso é necessário ter muito cuidado com comentários sobre os Espíritos comunicantes. O grupo de pesquisa pode inclusive decidir que o seu trabalho servirá apenas e tão somente, para a sua própria ilustração e dos que pertencem ao seu círculo, o que não os impedirá de participar de um trabalho mais amplo de troca de experiência com outros grupos previamente combinados.

Em se tratando de um trabalho de equipe, os membros dos grupos, em matéria de divulgação, devem decidir quem e o que deverá ser levado ao conhecimento público, abstendo-se cada membro de falar por si, sem a concordância dos demais. Evidentemente, isso não significa que cada um individualmente não possa reforçar seus temas de palestras e exposições com o material que está sendo pesquisado, tendo o cuidado, porém, de não comprometer com exacerbações o trabalho do grupo.

2) Publicação de material

No momento em que o grupo verificar que já possui um considerável material que represente algo de peso em matéria de aprofundamento doutrinário, científico ou filosófico, será interessante procurar uma forma de publicação. Isto será de muita utilidade para outros grupos e para os estudiosos em geral. Aliás, é o objetivo de todo o trabalho de pesquisa, servir de apoio ao desenvolvimento intelectual. Especialmente se o trabalho do grupo avançou a tal ponto, que seria incompreensível manter todo o material fechado ao conhecimento dos outros.

A preparação da matéria para publicação observará alguns critérios que serão decididos em conjunto com os Espíritos, porque eles são os responsáveis pelas informações e idéias, que podem ter um peso muito significativo, além do envolvimento pessoal de que já tratamos alhures. A publicação pode ser feita em forma de Atas, ou matéria corrente redigida por alguém do grupo, ou por um subgrupo, sem citação de nomes de Espíritos comunicantes, importando nesse caso, não o peso do nome, mas a profundidade do material. Excelente trabalho nesse sentido e já citado acima, foi produzido para o CPDOC por Ademar Arthur C. dos Reis– MECANISMOS DA MEDIUNIDADE- PROCESSO DE COMUNICAÇÃO MEDIÚNICA- baseado nas respostas dos Espíritos, no período de quase dois anos, do grupo de pesquisa Ernesto Bozzano, em Santos.

Em qualquer caso, as publicações devem sempre manter o caráter de material de pesquisa de grupo, não sendo propriedade de ninguém em particular, e muito menos sentido de revelação superior e inquestionável. O que seria um contra -senso.

divisor-6

CAPÍTULO QUARTO

1 –Uma experiência

Toda a exposição precedente baseia-se não somente na teoria doutrinaria absorvida das obras básicas e na literatura abundante que aborda os temas relativos as comunicações mediúnicas. Ela é fruto também da prática de vários anos, tanto do autor, quanto de companheiros com maior ou menor experiência na área.

No ano de1989, o Centro Espírita “Allan Kardec”, de Santos, que se caracteriza pelas suas arrojadas empreitadas e realizações inovadoras, visando dinamizar o desenvolvimento das idéias espíritas, decidiu criar uma reunião de pesquisa doutrinária, por via mediúnica., Assim, aproveitando até certo ponto, a inércia de um trabalho antigo de desobsessão, já pouco produtivo, onde médiuns experientes, doutrinariamente bem formados e habituados ao clima democrático de debates que fluía normalmente no Centro, começavam a se entediar, transformou–o em um grupo de pesquisa. Para tanto, convocou a equipe de Espíritos que trabalham na Casa, nos vários departamentos, tanto mediúnicos, quanto de vibrações, passes, mocidade, etc. Conversas foram entabuladas para se definir o novo trabalho e para conseguir o apoio e a participação efetiva dessa equipe juntamente com os encarnados, o que foi aceito sem problema porque a comunhão de idéias entre os dois lados sempre foi satisfatória.

É evidente que em se tratando de um estilo de trabalho, não comum nos meios espíritas organizados tiveram todos que se adaptar. Principalmente porque teriam que ser quebradas certas barreiras no tratamento com os Espíritos, já que estes, habituados a serem preservados de certas “impertinências” dos encarnados, uma cultura que os “guias” e dirigentes passivos de reuniões mediúnicas desenvolveram nas reuniões tradicionais de desobsessão, desenvolvimento, etc. Mas, a equipe já afinada com a “turma rebelde” do CEAK, topou participar da pesquisa, ser sabatinado com liberdade, sem mesuras, nem posições de supremacia e distanciamento entre um e outro mundo. Sem respeito, dentro do respeito que se devem as pessoas civilizadas, sérias e com objetivos superiores.

A equipe de Espíritos que atua nos trabalhos do Centro Espírita Allan Kardec, de Santos, é liderada por um Espírito de nome Rafael. Conforme ele nos informou, seu retorno ao mundo espiritual, lá pelos anos quarenta, deu-se quando ainda era um jovem e não tinha nenhum conhecimento da Doutrina Espírita. Portanto, seu aprendizado foi inteiramente construído nos cursos, palestras e leituras como Espírito errante e sua experiência mediúnica junto aos Centros Espíritas. A verdade é que esses Espíritos nunca revelam totalmente sua condição, especialmente a intelectual, deixando que nós, através das suas manifestações ou intervenções, façamos o nosso conceito a respeito deles. E, através do longo convívio aprendemos a respeitá-lo pela sua personalidade, bondade, abnegação e espírito de liderança sem afetação e sem intromissão descabida em qualquer assunto pertinente a nós encarnados. Algumas vezes, mesmo instado por alguns companheiros a avançar os limites de sua competência, recusou-se a atender, demonstrando com isso a ausência de

qualquer veleidade em relação ao poder. Assim, quando consultado sobre a possibilidade de desenvolvermos as reuniões de pesquisa com a sua colaboração e dos demais Espíritos por ele liderados (ou coordenados, como prefere dizer), não hesitou e começou imediatamente a organizar o serviço do seu lado. Foi em busca de outros elementos, distribuiu tarefas e promoveu reuniões para estudar junto com o grupo encarnado. A um dos convidados de nome Pedro, entregou o trabalho de orientação doutrinária, tendo este inclusive a responsabilidade (não sabemos se somente ele) de trazer Espíritos para atender a temas específicos.

O departamento de mocidade do Centro havia fundado em 1986, o GPCEB- Grupo de Pesquisas Científicas Ernesto Bozzano, reunindo jovens em sua maioria engenheiros e que desenvolviam um trabalho de pesquisa literária. Com a criação do grupo de pesquisa, o GPCEB foi convidado a participar das reuniões, as quais dentro em pouco tempo passou a coordenar. Assim, o grupo de pesquisa passou a contar com seis médiuns, entre psicógrafos, psicofônicos e vidente (ocasional) e seis pesquisadores, a maioria com formação universitária nas áreas de medicina, odontologia, engenharia, psicologia e direito. Observe-se que a graduação acadêmica não foi procurada, nem selecionada, simplesmente coincidiu.

Como toda nova experiência e, especialmente uma prática mediúnica diferente da habitual, o começo foi um tanto inseguro. Nem sempre se conseguia comunicações interessantes. A equipe espiritual também teve dificuldade de engrenar o novo trabalho. Como se sabe, não se faz pesquisa no estilo em que era proposto pelo grupo, praticamente em lugar nenhum do movimento espírita brasileiro.Os Espíritos não estavam habituados com esse modelo. Por isso a dificuldade.

Os médiuns, naturalmente, foram os que mais sentiram a mudança. Apesar da boa vontade e do interesse em participar, da sua experiência, as limitações naturais se fizeram presentes. Medo, inibição, complexos culturais e outros sentimentos de difícil identificação, tornaram bem difícil o andamento normal dos trabalhos. Dar “passagem” a Espíritos sofredores, obsessores, familiares, é uma coisa: o comprometimento do médium é mínimo. Quando se trata, porém, de Espíritos com nível intelectual considerável, submetidos a inquirições, contestações e, além disso por vezes personagens que foram importantes, espíritas ou não, o médium tem reações que muitas vezes travam a comunicação ou desfiguram-na. Por isso não se pode desejar os melhores resultados logo de início. Podem demorar, até que se consiga a conscientização do médium, o entrosamento das equipes.Como temos apregoado em toda a exposição, esse é um trabalho de muita paciência, constância e persistência. Se não houver esse espírito, é melhor nem começar. Os Espíritos não compactuam, com “modismos”, eles não têm tempo a perder com diletantismos, nem impulsos passageiros.

As reuniões tinham duração máxima de duas horas, das 20:00 às 22:00 h.Dados estatísticos foram levantados por Ademar Arthur C. dos Reis, no trabalho já mencionado: “No período correspondente à pesquisa houve 101 comunicações, com a participação de 63 Espíritos comunicantes. Deste total, 41 reuniões relacionaram-se direta ou indiretamente ao tema em estudo, com opiniões obtidas a partir das intervenções de 23 Espíritos comunicantes diferentes, alguns entrevistados repetidamente. As informações foram obtidas em 75% das reuniões através de comunicações psicofônicas. Em 18% das reuniões realizadas não houve comunicações.”

Surpreendente foi a adesão quase imediata dos nossos companheiros desencarnados, especialmente figuras do maior destaque do movimento quando encarnados. Entusiasmo e expectativa por parte deles, que sentem a falta desse trabalho, praticamente inexistente nos Centros Espíritas. Um punhado deles, cujos nomes não fomos autorizados a revelar, por motivos óbvios que não cabe aqui expor, mas que o leitor facilmente identifica. Observe-se que não se trata de privilégios, nem preferências em relação ao grupo de Santos. Simplesmente, por ausência de outros grupos com os mesmos objetivos. Imagine-se, Espírito como Herculano Pires, Deolindo Amorim, Carlos Imbassahy, por exemplo, o que fariam em reuniões do tipo desenvolvimento, desobsessão e similares? Claro que nada impede que eles até participem de trabalhos dessa natureza. Mas, não temos dúvida de que estariam mais à vontade em reuniões onde pudessem continuar o trabalho intelectual de que foram expoentes na Terra. Essa oportunidade apareceu, pena que os decepcionamos com a nossa falta de persistência.

2) Interrupção da experiência

No próximo capítulo registraremos algumas comunicações obtidas ao longo dos dois anos de trabalho do grupo de pesquisa que estamos focando. Um considerável material sobre o qual poderemos nos debruçar e realizar demorados estudos e debates. Acredito que nem mesmo os participantes do grupo detiveram-se o tempo suficiente na análise desse material, que, como se poderá verificar mais adiante, apresenta alguma originalidade no trato de algumas questões doutrinárias, além de informações mais detalhadas sobre outras.

Os problemas do dia a dia, por vezes o excesso de atividades de cada um, a realização profissional dos mais jovens, a impaciência de alguns, os problemas existenciais, etc. são freqüentemente, os nossos obstáculos na realização das tarefas a que nos propomos. A experiência nos tem ensinado, que, no meio espírita, somente pessoas abnegadas, geralmente desprovidas de ambições intelectivas, tocadas por um sentimento de caridade cristã, são capazes de manter-se por anos a fio, fiéis a compromissos, religiosamente assumidos.É comum nos Centros Espíritas, a existência de dirigentes e médiuns que participam da mesma reunião por vinte, trinta ou mais anos. Entretanto, quando se pretende algo mais avançado, no campo do conhecimento, com pessoas de nível acadêmico ou com alto grau de cultura, a tendência é durar pouco, muito pouco. Conhecemos vários grupos de estudos, em todo o Brasil, que não tiveram fôlego e morreram, como se diz, na praia. Alguém poderia dizer que é porque a mística da mediunidade consegue manter as pessoas interessadas. E o que dizer da pesquisa mediúnica, que também utiliza o mesmo canal? O problema está no interesse e amor ao trabalho, salvo melhor juízo.

Infelizmente, pelos vários motivos acima expostos, o trabalho do grupo de pesquisa do Centro Espírita Allan Kardec, de Santos, deu uma pausa. Aliás uma pausa longa demais mas que, felizmente, já terminou. O GPCEB reiniciou suas atividades em 2002, especialmente em função do momento que vive o movimento espírita, com a abertura dos seminários e congressos dentro do espírito de atualização que marcha celeremente no Brasil e no resto do Continente.

divisor-6

CAPÍTULO QUINTO

1 – Relato e Análise de Algumas Experiências

As páginas seguintes serão dedicadas à transcrição, com alguns comentários, de várias entrevistas com Espíritos, durante as reuniões do grupo de pesquisa. As opiniões emitidas pelos Espíritos a respeito de temas propostos, não serão objeto de crítica neste trabalho, mesmo que haja discordância doutrinária, porque este não é o escopo do mesmo e, além disso, demandaria um espaço muito maior. Limitar-nos-emos à transcrição para dar conhecimento do produto da pesquisa. As conclusões de todo o acervo conseguido ainda está para ser estudado pelo grupo para, quem sabe, a continuação do trabalho. Parcialmente e individualmente, alguns componentes do GEPCEB, utilizaram o material da pesquisa e desenvolveram excelentes trabalhos literários, tais como os de Ademar A. C dos Reis, já citado, e Reinaldo Di Lucia “Emissões Energéticas à Distância”.

Os Espíritos que participaram do grupo de pesquisa, alguns eram conhecidos porque pertenciam, quando encarnados, aos quadros de trabalhadores do Centro. Outros também conhecidos, mas vindos de outras localidades, e, entre eles, nomes de expressão nacional. Outros ainda, desconhecidos ou preferindo não ser identificados, usando assim pseudônimos.

Nos textos que transcreveremos a seguir, omitiremos nomes do grupo, usando a letra P para pergunta e a letra R para resposta. Entretanto, manteremos os nomes dos Espíritos conforme nos passaram, inclusive de personagens conhecidas do meio espírita, mesmo correndo o risco de serem rejeitados por aqueles que não aceitam as idéias da turma de Santos. Apenas retiramos os trechos em que são feitas críticas ao movimento espírita, a pedido dos próprios comunicantes.

1. Reunião do dia 5/12/89.

Assunto: Mediunidade Espírito: Pedro de Oliveira

Obs.: O Espírito que se identificou como Pedro de Oliveira, diz ter residido em São Paulo quando encarnado. Não foi atuante no movimento espírita. Desencarnado há cerca de vinte anos (isso em 89), é estudioso da obra de Kardec e participante de grupo de estudo e pesquisa. A comunicação que transcrevemos não é a primeira, sendo que este Espírito foi convidado pelo coordenador espiritual para trabalhar junto ao grupo.

P – Kardec coloca que só a experiência pode revelar a mediunidade. Haveria alguma característica que possibilitasse a identificação do médium? Existe alguma transformação visível no perispírito? Podem ser feitas medidas físicas, biométricas que caracterizem a mediunidade de alguma forma, ou aparelho? É possível verificar se a

pessoa é médium?

R – Creio que Allan Kardec acrescentou que a mediunidade tinha uma repercussão biológica, física que provoca alterações perceptíveis nos circuitos das circunvoluções, no circuito elétrico do cérebro e, em certas circunstâncias provoca também alterações, ainda que temporárias, em todo o corpo do médium, uma vez que há uma ligação energética da mente com o corpo. Uma vez que essa ligação, em determinadas circunstâncias, poderá se obter modificações perceptíveis no ritmo cerebral do médium. Esta possibilidade de haver uma aceleração desse ritmo é que fundamentalmente permite que uma pessoa seja médium, em termos físicos. Em termos perispirituais as modificações, se existem, são pouco perceptíveis, diria que não são necessárias, uma vez que a mente perispiritual está naturalmente apta a receber as correntes mentais dos desencarnados.

P – André Luiz, principalmente, descreve como ele pode ver as alterações só nas circunvoluções cerebrais, mas também no papel da epífise, glândula pineal. Gostaria que irmão pudesse falar algo sobre essa possibilidade e também sobre a questão da epífise, do aparelho físico propriamente na questão da mediunidade.

R— Esta questão da epífise está subordinada a uma melhor questão que é o, ponto de ligação da mente e o cérebro que alguns atribuem a esta glândula. A sua função primordial é a de antena de elevado potencial capaz de converter as ondas mentais em impulsos que se espraiam sobre o cosmo cerebral. Trata-se de uma questão para nós ainda controversa, porque não é fácil identificar exatamente todos os pontos, todas as formas sem que a energia mental se liga aos impulsos cerebrais e vice-versa. Supor que esta energia se concentra nesta glândula é ainda bastante discutível, representa a antiga afirmação mística do 3º olho. O olho místico na verdade, o 3º, é o espírito quando se projeta para além dos limites do corpo. Na verdade, para nós e para o nosso campo de estudo, a glândula pineal (não)* tenha importância atualmente, uma vez que não conseguimos identificar nela todo este potencial interpretativo, de um lado redutor das correntes mentais de um Espírito desencarnado para um nível de impulsos cerebrais e de outro, de amplificador destes impulsos cerebrais para as correntes mentais do Espírito. As ligações mente a mente, são as que fundamentalmente importam na execução do processo mediúnico. O assunto, portanto, merece outras considerações, não apenas esta centralização na epífise segundo os nossos apontamentos.

P – As alterações cerebrais a que você se referiu ocorrem apenas quando em transe mediúnico ou podem ser perceptíveis mesmo em situações de vigília normal?

R – Isto vai depender da personalidade do médium que poderá, sendo mais sensível, determinar já um tipo específico vibracional que caracteriza de maneira evidente um certo desarranjo desses circuitos mentais. Mas tanto para este como para outro menos dotado será no momento do transe que esta variação será mais acentuada e em alguns será neste momento em que ela acontecerá.

P- Acreditamos que não seja aleatório o fato de se ter mediunidade ostensiva. Qual a razão de o indivíduo apresentar esta mediunidade ostensiva, seria merecimento do médium?

R – É uma pergunta muito geral. O que me ocorre pensar é que afora algumas pessoas marcantemente destinadas pelo seu próprio processo de vida, seu próprio projeto de existência, teriam uma certa missão mediúnica, a maioria possui esta mediunidade ostensiva como uma forma possível de ser alcançada por qualquer pessoa, mas que neste caso é um fruto de uma conquista, de um processo de busca ou desejo acentuado que marcam determinadas pessoas e que lhes dão esta característica. Assim como outras demonstram sensibilidade ou não para as artes, como a música. É a resposta, mas certamente opinião pessoal.

P- Insistindo sobre a questão das ondas cerebrais. Além da alteração que se poderia pegar no Eletroencefalograma, existem algumas outras alterações hormonais, bioquímicas ou mesmo físicas, que se poderia observar, mesmo durante o transe?

R- As alterações nestes casos são eventuais e momentâneas, pois caso contrário haveria um dano no organismo. São alterações decorrentes da dramaticidade do processo que, como uma pulsação do ritmo cardíaco, pode aumentar o esforço físico e cessando esse esforço votará ao seu normal em poucos minutos. Assim também qualquer alteração nestes campos hormonais é recuperada imediatamente após cessar o processo. Daí, fica difícil testar estas alterações, a menos que houvesse instrumentos que captassem, analisassem em frações de minutos toda uma alteração.

P- Essa alteração poderia ser o cansaço, o desgaste de que se fala normalmente? Às vezes o Espírito prefere se retirar porque já há um desgaste muito grande do médium.

R- Poderia ser, mas às vezes o médium pode, por exemplo, receber o mesmo Espírito e isto lhe provocar temporariamente um estado de alerta corporal como qualquer medo provoca.

* Deve ter havido alguma falha na transcrição da fita cassete, ao nosso ver. Pelo que o Espírito comunicante dizia, faltou a partícula negativa não, para dar sentido à sua idéia. Por isso incluímos entre parêntesis por não existir no texto original gravado na reunião

P – Uma descarga de adrenalina, todas estas alterações?

R – Sim, ele teria este processo na medida que ele perceber o medo do Espírito ou ficar com medo do Espírito, então o organismo se colocaria em posição de alerta.

P- Mas, independentemente disto, estritamente do ponto de vista da comunicação, ela poderia estender-se por tempo indefinido?

R – Indefinido? Isto seria desgastante para qualquer pessoa, ficar em estado de tensão. O estado mediúnico é um estado de tensão, durante tantas horas seria desgastante e não recomendável.

P- Esse estado poderíamos denominar de excitabilidade mental e mesmo física?

R – Excitabilidade mental e corporal em todos os sentidos. Como disse, é um fenômeno que no momento em que ocorre há uma tensão física. Ele acelera todo o sistema nervoso do médium que está em alerta, porque neste momento cede parte da sua sensibilidade, de si mesmo, para este processo. É como se recebesse ainda que temporariamente um hospedeiro que dependendo do grau de afinidade desenvolve um processo simbiótico no campo mental e isto sempre causa tensão e alerta porque desencadeia no médium uma necessidade de defender sua própria identidade, o seu próprio eu, e neste momento ainda que simbolicamente está sendo dividido, uma hora, um momento em que fala pensando com outra mente.

P – A vontade do médium é fator limitante para os fenômenos físicos, ou estes podem ocorrer à revelia do médium?

R – Alguns fenômenos físicos mais simples podem ocorrer à revelia do médium, mas os fenômenos que possam ter uma característica mais abrangente, dependem de um desejo, pelo menos aceitação da passividade de um médium neste objetivo.

P- Há fenômenos caracterizados como Poltergeist em que há nitidamente a presença de um Espírito, de uma inteligência desencarnada. Também nestes casos podemos considerar que há presente a vontade do médium, já que tais fenômenos são extremamente desagradáveis?

R- Bom, não sei avaliar a extensão deste fenômeno que você menciona.

P- Refiro-me a ferimentos, cortes, agressões até o nível físico, destruição de objetos, combustão espontânea, etc.

R- Eu preciso estudar esses acontecimentos com mais aprofundamento porque existem forças do organismo que são liberadas pelo processo, digamos, natural. Seria interessante analisar as pessoas envolvidas, a sua instabilidade emocional, os seus medos, as suas ligações mentais, para podermos estabelecer um estudo criterioso. Me ocorre pensar que certamente, tais fenômenos serão precedidos possivelmente de uma abordagem puramente mental dos Espíritos que produzem tais fenômenos com aqueles que possam liberar energias para a sua produção. Estabelecido esse contato mental, certamente por questão de medo, de angústia, a liberação desses materiais aproveitáveis para a produção do fenômeno, seriam obtidos pela simples reação emotiva captada pela presença destes Espíritos. É uma hipótese, porque também não é comum para nós participarmos ou estudarmos este tipo de fenômeno. Apenas estou tentando refletir sobre as condições que você estabeleceu na produção desses fenômenos.

P- Seria um fenômeno semelhante ao de obsessão?

R- Sim, seria um fenômeno de obsessão. Talvez de possessão estilizada com a exteriorização de material ectoplásmico, em virtude do conluio psíquico estabelecido, uma vez que tais fenômenos desencadeados geralmente são repetitivos até certo ponto, que devem terminar quando as pessoas envolvidas. (forem esclarecidas ?) *

* Houve falha na transcrição da fita e a frase não foi concluída. colocamos entre parêntesis o que entendemos dar sentido ao final da frase.

P- Sabemos que existem Espíritos que conhecem a técnica de produção destes fenômenos. Pode ocorrer que uma vontade grande do Espírito faça ocorrer o fenômeno sem que ele conheça o mecanismo de produção?

R- Sim, se o Espírito tem muita raiva, ódio e tendo a disposição este material, ele simplesmente arremessará o objeto, provocará uma queda e até um ferimento no atropelo do seu desejo, sem que ele fique elaborando exatamente detalhe por detalhe todo o mecanismo que tornaria possível a produção do fenômeno.

Obs.: Neste ponto, o tema em questão foi suspenso e antes de encerrar a reunião, foram formulados duas questões sobre as construções materiais do chamado plano espiritual:

P- A respeito de um assunto que foi tratado com outro Espírito, gostaríamos que o irmão opinasse sobre as construções aí do chamado plano espiritual. Essas construções, ,por exemplo um hospital, é real? Existe apenas na mente do Espírito que necessitem do hospital? Outros Espíritos poderiam não ver estas construções?

R – Creio que o primeiro embaraço desta questão é a conceituação do que é real, o real não é uma coisa absoluta. Real é um processo, muitas vezes metafórico. E outras vezes relativo na mente de uma pessoa enlouquecida. As fantasias e as imagens são metaforicamente reais, mas que evidentemente permanecem como realidade para aquela mente enfermiça. No mesmo plano as coisas são sempre reais e são sempre de acordo com o nível vibracional em que esta realidade é construída, mantida e vivida. Por isso o

hospital será uma construção real, concreta, auto-existente ao nível daquela vibração ou daquela matéria, naquele nível vibracional pode ocorrer que um Espírito em nível inferior a este real vibracional, possa não perceber a existência daquele hospital. Então, na sua vertente da realidade ele não ele não existiria, mas ele continua existindo na vertente da realidade que está construído.

P- Parece-me, que só são utilizadas aquelas coisas que são necessárias e o real é construído em cima do necessário. O Espírito em outras dimensões, sejam inferiores ou superiores, e não havendo necessidade no seu plano de existência de passarem por aquela vila , por aquele plano, por aquele hospital, passariam mas não notariam a existência. Nesse sentido é que se tornaria irreal. Só existir, só estar colocado no plano da existência, do necessário daqueles Espíritos que sentem necessidade daquela determinada construção. Mais ou menos esta é a minha interpretação. É isso?

R – Não creio, o que coloquei foi que as construções no seu nível são reais. Realidade que existe, sobrevivem e antecedem aos habitantes desse hospital, por exemplo. Ele existe antes que alguém penetre nele e sobrevive após essa pessoa sair. Esta construção não depende da mente desta pessoa que necessita do hospital. A manutenção desta construção e todo o aparato que está envolvido, depende de outras condições mentais que não estão dependentes da flutuação da eventualidade da necessidade de uma e de outras pessoas.

(Reunião encerrada)

2. Reunião do dia 01/05/90

Tema: Emissões energéticas à distância. Espírito: Pedro de Oliveira

P- Antes de começar o roteiro, eu queria procurar definir o seguinte: nas perguntas que fizemos, substituímos algumas palavras que usamos comumente, como vibrações e fluidos, por energia. Esta definição nossa está certa? Seria possível fazer esta transposição?

R- É uma designação atualizada que reconhece que o Universo vibra energeticamente em todos os campos. Em todos os campos existe energia mental, fluídica, energia do coração, enfim, energia da vibração das moléculas, da vibração da matéria, das vibrações estelares.

P – Numa das comunicações anteriores, do José *, ele nos falou que é feita uma qualificação dessas energias, tanto nesta reunião como na de vibração. Essas energias são retiradas dos presentes e qualificadas de modo a poderem ser utilizadas na (mesma) reunião? como mecanicamente falando, fisicamente falando,é feita essa qualificação? Tal qualificação tem algo em comum com a freqüência de vibração dessas energias?

R- Cada pessoa se tipifica por uma forma de exprimir o conteúdo de seu espírito em manifestações vibratórias em que, mentalmente, corporalmente, perispiritualmente, enfim, todo o ser expele como que uma energia e que se chama o seu corpo mental, o seu halo mental. Enfim, aquilo que o qualifica de um modo geral permanentemente e modos específicos. Em determinados momentos temos picos vibracionais em que há uma ascendência na carga energética e há momentos de picos depressivos em que há uma momentânea deflação desse ponto médio em que cada um se especifica. Dessa maneira, uma reunião de vibração, em que o elemento mental e físico corporal se juntam pelas várias pessoas que compõem essa reunião , também se tipifica pelo conteúdo médio das

vibrações de seus componentes. Isso já qualifica, digamos, de uma maneira constante, o teor de qualidade de tipo de reunião. Isto é alterado pela indisposição momentânea de um elemento ou pela exaltação vibracional de outro, pela entrada de novos elementos, até que se ajustem ao padrão específico. Assim como pela saída de certos elementos que cortam o conjunto, enfim, tudo isso são fatores que determinam em cada reunião a qualidade maior ou menor. Em determinadas circunstâncias, se o elemento está no pico ascendente das suas vibrações, ele evidentemente eleva o nível médio das vibrações e isso é aproveitado qualitativamente. Se um dos elementos está numa situação muito depressiva, então ele será isolado porque senão o tônus vibratório médio ficará muito prejudicado. Isso se qualifica.

*José é um dos Espíritos que participava do grupo de pesquisa. Perguntado sobre como se operava a chamada vibração à distância, deu uma resposta, no mínimo estranha: “A vibração tem uma consistência física”. “Ela é colocada dentro de um outro material para que possa ser transportada”. “Espécie de balões de gás, mas esta capa externa teria uma consistência um pouquinho maior, uma vibração mais sutil, exatamente para segurar, para que não haja dispersão dessa vibração.”. Evidentemente essa explicação é equivocada, senão ridícula, e Pedro de Oliveira a desconsiderou, como pode ser entendido no texto acima.

P – Como é que se identifica a qualidade das vibrações?

R- Bem, eu diria pelo sentimento, pelo sentir, pela experiência. Mas também há técnicas de visualização da qualidade da energia exalada por cada um e até em algumas circunstâncias, algum tipo de aparelhagem que daria esse tônus médio, assim como o osciloscópio.

P – Seria o psicoscópio como nos diz André Luiz?

R- É, poderia-se dar esse nome, uma vez que ele mede a oscilação vibratória do grupo e de cada pessoa. Mas há também a possibilidade de visualizar um certo colorido, uma certa intensidade, porque cada um exala esse tipo de vibração. A pessoa que está deprimida terá bastante dificuldade de sair de um nível muito baixo de vibração.

P – A respeito dessa vibração, é muito difícil dizer a alguém como vibrar, qual o procedimento mental, qual a atitude mental.Então eu perguntaria o seguinte: alguns aqui estão como que fazendo preces mentais, dirigindo-se a Jesus, que é mais ou menos o que a maioria faz. Outros estão de olhos abertos, mas cada um com uma posição mental, quase neutra, não articulando quase nenhum pensamento. Como se dá a vibração nesse caso, a prece consegue quantidade de energia maior ou mais qualificada?

R – De modo geral cada um tem a sua qualificação. Ele precisa concentrar-se no objetivo a que está aderido. Estar na reunião com todo o seu espírito, com todo o seu coração, já é uma coisa, uma forma de concentração. A oração, claro quando não seja uma mera e cansativa repetição, ajuda sempre peneirar os sentimentos, o pensamento, mantê-lo mais equilibrado, a mente centrada no que está fazendo. Mas, o verdadeiro sentido da concentração é o sentimento e a capacidade de não se distrair, de estar presente. Isso deestar-se de olhos de olhos fechados ou abertos, não é muito importante. O que importa, não sei se me explico bem, é o conjunto de sentimentos, o conjunto de percepção, enfim, aquilo que direciona todo o conjunto vibracional do ser espiritual. Está aqui por que quer, porque gosta, porque percebe que é bom, que é um lugar, uma atividade, um determinado momento que lhe agrada e é útil. Acho que a palavra agrada seria bem aplicada. Se não agrada, não vibra. Quem nem se agrada com o que está fazendo é realmente um ponto morto, não?

P- Cada uma das suas frases daria desdobramentos em várias questões. Apesar do roteiro preparado, gostaria de pegar duas questões. Uma delas, no que diz respeito à composição do grupo, da importância dessa composição e sua variação. No nosso grupo, como exemplo, a entrada do M…, uma pessoa que pouco participa, em que varia essa energia, essa preparação do ambiente. Em outro exemplo, o R… que é um dos médiuns que trabalha com a gente e que tem vindo poucas vezes. Qual a conseqüência disso?

R- Todo grupo mediúnico tem que ser relativamente fechado. Sempre com as mesmas pessoas e que sejam bastante assíduas, apesar de que só isto não garante o sucesso, mas é um ponto principal para haja um grupo. Depois o mais importante é o desejo de cada um estar presente, de cada um que se compromete a vir. Se esta pessoa se compromete e faz parte do grupo permanente e é pouco assíduo, isso realmente desestabiliza o que desejamos. O grupo sendo relativamente harmônico pode receber visitas sem que se altere muito e, às vezes, nada. No caso citado, a presença do nosso irmão contribui na medida em que está interessado nos resultados do trabalho. Não estou falando de nada esotérico, estou falando de uma manipulação de energias. Na verdade, o grupo permanente tem que ser assíduo, se não for alguma coisa está errada. As pessoas têm que estar muito cientes da manipulação desses elementos mentais. Creio mesmo que de tempos em tempos deva ser expurgado todo aquele que não tenha a assiduidade desejável. Para nós aquele que vem esporadicamente, como o médium, por exemplo, pouca serventia tem, não é?

P- Em relação à possibilidade revelada por você de mensurar o campo mental, o halo mental, citando métodos de visualização, e até mesmo a existência de equipamentos. Na nossa reunião, que tipos de mecanismos vocês se utilizam no preparo do ambiente, vibrações e energias?

R- Nós aqui estamos mais baseados nas pessoas que compõem o grupo e nos conhecimentos que temos dos seus desejos. Esse é o básico. E, conhecendo e sabendo cada um o seu quilate, a sua capacidade média de participação, daí sobre esses fatos é que analisamos e programamos o nosso trabalho. Não usamos necessariamente uma aparelhagem, mas poderíamos fazê-lo se fosse necessário.

P – Gostaria de voltar a um detalhe, quando pensamos em energia, obrigatoriamente falamos de onda e da freqüência da onda. A qualificação tem algo com a modificação de freqüência dessa onda energética?

R- Certamente. Por isso que eu falei desses picos para cima e para baixo. Se nós encontramos um grupo onde a freqüência é muito alta, em que o comprimento de onda é cada vez menor, então podemos realizar muitas coisas. Mas se há lassidão, se há dispersão, esse comprimento de onda é muito devagar, então se pode juntar muito pouco.

P- Dessa forma, o mecanismo que tínhamos imaginado era que haveria uma seqüência, uma certa continuidade nessa freqüência de onda, de forma que a freqüência de onda característica dos encarnados , seria bastante menor, o comprimento de onda seria bem maior do que a freqüência dos desencarnados. E que para haver a transmissão de vibração a distância, essa qualificação e essa transmissão seria feita numa faixa intermediária entre os dois. Esse mecanismo está mais ou menos correto?

R- Depende muito das pessoas. Evidentemente que o encarnado está numa posição algo desvantajosa, porque está comprometido com uma mistura físico-mental. O desencarnado, isso digamos em regra geral, tem mais possibilidade de expansão em virtude de não ter esse condicionamento do físico. No mais, não suponha que existam muitos mistérios entre esse distanciamento entre encarnados e desencarnados porque as correntes mentais, evidentemente, são de freqüências diferentes, mas o encarnado está no estado natural, freqüentemente capacitado a perceber.

divisor-6

Capítulo Sexto

1- Uma Proposta

Propomos a montagem de uma estrutura na qual haja um cadastramento de grupos formados ou recém-formados, que estejam interessados em participar da pesquisa de variados temas, a exemplo da OBSESSÃO, aqui citado.

Para tanto, instituir-se-ia um Grupo Administrador que se responsabilizaria por cadastrar os grupos, elaborar e distribuir os roteiros, receber as pesquisas, computar os resultados, comparar, catalogar, etc.

Um Banco de Dados experimental em ACCESS está sendo utilizado pelo GPCEB atual do Centro Espírita Allan Kardec, de Santos, no qual todos os dados extraídos dos Instrumentos de Registro (Anexo I) são digitados, bem como as transcrições das comunicações psicofônicas e as psicografias obtidas, para facilitar o controle, as pesquisas, o confronto de idéias e repostas dadas pelos espíritos sobre determinado tema, o acompanhamento dos médiuns, etc.

Os grupos interessados em participar de uma pesquisa sobre determinado tema, teriam uma cópia desse programa e enviariam os resultados por meio eletrônico, para que o Grupo Administrador faça as devidas análises e comparações.

Além disso, o Grupo Administrador organizaria Fóruns entre os Coordenadores de cada grupo, para uma análise mais profunda, debates e, por fim, decidir o que fazer com os resultados, ou seja, delinear sobre o que pode virar um texto, trabalho, tese, curso, etc., ou até, se for caso, voltar o tema para os grupos para novas consultas.

Para o desenvolvimento da pesquisa, existem duas propostas:

1)  Todos os grupos iniciariam pesquisando o mesmo tema, seguindo o mesmo roteiro de perguntas e em seguida, enviando para o Grupo Administrador.

2) Definiríamos mais de um tema e faríamos um rodízio entre os grupos.

divisor-6

CONCLUSÃO

Conforme se pode verificar, o que apresentamos é o resultado de uma experiência. Certamente outros companheiros terão outras e talvez mais ricas e melhor estruturadas. Mas, o que destacamos, é a forma proposta de intercâmbio, com liberdade, sem receios, sem mistérios, sem complexos de submissão e inferioridade aos amigos do “outro lado”. É preciso também entender que as pesquisas não devem restringir-se a questões científicas ou filosóficas. Perguntas sobre a vida cotidiana dos Espíritos, seus costumes, seus problemas, etc., vão nos surpreender quanto, principalmente, á ignorância de boa parte deles em relação ao meio em que vivem. Certa feita, perguntamos a um Espírito se ele toma banho, defeca, urina e ele disse que sim, embora os companheiros que moravam com ele não tinham essa necessidade. Perguntei ainda se ele alguma vez olhou para dentro do vaso sanitário e viu as fezes. Ele ficou surpreso com a nossa indagação e respondeu que nunca teve essa curiosidade. Portanto, é extremamente rica a pesquisa via mediúnica e os Espíritos, ao contrário do que se possa acreditar, gostam de trabalhar com seriedade. Por outro lado, é necessário estar preparado para realizar um bom trabalho, com profundidade, porque os Espíritos sérios não estão disponíveis para brincadeiras ou deslumbramentos intelectóides.

Anexos

anexo1

anexo2

4.5/5 (2)

Por favor, avalie este artigo.

Tags: , ,

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

More Stories From Artigos