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Jornal de Ciência Espírita on YouTube

23/07/2017

Dissertações Espíritas


Obtidas ou lidas na Sociedade por diversos médiuns.

Formação dos Espíritos

(Médium, senhora Costel.)

Deus criou a semente humana que espalhou pelos mundos como o lavrador lança nos sulcos os grãos que devem germinar e amadurecer. As sementes divinas são as moléculas de fogo que Deus faz jorrar do grande foco, centro da vida, onde irradia em seu poder. As moléculas são para a Humanidade o que os germes das plantas são para a terra; elas se desenvolvem lentamente, e não amadurecem senão depois de longas permanências no planeta-mãe, aqueles onde se formam e começam as coisas. Não falo senão do princípio; o ser chega à sua qualidade de homem, se reproduz e a obra de Deus está consumada.

Por que o ponto de partida sendo comum, os destinos humanos são tão diversos? Por que uns nascem num meio civilizado, os outros num estado selvagem? Qual é, então, a origem dos demônios? Retomemos a história do Espírito e sua primeira eclosão. Apenas formadas as almas, hesitantes e balbuciantes, estão por toda a parte livres para penderem do bom ou do mau lado. Desde que viveram, os bons se separam dos maus. A história de Abel é ingenuamente verdadeira. As almas ingratas, apenas saídas das mão do Criador, persistem na revolta do crime; então, durante a sucessão dos séculos, elas erram, prejudicando os outros e, sobretudo, a si mesmas, até que o arrependimento as toque, o que ocorre infalivelmente. Portanto, os primeiros demônios são os primeiros homens culpados. Deus, em sua imensa justiça, não impõe nunca senão os sofrimentos resultantes dos atos maus. A Terra deveria ser inteiramente povoada, mas não poderia sê-lo igualmente, e, segundo o grau de adiantamento obtido nas migrações terrestres, uns nascem nos grandes centros de civilização, os outros Espíritos incertos, que têm, ainda, necessidade de iniciação, nascem nas florestas afastadas; o estado selvagem é preparatório. Tudo é harmonioso, e a alma culpada e cega de um demônio da Terra não pode reviver num centro esclarecido. Entretanto, algumas se arriscam nesse meio que não é o seu; se aí não podem caminhar em uníssono, dão o espetáculo da barbárie em meio da civilização; são os seres desterrados. O estado embrionário é o do um ser que não sofreu ainda migração; pode-se estudá-lo à parte, uma vez que é a origem do homem.

GEORGES.

Os Espíritos errantes

(Médium, senhora Costel.)

Os Espíritos são divididos em várias categorias: primeiro os embriões que não têm nenhuma faculdade distinta; flutuam no ar, como os insetos que se vêem turbilhonar num raio de sol; volteiam sem objetivo, e estão encarnados sem escolherem; tornam-se seres humanos ignorantes e grosseiros.

Acima deles estão os Espíritos levianos, cujos instintos não são maus, mas somente malignos; brincam com os homens e lhes causam penas frívolas; são crianças; temos caprichos e a pueril maldade.

Os Espíritos maus não o são todos no mesmo grau; há os que não fazem outro mal senão as levianas mentiras; que não se agarram a um ser, e se limitam a fazer cometer faltas pouco graves.

Os Espíritos malfazejos impelem ao mal e se alegram com ele, mas têm ainda algum clarão de piedade.

Os Espíritos perversos não o’ têm; todas as suas faculdades tendem para o mal; fazem-no com cálculo, com seqüência; alegram-se com as torturas morais que causam, correspondem, no mundo dos Espíritos, aos criminosos no vosso. Chegam a essa perversidade à força de desconhecerem as leis de Deus; em suas vidas carnais, caem de queda em queda e os séculos passam antes que lhes venha um pensamento de renovação. O mal é o seu elemento; nele mergulham com delícias; mas, obrigados a se reencarnarem, sofrem tais sofrimentos, e esse sofrimento aumenta de tal modo em suas vidas espíritas, que o amor do mal se perde neles; acabam por compreender que devem ceder à voz de Deus, que não cessa de chamá-los. Viram-se Espíritos mais rebeldes pedirem, com ardor, as expiações mais terríveis e sofrê-las com a alegria de um mártir. É uma imensa alegria, para os puros Espíritos, esses retornos ao bem. A palavra do Cristo, para as ovelhas desgarradas, é brilhante de verdade.

Os Espíritos errantes da segunda ordem são os intermediários entre os Espíritos superiores e os mortais, porque é raro que os Espíritos superiores se comuniquem diretamente; é necessário, para isso , que sejam impelidos por uma solicitação particular. Estes intermediários são os Espíritos dos mortais que não têm nenhum mal grave a censurar, e cujas intenções não foram más. Eles recebem missões, e, quando as cumprem com zelo e amor, são recompensados com um adiantamento mais rápido. Têm menos migrações a sofrer; também os Espíritos desejam ardentemente essas missões, que não são concedidas senão como recompensa, quando são julgados capazes de cumpri-las. São os Espíritos superiores que os dirigem e que escolhem as suas funções.

Os Espíritos superiores não o são todos no mesmo grau; se estão dispensados das migrações em vossos mundos, não o estão das condições de adiantamento nas esferas mais elevadas. Enfim, não há nenhuma lacuna no mundo visível e invisível; uma ordem admirável proveu a tudo; nenhum ser é ocioso ou inútil; todos concorrem, na medida de suas faculdades, para a perfeição da obra de Deus, que não tem nem fim nem limite.

Georges.

O castigo.

(Médium, senhora Costel.)

Os Espíritos maus, egoístas e duros, são, logo depois da morte, entregues a uma dúvida cruel sobre o seu destino presente e futuro; olham ao redor deles, e não vêem primeiro nenhum sujeito sobre o qual possam exercer a sua maldosa personalidade, e o desespero se apodera deles, porque o isolamento e a inação são intoleráveis aos maus Espíritos; eles não erguem seus olhares para os lugares habitados pelos Espíritos puros; eles consideram o que os cerca, e logo, impressionados pelo abatimento dos Espíritos fracos e punidos, se agarram a eles como a uma presa, armando-se da lembrança de suas faltas passadas, que colocam, sem cessar, em ação pelos seus gestos irrisórios. Não lhes bastando essa zombaria, mergulham sobre a Terra como abutres esfomeados; procuram, entre os homens, a alma que abrirá um mais fácil acesso às suas tentações; se apoderam dela, exaltam a sua cobiça, tratam de extinguir a sua fé em Deus, e quando, enfim, senhores de uma consciência, vêem a sua presa assegurada, estendem sobre tudo o que aproxima a sua vítima, o fatal contágio.

O mau Espírito, que exerce a sua raiva, é quase sempre feliz; não sofre senão nos momentos em que não age e naqueles também em que o bem triunfa do mal.

Entretanto, os séculos se escoam; o mau Espírito sente, de repente, as trevas invadi-lo; o seu círculo de ação se aperta, sua consciência, até então muda, fá-lo sentir as pontas agudas do arrependimento. Inativo, levado pelo turbilhão, ele erra, sentindo, como dizem as Escrituras, o pêlo de sua carne se endireitar de pavor; logo um grande vazio se faz nele, ao redor dele; o momento é chegado, ele deve expiar; a reencarnação ali está, ameaçadora; vê, como numa miragem, as provas terríveis que o esperam; gostaria de recuar, avança e se precipita no abismo escancarado da vida, e rola espantado até que o véu da ignorância caia de seus olhos. Ele vive, age, e é ainda culpado; sente em si não sei qual lembrança inquieta, quais pressentimentos que o fazem tremer, mas não o fazem recuar no caminho do mal. Ao cabo de forças e de crimes, vai morrer. Estendido sobre o seu catre, ou sobre o seu leito, que importa! o homem culpado sente, sob a sua aparente imobilidade, se movimentar e viver um mundo de sensações esquecidas! Sob as suas pálpebras fechadas vê apontar um clarão, ouve sons estranhos; sua alma, que vai deixar o seu corpo, se agita impaciente, ao passo que as suas mãos crispadas tentam se agarrar aos lençóis; gostaria de falar, gostaria de gritar àqueles que o cercam: Detende-me! vejo o castigo! Não o pode; a morte se fixa sobre os seus lábios pálidos, e os assistentes dizem: Ei-to em paz!

Entretanto, ele ouve tudo; flutua ao redor de seu corpo que não gostaria de abandonar; uma força secreta o atrai: vê, e reconhece o que já viu. Desvairado, se lança no espaço onde gostaria de se esconder. Não mais de retiro, não mais de repouso! Outros Espíritos lhe devolvem o mal que fez, e castigado, escarnecido, confuso, a seu turno, ele erra e errará até que o divino clarão se insinue em seu endurecimento e o ilumine, para mostrar-lhe o Deus vingador, o Deus triunfante de todo mal, que não poderá apaziguar senão à força de gemidos e de expiações.

Georges.

Nota. Jamais quadro mais eloqüente, mais terrível e mais verdadeiro, foi traçado quanto à sorte do mau; é, pois, necessário recorrer à fantasmagoria das chamas e das torturas físicas?

Marte

(Médium, senhora Costel.)

Marte é um planeta inferior à Terra da qual é um esboço grosseiro; não é necessário habitá-lo. Marte é a primeira encarnação dos demônios mais grosseiros; os seres que o habitam são rudimentares; têm a forma humana, mas sem nenhuma beleza; têm todos os instintos do homem sem o enobrecimento da bondade.

Entregues às necessidades materiais, eles bebem, comem, lutam, se unem carnalmente. Mas como Deus não abandona nenhuma de suas criaturas, no fundo das trevas de sua inteligência jaz, latente, o vago conhecimento de si mesmo, mais ou menos desenvolvido. Esse instinto basta para torná-los superiores uns aos outros, e preparar a sua eclosão para uma vida mais completa. A sua é curta, como a dos efêmeros. Os homens, que não são senão matéria, desaparecem depois de uma curta duração. Deus tem horror ao mal, e não o tolera senão como servindo de princípio ao bem; abrevia o seu reino e a ressurreição triunfa dele.

Neste planeta a terra é árida; pouca verdura; uma folhagem sombria que a primavera não rejuvenesce; um dia igual e cinza; o sol, apenas aparente, nunca prodigaliza as suas festas; o tempo escoa monótono, sem as alternativas e as esperanças das estações novas; não há inverno, não há verão. O dia, mais curto, não se mede do mesmo modo; a noite reina mais longa. Sem indústrias, sem invenções, os habitantes de Marte gastam sua vida para conquista de seu alimento. Suas moradias grosseiras, baixas como covil de feras, são repelentes pela incúria e pela desordem que aí reinam. As mulheres lançam-se sobre os homens; mais abandonadas, mais famélicas, não são senão suas mulheres. Elas têm apenas o sentimento maternal; colocam no mundo com facilidade, sem nenhuma angústia; alimentam e guardam suas crianças junto delas até o completo desenvolvimento de suas forças, e as repelem sem remorso, sem uma lembrança.

Eles não são canibais; suas contínuas batalhas não têm por objetivo senão a posse de um terreno mais ou menos abundante em caça. Caçam em planícies intermináveis. Inquietos e móveis como os seres desprovidos de inteligência, se deslocam sem cessar. A igualdade de sua estação, por toda a parte a mesma, comporta por conseqüência as mesmas necessidades e as mesmas ocupações; há pouca diferença entre os habitantes de um hemisfério a outro.

A morte não tem para eles nem terror nem mistério; consideram somente como a podridão do corpo que queimam imediatamente. Quando um desses homens vai morrer, ele é logo abandonado e sozinho, estendido, pensa pela primeira vez; um vago instinto se apodera dele; como a andorinha advertida de sua próxima migração, ele sente que tudo não está acabado, que vai recomeçar alguma coisa desconhecida. Ele não é bastante inteligente para supor, temer ou esperar, mais calcula às pressas suas vitórias ou seus defeitos; pensa num número de animais que abateu, e se regozija ou se aflige segundo os resultados obtidos. Sua mulher (eles não têm mais que uma cada vez, mas podem mudar tanto quanto lhes sejam conveniente) agacha-se sobre o limiar da porta, lança pedras no ar; quando formam um pequeno montículo, ela julga que p tempo decorreu e se arrisca a olhar no interior; se suas previsões estão realizadas, se o homem está morto, ela entra sem um grito, sem uma lágrima, despoja-o das peles de animais que o envolve, e vai friamente advertir seus vizinhos que carreguem o corpo e o queimem, apenas resfriado.

Os animais, que suportam por toda parte o reflexo humano, são mais selvagens, mais cruéis que por toda parte alhures. O cão e o lobo não são senão uma mesma espécie, e sem cessarem em luta com o homem, se entregam a combates obstinados. Aliás, menos numerosos, menos variados sobre a Terra, os animais são o resumo de si mesmos.

Os elementos têm a cólera cega do caos; o mar furioso separa os continentes sem navegação possível; o vento ruge e curva as árvores até o solo. As águas submergem as terras ingratas que elas não fecundam. O terreno não oferece as mesmas condições geológicas da Terra; o fogo não esquenta; os vulcões são ali desconhecidos; as montanhas, apenas elevadas, não oferecem nenhuma beleza; elas cansam o olhar e desencorajam a exploração; por toda aparte, enfim, monotonia e violência; por toda a parte, a flor sem a cor e o perfume, por toda a parte homens sem previdência, matando para viver.

Georges.

Nota. Por servir de transição entre o quadro de Marte e de Júpiter, seria necessário o de um mundo intermediário, da Terra, por exemplo, mas que conhecemos suficientemente. Em observando-a, é fácil reconhecer que mais se aproxima de Marte do que de Júpiter, pois que no seio mesmo da civilização se encontram ainda seres tão abjetos e tão desprovidos de sentimentos de humanidade, que vivem no mais absoluto embrutecimento, não pensam senão nas necessidades materiais, sem nunca terem voltado seus olhos para o céu, e que parecem virem de Marte em linha direta.

Júpiter

(Médium, senhora Costel.)

O planeta Júpiter, infinitamente maior do que a Terra, não apresenta o mesmo aspecto. Ele está inundado de uma luz pura e brilhante, que ilumina sem ofuscar. As árvores, as flores, os insetos, os animais dos quais os vossos são o ponto de partida, ali são enobrecidos e aperfeiçoados; ali a natureza é mais grandiosa e mais variada, a temperatura é igual e deliciosa; a harmonia das esferas encanta os olhos e os ouvidos. A forma dos seres que o habitam a mesma que a vossa, mas embelezada, aperfeiçoada, e sobretudo purificada. Não estamos submetidos às condições materiais de vossa natureza: não temos nem as necessidades, nem as enfermidades que lhes são as conseqüências. Somos almas revestidas de um envoltório diáfano que conserva as marcas das nossas migrações passadas: aparecemos aos nossos amigos tais como nos conheceram, mas iluminados por uma luz divina, transfigurados pelas nossas impressões interiores que sempre são elevadas.

Júpiter é dividido, como a Terra, em um grande número de regiões variadas de aspecto, mas não de clima. As diferenças de condições ali são estabelecidas unicamente pela superioridade moral e inteligente; não há nem senhores nem escravos; os graus mais elevados não são marcados senão pelas comunicações mais diretas e mais freqüentes com os Espíritos puros, e pelas funções mais importantes que nos são confiadas. Vossas habitações não podem vos dar nenhuma idéias das nossas, uma vez que não temos as mesmas necessidades. Cultivamos artes chegadas a um grau de perfeição desconhecido entre vós. Gozamos de espetáculos sublimes, entre os quais o que admiramos mais à medida que o compreendemos melhor, é a inesgotável variedade de criações, variedades harmoniosas que têm seu ponto de partida e se aperfeiçoam no mesmo sentido. Todos os sentimentos ternos e elevados da natureza humana, nós os encontramos aumentados e purificados, o desejo incessante que temos de chegar à classe dos puros Espíritos não é um tormento, mas uma nobre ambição que nos impele a nos aperfeiçoarmos. Estudamos incessantemente com amor para sermos elevados até eles, o que fazem também os seres inferiores para chegarem a nos igualar. Os vossos pequenos ódios, os vossos mesquinhos ciúmes nos são desconhecidos; um laço de amor e fraternidade nos une: os mais fortes ajudam os mais fracos. No vosso mundo tendes necessidade da sombra do mal para sentir o bem, da noite para admirar a luz, da enfermidade para apreciar a saúde. Aqui, esses contrastes não são necessários; a eterna luz, a eterna bondade, a eterna calma da alma nos enche de uma eterna alegria. Eis o que o espírito humano tem mais dificuldade de compreender; foi engenhoso para pintar os tormentos do inferno, mas nunca pôde representar as alegrias do céu, e por que isto? Porque sendo inferior, não suportou senão penas e misérias, e não entreviu as celestes dar idades; não pode vos falar daquilo que não conhece, como o viajante descreve os países que percorreu; mas, a medida que se eleva e se depura, o horizonte se ilumina e ele confunde o bem que tem diante de si, como compreendeu o mal que ficou atrás dele. Outros Espíritos já procuraram vos fazer compreender, tanto quanto a vossa natureza o permite, o estado de mundos felizes, a fim de vos excitar a seguir um único caminho que pode a eles conduzir; mas há entre vós os que são de tal modo agarrados à matéria que preferem ainda as alegrias materiais da Terra, às alegrias puras que esperam o homem que sabe delas desligar-se. Que aí gozem, pois, enquanto aí estão! Porque um triste retorno os espera, talvez mesmo desde esta vida. Aqueles que escolhemos por nossos intérpretes são os primeiros a receber a luz; infelizes deles, sobretudo, se não aproveitam o favor que Deus lhes concede, porque a sua justiça pesará sobre eles!

GEORGES.

Os puros Espíritos

(Médium, senhora Costel.)

Os puros Espíritos são aqueles que, chegados ao mais alto grau de perfeição, são julgados dignos de serem admitidos aos pés de Deus. O esplendor infinito que os rodeia, não os dispensa de sua parte de utilidade nas obras de criação: as funções que eles têm a cumprir correspondem à extensão de suas faculdades. Estes Espíritos são os ministros de Deus; eles regem, sob suas ordens, os mundos inumeráveis; dirigem do alto os Espíritos e os humanos; estão ligados entre eles, por um amor sem limites, este ardor se estende sobre todos os seres que procuram chamar e tornar dignos da suprema felicidade. Deus irradia sobre eles e lhe transmite as suas ordens; eles o vêem sem serem oprimidos por sua luz.

Sua forma é etérea, não têm mais nada de palpável; eles falam aos Espíritos superiores e lhes comunicam a sua ciência; tornaram-se infalíveis E nas suas fileiras que são escolhidos os anjos guardiães que descem com bondade seus olhares sobre os mortais, e os recomendam aos Espíritos superiores que os amaram. Estes escolhemos agentes de sua direção nos Espíritos da segunda ordem. Os puros Espíritos são iguais; e não poderia ser de outro modo, uma vez que não são chamados a essa classe senão depois de atingirem o mais alto grau de perfeição. Há igualdade, mas não uniformidade, porque Deus não quis que nenhuma de suas obras fossem idênticas. Os Espíritos puros conservam a sua personalidade, que somente adquiriram a perfeição mais completa, no sentido do seu ponto de partida.

Não é permitido dar maiores detalhes sobre esse mundo supremo.

GEORGES.

Morada dos bem-aventurados

(Médium, senhora Costel.)

Falemos das últimas espirais de glória habitadas pelos puros Espíritos. Ninguém as alcança antes de ter atravessado os círculos dos Espíritos errantes. Júpiter é o mais alto grau da escala; quando um Espírito, por longo tempo purificado pela sua permanência nesse planeta, é julgado digno da suprema felicidade, é advertido por um redobramento da energia; um fogo sutil anima todas as partes delicadas de sua inteligência que parece irradiar e se tornar visível; ofuscante, transfigurado, ele ilumina o dia que parece tão radioso aos olhos dos habitantes de Júpiter; seus irmãos reconhecem o eleito do Senhor e, trêmulos, se ajoelham diante de sua vontade. Entretanto, o Espírito escolhido se eleva, e os céus, em sua suprema harmonia, lhe revelam belezas indescritíveis.

À medida que ele sobe, compreende, não mais como na erraticidade, não mais vendo o conjunto das coisas criadas, como em Júpiter, mas abarcando o infinito. Sua inteligência transfigurada se lança como uma flecha para Deus, sem estremecimento e sem terror, como num foco imenso alimentado por milhares de objetos diversos. O amor, nesses diversos Espíritos, reveste a cor de sua personalidade experimentada; eles se reconhecem, se regozijam uns pelos outros. Suas virtudes, refletidas, repercutem, por assim dizer, as delícias da visão de Deus e aumentam incessantemente a felicidade de cada eleito. Mar de amor que cada afluente engrossa, essas forças puras não permanecem mais inativas do que as forças de outras esferas. Investidos logo do dom da ubiqüidade, eles abraçam, ao mesmo tempo, os detalhes infinitos da vida humana desde a sua eclosão até as suas derradeiras etapas. Irresistível como o dia, sua visão penetra por toda a parte ao mesmo tempo, e, ativos como a força que os move, eles espargem as vontades do Senhor. Como de uma urna cheia se escapa a vaga benfazeja, sua bondade universal aquece os mundos e confunde o mal.

Estes diversos intérpretes têm por ministros do seu poder os Espíritos já depurados. Assim, tudo se eleva, tudo se aperfeiçoa, e a caridade irradia sobre os mundos que ela alimenta como seu poderoso seio.

Os puros Espíritos têm, por atribuição a posse de tudo que é bem e verdade, porque possuem Deus, o próprio princípio. O pobre pensamento humano limita a tudo o que ele compreende e não admite o infinito que a felicidade não limita. Depois de Deus, que pode aí haver? Deus ainda, Deus sempre; o viajante vê os horizontes sucederem aos horizontes e um não é senão o começo do outro; assim o infinito se desenrola incessantemente. A alegria mais imensa dos puros Espíritos é precisamente essa extensão tão profunda quanto a própria eternidade.

Não se pode descrever uma graça, uma chama, um raio, não posso descrever os puros Espíritos. Mais vivos, mais belos, mais brilhantes que não o são as imagens mais etéreas, uma palavra resume seu ser, seu poder e suas alegrias: Amor! Enchei desta palavra os espaço que separa a Terra do céu e não tereis ainda senão a idéia de uma gota d’água no mar. O amor terrestre por grosseiro que seja, só pode vos fazer conhecer a sua divina realidade.

GEORGES.

A reencamação

(Pelo Sr. de Grand-Boulogne, médium.)

Há, na doutrina da reencarnação, uma economia moral que não escapa à tua inteligência.

Só a corporeidade sendo compatível com os atos de virtude, e estes atos sendo necessários ao adiantamento do Espírito, este deve raramente encontrar, numa só existência, as circunstâncias necessárias à sua melhoria acima da Humanidade.

Estando admitido que a justiça de Deus não pode se misturar com as penas eternas, a razão deve concluir pela necessidade: 1a de um período de tempo durante o qual o Espírito examina o seu passado, e. forma as suas resoluções para o futuro; 29 de uma existência nova em harmonia com o adiantamento desse Espírito. Não falo de suplícios, algumas vezes terríveis, aos quais são condenados certos Espíritos durante o período da erraticidade, eles respondem de uma parte pela enormidade da falta, de outra pela justiça de Deus. Isto é dito bastante para dispensar e dar detalhes que encontrará, aliás, no estudo das evocações. Retornando às reencarnações, delas compreenderás a necessidade por uma comparação vulgar, mas impressionante de verdade.

Depois de um ano de estudos, que ocorre ao jovem colegial? Se progredir, passa para uma classe superior; se permaneceu imóvel na sua ignorância, ele recomeça a sua classe. Vai mais longe; supõe faltas graves: ele é expulso; pode errar de colégio em colégio; pode ser expulso da Universidade, e pode ir da casa de educação para a casa de correção. Tal é a imagem fiel da sorte dos Espíritos, e nada satisfaz mais completamente a razão. Quer se escavar mais profundamente a doutrina? Ver-se-á o quanto, nestas idéias, a justiça de Deus parece mais perfeita e mais conforme às grandes verdades que dominam a nossa inteligência.

No conjunto, como nos detalhes, há alguma coisa de tão surpreendente que o Espírito nelas iniciado pela primeira vez está como iluminado. E as censuras murmuras contra a Providência, e as maldições contra a dor, e o escândalo do vício feliz em face da virtude que sofre, e a morte prematura da criança; e, numa mesma família, encantadoras qualidades dando, por assim dizer, a mão a uma perversidade precoce; e as enfermidades que datam do berço; e a diversidade infinita dos destinos, seja entre os indivíduos, seja entre os povos, problemas não resolvidos até este dia, enigmas que fizeram duvidar da bondade e quase da existência de Deus, tudo isso se explica ao mesmo tempo. Um puro raio de luz se estende sobre o horizonte da filosofia nova, e no seu quadro imenso, se agrupam harmoniosamente todas as condições da existência humana. As dificuldades se nivelam, os problemas se resolvem, e os mistérios impenetráveis até este dia se resumem e se explicam nesta única palavra: reencarnação.

Eu li em teu pensamento, caro cristão; tu dizes: eis, desta vez, uma verdadeira heresia. Não mais, meu filho, do que a negação da eternidade das penas. Nenhum dogma prático é contraditório com esta verdade. O que é a vida humana? O tempo durante o qual o Espírito permanece unido a um corpo. Os filósofos cristãos, no dia marcado por Deus, não terão nenhuma dificuldade de dizer que a vida é múltipla. Isso não acrescenta e nem muda nada em vossos deveres. A moral cristã permanece de pé, e a lembrança da Missão de Jesus plana sempre sobre a Humanidade. A religião nada tem a temer desse ensinamento, e não está longe o dia em que os seus ministros abrirão os olhos à luz; reconhecerão, enfim, na revelação nova, os recursos que, do fundo das suas basílicas, eles imploram do céu. Crêem que a sociedade vai perecer: ela vai ser salva.

ZÉNON.

O despertar do Espírito

(Médium, senhora Costel.)

Quando o homem deixa seu despojo mortal, ele sente um espanto e um ofuscamento que o mantêm algum tempo indeciso sobre seu estado real; não sabe se está morto ou vivo, e as suas sensações, muito confusas, precisam longo tempo para clarearem. Pouco a pouco, os olhos de seu Espírito são ofuscados pelas diversas claridades que o cercam; segue toda uma ordem de coisas, grandes e desconhecidas, que primeiro tem dificuldade em compreender, mas logo reconhece que não é mais do que um ser impalpável e imaterial; procura seu despojes e se espanta de não mais encontrá-lo; é algum tempo antes de que lhe retorne a memória do passado, e o convença de sua identidade. Olhando a Terra que vem de deixar, vê os seus parentes e os seus amigos que o choram, e o seu corpo inerte. Enfim, seus olhos se desligam da terra e se elevam para o céu; se a vontade de Deus não o retém no solo, ele se eleva lentamente e sente-se flutuar no espaço, o que é uma sensação deliciosa. Então a lembrança da vida que deixa lhe aparece com uma clareza, desoladora mais freqüentemente, mas consoladora algumas vezes. Eu te falo aqui do que senti, eu não sou um mau Espírito, mas não tenho a felicidade de ocupar uma classe elevada. A gente se despoja de todos os preconceitos terrestres; a verdade aparece em toda a sua luz; nada dissimula as faltas, nada esconde as virtudes; vê a sua alma tão claramente como num espelho; procura-se, entre os Espíritos, aqueles a quem se conheceu, porque o Espírito se assusta com o seu isolamento, mas eles passam sem se deterem; não há comunicações amigáveis entre os Espíritos errantes; mesmo aqueles que se amaram não trocam sinais de reconhecimento; essas formas diáfanas deslizam e não se fixam; as comunicações afetivas estão reservadas aos Espíritos superiores que permutam os seus pensamentos. Quanto a nós, nosso estado transitório não serve senão ao nosso adiantamento do qual nada pode nos distrair, as únicas comunicações que nos são permitidas são com os humanos, porque elas têm um objetivo de utilidade mútua que Deus prescreveu. Os maus Espíritos contribuem também para o adiantamento humano: servem para as provas; se lhe resistem, adquirem-se méritos. Os Espíritos que dirigem os homens são recompensados por um grande abrandamentos de suas penas. Os Espíritos errantes não sofrem da ausência de comunicações entre eles, porque sabem que se reencontrarão; eles não têm senão mais ardor para chegar no momento em que as provas cumpridas se lhes tornem os objetos de sua afeição, que não pode se exprimir, mas que jaz latente neles. Nenhum dos laços que contraímos sobre a Terra é quebrado; as nossas simpatias se restabelecerão na ordem em que elas existiram, mais ou menos vivas segundo o grau de calor ou de intimidade que elas tiveram.

Georges

Progresso dos Espíritos

(Médium, senhora Costel.)

Os Espíritos podem avançar intelectualmente, se o querem sinceramente e com firmeza; eles têm, como os homens, seu livre arbítrio, e o seu estado errante não impede o exercício de suas faculdades; ajuda-os mesmos dando-lhes os meios de observação que podem aproveitar.

Os maus Espíritos não são fatalmente condenados a permanecer como tais; podem se melhorar, mas o querem raramente, porque lhes falta discernimento, encontram uma espécie de prazer malsão no mal que fazem. Para que eles retornem ao bem, é necessário que sejam violentamente atingidos e punidos; porque seus cérebros tenebrosos não se esclarecem senão pelo castigo.

Os Espíritos fracos não fazem o mal por prazer, mas não avançam, são retidos pela sua própria fraqueza, e por uma espécie de entorpecimento que paralisa as suas faculdades; vêem sem saber onde; o tempo passa sem que o meçam; interessam-se pouco pelo que vêem; e disso não tiram proveito ou com isso se revoltam. É necessário ter chegado a um certo grau de adiantamento moral para poder progredir no estado de erraticidade; também esses pobres Espíritos escolhem freqüentemente muito mal as suas provas; eles procuram, sobretudo, estar o melhor possível na sua vida carnal, sem muito se inquietar do que se lhes sucederá além dela. Esses Espíritos fracos aspiram ardentemente à encarnação, não para se depurarem, mas para viverem ainda. Os seres que cumpriram muitas migrações são mais experientes do que os outros; cada uma de suas existências depositou neles uma soma de conhecimento mais considerável; eles viram e retiveram; são menos ingênuos do aqueles que estão próximos de seu ponto de partida.

Os Espíritos que partiram da Terra, nela reencarnam mais freqüentemente do que por toda a parte alhures, porque a experiência que adquiriram nela é mais aplicável. Eles não visitam quase nada os outros mundos senão antes ou depois de seu aperfeiçoamento. Em cada planeta, as condições de existência são diferentes, porque Deus é inesgotável na variedade de suas obras; todavia, os seres que os habitam obedecem às mesmas leis de expiação, e tendem todos para o mesmo objetivo de completa perfeição.

Georges.

A caridade material e a caridade moral

(Médium, senhora de B…)

“Amemo-nos uns aos outros e façamos a outrem o que gostaríamos que nos fizessem.” Toda a religião, toda amoral se encontram encerradas nestes dois preceitos; se fossem seguidos neste mundo, seríamos todos perfeitos: não mais de ódio, não mais ressentimentos; eu diria mais ainda: não mais de pobreza, porque do supérfluo da mesa de cada rico, muitos pobres se alimentariam, e não veríeis mais, nos sombrios bairros que habitei durante a minha última encarnação, pobres mulheres arrastando atrás delas miseráveis crianças com falta de tudo.

Ricos! Pensai um pouco nisso; ajudai com o vosso melhor os infelizes; dai, porque Deus vos torna um dia o bem que fizeres, porque encontrareis um dia, ao sair de vosso envoltório terrestre, um cortejo de Espíritos reconhecidos que vos receberão no limiar de um mundo mais feliz.

Se pudésseis saber a alegria que senti reencontrando lá no alto aqueles que favoreci na minha última vida! Dai, e amai o vosso próximo; amai como a vós mesmos, porque o sabeis, também vós, agora que Deus permitiu que comeceis a se instruir na ciência espírita, esse infeliz que repelis é talvez um irmão, um pai, um filho, um amigo que lançai longe de vós, e então qual será o vosso desespero, um dia, reconhecendo-o neste mundo espírita!

Desejo que compreendais bem o que pode ser a caridade moral, aquela que cada um pode praticar, aquela que não custa nada de material, e, entretanto, aquela que é a mais difícil de se pôr em prática!

A caridade moral consiste em se suportar uns aos outros, e é o que menos fazeis, neste mundo em que estais encarnados no momento. Sede, pois, caridosos, porque avançareis mais no bom caminho; sede humanos e suportai-vos uns aos outros. Há um grande mérito em saber se calar para deixar falar um mais tolo do que agente e aí está um gênero de caridade. Saber ser surdo quando uma palavra zombeteira escapa de uma boca habituada a escarnecer; não ver o sorriso desdenhoso que acolhe a vossa entrada na casa de pessoas que, freqüentemente erradas, se crêem acima de vós, ao passo que, na vida espírita, a única real, eles estão disso algumas vezes bem longe; eis um mérito, não de humildade, mas de caridade, porque não notar os erros de outrem, eis a caridade moral. Passando junto de um pobre enfermo, o olhar com compaixão, tem sempre maior mérito do que o de lançar, com desprezo, o seu óbolo.

Entretanto, não é necessário tomar essa figura ao pé da letra, porque essa caridade não deve impedir a outra; mas pensai, sobretudo, em não desprezar o vosso semelhante; lembrai-vos do que já vos disse: É necessário se lembrar que, sem cessar, no pobre rejeitado, talvez rejeitais um Espírito que vos foi querido, e que se encontra, momentaneamente, numa posição inferior à vossa. Revi um desses pobres de vossa Terra que pude, por felicidade, favorecer algumas vezes, a quem me ocorre agora implorar por minha vez.

Sede, pois, caridosos; não sejais desdenhosos, sabei deixar passar uma palavra que vos fere, e não creiais que ser caridoso seja somente dar o material, mas também praticar a caridade moral. Eu vos repito, façais uma e a outra. Lembrai-vos que Jesus disse que somos irmãos, e pensai sempre nisto antes de repelir o leproso ou o mendigo. Eu retornarei ainda para vos dar comunicação mais longa, mas sou chamada. Adeus; pensai naqueles que sofrem, e orai.

Irmã Rosalie.

A eletricidade do pensamento

(Médium, senhora Costel.)

Eu vos falarei do estranho fenômeno que se passa nas assembléias, qualquer que seja o seu caráter; quero falar da eletricidade do pensamento, que se espalha, como por encanto, nos cérebros os menos preparados para recebê-las. Só esse fato deveria confirmar o magnetismo aos olhos dos mais incrédulos. Estou sobretudo impressionada com a coexistência dos fenômenos, e o modo pelo qual se confirmam uns e outros; direis, sem dúvida: O Espiritismo os explica todos, porque dá a razão dos fatos, até então relegados ao domínio da superstição. É necessário crer no que ele nos ensina, porque transforma a pedra em diamante, quer dizer, que eleva sem cessar as almas que se aplicam em compreendê-lo, e que lhes dá, sobre esta Terra, a paciência para suportar os males, e lhes proporciona, no céu, a elevação gloriosa que aproxima do Criador.

Retorno do ponto de partida, do qual me afastei um pouco: a eletricidade que une o Espíritos dos homens reunidos, e fá-los compreender a todos, ao mesmo tempo, a mesma idéia; essa eletricidade será, um dia, empregada eficazmente entre os homens como já o é para as suas comunicações distantes. Eu vos indico esta idéia; desenvolvê-la-eis um dia, porque é muito fecunda. Conservai a calma em vossos trabalhos, e contai com a benevolência dos bons Espíritos para vos assistir.

Vou completar meu pensamento que permaneceu inacabado na minha última comunicação. Eu vos falei da eletricidade de pensamento, e disse que um dia ela seria empregada como o é a sua irmã a eletricidade física. Com efeito, os homens reunidos libertam um fluido que lhes transmite, com a rapidez do raio, as menores impressões. Por que nunca se pensou empregar esse meio para descobrir um criminoso, por exemplo, ou para fazer as massas compreenderem as verdades da religião ou do Espiritismo? Quando dos grandes processos criminais ou políticos, os assistentes dos dramas judiciais todos puderam constatar a corrente magnética que força, pouco a pouco, as pessoas mais interessadas em esconder o seu pensamento, a descobri-lo, a se acusar mesmo, não podendo mais suportar a pressão elétrica que fazia, apesar delas, jorrar a verdade, não de sua consciência, mas de seu peito; à parte essas grandes emoções, o mesmo fenômeno se reproduz para as idéias intelectuais que se comunicam de cérebro a cérebro; o meio, pois, está encontrado; trata-se de aplicá-lo: reunir, num mesmo centro, homens convencidos, ou homens instruídos, e opor-lhesa ignorância ou o vício. Estas experiências devem ser feitas conscientemente, e são mais importantes que os vãos debates feitos com palavras.

Delphinede girardin.

A hipocrisia

(Médium, Sr. Didier filho.)

Deveria haver, sobre a Terra, dois campos bem distintos: os homens que fazem o bem abertamente e aqueles que fazem o mal abertamente. Oh bem! Não. O homem não é mesmo franco no mal; ele aparenta a virtude. Hipocrisia! Hipocrisia! Deusa poderosa, quantos tiranos elevaste! Quantos ídolos fizeste adorar! O coração do homem é verdadeiramente muito estranho, uma vez que pode bater estando morto, uma vez que pode amar em aparência a honra, a virtude, a verdade, a caridade! O homem, cada dia, se prosterna diante dessas virtudes, e cada dia ele falta com a palavra, cada dia despreza o pobre e o Cristo; cada dia ele mente, cada dia ele é falso! Quantos homens parecem honestos pela aparência que freqüentemente engana! Cristo chamava-os sepulcros brancos, quer dizer, a podridão por dentro, o mármore por fora brilhando ao sol. Homem! Tu pareces efetivamente com essa morada da morte, e enquanto teu coração estiver morto, Jesus não o inspirará mais; Jesus, esta luz divina que não clareia exteriormente, mas que ilumina interiormente.

A hipocrisia é o vício da vossa época, entendei-o bem; e quereis vos fazer grandes pela hipocrisia! Em nome da liberdade, vos engrandeceis; em nome da moral vos embruteceis; em nome da verdade, mentis.

LAMENNAIS.

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