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25/07/2017

O Livro dos Espíritos

17 DE JUNHO DE 1856.

(Em casa do Dr. Baudin. Médium srta. Baudin.)


Pergunta. (À Verdade). – Uma parte da obra foi revista, seríeis bastante bom para me dizer o que pensais disso?

Resposta. – O que foi revisto está bem; mas, quando tudo acabar, será preciso revê-la ainda, a fim de estendê-la sobre certos pontos, e abreviá-la em outros.

Pergunta. – Pensais que deva ser publicada antes que os acontecimentos anunciados se tenham cumprido?

Resposta. Uma parte, sim; mas tudo, não; porque te asseguro que teremos capítulos muito espinhosos. Por importante que seja este primeiro trabalho, não é, de alguma sorte, senão uma introdução; tomará proporções que estás longe de supor hoje, e tu mesmo compreenderás que certas partes não poderão ser publicadas senão muito mais tarde, e gradualmente, à medida que as idéias novas se desenvolverem e tomarem raízes. Dar tudo de uma vez seria uma imprudência, é necessário deixar, à opinião, o tempo de se formar. Encontrarás impacientes que te empurrarão para a frente: não os escuteis; vê, observa, sonda o terreno, sabe esperar, e faze como o general prudente que não ataca senão quando o momento favorável chegou.

Nota. (escrita em janeiro de 1867). – Na época em que foi dada essa comunicação, eu não tinha em vista senão O Livro dos Espíritos, e estava longe, como disse o Espírito, de suspeitar das proporções que o conjunto do trabalho tomaria. Os acontecimentos anunciados não deveriam se cumprir antes de vários anos, uma vez que não o foram ainda neste momento. As obras aparecidas até este dia, não foram publicadas senão sucessivamente, e me encontrei levado a fazê-las, à medida que as idéias novas se desenvolviam. Daqueles que restam a fazer, o mais importante, aquele que pode ser considerado como o coroamento do edifício, e contém, com efeito, os capítulos mais espinhosos, não poderia ser publicado sem prejuízo antes do período dos desastres. Eu não via então senão um livro, e não compreendia que pudesse ser fracionado, ao passo que o Espírito fazia alusão àqueles que deveriam seguir, e que haveria inconveniente em publicar prematuramente.

“Saibe esperar, disse o Espírito; não escutes os impacientes que te empurrarão para frente.” Os impacientes não faltaram, e se os houvesse escutado, conduziria, em cheio, o navio sobre os escolhos. Coisa bizarra! Ao passo que uns me gritavam para ir mais depressa, outros me acusavam de não ir mais devagar. Não escutei nem uns e nem os outros, constantemente tomo por bússola a marcha das idéias.

De que confiança no futuro não devia estar animado, à medida que via se realizarem as coisas previstas, e que reconhecia a profundidade da sabedoria das instruções de meus protetores invisíveis.