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24/11/2017

Vida de Jesus, por Renan

PARIS, 14 DE OUTUBRO DE 1863. – MÉD. SR. d’A…

(Sobre o futuro de diferentes publicações.)


Pergunta. (a Erasto). – Que efeito produzirá A vida de Jesus, por Renan?

Resp. – O efeito será imenso; o rumor será grande no clero, porque esse livro transtorna os próprios fundamentos do edifício sob o qual se abriga há dezoito séculos. Esse livro não é irrepreensível, longe disso, porque é o reflexo de uma opinião exclusiva que circunscreve sua visão no círculo estreito da vida material. O Sr. Renan, no entanto, não é materialista, mas é dessa escola que, se não nega o princípio espiritual, não lhe atribui nenhum papel efetivo e direto na condução das coisas do mundo. É desses cegos inteligentes que explicam, à sua maneira, o que não podem ver; que, não compreendendo o mecanismo da visão à distância, pensam que não se pode conhecer uma coisa senão tocando-a. Também reduziu o Cristo às proporções do homem mais vulgar, negando-lhe todas as faculdades que são o atributo do Espírito livre e independente da matéria.

Entretanto, ao lado de erros capitais, sobretudo no que toca à espiritualidade, esse livro contém observações muito justas, que escaparam até aqui aos comentaristas, e que lhe dão uma alta importância, de certo ponto de vista. O seu autor pertence a essa legião de Espíritos encarnados que se podem chamar os demolidores do velho mundo; têm por missão nivelar o terreno sobre o qual se edificará um mundo novo, mais racional. Deus quis que um escritor, justamente reputado diante dos homens, do ponto de vista do talento, viesse lançar luz sobre certas questões obscuras e maculadas por preconceitos seculares, a fim de predispor os Espíritos às novas crenças. Sem disso desconfiar, o Sr. Renan aplainou o caminho para o Espiritismo.