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02/04/2020

Deficiente? por quê? Moura Rêgo


Há palavras que tomam vulto sombrio;

Há termos inadequados;

Há expressões que usamos mal.

O Vocábulo deficiente é um deles …

O dicionarista Aurélio Buarque de Hollanda diz em sua obra que o termo deficiente quer dizer:

Falto, falho, carente, incompleto, imperfeito. E com justa razão, posto que, o vocábulo latino, quando empregado no terreno das coisas tem a sua aplicação correta.

No campo puramente humano, porém, a expressão se esvai em conteúdo, formando com as expressões acima elencadas. Homens não são coisas, são espíritos encarnados, logo não podem ser coisificados, ou terem nos verbetes de qualquer dicionarista a acepção correta para explicar o que sentem, vivenciam, são ou estão.

Por exemplo: eu posso, não escutar bem, não andar senão com auxílio de aparelhos ortopédicos, posso não enxergar, posso até falar articulando mal ou mesmo nem falar, mas onde está minha deficiência?

Se olharmos esta expressão “deficiente”, puramente pelo campo físico, estaremos a coisificar, ou fazer do homem apenas mais um objeto, uma coisa, será esta a visão do Supremo Arquiteto do Universo? Será que Ele, ao colocar o homem no mundo, queria para este o destino das coisas em geral? Por que então lhe dotou de raciocínio, por que lhe deu um espírito a habitar a vestimenta carnal, para que relegou sua creação às múltiplas encarnações? Simplesmente, por passa-tempo, falta do que fazer, ou teria o Pai Eterno uma idéia melhor para sua criatura?

Amigos, o homem, mais que o animal, mesmo que ainda integrado ao mesmo reino, diferencia-se daquele, a quem muitos dizem ter aditada a sua origem, com o que não concordo, pelo raciocino e pelo Livre Arbítrio, atributos que os animais, não têm. Logo, toda a espécie humana, tem uma jornada de trabalho, superação, crescimento e valor diferenciados das coisas e dos animais.

Tudo, em a vida humana é trabalho, e trabalho árduo, a que todos nós, estamos sujeitos. Muitos preferem acreditar que o mundo acabar-se-á em barranco para que findem suas existências encostados, estes, carreiam para o seu por vir, encarnações dolorosas, de sofrimento grandioso.

Alguns destes, abusam de seu Livre Arbítrio, quer para com a alimentação, quer para com as práticas mais nefandas com as quais sonhemos e ao se pilharem na erraticidade, ao lembrarem-se de suas faltas, projetam para a encarnação vindoura, todo um elenco de provas que os fará melhorar junto aos erros pretéritos. Estes somos nós, sim amigos, somos aqueles que nascem portadores de pequenos “defeitos de fabricação”, defeitos estes, mais das vezes pedidos por nós mesmos, enquanto espíritos, para que nos aperfeiçoemos, atrás de nós deixando as mazelas que tanto nos maltratam o viver encarnado do nosso hoje.

Logo, não existem deficientes entre nós, alegrem-se ! Existem sim, aqueles que por vontade própria carrearam para as suas existências, nesta encarnação, maiores provas, e tais provas, se aceitas pela Espiritualidade Superior, que comanda o processo das reencarnações, estão, a rigor, dentro das forças e das condições do espírito que as pede, fiquem certos.

Meus caríssimos irmãos, no terreno humano, a carcaça que chamamos de corpo, abriga um espírito. É ele quem dá movimento, ação, fala, voz, visão. Ele é o mote propulsor de tudo que a ferramenta carnal produz, em qualquer terreno de sua atuação.

O corpo pode não andar;

O corpo pode não falar;

O corpo pode não ouvir;

Nem por isso o espírito está deficiente destes sentidos. E ele continua a tê-los e a usa-los, só que no mais das vezes, em algumas situações, ele, antes do reencarne, visando melhorar-se com mais precisão, abdica de um ou de alguns sentidos para combater faltas pregressas. Ora, temos então um ato de suprema coragem e desprendimento, um ato heróico, diria eu.

O homem, espírito encarnado, é que revestido da carne, neste orbe, esquece-se de que é espírito, e Sofre! Não pela falta ou impropriedade do órgão afetado, mas pela vaidade exacerbada ou orgulho ferido.

Então, na sua parca linguagem, procura explicar com termos puramente voltados à matéria, tais adoecimentos.

Transforma todo o heroísmo de Espírito em prova que é, na fraqueza e pequenez que a sua própria vaidade ofendida o faz julgar-se.

Mas vejamos: A Associação Médica Mundial, e as associações comerciais, por seus sindicatos, nos mostram que nas indústrias, os operários cegos, nas atribuições que se lhes são investidas, são os mais capacitados e os mais corretos, errando menos.

Os surdos, dentro do campo de trabalho que lhes serve, produzem tanto ou mais do que os ditos “normais”.

Não me consta, que aquele que se locomova com dificuldade ou com ajuda de aparelhos, não possa atuar no mercado de trabalho, secretariando ou mesmo dirigindo seções ou empresas.

Então meus amigos, onde estão os ditos “deficientes”?

Onde estão todos aqueles aos quais o dicionário empresta a feia e errônea pecha de “deficientes”, ou seja: faltos, falhos, carentes, incompletos ou imperfeitos? Senão no coração duro, fechado frio e solitário daqueles que assim os julgam?

Desculpe-me Mestre Aurélio, e a todos que com ele formam em pensamento, pois minha visão é diametralmente oposta.

Finalizando gostaria de render aqui o meu Hozanas a todos os espíritos heróicos que, aqui neste orbe usam do instrumento em desalinho. A estes lutadores corajosos as minhas preces sinceras e desejos ardentes por sua vitória.

Deus, o Pai Eterno saberá recompensa-los.

Coragem, fé raciocinada e amor a si e ao próximo!!

Trabalhem, irmãos !!

Sejam felizes !!!

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