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18/10/2021

Segunda Parte – Capítulo XXXI

DISSERTAÇÕES ESPÍRITAS

Reunimos neste capítulo algumas comunicações espontâneas que podem completar e conformar os princípios expendidos nesta obra. Poderíamos inserir um número muito maior, mas nos limitamos àquelas que mais particularmente se referem ao futuro do Espiritismo, aos médiuns e às reuniões. Damo-las ao mesmo tempo como instruções e como modelos do gênero de comunicações realmente sérias. Encerramos o capítulo com algumas comunicações apócrifas, seguidas de observações apropriadas a fazê-las reconhecer.

SOBRE O ESPIRITISMO

I

Tende confiança na bondade de Deus e sede bastante esclarecidos para compreender que ele vos prepara um novo destino. Não vos será possível, é verdade, desfrutá-lo nesta existência. Mas não seríeis felizes se, mesmo não revivendo neste globo, pudésseis apreciar do alto a obra que começastes e que se desenvolverá sob os vossos olhos? Revesti-vos de uma fé sólida, sem vacilações, para enfrentar os obstáculos que parecem dever levantar-se contra o edifício cujos fundamentos lançastes.

As bases em que ele se apóia são firmes: o Cristo colocou a sua primeira pedra. Coragem, pois, arquitetos do divino Mestre! Trabalhai, construí e Deus complementará a vossa obra. Mas lembrai-vos que o Cristo não considera seus discípulos os que só têm a caridade nos lábios. Não basta crer, é necessário sobretudo dar o exemplo da bondade, a benevolência e do desinteresse. Sem isso a vossa fé será estéril para vós.

SANTO AGOSTINHO

II

O Cristo mesmo é quem preside os trabalhos de toda natureza que estão em vias de realização, para vos abrir a era de renovação e aperfeiçoamento que vos foi predita pelos vossos guias espirituais. Se, com efeito, lançardes os olhos, além das manifestações espíritas, sobre os acontecimentos contemporâneos, reconhecereis sem qualquer dificuldade os sinais precursores que vos provam, de maneira indubitável, que os tempos são chegados.

Estabelecem-se as comunicações entre todos os povos; as barreiras materiais são derrubadas, os obstáculos morais que impedem a sua união e os preconceitos políticos e religiosos desaparecerão rapidamente. Assim o reino da fraternidade se estabelecerá de maneira sólida e durável. Observai desde já que os próprios soberanos, impelidos por mão invisível, tomam, coisa inacreditável para vós, a iniciativa das reformas. As reformas que partem de cima, de maneira espontânea, são mais rápidas e duráveis que as que procedem de baixo, arrancadas pela força.

Apesar dos prejuízos de criação e de educação, malgrado o culto da tradição, eu já havia pressentido a época atual. Por isso sou feliz, e mais feliz ainda de poder vir aqui e vos dizer: Irmãos, coragem! Trabalhai por vós e para o futuro dos vossos; trabalhai sobretudo para vos melhorardes pessoalmente e podereis desfrutar, na vossa próxima existência, de uma felicidade tão difícil de imaginar agora quanto a mim de vo-la fazer compreender.

CHATEAUBRIAND

III

Penso que o Espiritismo é um estudo inteiramente filosófico das causas ocultas, dos movimentos interiores da alma, pouco ou nada esclarecidos até hoje. Explica mais ainda do que desvenda novos horizontes. A reencarnação e as provas que suportais antes de chegar ao alvo supremo não são mais apenas revelações, mas confirmações plenas da verdade. Sou tocado pelas verdades que por esse meio são trazidas à luz. Digo meio com intenção, pois a meu ver o Espiritismo é uma alavanca que derruba as barreiras da incompreensão.

A preocupação com as questões morais está sendo despertada por toda parte. Discute-se a política que desperta o interesse geral; discutem-se os interesses particulares; despertam paixões o ataque ou a defesa de personalidades; os sistemas conquistam partidários e detratares; mas as verdades morais, que são o alimento da alma, o pão da vida, permanecem na poeira acumulada pêlos séculos. Todas as formas de aperfeiçoamento parecem úteis aos olhos do povo, menos as da alma. Sua educação, sua elevação parecem quimeras que servem apenas para ocupar os lazeres dos padres, dos poetas, das mulheres, seja como simples moda ou a título de ensinamento.

Se o Espiritismo ressuscita o Espiritualismo, dará à sociedade o impulso que despertará em uns a dignidade interior, em outros a resignação e em todos a necessidade de elevar-se para o Ser Supremo, olvidado e desconhecido pelas suas ingratas criaturas.

J.J. ROUSSEAU

IV

Se Deus envia os Espíritos para instruir os homens, é com o fim de os esclarecer sobre os seus deveres, de lhes mostrar a rota pela qual podem abreviar suas provas, apressando assim o seu adiantamento. Da mesma maneira que o fruto amadurece, o homem chega à perfeição. Mas ao lado os Espíritos bons que velam pelo vosso bem, há também os Espíritos imperfeitos que desejam o vosso mal. Enquanto uns vos impelem para a frente, outros vos puxam para trás. É em distingui-los que deveis por toda vossa atenção. O meio é fácil: tratai simplesmente de compreender que tudo o que vem de um Espírito bom não pode prejudicar a ninguém, e que tudo o que for mau só pode vir de um Espírito mau.

Se não ouvirdes os sábios conselhos dos Espíritos que vos querem bem, se vos ofenderdes com as verdades que eles vos disserem, é evidente que estais aceitando as influências dos Espíritos maus. Só o orgulho pode vos impedir que vejais o que sois realmente. Mas se não o podeis ver por vós mesmos, outros vêem por vós, de maneira que sois censurados pelos homens que riem de vós por trás. E pelos Espíritos.

UM ESPÍRITO FAMILIAR

V

Vossa doutrina é bela e santa. Seu primeiro marco está plantado e solidamente plantado. Agora só tendes que marchar. O caminho está aberto, grande e majestoso. Bem-aventurado é aquele que chegarão porto. Quanto mais prosélitos fizer, mais lhe será contado. Mas para isso é necessário não abraçar a doutrina com frieza, é preciso fazê-lo com ardor, e esse ardor será multiplicado porque Deus está sempre convosco quando praticais o bem. Todos os que conduzirdes serão ovelhas que voltaram ao aprisco, pobres ovelhas que se haviam transviado! Acreditai que o mais cético, o mais ateu, o mais incrédulo, enfim, tem sempre um pequeno recanto no coração que desejaria poder ocultar a si próprio. Pois bem: é esse cantinho que se deve procurar, que se deve encontrar, porque esse é o lado vulnerável que se tem de atacar. É uma pequena brecha deixada aberta e expressamente por Deus para facultar à sua criatura o meio de retornar a ele.

SÃO BENEDITO

VI

Não vos arreceeis de certos obstáculos, de certas controvérsias.

Não atormenteis a ninguém com qualquer teimosia. A persuasão só chegará aos incrédulos pelo vosso desinteresse, pela vossa tolerância e a vossa caridade para com todos, sem exceção.

Guardai-vos sobretudo de violentar a opinião, mesmo por simples palavras ou através de demonstrações públicas. Quanto mais modestos, mais conseguireis a apreciação dos outros. Que nenhum móvel pessoal vos leve a agir e encontrareis nas vossas consciências uma força de atração que só o bem proporciona.

Os Espíritos, por ordem de Deus, trabalham para o progresso de todos, sem exceção. Vós, espíritas, fazei o mesmo.

SÃO LUÍS

VII

Qual a instituição humana ou mesmo divina que não teve de vencer obstáculos e cismas, contra os quais teve de lutar? Se tivésseis apenas uma existência triste e preguiçosa ninguém vos atacaria, sabendo que sucumbiríeis de um momento para outro. Mas como a vossa vitalidade é forte e ativa, como a árvore espírita tem fortes raízes, supondo que pode viver longo tempo tentam cortá-la a machadadas. Que fazem esses invejosos? Cortarão quando muito alguns ramos, que renascerão com nova seiva e serão mais fortes do que nunca.

CHANNING

VIII

Quero falar-vos sobre a firmeza que deveis ter nos trabalhos espíritas. A respeito desse assunto já vos foi feita uma citação que vos aconselho a estudar de todo coração, aplicando-a a vós mesmos, pois como São Paulo sereis perseguidos, não em carne e osso, mas em espírito. Os fariseus e os incrédulos de hoje vos hão de escarnecer e injuriar, mas nada deveis temer, pois trata-se de uma prova que vos fortificará se a souberdes entregar a Deus, pois assim vereis os vossos esforços mais tarde, coroados de sucesso. Será esse para vós um grande triunfo à luz da eternidade, enquanto neste mundo já será uma consolação para todos os que perderam parentes e amigos. Saber que eles são felizes e que podem comunicar-se convosco é uma felicidade. Marchai avante, portanto, cumprindo a missão que Deus vos dá. Ela vos será contada no dia em que comparecerdes ante o Todo-Poderoso.

CHANNING

IX

Sou eu que venho, o teu salvador e o teu juiz. Venho como outrora entre os filhos transviados de Israel. Venho trazer a verdade e dissipar as trevas. Ouvi-me. O Espiritismo, como outrora a minha palavra, deve lembrar aos materialistas que acima deles reina a verdade imutável: o Deus bom, o Deus Poderoso que faz germinar as plantas e levanta as ondas. Revelei a divina doutrina. Como um ceifeiro liguei em feixes o bem esparso pela humanidade e disse: vinde a mim, vós todos que sofreis!

Mas os homens ingratos se desviaram do caminho reto e largo que conduz ao reino de meu Pai e se perderam nos ásperos atalhos da impiedade. Meu Pai não quer aniquilar a raça humana. Quer, não mais através dos profetas, não mais por meio dos apóstolos, mas que vos ajudeis uns aos outros, mortos e vivos, ou seja, mortos segundo a carne, porque a morte não existe, que vos socorrais mutuamente e que a voz dos que não mais existem se faça ouvir ainda para clamar: orai e crede! Porque a morte é a ressurreição, e a vida a prova escolhida, durante a qual as vossas virtudes cultivadas devem crescer e se desenvolver como o cedro.

Crede nas vozes que vos respondem: são as próprias almas daqueles que evocais. Só raramente me comunico. Meus amigos, os que assistiram à minha vida e à morte são os intérpretes divinos dos desígnios de meu Pai.

Homens fracos, que acreditais no engano de vossas inteligências obscuras, não apagueis a chama que a clemência divina colocou em vossas mãos para clarear o caminho e vos levar, filhos extraviados, regaço de vosso Pai. Eu vos digo, em verdade, crede na diversidade, na multiplicidade dos Espíritos. Estou bastante tocado de compaixão pelas vossas misérias, pela vossa imensa fraqueza, para não estender a mão protetora aos infelizes transviados que, vendo o céu, caem no abismo do erro. Crede, amai, compreendei as verdades que vos são reveladas. Não mistureis o joio com o bom trigo, os sistemas com as verdades.

Espíritas! Amai-vos, eis o primeiro ensinamento; instruí-vos, eis o segundo. Todas as verdades se encontram no Cristianismo. Os erros que nele se enraizaram são de origem humana. E eis que do além-túmulo, que julgais vazio, as vozes clamam: Irmãos! Nada perece, Jesus Cristo é o vencedor do mal, sede os vencedores da impiedade.

OBSERVAÇÃO – Este comunicação, obtida por um dos melhores médiuns da Sociedade Espírita de Paris, foi assinada por um nome que o respeito só nos permitiria reproduzir com absoluta reserva, tão grande seria a insigne graça de sua autenticidade, e porque já muito se abusou desse nome em comunicações evidentemente apócrifas. Esse nome é o de Jesus de Nazaré. Não duvidamos absolutamente que ele possa manifestar-se. Mas se os Espíritos verdadeiramente superiores só o fazem em circunstâncias excepcionais, a razão nos impede aceitar que o Espírito puro por excelência responda a qualquer apelo. Haveria pelo menos profanação em lhe atribuirmos uma linguagem indigna dele.

É por essas considerações que temos sempre evitado publicar tudo o que traz o seu nome. Acreditamos que nunca seríamos demasiado cuidadosos no tocante a publicações dessa espécie, que só têm autenticidade para o amor-próprio dos interessados e cujo menor inconveniente é o de fornecer armas aos adversários do Espiritismo.

Como temos dito, quanto mais elevados são os Espíritos, mais desconfiança se deve ter da assinatura dos seus nomes. Seria necessária uma grande dose de orgulho para alguém se vangloriar de ter o privilégio de suas comunicações, julgando-se digno de conversar com ele como se fosse com os seus iguais. Na comunicação acima constatamos apenas a incontestável superioridade da linguagem e dos pensamentos, deixando a cada um o cuidado de apreciar se aquele de quem ela traz o nome a rejeitaria ou não (1).

SOBRE OS MÉDIUNS

X

Todos os homens são médiuns. Todos têm um Espírito que os dirige para o bem, quando eles sabem escutá-lo. Quer alguns se comuniquem diretamente com ele, graças a uma mediunidade especial, quer outros só o escutem pela voz interna do coração e da mente. Isso pouco importa, pois é sempre o mesmo Espírito familiar que os acompanha. Chamai-o Espírito, razão, inteligência, será sempre uma voz que responde à vossa alma, dizendo-vos boas palavras. Acontece, porém, que nem sempre as compreendeis. Nem todos sabem agir de acordo com os conselhos da razão, não dessa razão que se arrasta e se enreda mais do que avança, dessa razão que se perde no emaranhado dos interesses materiais e grosseiros, mas da razão que eleva o homem acima de si mesmo, que o transporta para regiões desconhecidas, flama sagrada que inspira o artista e o poeta, idéia divina que eleva o filósofo, impulso que arrebata os indivíduos e os povos, razão que o vulgo não pode compreender mas que eleva o homem e o aproxima Deus, mais do que nenhuma outra criatura. Entendimento que o conduz do conhecido ao desconhecido e o faz realizar os atos mais sublimes. Ouvi pois essa voz interior, esse bom gênio que vos fala sem cessa chegareis progressivamente a ouvir o vosso anjo da guarda que vos estende a mão do alto do céu. Repito, a voz interior que fala ao coração é a dos Espíritos bons. E é desse ponto de vista que todos os homens são médiuns.

CHANNING

XI

O dom da mediunidade é tão antigo quanto o mundo. Os profetas eram médiuns. Os mistérios de Elêusis foram fundados sobre a mediunidade. Os caldeus e os assírios possuíam médiuns. Sócrates era dirigido por um Espírito que lhe inspirava os admiráveis princípios de sua filosofia. Ele ouvia a sua voz. Todos os povos tiveram seus médiuns. E as inspirações de Joana D’Arc nada mais eram que a vos dos Espíritos benfeitores que a dirigiam. Esse dom que hoje tanto se expande havia se tornado mais raro nos tempos medievais, mas jamais desapareceu.

Swedenborg e seus adeptos constituíram uma numerosa escola França dos últimos séculos, irônica e voltada para uma filosofia que, desejando destruir os abusos da intolerância religiosa asfixiava no ridículo tudo quanto era ideal, a França devia afastar o Espiritismo que não o cessava de progredir no Norte. Deus permitira essa luta das idéias positivo contra as idéias espiritualistas porque o fanatismo se transformara na arma destas últimas. Hoje, que os progressos da Indústria e das Ciências desenvolveram a arte de bem viver, de tal maneira que as tendências materiais se tornaram dominantes, Deus quer que os espíritos sejam conduzidos aos interesses da alma. Ele quer que o aperfeiçoamento do homem moral se transforme naquilo que deve ser, isto é, na finalidade no alvo da vida. O Espírito humano segue sua marcha necessária, semelhante à graduação porque passam todas as coisas no Universo visível e invisível. Todo progresso chega na sua hora: a da elevação moral chegou para a humanidade. Ela não se cumprirá ainda nos vossos dias, mas agradecei ao Senhor por assistirdes a essa alvorada bendita.

PIERRE JOUTY (pai do médium)

XII

Deus me encarregou de sua missão que devo cumprir junto aos crentes favorecidos pelo mediunato. (2) Quanto mais graças eles recebem do alto, mais perigos enfrentam, e esses perigos são tanto maiores quanto provêm dos próprios favores que Deus lhes concede. As faculdades de que gozam os médiuns lhes atraem os elogios dos homens, os cumprimentos e as adulações: eis o seu tropeço. Esses mesmos médiuns que deviam sempre lembrar -se de sua incapacidade anterior, a esquecem. Fazem ainda mais: aquilo que só devem a Deus, atribuem ao seu próprio mérito.

Que acontece com isso? Os Espíritos bons os abandonam e eles se tornam joguete dos maus, não dispondo mais de bússola para se guiarem. Quanto mais se tornam capazes, mais são levados a se atribuírem um mérito que não lhes pertence, até que Deus os castigue retirando-lhes uma faculdade que já então só lhes poderia ser fatal. Nunca seria demais lembrar-vos de pedir assistência ao vosso anjo da guarda, para que ele vos ajude a estar sempre vigilantes contra o vosso mais cruel inimigo, que é o orgulho, lembrai -vos bem, vós que tendes a felicidade de ser intérpretes entre os Espíritos e os homens, que sem o amparo do nosso divino Mestre seríeis punidos ainda mais severamente, porque fostes mais favorecidos.

Espero que esta comunicação produza os seus frutos e desejo que ela possa ajudar os médiuns a se manterem vigilantes contra o escolho em que poderiam quebrar-se. Esse escolho, como já vos disse, é o orgulho.

JOANA D’ARC

XIII

Quando quiserdes receber, as comunicações dos Espíritos bons, preparai -vos para essa graça através da concentração, das intenções puras e do desejo de praticar o bem em favor do progresso geral, lembrai-vos de que o egoísmo sempre retarda a evolução, lembrai-vos de que se Deus permite a alguns de vós receber o sopro de seus filhos que, por sua conduta, souberam merecer a ventura de compreender sua infinita bondade, é porque deseja, atendendo às nossas solicitações e tendo em conta as vossas boas intenções, conceder -vos os meios de avançar nesse caminho. Assim, pois, médiuns, aproveitai essa faculdade que Deus vos concedeu. Tende fé na mansuetude de nosso Mestre. Ponde a caridade sempre em ação. Não deixeis jamais de praticar essa virtude sublime, bem como a tolerância. Que vossas ações estejam sempre em harmonia com a vossa consciência. É esse um meio certo de centuplicar vossa felicidade nesta vida passageira e de vos preparar uma existência mil vezes mais suave.

Que o médium que não se sinta com forças de perseverar no ensino espírita se abstenha, pois não tornando proveitosa a luz que o esclareceu, será mais culpado e terá de espiar a sua cegueira.

PASCAL

XIV

Hoje vos falarei do desinteresse que deve ser uma das qualidades essenciais dos médiuns, tanto quanto a modéstia e a abnegação. Deus lhes deu essa faculdade para que eles ajudem a propagar a verdade, mas não para fazerem dela um comércio. Por estes não entendo somente os que desejassem explorá-la como o fariam com uma faculdade comum, os que se fizessem médiuns como outros se fazem dançarinos ou cantores, mas todos os que pretendessem utilizar a mediunidade com fins interesseiros de qualquer espécie.

Seria racional supor que os Espíritos bons, e mais ainda os Espíritos superiores que condenam a cupidez consentissem em participar de espetáculos e se pusessem à disposição de um empresário de manifestações espíritas, como comparsas? Não é mais racional supor que os Espíritos bons possam favorecer as intenções do orgulho e da ambição. Deus lhes permite comunicar-se com os homens para tirá-los do lamaçal terreno e não para servirem de instrumento às paixões mundanas. Não pode, pois, ver com prazer os que desviam do seu verdadeiro fim o dom que lhes concedeu. Eu vos asseguro que eles serão punidos por isso, mesmo neste mundo, pelas mais amargas decepções.

DELPHINE DE GIRARDIN

XV

Todos os médiuns são incontestavelmente chamados a servir à causa do Espiritismo na medida de suas faculdades. Mas são poucos os que não se deixam levar pelo amor-próprio. É essa uma pedra de toque que raramente falha. Entre cem médiuns apenas se encontra um, se possível, que não tenha julgado, por humilde que seja a sua condição, nos primeiros tempos de sua mediunidade, destinada a obter resultados superiores e predestinado a grandes missões. Os que sucumbem a essa vaidosa ambição, e o número é grande, tornam-se presa inevitável de Espíritos obsessores que não tardam a subjugá-lo, excitando-lhe o orgulho e apanhando-o pelo seu lado fraco. Quanto mais eles desejam elevar-se, mais ridícula é a sua queda, quando não for até mesmo desastrosa para eles.

As grandes missões são confiadas aos homens excepcionais e Deus mesmo os colocam, sem que eles o procurem, no meio e na posição em que o seu concurso possa ser eficaz. Nunca será demais recomendar aos médiuns inexperientes que desconfiem daquilo que certos Espíritos poderão dizer-lhes, quanto ao pretenso papel que eles são chamados a exercer. Porque, se o tomarem a sério só recolherão decepções neste mundo e um severo castigo no outro.

Que se convençam, portanto, os médiuns de que podem prestar grandes serviços na esfera modesta e obscura em que se acham, ajudando a converter os incrédulos ou dando consolações aos aflitos. Se eles tiverem de sair da obscuridade, serão conduzidos por mão invisível, que lhes preparará o caminho colocando-os em evidência, por assim dizer, malgrado eles mesmos. Que se lembrem destas palavras: quem quiser se elevar será rebaixado, e quem se rebaixar será elevado.

O ESPÍRITO DA VERDADE

SOBRE AS SOCIEDADES ESPÍRITAS

OBSERVAÇÃO – Entre as comunicações seguintes, algumas foram dadas na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas ou endereçadas a ela. Outras, transmitidas por diversos médiuns, contém conselhos gerais sobre os grupos, sua organização e as dificuldades que podem enfrentar.

XVI

Por que não iniciais as vossas sessões por uma invocação geral, uma espécie de prece que pudesse dispor-vos à concentração? Porque é bom saberdes que sem recolhimento só tereis comunicações levianas. Os Espíritos bons só comparecem onde são chamados com fervor e sinceridade. Eis o que ainda não se compreendeu devidamente. Compete a vós, portanto, dar o exemplo, a vós que, se o quiserdes, podereis tornar-vos uma das colunas do novo edifício. Observamos os vossos trabalhos com satisfação e vos ajudamos, mas com a condição de também nos ajudardes, mostrando-vos à altura da missão que fostes chamados a cumprir. Formai um feixe e sereis fortes. Os Espíritos maus não prevalecerão contra vós.

Deus ama os simples de espírito, o que não quer dizer os tolos, mas os que sabem renunciar a si mesmos e procurá-lo sem orgulho. Podeis tornar -vos um farol para a humanidade. Aprendei a distinguir o joio do trigo. Semeai apenas o trigo e evitai espalhar o joio, porque este impedirá que o trigo germine e sereis responsáveis por todo o mal que decorrer disso. Assim, sereis responsáveis pelas doutrinas errôneas que divulgardes. Lembrai-vos de que um dia o mundo pode voltar os olhos sobre vós. Esforçai-vos para que nada possa empanar o brilho das boas coisas que sairão do vosso esforço. É por isso que vos recomendamos pedir a Deus que vos assista.

SANTO AGOSTINHO

Solicitado a ditar uma fórmula de invocação geral, Santo Agostinho respondeu:

Sabeis que não existe nenhuma fórmula absoluta. Deus é bastante grande para dar mais importância às palavras do que ao pensamento? Não acrediteis que seja suficiente pronunciar algumas palavras para afastar os Espíritos maus. Guardai-vos sobretudo de usar uma dessas fórmulas banais que são recitadas por desencargo de consciência. Sua eficácia está na sinceridade do sentimento e sobretudo na unanimidade da intenção, pois aqueles que não se associarem de coração não serão beneficiados nem poderão beneficiar os outros. Escrevei-a vós mesmos e submetei-a, se o quiserdes, a mim que vos ajudarei.

OBSERVAÇÃO – A fórmula seguinte de invocação geral foi redigida com o concurso do Espírito, que a completou em vários pontos:

Suplicamos a Deus todo-poderoso que nos envie os Espíritos bons para nos assistirem, que afaste de nós os que pudessem nos induzir em erro. Dai-nos a luz necessária para distinguir a verdade da impostura.

Afastai também os Espíritos malfazejos que pudessem lançar a desunião em nosso meio suscitando a inveja, o orgulho e o ciúme. Se alguns tentarem introduzir-se em nosso recinto, em nome de Deus determinamos que se retirem.

Espíritos bons que presides aos nossos trabalhos, vinde instruir-nos e tornar-nos dóceis aos vossos conselhos. Fazei que todo sentimento pessoal desapareça em nós, ante o pensamento do bem geral.

Pedimos especialmente ao nosso protetor particular dar-nos hoje o seu concurso.

XVII

Meus amigos, deixai- me vos dar um conselho, porque estais marchando sobre um terreno novo e se seguirdes o caminho que vos indicamos não vos perdereis. Disseram -vos uma verdade que desejamos lembrar: que o Espiritismo é uma moral e não deve sair dos limites da filosofia se não quiser cair no campo da curiosidade. Deixai de lado as questões científicas. A missão dos Espíritos não é a de resolvê-las, poupando-vos o trabalho das pesquisas. Tratai antes de vos melhorardes, pois é assim que realmente avançareis.

SÃO LUÍS

XVIII

Zombaram das mesas girantes, mas jamais zombarão da filosofia, da sabedoria e da caridade que brilham nas comunicações sérias. Foram elas o vestíbulo da ciência. Ao passar por elas devemos deixar os preconceitos como se deixa uma capa. Eu vos pediria demasiado para fazer de vossas reuniões um centro de trabalho sério. Que se façam demonstrações físicas onde quiserem, que por aí se observe, que por aí se ouça, mas que entre vós se compreenda e se ame. O que julgais ser aos olhos dos Espíritos superiores, quando fazeis girar ou levantar-se uma mesa? Simples colegiais. O sábio passaria o seu tempo a repetir o abecê da ciência? Entretanto, ao ver-vos interessados nas comunicações sérias, eles vos consideram como homens sérios em busca da verdade.

Perguntamos a São Luís se ele queria com isso condenar as manifestações físicas e ele respondeu:

Eu não poderia condenar as manifestações, desde que, se elas ocorrem é com a permissão de Deus e com uma finalidade útil. Ao dizer que elas representaram o vestíbulo da ciência assinalei o seu verdadeiro lugar e a sua utilidade. Não censuro senão os que as produzem por divertimento e curiosidade, sem delas tirar o ensinamento consequente. Elas estão para a filosofia espírita como a gramática para a literatura. Aquele que chegou a determinado grau numa ciência não perde mais tempo em reestudar suas partes elementares.

XIX

Meus amigos e crentes fiéis, sou sempre feliz de poder vos guiar na senda do bem. É uma doce missão que Deus me concede e à qual me dedico, porque ser útil já é em si mesmo uma recompensa. Que o Espírito de caridade vos una, tanto a caridade que dá como a que ama. Sede pacientes com as injúrias dos vossos detratares, sede firmes no bem e sobretudo humildes perante Deus. O que eleva é somente a humildade: ela é a única grandeza que Deus reconhece. Somente assim os Espíritos bons vos atenderão; do contrário os do mal se apoderarão da vossa alma. Bendizei o nome do Criador e vos engrandecereis aos olhos dos homens, ao mesmo tempo que aos de Deus.

SÃO LUÍS

XX

A união faz a força, uni-vos para serdes fortes. O Espiritismo germinou, lançou raízes profundas e vai estender sobre a Terra a sua ramagem benfazeja. É necessário que vos torneis invulneráveis aos dardos envenenados da calúnia e da negra falange dos Espíritos ignorantes, egoístas e hipócritas. Para chegar a isso, uma indulgência e uma benevolência recíprocas devem presidir às vossas relações; vossos defeitos devem passar despercebidos e vossas qualidades, somente elas, devem ser observadas. A chama da amizade pura deve unir, iluminar e aquecer os vossos corações. Assim podereis resistir aos ataques impotentes do mal, como o rochedo inabalável resiste às vagas furiosas.

VICENTE DE PAULO

 XXI

Meus amigos, quereis formar um grupo espírita e eu vos aprovo, pois os Espíritos não podem ver com satisfação os médiuns que se conservam isolados. Deus não lhes concedeu essa faculdade sublime para eles somente, mas para o benefício geral. Na relação com os outros eles têm mil ocasiões de se esclarecerem quanto ao mérito das comunicações que recebem, enquanto sozinhos estão mais sujeitos ao domínio dos Espíritos mentirosos, encantados de verem o médium sem controle. Eis o que vos deixo, e se não estiverdes dominados pelo orgulho, compreendereis e aproveitareis. Eis agora para os outros.

Sabeis realmente o que é uma reunião espírita? Não, porque no vosso zelo pensais que o melhor a fazer é reunir o maior número de pessoas, a fim de as convencer. Desenganai-vos disso. Quanto menos pessoas, mais obtereis. É sobretudo pela ascendência moral que encaminhareis os incrédulos, muito mais que pelos fenômenos. Se apenas os atrairdes por meio de fenômenos, eles irão vê-los por curiosidade e encontrareis curiosos que não acreditarão e rirão dos vossos esforços; se entre vós só existirem pessoas dignas, talvez não creiam imediatamente, mas vos respeitarão e o respeito inspira sempre confiança. Estais convencidos de que o Espiritismo deve produzir uma reforma moral. Que o vosso grupo seja o primeiro a dar exemplo das virtudes cristãs, porque neste tempo de egoísmo é nas sociedades espíritas que a verdadeira caridade deve encontrar refúgio (3) Assim deve ser, meus amigos, um grupo de verdadeiros espíritas. De outra vez vos darei outros conselhos.

FÉNELON

XXII

Perguntastes se a multiplicidade dos grupos numa mesma localidade não poderia provocar rivalidades prejudiciais para a doutrina. A isso responderei que se estiverem imbuídos dos verdadeiros princípios dessa doutrina, verão irmãos em todos os espíritas e não rivais. Os que vissem outras reuniões com ciúmes provariam estar com segunda intenção, por interesse ou amor-próprio, não sendo guiados pelo amor da verdade. Garanto-vos que se pessoas assim estivessem entre vós provocariam logo a perturbação e a desunião. O verdadeiro Espiritismo tem por divisa benevolência e caridade. Dele se exclui toda rivalidade que não seja a do bem que se pode fazer. Todos os grupos que inscreverem essa divisa em sua bandeira poderão dar-se as mãos como bons vizinhos, que não são menos amigos por não morarem na mesma casa. Os que pretendessem ter por guia os melhores Espíritos deveriam prová-lo mostrando melhores sentimentos. Que haja luta, pois, entre eles, mas uma luta de grandeza de alma, de abnegação, de bondade e humildade. Aquele que atirasse uma pedra no outro provaria estar influenciado por Espíritos maus. A natureza dos sentimentos que dois homens manifestem um pelo outro é a pedra de toque pela qual podemos conhecer a natureza dos Espíritos que os assistem.

FÉNELON

XXIII

O silêncio e a concentração são as condições essenciais para to das as comunicações sérias. Jamais obtereis essas comunicações quando a atração para as vossas reuniões for apenas a curiosidade. Fazei, pois, que os curiosos vão se divertir em outro lugar, porque a sua distração seria a causa de perturbações.

Não deveis tolerar nenhuma conversação quando os Espíritos estão sendo interpelados. Às vezes aparecem comunicações que exigem réplicas sérias de vossa parte e respostas não menos graves dos Espíritos evocados, que se sentem, notai bem, aborrecidos com os cochichos de certos assistentes. Daí nada se obter de maneira completa nem realmente séria. O médium que escreve experimenta, ele também, distrações bastante nocivas ao seu trabalho.

SÃO LUÍS

 XXIV

Falarei da necessidade de observardes a maior regularidade na realização das vossas sessões, evitando toda confusão e divergência de idéias. A divergência favorece a intromissão dos maus Espíritos em lugar dos bons, e quando isso acontece quase sempre são eles que respondem às perguntas formuladas. De outra parte, numa reunião composta de elementos diversos e desconhecidos entre si, como se poderiam evitar as idéias contraditórias, a distração ou pior ainda: uma vaga e brincalhona indiferença?

Esse meio, eu o desejaria encontrar, pelo contrário, eficiente e seguro. Talvez se encontre na concentração dos fluidos em torno dos médiuns. Eles somente, mas sobretudo os que são estimados, retêm os Espíritos bons na reunião, mas a sua influência consegue apenas dissipar a perturbação dos Espíritos levianos. O trabalho de exame das comunicações é excelente. Nunca seria demais aprofundar o estudo das perguntas e sobretudo das respostas. O erro é fácil mesmo para os Espíritos animados das melhores intenções. A lentidão da escrita, durante a qual o Espírito se desvia do assunto, que se esgota tão logo o concebeu, a instabilidade e indiferença por certas formas convencionais, todas essas razões e muitas outras vos tornam um dever só confiar de maneira limitada, e sempre sujeita ao exame, mesmo quando se trate das comunicações autênticas.

GEORGES (Espírito familiar)

 XXV

Com que fim, na maioria das vezes, pedis comunicações dos Espíritos? Para obter belos trechos que mostrais aos vossos conhecidos como amostras do nosso talento e conservais preciosamente nos álbuns, sem lhes dar acolhida no vosso coração? Pensais que ficamos lisonjeados de comparecer às reuniões como a um concurso, disputando eloqüência para que possais dizer que a sessão foi muito interessante? O que acontece quando recebeis uma comunicação admirável? Julgais que buscamos os vossos aplausos? Pois estais enganados: já não gostamos mais de vos distrair de uma maneira ou de outra. De vossa parte é ainda a curiosidade que vos impele e procurais dissimulá-la em vão. A nossa finalidade é vos tornar melhores.

Quando verificamos que as nossas palavras não produzem efeito e que tudo se reduz, de vossa parte, a uma aprovação estéril, vamos procurar outras almas que sejam mais dóceis. Deixamos então que venham substituir-nos os Espíritos que só gostam de falar e que nunca faltam. Admirai-vos de deixarmos que tomem o nosso nome. Que vos importa isso, desde que para vós tanto faz como tanto fez?

Sabei, entretanto, que não permitiríamos isso com aqueles que realmente nos interessam, quer dizer aqueles que não nos fazem perder tempo. Esses são os nossos preferidos e os preservamos da mentira. Não vos queixeis senão de vós mesmos se sois frequentemente enganados. Para nós o homem sério não é aquele que evita o riso, mas aquele cujo coração é tocado pelas nossas palavras, que as medita e as põe em prática. (Ver n° 268, perguntas 19 e 20).

MASSILLON

 XXVI

O Espiritismo deveria ser em si mesmo uma defesa contra o espírito de discórdia e dissensão. Mas esse espírito vem desde todos os tempos brandindo a sua tocha sobre as criaturas, porque tem inveja da felicidade dos que buscam a paz e a união. Espíritas! Ele pode penetrar nas vossas assembleias e não duvideis de que procurará semear nelas a inimizade, mas será impotente contra aqueles que forem animados pela verdadeira caridade. Ponde-vos portanto em guarda e vigiai sem cessar a porta do vosso coração, bem como a das vossas reuniões, para não deixar o inimigo entrar.

Se os vossos esforços forem impotentes para os que vos rodeiam, dependerá sempre de vós não lhes permitir o acesso à vossa alma. Se as dissensões agitam o vosso meio, só podem ser provocadas por Espíritos maus, pois os que se elevaram ao mais alto grau do sentimento do dever e à compreensão do verdadeiro Espiritismo sabem portar-se com urbanidade, mostrando-se mais pacientes, mais dignos e mais compreensivos. Os Espíritos bons podem às vezes permitir essas lutas para que os bons e os maus sentimentos tenham ocasião de se revelar, a fim de separarem o trigo do joio. Eles ficarão sempre ao lado dos que tiverem mais humildade e verdadeira caridade.

VICENTE DE PAULO

XXVII

Repeli impiedosamente todos esses Espíritos que se querem fazer conselheiros exclusivos, pregando a divisão e o isolamento. São quase sempre Espíritos vaidosos e medíocres, que procuram impor-se aos homens fracos e crédulos, prodigalizando -lhes louvores exagerados a fim de fasciná-los e mantê-los sob o seu domínio. São geralmente Espíritos famintos de poder. Tiranos políticos ou particulares quando vivos, querem ainda tiranizar outras vítimas após a morte. Desconfiai em geral das comunicações que revelam um caráter místico e estranho ou que prescrevem cerimônias e práticas bizarras. Há sempre, nesses casos, legítimo motivo de suspeita.

De outro lado, lembrai-vos de que quando uma verdade deve sei revelada à humanidade ela é comunicada, por assim dizer instantaneamente, a todos os grupos sérios, que possuem médiuns sérios, e não a este ou àquele em particular, com exclusão dos demais.

Ninguém pode ser médium perfeito se estiver obsedado e a obsessão é evidente quando um médium só recebe comunicações de determinado Espírito, por mais alto que este procure se colocar a si mesmo. Em consequência, todo médium, todo grupo que se acredita privilegiado por comunicações que só ele pode receber, e que, por outro lado, estão submetidos a práticas de natureza supersticiosa, encontram-se inegavelmente sob uma obsessão bem caracterizada, sobretudo quando o Espírito dominador se vangloria de um nome que todos, Espíritos e encarnados, devem honrar e respeitar e não deixar que o profanem a qualquer propósito.

É incontestável que, submetendo ao crivo da razão e da lógica todas as informações e comunicações dos Espíritos, será fácil repelir o absurdo e o erro. Um médium pode estar fascinado, um grupo enganado, mas o controle severo de outros grupos, o conhecimento adquirido e a alta autoridade moral dos dirigentes, junto as comunicações dos principais médiuns que recebem, com lógica e autenticidade reconhecidas, de Espíritos esclarecidos, farão rapidamente justiça a esses ditados mentirosos e astuciosos, provenientes de uma turba de Espíritos mentirosos e malévolos.

ERASTO (discípulo de São Paulo)

OBSERVAÇÃO – Um dos caracteres distintivos desses Espíritos que querem impor- se, fazendo aceitar suas idéias bizarras e sistemáticas, é a pretensão, como se fossem eles os únicos a saberem, a ter razão contra todo mundo. Sua tática é a de evitar a discussão. Quando se vêem combatidos de maneira vitoriosa pelos argumentos irresistíveis da lógica, recusam-se desdenhosamente a responder e determinam aos seus médiuns que se afastem dos Centros onde suas idéias não são aceitas. Esse isolamento é o que há de mais fatal para os médiuns, porque sofrem sem defesa o jugo desses Espíritos obsessores, que os levam como cegos, frequentemente, pelos caminhos mais perigosos.

XXVIII

Os falsos profetas não existem apenas entre os encarnados. Encontram-se também, em número muito grande, entre os Espíritos orgulhosos que sob as falsas aparências de amor e caridade semeiam a desunião e retardam a obra de emancipação da humanidade, ao lançarem entre as criaturas seus sistemas absurdos, que fazem os médiuns aceitar. Para melhor fascinar os que eles querem enganar, para dar mais peso às suas teorias, eles se enfeitam sem escrúpulos de nomes que os homens pronunciam com respeito, como os de santos justamente venerados, os nomes de Jesus, de Maria e do próprio Deus.

São eles os que semeiam os fermentos da discórdia entre os grupos, que os impelem a isolar-se uns dos outros e a se olharem enciumados. Bastaria isso para os desmascarar, pois agindo assim eles mesmos dão o mais formal desmentido ao que dizem ser. Cegos, portanto, são os homens que se deixam apanhar em armadilha tão grosseira.

Mas há muitos outros meios de os reconhecer. Os Espíritos da ordem a que eles dizem pertencer devem ser não só muito bons, mas também eminentemente lógicos e racionais. Pois bem, passai os seus sistemas pela peneira da razão e do bom senso e vereis o que deles restará. Concordai, pois, comigo, que toda vez que um Espírito indica, como remédio para os males da humanidade, ou como meio de se atingir a sua transformação, medidas utópicas e impraticáveis, pueris e ridículas, quando formula sistemas contraditórios com as mais vulgares noções da Ciência, não pode ser mais do que um Espírito ignorante e mentiroso.

Por outro lado, lembrai-vos de que se a verdade nem sempre é apreciada pelos indivíduos, sempre o é pelo bom senso das massas e esse é também um critério. Se dois princípios se contradizem, tereis a medida de seu valor intrínseco vendo qual deles encontrará mais ressonância e simpatia. Seria lógico, com efeito, admitir que uma doutrina cujo número de partidários esteja diminuindo fosse mais verdadeira que a outra cujo número aumenta? Deus, querendo que a verdade atinja a todos, não a confina num círculo restrito: faz que ela apareça em diferentes pontos, a fim de que por toda parte a luz brilhe ao lado das trevas.

ERASTO

 OBSERVAÇÃO – A melhor garantia de que um princípio é a expressão da verdade está no fato de ser ensinado por diferentes Espíritos, através de médiuns estranhos uns aos outros, em diferentes lugares e além disso confirmado pela razão e sancionado pela adesão do maior número. Só a verdade pode dar raízes a uma doutrina. Um sistema errôneo pode muito bem conseguir alguns adeptos, mas como lhe falta a primeira condição de vitalidade terá apenas uma existência efêmera. Eis porque não há motivo para inquietações: ele se mata pelos seus próprios erros e cairá inevitavelmente diante da poderosa arma da lógica.

COMUNICAÇÕES APÓCRIFAS

Há muitas vezes comunicações de tal maneira absurdas, embora assinadas por nomes os mais respeitáveis, que o mais vulgar bom senso demonstra a sua falsidade. Mas há aquelas em que o erro é disfarçado pela mistura com princípios certos, iludindo e impedindo às vezes que se faça a distinção a primeira vista. Mas elas não resistem a um exame sério. Daremos algumas a seguir, como exemplo.

XXIX

A criação perpétua e incessante dos mundos é para Deus como uma espécie de gozo perpétuo, porque ele vê continuamente seus raios se tornarem cada dia mais luminosos em felicidade. Não há número para Deus, como não há tempo. Eis porque centenas ou milhões não são nem mais nem menos para ele. É um pai, cuja felicidade se forma da felicidade coletiva de seus filhos. A cada segundo da criação ele vê uma nova felicidade vir se fundir na felicidade geral. Não há parada nem suspensão nesse movimento perpétuo, nessa grande felicidade incessante que fecunda a terra e o céu. Não conhecemos do mundo mais do que uma pequena fração, e tendes irmãos que vivem em latitudes que o homem ainda não conseguiu atingir. Que significam esses calores terríveis e esses frios mortais que paralisam os esforços dos mais audaciosos? Acreditais simplesmente haver chegado aos limites do vosso mundo, quando não mais podeis avançar com os vossos precários recursos? Podeis então medir com precisão o vosso planeta? Não acrediteis nisso. Há no vosso planeta mais regiões desconhecidas do que as conhecidas. Mas como é inútil propagar ainda mais as vossas más instituições, todas as vossas leis imperfeitas, ações e modos de vida, há um limite que vos detém aqui ou ali e que vos deterá até que possais transportar as boas sementes que o vosso livre-arbítrio produzir. Oh, não, vós não conheceis o mundo que chamais Terra. Vereis na vossa existência um grande começo de provas desta comunicação. Eis que a hora vai soar, em que haverá uma outra descoberta além da última que foi feita; vereis que vai se alargar o círculo da vossa Terra conhecida, e quando toda a imprensa cantar essa hosana em todas as línguas, vós pobres crianças que amais a Deus e procurais o seu caminho, o sabereis antes mesmo que aqueles que darão o seu nome à nova terra.

VICENTE DE PAULO

OBSERVAÇÃO – Do ponto de vista do estilo esta comunicação não suporta a crítica. As incorreções, os pleonasmos, os torneios viciosos saltam aos olhos de quem quer que seja um pouco letrado. Mas isso não provaria nada contra o nome com que está assinada, atendendo-se que essas imperfeições poderiam provir da insuficiência do médium, como já demonstramos. O que pertenceria ao Espírito seria a idéia. Ora, quando ele diz que há no nosso planeta mais regiões desconhecidas do que conhecidas, que um novo continente vai ser descoberto, isso, é, para um Espírito que se diz superior, dar prova da mais profunda ignorância. Não há dúvida que se podem descobrir, além das regiões geladas, alguns recantos de terra ainda desconhecidos, mas dizer que essas terras são povoadas e que Deus as ocultou aos homens a fim de que eles não levassem para elas as suas más instituições, é ter demasiada confiança na cegueira daqueles que recebem semelhantes absurdos.

XXX

Meus filhos, nosso mundo material e o mundo espiritual, que tão pouco ainda se conhece, são como dois pratos de uma balança perpétua. Até aqui as nossas religiões, as nossas leis, os nossos costumes e as nossas paixões fizeram de tal maneira pender o prato do mal, para elevar o do bem, que temos visto o mal reinar soberano sobre a Terra. Através dos séculos é sempre a mesma lamentação que sai da boca do homem, e a conclusão fatal é a injustiça de Deus. Há mesmo os que vão até a negação da existência de Deus. Vedes tudo aqui e nada lá; vedes o supérfluo que fere a necessidade, o ouro que brilha junto à lama, todos os contrastes, os mais chocantes, que deveriam provar a vossa dupla natureza. De onde vem isso? De quem a falta? Eis o que é necessário procurar com tranqüilidade e com imparcialidade. Quando se deseja sinceramente encontrar um bom remédio, a gente o encontra. Pois bem! Malgrado essa dominação do mal sobre o bem, pela vossas próprias faltas, por que não vedes o resto seguir direito a linha traçada por Deus? Vedes as estações se desarranjarem? O calor e o frio se chocarem inconsideradamente? A luz do sol esquecer-se de clarear a Terra? A Terra esquecer no seu seio a semente que o homem ali depositou? Vedes cessarem os mil milagres perpétuos que se produzem aos nossos olhos, desde a germinação da erva até o nascimento da criança, homem futuro?

Mas se tudo vai bem do lado de Deus, tudo vai mal do lado do homem. Qual o remédio para isso? É bem simples: aproximar-se de Deus. Amarem-se, unirem-se, entenderem -se e seguirem tranquilamente a estrada, cujas marcas se percebem com os olhos da fé e da consciência.

VICENTE DE PAULO

OBSERVAÇÃO – Esta comunicação foi recebida no mesmo círculo da anterior. Mas que diferença! Não só pelas idéias, mas também quanto ao estilo. Tudo nela é justo, profundo, sensato, e certamente São Vicente de Paulo não a renegaria. Eis porque, sem temor, lhe podemos atribuir.

XXXI

Avante, filhos, cerrai as vossas fileiras! Quer dizer: que vossa união faça a vossa força. Vós que trabalhais na fundação do grande edifício, velai e trabalhai sempre para consolidar a sua base e puderdes então elevá-lo alto, bem alto! O progresso é imenso por todo o nosso globo. Uma quantidade inumerável de prosélitos se enfileiram sob a nossa bandeira. Muitos céticos e mesmo os mais incrédulos também se aproximam.

Avante, filhos, marchai de coração erguido, cheios de fé. A rota que seguis é bela, não esmoreçais. Segui sempre em linha reta, servindo de guias aos que vêm atrás. Eles serão felizes, muito felizes!

Marchai, filhos! Não precisais da força das baionetas para sustentar a vossa causa, precisais apenas da fé. A convicção, a fraternidade e a união, eis as vossas armas. Com elas sois fortes, mais poderosos do que todos os potentados do mundo reunidos, não obstante seus exércitos, suas frotas, seus canhões e suas metralhas!

Vós que combateis pela liberdade dos povos e pela regeneração da grande família humana, avançai, filhos, coragem e perseverança que Deus vos ajudará. Boa-noite e até à vista.

NAPOLEÃO

OBSERVAÇÃO – Napoleão era, em vida, um homem grave e sério como poucos. Todos conhecem o seu estilo breve e conciso. Teria degenerado após a morte, tornando-se verboso e burlesco? Esta comunicação pode ser de algum soldado que se chamava Napoleão.

XXXII

Filhos da minha fé, cristãos da minha doutrina esquecida sob as ondas interesseiras da filosofia dos materialistas, segui-me pelo caminho da Judéia, segui a paixão de minha vida, contemplai agora os inimigos, vede os meus sofrimentos, os meus tormentos e o meu sangue derramado pela minha fé.

Filhos espiritualistas da minha nova doutrina, estais prontos a suportar, a enfrentar as ondas da adversidade, os sarcasmos de vossos inimigos. A fé avança sem cessar seguindo a vossa estrela, que vos levará ao caminho da felicidade eterna, como a estrela conduziu pela fé os magos do Oriente à manjedoura. Sejam quais forem as vossas adversidades, sejam quais forem as vossas penas e as lágrimas que derramardes nessa esfera de exílio, tende coragem, persuadi-vos de que a alegria que vos inundará no mundo dos Espíritos estará muito acima dos tormentos da vossa existência passageira.

O vale de lágrimas é um vale que deve desaparecer para dar lugar à brilhante morada da alegria, da fraternidade e da união, à qual, por vossa obediência à santa revelação, chegareis. A vida, meus caros irmãos, nesta esfera terrestre, inteiramente preparatória, não pode durar mais que o tempo necessário para se viver bem preparado para essa vida que não poderá jamais passar. Amai-vos, amai-vos como eu vos amei, irmãos! Eu vos abençôo; no céu vos espero.

JESUS

Destas brilhantes e luminosas regiões em que o pensamento humano mal pode chegar, o eco de vossas palavras e das minhas veio tocar o meu coração.

Oh! De que alegria me sinto inundado em vos vendo, vós, os continuadores da minha doutrina. Não, nada se aproxima do testemunho dos vossos bons pensamentos! Vós vedes, filhos, a idéia regeneradora lançada por mim outrora no mundo, perseguida, retida um momento sob a pressão dos tiranos, como vai agora, sem obstáculos, esclarecendo os caminhos da humanidade, tão longo tempo mergulhada nas trevas.

Todo sacrifício grande e desinteressado, meus filhos, cedo ou tarde produz os seus frutos. Meu martírio vo-lo provou; meu sangue derramado por minha doutrina salvará a humanidade e apagará as faltas os grandes culpados!

Sede benditos, vós que hoje tomais lugar na família regenerada! Ide, coragem, filhos!

JESUS

OBSERVAÇÃO – Não há nada de mau, sem dúvida, nessas duas comunicações. Mas o Cristo teve algum dia essa linguagem pretensiosa, enfática e empolada? Compare-se ambas com a que inserimos atrás, assinada com o mesmo nome, e se verá de que lado está o cunho de autenticidade.

Todas essas comunicações foram obtidas no mesmo círculo. Observa-se no estilo um ar familiar, torneios de frases semelhantes, as mesmas expressões frequentemente repetidas, como por exemplo: ide, de, filhos, etc., de onde se pode concluir ser o mesmo Espírito que ditou a todas sob nomes diferentes. Nesse círculo, que é entretanto muito consciencioso, mas um tanto crédulo demais, não se faziam evocações nem perguntas, tudo se esperava das comunicações espontâneas, e vemos que isso não é uma garantia de identidade. Com perguntas um tanto exigentes e dispostas com lógica facilmente teriam colocado esse Espírito no seu lugar. Mas ele sabia que nada tinha a temer, desde que nada lhe perguntavam, aceitando sem controle e de olhos fechados tudo o que ele dizia. (Ver n° 269).

XXXIII

Que bela é a Natureza! Como a Providência é prudente em sua previdência! Mas a vossa cegueira e as vossas paixões humanas vos impedem de adquirir paciência na prudência e na bondade de Deus. Vós vos lamentais pela menor contrariedade, pelo menor atraso nas vossas previsões. Sabei, então, vacilantes impacientes, que nada ocorre sem um motivo previsto, sempre determinado em benefício de todos. A razão desses atrasos é a necessidade de reduzir a nada, homens de respeito hipócritas, as vossas previsões de anos maus para as vossas colheitas.

Deus inspira aos homens a preocupação do futuro para os levar à previdência. E vede como são grandes os recursos para resolver os vossos temores, propositalmente suscitados, e que no mais ocultam intenções ávidas, mais que a de aprovisionar com prudência, inspirada num sentimento de humanidade em favor dos pequenos. Vede as relações de nações para nações que daí resultarão, vede quantas transações deverão realizar-se, quantos recursos virão concorrer para remediar os vossos temores! Porque, vós o sabeis, tudo se encadeia, grandes e pequenos terão trabalho.

Então, não vedes desde logo nesse movimento uma fonte de certo bem-estar para a classe mais trabalhadora dos Estados, classe realmente interessante, que vós, os onipotentes da Terra, considerais como gente que podeis talhar à vontade, criada para as vossa satisfações? Pois bem, o que acontece depois de todo esse vaivém de um extremo ao outro? Acontece que uma vez bem providos, muitas vezes o tempo muda. O sol, obedecendo os desígnios de seu Criador, amadureceu em alguns dias as vossas colheitas. Deus pôs a abundância onde a vossa cobiça pensava na escassez. E, malgrado vosso, os pequenos poderão viver; sem suspeitardes, fostes a contragosto a causa de uma era de abundância.

Entretanto acontece – Deus às vezes o permite – que os maus consigam êxito em seus projetos cúpidos. Mas então é um ensinamento que Deus quer dar a todos. É a previdência humana que Ele quer estimular. É a ordem infinita que reina na Natureza e que os homens devem imitar para enfrentar os acontecimentos com coragem, para suportá-los com resignação.

Quanto aos que se aproveitam calculadamente dos desastres, crede que serão punidos. Deus quer que todos os seus seres vivam. O homem não deve jogar com a necessidade nem traficar com o supérfluo. Justo nos seus benefícios, grande na sua clemência, demasiado bom ante a nossa ingratidão, Deus, nos seus desígnios, é impenetrável.

BOSSUET, ALFREDO DE MARIGNAC

OBSERVAÇÃO – Este comunicação não contém seguramente nada de mau. Contém mesmo idéias filosóficas profundas e conselhos muito prudentes, que poderiam enganar, quanto a identidade, pessoas pouco versadas em literatura. O médium que a recebeu, submetendo-a ao exame da Sociedade Espírita de Paris, viu que esta se levantou numa só voz para declarar que ela não podia ser de Bossuet. São Luís consultado a respeito, respondeu:

– Esta comunicação, em si mesma, é boa, mas não acrediteis que foi Bossuet quem a ditou. Um Espírito a escreveu, talvez um pouco sob a sua inspiração, e pôs por baixo o nome dogrande bispo para que mais facilmente ela fosse aceita, mas pela linguagem deveis reconhecer a substituição. É do Espírito que colocou o seu nome após o de Bossuet.

Esse Espírito, interrogado sobre o motivo que o levou a agir dessa maneira, declarou:

– Eu tinha desejo de escrever alguma coisa a fim de me fazer lembrar pelos homens. Vendo que era fraco, quis juntar-lhe o prestígio de um grande nome.  

– Mas não pensaste que podiam reconhecer que não era de Bossuet?

– Quem sabe o que pode acontecer ao certo? Vós podereis enganar-vos. Outros menos esclarecidos a teriam aceito.

Com efeito, a facilidade com que certas pessoas aceitam tudo o que vem do mundo invisível sob a cobertura de um grande nome é o que encoraja os Espíritos mistificadores. Devemos aplicar toda a nossa atenção em desfazer as tramas desses Espíritos, mas só o podemos fazer com a ajuda da experiência, adquirida através de um estudo sério. Por isso repetimos sem cessar: estudai antes de praticar, pois é esse o único meio de não terdes de adquirira experiência à vossa própria custe (4).

(1) Esta comunicação aparece, um pouco modificada, no cap. VI de O Evangelho Segundo o Espiritismo com a assinatura de Espírito da Verdade, datada de Paris, 1861. Sabendo-se que Kardec não tomava decisões dessa importância por seu próprio arbítrio, e que poderia ter deixado de incluir ali essa comunicação, é evidente que a assinatura primitiva deve ter sido corrigida pelo próprio Espírito comunicante, como sempre acontece quando a imaginação do médium interfere nos ditados. No caso, o conteúdo da mensagem é realmente de valor. Note- se o cuidado seguido por Kardec e por ele recomendado, mas até hoje pouco seguido, no tocante as comunicações assinadas por nomes venerados. É conveniente ler e reler as suas considerações acima. (N. do T.)

(2) Mediunato é termo criado pelos Espíritos e quer dizer: missão mediúnica. (N. do T.)

(3) Conhecemos um senhor que foi aceito num emprego de confiança, numa firma importante, por ser espírita sincero. Entenderam que esse fato era uma garantia da sua condição moral. (Nota de Kardec). – A importância da conduta moral do espírita decorre da importância do exemplo individual no meio social. O fato anotado por Kardec ainda hoje se repete, graças aos exemplos de abnegação de muitos adeptos realmente devotados à prática do bem. Esses exemplos engrandecem a doutrina e facilitam assim a sua divulgação, a sua influência na transformação do mundo. (N. do T.)

(4) O grifo é nosso. Quisemos chamar a atenção dos leitores e estudiosos atuais da doutrina, que tanto se propaga entre nós, para essa condição básica e tão esquecida da prática espírita: o estudo persistente, metódico e, portanto sério da obra de Kardec. Ninguém, até hoje, investigou com tanta paciência e segurança, pesquisou com tanto rigor os fenômenos espíritas, em todos os seus aspectos, como o mestre e codificador da Doutrina Espírita. Os exemplos que ele nos oferece neste capitulo devem ser apreciados, com atenção e vontade de aprender, por todos os estudiosos. Desses exemplos o nosso meio espírita, as nossas publicações, desde simples folhetos até revistas e livros, estão infelizmente repletos. Um pouco mais de estudo de O Livro dos Médiuns, como vemos, teria evitado que tantas mistificações evidentes, destinadas a ridicularizar o Espiritismo os olhos das pessoas sensatas, tivessem sido e continuem a ser aceitas com a maior leviandade entre nós. (N. do T.)

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