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18/10/2021

Segunda Parte – Capítulo XVI

MÉDIUNS ESPECIAIS

APTIDÕES ESPECIAIS DOS MÉDIUNS
QUADRO SINÓTICO DAS VÁRIAS ESPÉCIES DE MÉDIUNS

185. Além das categorias mediúnicas já enumeradas, a mediunidade apresenta infinitas variedades que constituem os chamados médiuns especiais, dotados de aptidões particulares ainda não definidas, abstraindo-se as qualidades próprias e os conhecimentos do Espírito manifestante.

A natureza das comunicações está sempre relacionada com a natureza do Espírito e traz o cunho da sua elevação ou da sua inferioridade, do seu saber ou da sua ignorância. Mas apesar da semelhança degrau, no tocante à hierarquia, há sempre entre eles uma tendência maior para este ou aquele campo. Os Espíritos batedores, por exemplo, raramente se afastam das manifestações físicas; entre os que dão manifestações inteligentes há Espíritos poetas, músicos, desenhistas, sábios, moralistas, médicos, etc.

Referimo-nos a Espíritos de uma ordem mediana, porque num grau ais elevado as aptidões se confundem na unidade da perfeição. Mas ao lado da aptidão do Espírito existe a do médium, instrumento que é para ele mais ou menos cômodo, mais ou menos flexível, no qual ele descobre qualidades particulares que não podemos apreciar.

Façamos uma comparação. Um músico bastante hábil tem ao seu dispor numerosos violinos que, para o vulgo, serão todos bons instrumentos, mas entre os quais o artista consumado faz grande diferença, percebendo nuanças de extrema delicadeza que o farão escolher uns rejeitar outros, nuanças que ele percebe por intuição, sem poder defini-las. Acontece o mesmo em relação aos médiuns: apesar da igualdade de condições quanto à potência mediúnica, o Espírito dará preferência a um ou a outro, segundo o gênero de comunicações que deseja transmitir. Assim, por exemplo, vêem-se alguns escreverem, como médiuns, admiráveis poesias, quando nas condições ordinárias jamais puderam ou souberam fazer versos. Outros, pelo contrário, são poetas, mas como médiuns só escrevem prosa, apesar do seu desejo de escrever poesias. Acontece o mesmo com o desenho, a música etc.

Há médiuns que, sem possuírem conhecimentos científicos mais aptos a receber comunicações dessa ordem. Outros são aptos para estudos históricos; outros servem mais facilmente de intérpretes a Espíritos moralistas. Numa palavra, qualquer que seja a habilidade do médium, as comunicações que recebe com mais fácil têm geralmente um cunho especial. Há ainda os que nunca saem de um determinado campo, e quando deles se afastam só recebei comunicações incompletas, lacônicas e muitas vezes falsas.

Além da questão das aptidões, os Espíritos ainda se comunicam dando preferência mais ou menos acentuada a este ou àquele me de acordo com as suas simpatias. Dessa maneira, apesar da semelhança de condições, o mesmo Espírito será mais explicite vês de certos médiuns, unicamente porque esses melhor lhes convêm.

186. Seria errôneo querer obter-se, só por se dispor de um médium escrevente, boas comunicações de todos os gêneros. A primeira condição é a de assegurar-se da fonte dessas comunica quer dizer, das qualidades do Espírito que as transmite. Mas não é menos necessário atentar para as qualidades do instrumento mediúnico. Temos pois de estudar a natureza do médium como se faz com a do Espírito, porque são eles os elementos essenciais para um resultado satisfatório. Mas há um terceiro elemento igualmente importante que é a intenção, o pensamento íntimo, o sentimento mais ou menos louvável de quem interroga o Espírito. E isso é fácil de compreender.

Para que uma comunicação seja boa é necessário que provenha de um Espírito bom. Para que esse Espírito bom possa transmiti-la precisa dispor de um bom instrumento. Para que ele QUEIRA transmiti-la, é necessário que o objetivo lhe convenha.

O Espírito, que lê o pensamento, julga se a questão proposta merece uma resposta séria e se a pessoa que a formula é digna dessa resposta. Caso contrário, não perde tempo lançando boas sementes nas pedras. É então que os Espíritos levianos e zombeteiros se intrometem, porque, pouco se importando com a verdade, não encaram o assunto como deviam e são geralmente bem pouco escrupulosos no tocante aos meios e aos objetivos.

QUADRO SINÓTICO

Resumimos a seguir os principais gêneros de mediunidade a fim de apresentar, de alguma maneira, o seu quadro sinótico, compreendendo os já descritos nos capítulos precedentes, com a indicação números em que foram tratados com mais detalhes.

Reunimos as diferentes variedades mediúnicas pelas semelhanças de causas e efeitos, sem que esta classificação seja absoluta. Algumas são encontradas com freqüência; outras, pelo contrário, são raras e até mesmo excepcionais, o que tivemos o cuidado de mencionar.

Estas indicações foram inteiramente fornecidas pêlos Espíritos que, além disso, reviram este quadro com particular cuidado e o completaram com numerosas observações e novas categorias, de tal maneira que ele é, por assim dizer, obra inteiramente deles.

Assinalamos, pondo-as em corpo tipográfico diferente e em medida menor (1) suas observações textuais, quando julgamos dever destacá-las. São, na maioria, de Erasto e de Sócrates.

187. Podem-se dividir os médiuns em duas grandes categorias:

Médiuns de efeitos físicos – Os que têm o poder de provocar os efeitos materiais ou as manifestações ostensivas. (Ver n°. 160)

Médiuns de efeitos intelectuais – Os que são mais especialmente aptos a receber e a transmitir as comunicações inteligentes. (Ver n°. 65 e seguintes) (2)

Todas as demais variedades se ligam mais ou menos diretamente a uma ou a outra dessas duas categorias, e algumas participam de ambas. Analisando os diversos fenômenos produzidos sob influência mediúnica vê-se que há em todos um efeito físico, e que aos efeitos físicos se junta quase sempre um efeito inteligente.

É às vezes difícil estabelecer o limite entre ambos, mas isso não acarreta nenhuma dificuldade. Incluímos na classificação de médiuns de efeitos intelectuais os que podem mais especialmente servir de instrumentos para comunicações regulares e contínuas. (Ver n°. 133)

188. Variedades comuns a todos os gêneros de mediunidade:

Médiuns sensitivos – Pessoas suscetíveis de sentir a presença dos Espíritos por uma sensação geral ou local, vaga ou material. Na sua maioria distinguem os Espíritos bons ou maus pela natureza da sensação que causam. (Ver n°. 164)

Os médiuns delicados e demasiado sensíveis devem abster-se de comunicações com Espíritos violentos ou cuja sensação é penosa, por causa da fadiga resultante.

Médiuns naturais ou inconscientes – Os que produzem fenômenos espontaneamente, sem querer, e na maioria das vezes à sua revelia. (Ver n°. 161)

Médiuns facultativos ou voluntários – Os que têm o poder de provocar os fenômenos por um ato da própria vontade. (Ver n°. 160)

Por maior que seja essa vontade, eles nada podem se os Espíritos se recusam, o que prova a intervenção de uma potência estranha (3).

189. Variedades especiais para os efeitos físicos:

Médiuns tiptólogos – Os que produzem ruídos e pancadas. Variedade muito comum, com ou sem a participação da vontade.

Médiuns motores – Os que produzem movimentos dos corpos inertes. Muito comuns (Ver n°. 61) (4)

Médiuns de translações e suspensões – Os que produzem a translação de objetos através do espaço ou a sua suspensão, sem qualquer ponto de apoio. Há também os que podem elevar-se a si próprios. Mais ou menos raros, segundo a intensidade do fenômeno. Muito raros, no último caso. (Ver n°. 75 e seguintes; n° 80)

Médiuns de efeitos musicais – Os que provocam a execução de músicas em certos instrumentos sem contato. Muito raros. (Ver n° 74, pergunta 24)

Médiuns de transporte – Os que podem servir aos Espíritos para transporte de objetos materiais. Variedade dos médiuns motores e translação. Excepcionais. (Ver n°. 96)

Médiuns de aparições – Que provocam as aparições fluídicas ou tangíveis, visíveis para os assistentes. Muito raros. (Ver n°. 100, pergunta 27; e n°. 104)

Médiuns noturnos – Os que só obtêm certos efeitos físicos na obscuridade. Eis a resposta de um Espírito sobre a possibilidade de considerarem esses médiuns como uma variedade:

Certamente se pode fazer desses casos uma especialidade, mas o fenômeno se deve mais às condições ambientes que à natureza do médium ou dos Espíritos. Devo acrescentar que alguns escapam a influência do meio e que a maioria dos médiuns noturnos poderiam, exercício, chegar a produzir tanto na claridade quanto na obscuridade.

Essa variedade de médiuns é pouco numerosa. E é necessário dizer claramente que é graças a essa condição, que deixa toda a liberdade ao emprego dos truques, da ventriloquia e dos tubos acústica que os charlatães têm frequentemente abusado da credulidade, fazendo-se passar por médiuns para ganhar dinheiro.

Mas que importa? Os farsantes de gabinete como os farsantes da praça pública serão cruelmente desmascarados. Os Espíritos lhes provarão que fazem mal de imiscuir-se nos seus trabalhos. Sim, eu o repilo: certos charlatães serão apanhados em flagrante de maneira bastante rude para desgostá-los do ofício de falsos médiuns. De resto, tudo isso não durará muito tempo. – (ERASTO). (5)

Médiuns pneumatógrafos – Os que obtêm a escrita direta. Fenômeno muito raro e sobretudo muito fácil de imitar pela charlatanice. (Ver n°. 177)

Observação – Os Espíritos insistiram, contra a nossa opinião, para colocarmos a escrita direta entre fenômenos de ordem física, pela razão, segundo disseram, de que: “os efeitos inteligentes são os que o Espírito produz servindo-se dos elementos existentes no cérebro do médium, o que não é o caso da escrita direta. A ação do médium é nesta inteiramente material, enquanto no médium escrevente, mesmo que seja completamente mecânica, o cérebro tem sempre um papel ativo (6).

Médiuns curadores – Os que têm o poder de curar ou de aliviar os males pela imposição das mãos ou pela prece.

Esta faculdade não é essencialmente mediúnica, pois todos os verdadeiros crentes a possuem, quer sejam médiuns ou não. Frequentemente não é mais do que a exaltação da potência magnética, fortalecida em caso de necessidade pelo concurso dos Espíritos bons. (Ver n°. 175) (7)

Médiuns excitadores – Os que têm a faculdade de desenvolver nos outros, por sua influência, a faculdade de escrever.

190. Médiuns especiais para efeitos intelectuais; aptidões diversas.

Médiuns audientes – Os que ouvem os espíritos. Muito comuns. (Ver n°. 165)

Há muitas pessoas que imaginam ouvir o que só existe na sua própria imaginação.

Médiuns falantes – Os que falam sob influência dos Espíritos. Muito comuns. (Ver n°. 166)

Médiuns videntes – Os que vêem os Espíritos em estado de vigília. A visão acidental e fortuita de um Espírito, em determinada circunstância, é muito freqüente, mas a visão habitual ou facultativa dos Espíritos, sem qualquer distinção, é excepcional. (Ver n°. 167)

A condição atual do nosso organismo físico ainda se opõe a essa aptidão, eis porque é conveniente não acreditar sempre, sem provas, nos que dizem ver os Espíritos.

Médiuns inspirados – Os que recebem os pensamentos sugeridos pelos Espíritos, na maioria das vezes sem o saberem, seja para as atitudes ordinárias da vida ou para os grandes trabalhos intelectuais. (Ver n°. 182)

Médiuns de pressentimento – Os que, em certas circunstâncias, têm uma vaga intuição de ocorrências vulgares do futuro. (Ver n°. 184)

Médiuns proféticos – Variedade de médiuns inspirados ou de pressentimento que recebem, com a permissão de Deus e com maior precisão que os médiuns de pressentimento, a revelação de ocorrências futuras de interesse geral, que estão encarregados de transmitir aos outros para fins instrutivos.

Se há verdadeiros profetas, há também os falsos e ainda em maior número, que tomam os devaneios da própria imaginação por revelações, quando não se trata de mistificadores que o fazem por ambição. (Ver no. 624 de O Livro dos Espíritos sobre as características do verdadeiro profeta.)

Médiuns sonâmbulos – Os que, em transe sonambúlico, são assistidos por Espíritos. (Ver n°. 172)

Médiuns extáticos – Os que, em estado de êxtase, recebem revelações dos Espíritos.

Muitos extáticos são joguetes da própria imaginação e de Espíritos enganadores que se aproveitam da sua exaltação. São muito raros os que merecem inteira confiança (8).

Médiuns pintores ou desenhistas – Os que pintam ou desenham: sob influência dos Espíritos. Tratamos dos que obtêm produções sérias, pois não se poderia dar esse nome a certos médiuns que os Espíritos zombadores fazem produzir coisas grotescas que desacreditariam o estudante mais atrasado.

Os Espíritos levianos são imitadores. Quando apareceram os notáveis desenhos de Júpiter, surgiu grande número de pretensos desenhistas, com os quais os Espíritos brincalhões se divertiram, fazendo-os produzir as coisas mais ridículas. Um deles, para eclipsar os desenhos de júpiter, senão pela qualidade ao menos pelo tamanho, fez um médium desenhar um monumento que exigiu o número suficiente de folhas de papel para atingires seus dois andares. Muitos outros fizeram desenhar supostos retratos que eram verdadeiras caricaturas. (Ver Revista Espírita de agosto de 1858).

Médiuns musicais – Os que executam, compõem ou escrevem músicas sob influência dos Espíritos. Há médiuns musicais mecânicos, semi-mecânicos, intuitivos e inspirados, como se dá com as comunicações literárias. (Ver o tópico sobre Médiuns de Efeitos Musicais)

VARIEDADES DE MÉDIUNS ESCREVENTES

191. 1°.) Segundo o modo de execução:

Médiuns escreventes ou psicógrafos: Os que têm a faculdade de escrever por si mesmos, sob influência dos Espíritos.

Médiuns escreventes mecânicos: Os que escrevem recebendo um impulso involuntário na mão, sem ter nenhuma consciência do que escrevem. Muito raros. (Ver n°. 179)

Médiuns semi-mecânicos: Os que escrevem por impulso involuntário na mão, têm consciência imediata das palavras e das frases que vai escrevendo. Os mais comuns. (Ver n°. 181)

Médiuns intuitivos: Os que recebem as comunicações dos Espíritos mentalmente, mas escrevem por vontade própria. Diferem dos médiuns inspirados porque estes não têm necessidade de escrever, enquanto o médium intuitivo registra o pensamento que lhe é sugerido rapidamente sobre determinado assunto que lhe foi proposto. (Ver n°. 180)

São muitos comuns, mas estão muito sujeitos a errar, porque frequentemente não podem
discernir o que provém dos Espíritos do que é deles mesmos.

Médiuns polígrafos: Os que mudam de caligrafia segundo o Espírito que se comunica ou têm a aptidão de reproduzir a letra que o Espírito comunicante tinha em vida. O primeiro caso é muito comum. O segundo, o da identidade da letra, é mais raro. (Ver n°. 219)

Médiuns poliglotas: Os que têm a faculdade de falar ou de escrever em línguas que não conhecem. Muito raros.

Médiuns analfabetos: Os que só escrevem como médiuns, não sabendo ler nem escrever no seu estado habitual. Mais raros que os anteriores. Há maior dificuldade material a vencer.

192. 2°) Segundo o desenvolvimento da faculdade:

Médiuns novatos: Os que não têm suas faculdades completamente desenvolvidas nem possuem a experiência necessária.

Médiuns improdutivos: Os que só recebem sinais sem importância; monossílabos, traços ou letras esparsas. (Ver o capítulo sobre Formação dos Médiuns)

Médiuns desenvolvidos ou formados: Os que têm suas faculdades mediúnicas completamente desenvolvidas, transmitindo as comunicações com facilidade e presteza, sem vacilações. Compreende-se que esse resultado só pode ser obtido pelo hábito, enquanto entre os médiuns novatos as comunicações são lentas e difíceis.

Médiuns lacônicos: Os que recebem facilmente as comunicações, mas breves e sem desenvolvimento.

Médiuns explícitos: Os que recebem comunicações amplas e extensas como as que se podem esperar de um escritor consumado.

Esta aptidão está relacionada com a facilidade de combinação dos fluidos. Os Espíritos os
procuram para tratar de assuntos que necessitam de grande desenvolvimento.

Médiuns experimentados: A facilidade de escrever é uma questão de hábito, que se obtém em pouco tempo, enquanto a experiência resulta do estudo sério de todas as dificuldades que se apresentam na prática do Espiritismo. A experiência confere ao médium o tato necessário para apreciar a natureza dos Espíritos que se manifestam, julgar pelos menores indícios as suas qualidades boas ou más, discernir a mistificação de espíritos enganadores que se disfarçam nas aparências da verdade. Compreende-se facilmente a importância dessa qualidade, sem a qual todas as outras perdem sua utilidade real. O mal é que muitos médiuns confundem a experiência, fruto do estudo, como a aptidão que decorre apenas do organismo. Julgam-se elevados e mês, três porque escrevem com facilidade, rejeitam todos os conselhos e se tornam presa de Espíritos mentirosos e hipócritas, que os apanham lisonjeando-lhes o orgulho. (Ver, adiante, o capítulo sobre Obsessão (9).

Médiuns flexíveis: Os que têm faculdades que se prestam mais facilmente aos diversos gêneros de comunicações, e pelos quais todos ou quase todos os Espíritos podem manifestarse, espontaneamente ou por evocação.

Esta variedade de médiuns se aproxima bastante dos médiuns sensitivos.

Médiuns exclusivos: Os que recebem de preferência determinado Espírito, e até mesmo com
a exclusão de todos os outros, respondendo ele pelos que são chamados através do médium.

Trata-se sempre de falta de flexibilidade. Quando o Espírito é bom, pode ligar-se ao médium por simpatia e com finalidade louvável. Quando é mau, tem sempre em vista submeter o médium à sua dependência. E mais um defeito do que uma qualidade, e muito próximo da obsessão. (Ver o capítulo sobre Obsessão)

Médiuns de evocações: Os médiuns flexíveis são naturalmente mais convenientes para esse gênero de comunicações, mais aptos a responder às questões específicas que lhes forem 123 propostas. Mas há, para os casos de evocação, médiuns inteiramente especiais. (10)

Suas respostas se limitam quase sempre a um quadro restrito, não servindo para o
desenvolvimento de assuntos gerais.

Médiuns de ditados espontâneos: Os que recebem de preferência comunicações espontâneas de Espíritos não chamados. Quando se trata de faculdade especial, é difícil, e às vezes mesmo impossível fazer uma evocação por seu intermédio.

Não obstante, são melhor aparelhados que os da variedade anterior. Compreenda-se que a aparelhagem aqui referida é a dos elementos cerebrais, porque é frequentemente necessária, direi mesmo sempre, uma inteligência mais desenvolvida para os ditados espontâneos do que para as evocações. Entenda-se aqui, por ditados espontâneos, os que merecem verdadeiramente essa designação, e não algumas frases incompletas ou alguns pensamentos banais que se encontram geralmente nas anotações humanas. (11)

193. 3°) Segundo o gênero e a especialidade das comunicações:

Médiuns versificadores: São os que obtêm mais facilmente comunicações em versos. Muito
comuns para os maus versos, muito raros para os bons. (12)

Médiuns poéticos: São os que, sem obter versos, recebem comunicações de estilo vaporoso, sentimental, sem qualquer tom de aspereza. São, mais que os outros, aptos à expressão dos sentimentos ternos e afetuosos. Tudo neles é vago, e seria inútil pedir-lhes algo de preciso. Muito comuns.

Médiuns positivos: Suas comunicações têm, em geral, um caráter de nitidez e precisão que se presta espontaneamente às explicações detalhadas e circunstanciadas, aos ensinamentos exatos. Muito raros (13).

Médiuns literários: Não têm o tom vago dos médiuns poéticos nem o terra a terra dos médiuns positivos, mas dissertam com sagacidade. Seu estilo é correio, elegante e frequentemente de notável eloqüência.

Médiuns incorretos: Podem obter comunicações muito boas, pensamentos de elevada moralidade, mas seu estilo é difuso, incorreto, sobrecarregado de repetições e termos impróprios.

A incorreção material do estilo decorre geralmente da falta de cultura intelectual do médium, que não serve de bom instrumento para o Espírito nesse sentido. Mas o Espírito liga pouca importância a isso, porque para ele o pensamento é o essencial e vos deixa livres de lhe dará forma conveniente. Já não se dá o mesmo com as idéias falsas e ilógicas de uma comunicação, que são sempre um indício de inferioridade do Espírito manifestante.

Médiuns historiadores: Os que têm aptidão especial para as dissertações históricas. Essa faculdade, como todas as outras, independe dos conhecimentos do médium, pois há pessoas sem instrução, e até mesmo crianças, que tratam de assuntos muito além do seu alcance. Variedade rara de médiuns positivos. (14)

Médiuns científicos: Não dizemos sábios, porque podem ser até muito ignorantes mas apesar disso são especialmente aptos a receber comunicações relativas às Ciências.

Médiuns medicinais: Sua especialidade é a de servirem mais fácil mente aos Espíritos que fazem prescrições médicas. Não se deve confundi-los com os médiuns curadores, porque nada mais fazem do que transmitir o pensamento do Espírito, e não exercem por si mesmos nenhuma influência. Muito comuns.

Médiuns religiosos: Recebem mais especialmente comunicações de caráter religioso ou que tratam de questões relativas à religião, sem embargo de suas crenças e de seus costumes.

Médiuns filósofos e moralistas: Suas comunicações tratam geral mente de questões de moral ou de alta Filosofia. Muito comuns para as questões morais.

Todas essas classes constituem diversidade de aptidões dos bons médiuns. Quanto aos que têm aptidões especiais para certas comunicações científicas, históricas, médicas e outras, acima do seu alcance atual, podeis estar certos de que possuíram esses conhecimentos em outra existência e os conservam em estado latente, fazendo parte, assim, dos elementos cerebrais necessários a comunicação do Espírito. São esses elementos que facilitam ao Espírito a transmissão de suas idéias, de maneira que esses médiuns são para ele instrumentos mais inteligentes e maleáveis do que o seria um ignorante. (ERASTO).

Médiuns de comunicações triviais e obscenas: Estas palavras indicam o gênero de comunicações que certos médiuns recebem habitualmente, e a natureza dos Espíritos que as transmitem. Quem tiver estudado o mundo espírita em todos os seus graus, sabe que há Espíritos cuja perversidade se iguala à dos homens mais depravados, e que se comprazem na tradução de seus pensamentos pelas mais grosseiras palavras. Outros, menos abjetos, contentam-se com expressões triviais. Compreende-se que esses médiuns devem ter o desejo de livrar-se da preferência de tais Espíritos, invejando os que recebem comunicações que jamais trouxeram uma palavra inconveniente. Só por uma estranha aberração mental e falta de bom senso se poderia crer que semelhante linguagem pudesse provir dos Espíritos bons. (15)

194. 4°.) Segundo as qualidades físicas do médium:

Médiuns calmos: Os que sempre escrevem com certa lentidão, sem a menor agitação.

Médiuns velozes: Os que escrevem com uma rapidez que não poderiam desenvolver voluntariamente em seu estado normal. Os Espíritos se comunicam por eles com a rapidez do relâmpago. Dir-se-ia que possuem uma superabundância de fluido, que lhes permite identificação instantânea como Espírito. Essa qualidade tem às vezes o inconveniente de tornar, pela rapidez, a escrita quase ilegível para outras pessoas além do médium.

É muito cansativa, porque despende muito fluido inutilmente.

Médiuns convulsivos: Permanecem num estado de super-excitação quase febril. Sua mão, e às vezes todo o corpo, se agita num tremor que não conseguem dominar. A causa disso está sem dúvida na sua própria constituição, mas depende muito, também, da natureza dos Espíritos que se comunicam. Os Espíritos bons e benevolentes produzem uma impressão agradável e suave; os maus, pelo contrário, uma penosa impressão.

Esses médiuns só devem servir-se raramente de sua faculdade, pois o uso muito freqüente pode afetar-lhes o sistema nervoso. (Ver o capítulo sobre a Identidade dos Espíritos, distinção dos Espíritos bons e maus).

195. 5°.) Segundo as qualidades morais do médium:

Mencionamo-los sumariamente, lembrando-os apenas para completar o quadro, pois serão tratados a seguir em capítulos especiais: da Influência moral dos médiuns, da Obsessão, da Identidade dos Espíritos e outros, para os quais pedimos particular atenção. Veremos a influência que as qualidades e as dificuldades dos médiuns podem exercer quanto à segurança das comunicações, e quais os que com razão poderemos considerar médiuns imperfeitos ou bons médiuns.

196. Médiuns imperfeitos:

Médiuns obsedados: Os que não podem livrar-se dos Espíritos importunos e mistificadores, mas não se enganam com eles.

Médiuns fascinados: Os que são enganados pelos Espíritos mistificadores e se iludem com a natureza das comunicações recebidas.

Médiuns subjugados: Os que são dominados moralmente e muitas vezes fisicamente pelos Espíritos maus.

Médiuns levianos: Os que não levam a sério a sua faculdade, servindo-se dela apenas como divertimento ou para finalidades fúteis.

Médiuns indiferentes: Os que não tiram nenhum proveito moral das instruções recebidas e não modificam em nada sua conduta e seus hábitos.

Médiuns presunçosos: Os que têm a pretensão de estar em relação somente com os Espíritos superiores. Julgam-se infalíveis e consideram inferior e errôneo o que não vem por seu intermédio.

Médiuns orgulhosos: Os que se envaidecem com as comunicações recebidas. Acham que nada mais têm a aprender no Espiritismo, não tomando para eles as lições que frequentemente recebem dos Espíritos. Não se contentam com as faculdades que possuem, querem obter todas.

Médiuns suscetíveis: Variedade de médiuns orgulhosos que se, aborrecem com as críticas às suas comunicações. Chocam-se coma; menor observação. Quando mostram o que receberam é para causar admiração e não para provocar opiniões. Geralmente tomam aversão pelas pessoas que não os aplaudem sem reservas, afastando-se das reuniões em que não podem impor-se e dominar.

Deixai-os ir pavonear onde quiserem e procurar ouvidos mais complacentes, ou que se
isolem. As reuniões de que se afastam nada perdem. (Erasto)

Médiuns mercenários: Os que exploram as suas faculdades.

Médiuns ambiciosos: Os que, sem vender suas faculdades, esperam obter com elas outras vantagens.

Médiuns de má fé: Os que, tendo faculdades reais, simulam as que não têm para se dar importância. Não se pode dar o título de médium às pessoas que, não tendo nenhuma faculdade mediúnica, só produzem fenômenos falsos, pela charlatanice.

Médiuns egoístas: Os que só se servem de suas faculdades para uso pessoal e guardam para si mesmos as comunicações recebidas.

Médiuns ciumentos: Os que encaram com despeito os médiuns mais considerados que eles e que lhes são superiores.

Todas essas más qualidades têm necessariamente a sua contra partida no bem.

197. Bons médiuns:

Médiuns sérios: Os que só utilizam suas faculdades para o bem e para finalidades realmente úteis. Julgam profana-las pondo-as ao ser viço dos curiosos e dos indiferentes, ou para futilidades.

Médiuns modestos: Os que não se atribuem nenhum mérito pelas comunicações recebidas, por melhores que sejam. Consideram-nas como alheias e não se julgam livres de mistificações. Longe de fugirem às advertências imparciais, eles as solicitam.

Médiuns devotados: Os que compreendem que o verdadeiro médium tem uma missão a cumprir e deve, quando necessário, sacrificar os seus gostos, seus hábitos, seus prazeres, seu tempo e até mesmo os seus interesses materiais em favor dos outros.

Médiuns seguros: Os que, além da facilidade de recepção, merecem a maior confiança em virtude de seu caráter, da natureza elevada dos Espíritos que os assistem, sendo, portanto menos expostos a ser enganados. Veremos mais tarde que essa segurança nada tem que ver com os nomes mais ou menos respeitáveis usados pelos Espíritos.

É incontestável e bem o percebeis, que expondo assim as qualidades e os defeitos dos médiuns, se provocará a contrariedade e até mesmo a animosidade de alguns. Mas, que importa? A mediunidade se expande cada vez mais, e o médium que levar estas reflexões a mal provará apenas que não é um bom médium, quer dizer, que é assistido por Espíritos maus. De resto, como já disse, tudo isso passará logo e os maus médiuns, que abusam ou mal empregam as suas faculdades, sofrerão tristes conseqüências, como já aconteceu para alguns. Eles aprenderão a própria custa o que devem pagar ao reverterem em proveito de suas paixões terrenas um dom que Deus lhes concedera para o seu progresso moral. Se não podeis reconduzi-los ao bom caminho, lamentai-os, pois vos posso dizer que Deus os reprova. (ERASTO).

Esse quadro é de grande importância, não só para os médiuns sinceros que procurarem de boa fé, ao lê-lo, preservar-se dos escolhos a que estão expostos, mas também para todos os que se servem dos médiuns, pois lhes darão a medida do que podem racionalmente esperar. Deveria estar constantemente sob os olhos dos que se ocupam de manifestações, assim como a escala espírita de que é complemento. Esses dois quadros resumem todos os princípios da Doutrina e contribuirão, mais do que pensais, para repor o Espiritismo no seu verdadeiro caminho. (SÓCRATES).

198. Todas essas variedades mediúnicas apresentam uma infinidade de graus de intensidade. Há muitas que não constituem mais dói que simples nuanças mas resultam de aptidões especiais. Compreende-se que só muito raramente a faculdade de um médium esteja rigorosamente circunscrita a um gênero. Um médium pode ter numerosas aptidões, mas sempre haverá a predominância de uma, e essa é que ele deve tratar de cultivar, se for útil. É erro grave querer forçar de qualquer maneira o desenvolvimento de faculdade que não se possui. É necessário cultivar todas as que se possuem em germe, mas buscar outras é, em primeiro lugar, perda de tempo, e em segundo lugar pode ser a perda, e será seguramente o enfraquecimento das que existem.

Quando o princípio ou germe de uma faculdade existe, ela se manifesta sempre por sinais inequívocos. Limitando-se à sua especialidade o médium pode aprimorá-la e obter bons resultados. Ocupando-se de tudo, nada conseguirá de bom. Note-se, de passagem, que o desejo de estender indefinidamente o âmbito de suas faculdades é uma pretensão orgulhosa, que os Espíritos jamais deixam impune. Os bons abandonam sempre os presunçosos, que se tomam joguete de Espíritos mentirosos. Não é raro verse, infelizmente, médiuns que não sé contentam com as faculdades recebidas e aspiram, por amor próprio ou ambição, a possuir faculdades excepcionais, capazes de os tornarem famosos. Essa pretensão lhes tira a mais preciosa qualidade: a de médiuns seguros. (SÓCRATES).

199. O estudo das especialidades dos médiuns é necessário não só para eles, mas também para os evocados. Segundo a natureza dos Espírito que se deseja chamar e as perguntas que se quer fazer, convêm escolher o médium mais apto. Dirigir-se ao primeiro que se apresentar é expor-se a receber respostas insatisfatórias ou errôneas.

Façamos uma comparação com os fatos comuns. Não se confiará uma redação, nem mesmo uma simples cópia, ao primeiro que se apresentai só porque sabe escrever. Um músico deseja fazer executar um trecho da canção que compôs. Têm a sua disposição numerosos cantores, todo hábeis. Mas não escolherá ao acaso. Para seu intérprete buscará aquele que pela voz, pela capacidade de expressão, por todas as qualidades; enfim, corresponda melhor à natureza do trecho. Os Espíritos fazem o mesmo no tocante aos médiuns, como o devemos fazer com os Espíritos.

Deve-se ainda notar que as variações apresentadas pela mediunidade, às quais se podem ajuntar outras, não estão sempre ao caráter do médium. Assim, por exemplo, um médium naturalmente alegre a jovial pode receber habitualmente comunicações sérias e até mesmo severas, e vice-versa. Essa é ainda uma prova evidente de que agi sob o impulso de uma influência estranha. Voltaremos a este assunta no capítulo que trata da Influência moral do médium.

(1) No original esse destaque foi feito por meio de aspas, de maneira que tivemos de mudara referência às aspas, mas pomos em grifo as palavras da substituição. Trata-se apenas de uma questão de melhor disposição tipográfica. (N. do T.)

(2) Essa classificação mediúnica foi duplamente confirmada pela pesquisa cientifica. Primeiro, pela Metapsíquica, que dividiu os fenômenos em objetivos e subjetivos. Depois, pela atual Parapsicologia, que criou as classificações psigama e psikapa, designando a primeira os fenômenos intelectuais ou subjetivos, e a segunda os fenômenos objetivos ou materiais. Ambas as ciências reconheceram também as duas categorias de sensitivos (médiuns), com as diversas variedades ou classes constantes deste livro (N. do T.)

(3) Quando Kardec se refere ao poder dos médiuns, à sua força ou potência, trata apenas da capacidade maior ou menor para servir de instrumentos aos Espíritos. Como se vê nessa observação, nenhum médium tem poder para provocar fenômenos ou comunicações se os Espíritos não concordarem. O poderdes médiuns, propriamente dito, decorre de sua elevação moral e conseqüente relação com Espíritos bons. (N. do T.)

(4) A Parapsicologia atual se debate em grande dificuldade para provar cientificamente existência dos fenômenos de movimento de objetos, levitações ele. Mas isso decorre dos métodos inadequados de pesquisa e em grande parte da negação sistemática e a priori de muitos parapsicólogos materialistas ou sectários. A chamada escola de Rhine sustenta prova cientifica feita em laboratório dos fenômenos psikapa ou físicos, enquanto a soviética e os setores católicos a contestam, embora sem unanimidade. (N. do T.)

(5) Estudos dos profs. Imoda, Pichei e Fontenay, publicados no livro do primeiro, “Fotografias de Fantasmas”, referente a experiências com a médium Linda Gazzera, sustentam cientificamente essa mesma tese de Erasto, de que os médiuns noturnos podem passar a agir em plena luz, mediante a evolução do fenômeno. As sessões no escuro são hoje numerosas e seria bom que o aviso de Erasto fosse mais lido e divulgado, em benefício dos próprios médiuns. (N. do T.)

(6) Observe-se a curiosa prova de independência dos Espíritos, fazendo incluir a escrita direta entre os fenômenos físicos e justificando plenamente a exigência. Os efeitos inteligentes requerem o concurso dos elementos inteligentes ou culturais do médium (culturais num sentido reencarnacionista). A explicação de não servir a escrita direta para comunicações em forma de conversação está precisamente nisso. A produção do efeito material da escrita exige muito no plano da matéria deixando pouca margem para a troca de idéias. (N. do T.)

(7) Trata-se do magnetismo e da mediunidade generalizada, faculdades humanas naturais, que todas as criaturas possuem. Kardec assinala que não é essencialmente mediúnica para não confundi-la com a mediunidade específica, de que trata este capitulo. (N. do T.)

(8) Esta uma das razões porque o Espiritismo rejeita o método de observação do mundo invisível pelo desprendimento espiritual. As observações dos estáticos, dos sonâmbulos e dos médiuns de desdobramento estão sujeitas a muitos erros e não oferecem possibilidade de controle científico da pesquisa mediúnica. (N. do T.)

(9) Essa distinção entre experiência e aptidão é da maior importância no trato da mediunidade. O médium experiente, segundo o conceito Kardeciano, dificilmente se deixa enganar pelos Espíritos mistificadores, por mais sutis que estes sejam. O médium apenas apto recebe comunicações absurdas, livros e até mesmo séries de livros, sem perceber que está servindo de instrumento a influências perniciosas. Daí a necessidade imprescindível de estudo do problema mediúnico para que a aptidão mediúnica seja bem aproveitada através da experiência que só o conhecimento propicia. (N. do T.)

(10) O problema das evocações é dos mais complexos. As evocações de Kardec eram feitas para estudos. Nas sessões habituais de natureza religiosa não se fazem evocações. Como os Espíritos assinalam, na rota a essa classificação, os médiuns flexíveis servem apenas em parte. E Kardec lembra a existência de médiuns especiais para evocações, que dependem, como se vê na observação dos Espíritos ao item seguinte, de condições intelectuais mais amplas (nem sempre da encarnação atual). (N. do T.)

(11) O problema da banalidade das comunicações mediúnicas depende, como se vê, mais do médium que dos Espíritos. Os que generalizam essa acusação deviam inteirar-se das comunicações registradas na Revista Espírita e nas obras da Codificação, além de outras da literatura mediúnica. como as de Francisco Cândido Xavier. (N. do T.)

(12) Os críticos do Espiritismo insistem na semelhança entre as qualidades humanas e as dos Espíritos comunicantes. Desconhecem a lei de afinidade que rege as relações espirituais, tanto entre os homens quanto entre os Espíritos e entre estes e os homens. Veja-se que os médiuns versificadores e os poéticos são comuns, enquanto os positivos são raros, exatamente porque estão em relação às condições comuns ou raras dos homens e dos Espíritos que povoam a Terra e sua atmosfera espiritual. (N. do T.)

(13) Algumas comunicações publicadas na Revista Espírita ilustram esse caso. Muitas críticas foram feitas a elas. Mas o aspecto estranho do estilo, a incorreção de certas frases e as impropriedade dos termos não diminuem o valor de seu conteúdo moral, e às vezes mesmo das explicações que fornecem. Médiuns que se afinam com Espíritos semelhantes a muitos cientistas terrenos que não gozam de facilidade de expressão, mas nem por isso deixam de escrever obras úteis.

(14) Numerosos exemplos se encontram na Revista Espírita. A bibliografia mediúnica mundial apresenta também numerosos casos. Entre nós, Francisco Cândido Xavier é o exemplo por excelência. Quanto ao caso dos médiuns crianças é bom lembrar que o próprio O Livro dos Espíritos foi escrito com o auxílio de duas adolescentes, Julie e Caroline Boudin, respectivamente de 14 e 16 anos, ambas de desenvolvimento mental e cultura muito aquentados assuntos tratados naquela obra. As explicações parapsicológicas que atualmente se pretende, de má fé, opor à importância desse lato são insuficientes para justificar os diversos aspectos do problema. (N. do T.)

(15) Essa aberração existiu no tempo de Kardec e ainda persiste, dada a natureza inferior do nosso mundo. Há pessoas que aceitam essas comunicações como provas a que seus guias as submetem. Essa a razão de Kardec se referir ao problema. (N. do T.)

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