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22/11/2017

Meu sucessor

22 DE DEZEMBRO DE 1861

(Em minha casa; comunicação particular, méd. sr. D’A…)


Tendo uma conversa com os Espíritos levado a falar de meu sucessor na direção do Espiritismo, coloquei a pergunta seguinte:

Pergunta. – Muitos entre os adeptos se inquietam quanto ao que se tornará o Espiritismo depois de mim, e se perguntam quem me substituirá quando eu partir, tendo em vista que não se vê ninguém se mostrar, de maneira notória, para tomar-lhe as rédeas.

Respondo que não tenho a pretensão de ser o único ser indispensável; que Deus é muito sábio para fazer repousar o futuro de uma doutrina, que deve regenerar o mundo, sobre a vida de um homem; que, aliás, sempre me foi dito que a minha tarefa era constituir a Doutrina, e que me será dado o tempo necessário. A de meu sucessor será, pois, mais fácil, uma vez que o caminho estará todo traçado, e bastar-lhe-á segui-lo. No entanto, se os Espíritos julgam o momento oportuno para me dizerem alguma coisa, de mais positiva, a esse respeito, por isso lhes seria reconhecido.

Resposta. – Tudo isso está rigorosamente verdadeiro; eis o que nos é permitido te dizer a mais.

Tens razão em dizer que não és indispensável: só és aos olhos dos homens porque era necessário que o trabalho de organização fosse concentrado nas mãos de um só, para que houvesse unidade; mas não o és aos olhos de Deus. Foste escolhido, eis porque estás só; mas não és, como de resto sabes, o único capaz de cumprir essa missão; se ela fosse interrompia por uma causa qualquer, a Deus não faltariam pessoas para te substituir. Assim, seja o que aconteça, o Espiritismo não pode periclitar.

Até que o trabalho de elaboração esteja terminado, é, pois, necessário que sejas o único em evidência, porque seria preciso uma bandeira ao redor da qual pudesse se unir; seria preciso que se te considerasse como indispensável, para que a obra, saída de tuas mãos, tenha mais autoridade no presente e no futuro; seria mesmo preciso que se concebesse medo pelas conseqüências de tua partida.

Se aquele que deve te substituir fosse designado antes, a obra, não acabada, poderia ser entravada; formar-se-iam, contra ele, oposições suscitadas pelo ciúme; discutir-se-ia antes que tivesse dado suas provas; os inimigos da Doutrina procurariam barrar-lhe o caminho, e disso resultariam cismas e divisões. Ele se revelará, pois, quando o momento chegar.

Sua tarefa será tornada mais fácil, porque, como o dizes, o caminho estará todo traçado; se dele se desviasse, ele mesmo se perderia, como já se perderam aqueles que quiseram se colocar de permeio; mas será mais penosa num outro sentido, porque haverá lutas mais duras a sustentar. A ti incumbe a responsabilidade da concepção, a ele a da execução; por isso, esse deverá ser um homem de energia e de ação. Admire aqui a sabedoria de Deus na escolha de seus mandatários: tens as qualidades que são necessárias para o trabalho que deves realizar, mas não tens as que serão necessárias ao teu sucessor; a ti é preciso a calma, a tranqüilidade do escritor que amadurece as idéias no silêncio da meditação; a ele, será preciso a força do capitão que comanda um navio segundo as regras traçadas pela ciência. Desincumbido do trabalho da criação da obra, sob o peso do qual o teu corpo sucumbirá, estará mais livre para aplicar todas as suas faculdades no desenvolvimento e na consolidação do edifício.

Pergunta. – Poderíeis me dizer se a escolha de meu sucessor está fixada desde este momento?

Resposta. – Está sem sê-lo, tendo em vista que, tendo o homem o seu livre arbítrio, pode recuar no último momento diante da tarefa que ele mesmo escolheu. É preciso, também, que ele dê provas de capacidade, de devotamento, de desinteresse e de abnegação. Se não estiver movido senão pela ambição e o desejo de evidenciar-se, certamente, será posto de lado.

Perg. – Sempre foi dito que vários Espíritos superiores devem se reencarnar para ajudar o movimento.

Resp. – Sem dúvida, vários Espíritos terão essa missão, mas cada um terá a sua especialidade, e agirá, pela sua posição, sobre tal ou tal parte da sociedade. Todos se revelarão pelas suas obras, e nenhum por uma pretensão qualquer à supremacia.

 

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