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17/10/2017

Conselhos de família


Ditados espontâneos

Nossos leitores se lembram, sem dúvida, do artigo que publicamos, no mês de setembro último, sob o título: Uma Família Espírita. As comunicações seguintes lhe são digno complemento. São, com efeito, conselhos ditados numa reunião íntima, por um Espírito eminentemente superior e benevolente. Elas se distinguem pelo encanto e a doçura do estilo, a profundidade dos pensamentos, e por outro lado, pelas nuanças de uma delicadeza extrema, apropriadas à idade e ao caráter das pessoas a quem são dirigidos. O senhor Rabache, negociante de Bordeaux, que serviu de intermediário, autorizou-nos a publicá-las; não podemos senão felicitar os médiuns que obtêm semelhantes mensagens: é uma prova de que têm simpatias felizes no mundo invisível.

Castelo de Pechbusque, novembro de 1859.

(Primeira sessão.)

Perguntado ao Espírito protetor da família se consentia dar alguns conselhos aos membros presentes, ele respondeu:

Sim: que tenham confiança em Deus e que procurem instruir-se quanto às verdades imutáveis e eternas que lhes ensina o livro divino da natureza; ele contêm toda a lei de Deus, e aqueles que sabem lê-lo e compreendê-lo, são os únicos que seguem o verdadeiro caminho da sabedoria. Que nada daquilo que verão seja negligenciado por eles, porque cada coisa carrega consigo um ensinamento, e deve, com o uso do raciocínio, elevara alma a Deus e aproximá-la dele. Em tudo o que tocar sua inteligência, procurem sempre distinguir o bem do mal; o primeiro para praticá-lo, o segundo para evitá-lo. Que antes de formular o seu julgamento, voltem sempre seu pensamento para o ETERNO, que só os guiará no bem, E NÃO OS ENGANARÁ JAMAIS.

(Segunda sessão.)

Boa noite, meus filhos. Se me amais, procurai vos instruir; reuni-vos freqüentemente com este pensamento. Ponde vossas idéias em comum, é um excelente meio, porque não se comunicam, em geral, senão as coisas que se crêem boas: têm-se vergonha das más, também se as guarda em segredo, ou não se as comunica senão àqueles dos quais se espera fazer cúmplices. Discernem-se os bons pensamentos dos maus naquilo que os primeiros podem, sem nenhum temor, comunicar-se a todo o mundo, ao passo que os primeiros não poderiam, sem perigo, comunicar senão a alguns. Quando um pensamento vos chegar, para julgar o seu valor, perguntai-vos se podeis, sem inconvenientes, torná-lo público, e se ele não produzirá nenhum mal: se vossa consciência a isso vos autoriza, não tende medo, vosso pensamento é bom. Dai-vos, mutuamente, bons conselhos, e, nisto, não tendes jamais em vista senão o bem daquele a quem os derdes, e não ao vosso. Vossa recompensa, para vós, estará no prazer que experimentareis por terdes sido úteis. A união dos corações é a fonte mais fecunda de felicidades, e se muitos homens são infelizes, é porque não procuram a felicidade senão só para eles ; escapa-lhes precisamente porque não crêem encontrá-la senão no egoísmo. Eu digo a felicidade e não a fortuna, porque esta última, até hoje, não serviu senão para sustentar a injustiça, e o objetivo da existência é a justiça. Ora, se a justiça fosse praticada entre os homens, o mais afortunado seria aquele que houvesse cumprido a maior soma de boas obras. Se, portanto, quereis vos tornar ricos, meus filhos, fazei sempre boas ações; pouco importam os bens do mundo, não é a satisfação da carne que é preciso procurar, mas a da alma: aquela não tem senão uma duração efêmera, esta é eterna.

É bastante por hoje; meditai estes conselhos, e tratai de colocá-los em prática: aí está o caminho estreito da salvação.

(Terceira sessão.)

Sim, meu filhos, eis-me aqui. Tende confiança em Deus, que não abandona jamais aqueles que fazem o bem. O que credes o mal, freqüentemente, não o é senão com relação às vossas concepções. Freqüentemente, também, o mal real não vem senão do desencorajamento que ocasiona uma dificuldade, que a calma de espírito e a reflexão poderiam evitar. Refleti, portanto, sempre, e, como já vos disse, reportai tudo a Deus. Quando provais alguns desgostos, longe de vos entregardes a tristeza, resisti, ao contrário, e fazei todos os vossos esforços para dela triunfar, pensando que nada se obtém sem dificuldade, e que o sucesso, freqüentemente, é cheio de dificuldades. Invocai, em vossa ajuda, os Espíritos benevolentes; eles não podem, como se vos ensina, fazer boas obras em vosso lugar, nem nada obter de Deus por vós, porque é preciso que cada um ganhe, por si mesmo, a perfeição à qual todos estamos destinados, mas eles podem vos inspirar o bem, vos sugerir uma conduta conveniente, e vos ajudar com o seu concurso. Eles não se manifestam ostensivamente, mas no recolhimento; escutai a voz da vossa consciência, lembrando-vos os meus precendentes conselhos. — Confiança em Deus, calma e coragem.

(Quarta sessão.)

Boa noite, meus filhos. Sim, é preciso continuar (as sessões) até que um médium se manifeste para substituir aquele que deve vos deixar. Seu papel de iniciador entre vós está cumprido: continuai o que começastes, porque vós, também, servireis um dia à propagação da verdade que proclamam, nesse momento, no mundo inteiro, as manifestações ditas dos Espíritos. Persuadi-vos, meus filhos, de que o que se entende em geral por Espírito na Terra, não é Espírito senão para vós. Depois que este Espírito, ou alma, está separado da matéria grosseira que o envolve, para vós ele não tem mais o corpo, porque os vossos olhos materiais não podem mais vê-lo; mas ele é sempre matéria, relativamente àqueles que são mais elevados do que ele. Para vós, meus jovens filhos, vou fazer uma comparação muito imperfeita, mas que, todavia, poderá vos dar uma idéia da transformação, que impropriamente chamais morte. Figurai-vos uma lagarta que vedes todos os dias. Quando o tempo de sua existência nesse estado decorreu, ela se transforma em crisálida; passa ainda um tempo nesse estado, depois, chegado o momento, ela se despoja de seu envoltório grosseiro, e dá nascimento à borboleta que voa. Ora, a lagarta, deixando sua natureza grosseira, representa o homem que morre, a borboleta representa a alma que se eleva. A lagarta rasteja na terra, a borboleta voa para o céu; mudou de matéria, mas ainda é material. A lagarta, se ela raciocinasse, não veria a borboleta que, todavia, saíra da carapaça apodrecida da crisálida. Portanto, o corpo não pode ver a alma; mas a alma envolvida de matéria tem consciência de sua existência, e o maior dos materialistas, ele mesmo, o sente interiormente, seu orgulho, então, impede-o de convir nisto, e fica com sua ciência sem crença, sem elevar-se, até que, enfim, a dúvida lhe venha. Então, não está tudo acabado, porque nele a luta é maior; mas isto não é senão uma questão de tempo, porque, lembrai-vos, meus amigos, todos os filhos de Deus foram criados para a perfeição. Felizes aqueles que não perdem seu tempo no caminho: A eternidade se compõe de dois períodos: o da prova, que se poderia chamar a incubação, e o da eclosão ou entrada na vida verdadeira, que chamais a felicidade dos eleitos.

(Quinta sessão.)

Meus queridos filhos, vejo com satisfação que começais a refletir sobre os avisos e conselhos que vos dou . Sei que, para o desenvolvimento atual de vossa inteligência, ao mesmo tempo são muitos assuntos de reflexão; mas devo aproveitar a ocasião que se apresenta: em alguns dias este meio não estará mais à minha disposição, e será necessário alcançar a vossa imaginação de maneira a sugerir o desejo de continuar as vossas sessões, até que, algum de vós, possa substituir o médium atual. Espero que estas poucas sessões, nas quais vos convido a meditar longamente , terão bastado para despertar a vossa atenção, e o desejo de aprofundar mais este vasto objeto de investigações. Tomai por regra jamais procurarem satisfazer uma vã curiosidade, mas vos instruir e vos aperfeiçoar. É inútil vos preocupardes com a diferença que possa existir entre o que eu vos ensinei e o que sabeis ou credes saber; cada vez que uma instrução vos for dada, perguntai se ela é justa, e se responde às exigências da consciência e da eqüidade: quando a resposta for afirmativa, não vos inquieteis em saber se ela concorda com que vos foi dito. Que vos importa isto! O importante é o justo, o consciencioso e o eqüitativo: tudo o que reúne essas condições, é de Deus. Obedecer a uma boa consciência, não fazer senão coisas úteis, evitar todas aquelas que, sem serem más, não têm utilidade, é o essencial; porque já é fazer mal fazendo alguma coisa inútil. Evitai escandalizar, mesmo para o vosso aperfeiçoamento. Há circunstâncias tais que unicamente a visão de vossa mudança pode produzir um mau efeito. Assim é que, por exemplo, à luz do dia não poderia, sem perigo, ferir subitamente os olhos de um homem encerrado num cárcere escuro. Que vosso progresso, então, não se entregue à investigação senão conforme a sabedoria vos aconselhar. Aperfeiçoai-vos sempre; vós os fareis ver somente quando isso estiver no tempo. Aqueles para quem escrevi este conselho o compreenderam, sem-que tivesse a necessidade de ser mais explícito; sua consciência lhes dirá.

Coragem, pois, e perseverança! Estas são as únicas leis do sucesso.

Nota. Este último conselho não poderia ser de uma aplicação geral; o Espírito, evidentemente, teve um objetivo especial, assim como ele mesmo disse, de outro modo se poderia enganar sobre o sentido e a importância de suas palavras.

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