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19/10/2021

Segunda Parte – Capítulo XIV

OS MÉDIUNS

159. Toda pessoa que sente a influência dos Espíritos, em qualquer grau de intensidade, é médium. Essa faculdade é inerente ao homem. Por isso mesmo não constitui privilégio e são raras as pessoas que não a possuem pelo menos em estado rudimentar. Pode-se dizer, pois, que todos são mais ou menos médiuns. Usualmente, porém, essa qualificação se aplica somente aos que possuem uma faculdade mediúnica bem caracterizada, que se traduz por efeitos patentes de certa intensidade, o que depende de uma organização mais ou menos sensitiva.

Deve-se notar, ainda, que essa faculdade não se revela em todos da mesma maneira. Os médiuns têm, geralmente, aptidão especial para esta ou aquela ordem de fenômenos, o que os divide em tantas variedades quantas são as espécies de manifestações. As principais são: médiuns de efeitos físicos, médiuns sensitivos ou impressionáveis, auditivos, falantes, videntes, sonâmbulos, curadores, pneumatógrafos, escreventes ou psicógrafos (1).

1. MÉDIUNS DE EFEITOS FÍSICOS

160. Os médiuns de efeitos físicos são particularmente aptos a produzir fenômenos materiais como os movimentos dos corpos inertes, ruídos, etc. Podem ser divididos em médiuns facultativos e médiuns involuntários. (Ver 2a. parte, caps. II e IV).

Os médiuns facultativos têm consciência do seu poder e produzem fenômenos espíritas pela própria vontade. Essa faculdade, embora inerente a espécie humana, como dissemos, não se manifesta em todos no mesmo grau. Mas se são poucas as pessoas que não a possuem, ainda mais raras são as que produzem grandes efeitos como a suspensão de corpos pesados no espaço, o transporte através do ar e sobretudo as aparições.

Os efeitos mais simples são o da rotação de um objeto, de pancadas por meio de movimentos desse objeto ou dadas interiormente na sua própria substância. Sem se dar importância capital a esses fenômenos, achamos que não devem ser menosprezados. Podem proporcionar interessantes observações e contribuir para firmar a convicção. Mas convém notar que a faculdade de produzir efeitos materiais raramente se manifesta entre os que dispõem de meios mais perfeitos de comunicação, como a escrita e a palavra. Geralmente a faculdade diminui num sentido à medida que se desenvolve em outro. (2)

161. Os médiuns involuntários ou naturais são os que exercem sua influência sem querer. Não têm nenhuma consciência do seu poder e quase sempre o que acontece de anormal ao seu redor não lhes parece estranho.

Essas coisas fazem parte da sua própria maneira de ser, precisamente como as pessoas dotadas de segunda vista e que nem o suspeitam. Essas pessoas são dignas de observação e não devemos descuidar de anotar e estudar os fatos dessa espécie que possam chegar ao nosso conhecimento. Eles surgem em todas as idades e frequentemente entre crianças ainda pequenas. (Ver no cap. V: Manifestações espontâneas).

Esta faculdade não é, por si mesma, indício de estado patológico, pois não é incompatível com a saúde perfeita. Se a pessoa que a possui é doente, isso provém de outra causa. Os meios terapêuticos, aliás, são impotentes para fazê-la desaparecer. Em alguns casos ela pode aparecer depois de uma certa fraqueza orgânica, mas esta não é jamais a sua causa eficiente.

Não seria razoável, portanto, inquietar-se com ela no tocante à saúde. Só haveria inconveniente se a pessoa, tornando-se médium facultativo, a usasse de maneira abusiva, pois então poderia ocorrer excessiva emissão de fluido vital, determinando enfraquecimento orgânico.

162. A razão se revolta à lembrança das torturas morais e físicas que a Ciência submeteu, algumas vezes, criaturas débeis e delicadas com o fim de evitar que praticassem fraudes. Essas experimentações na maioria das vezes feitas com más intenções, são sempre prejudicais aos organismos sensitivos, podendo acarretar graves desordens na sua economia orgânica. Fazer semelhantes provas é jogar com a vida. O observador de boa fé não precisa empregar esses meios. Os que estão familiarizados com esses fenômenos sabem, aliás, que eles pertencem mais à ordem moral do que a ordem física, e que em vão se buscará a sua solução nas nossas Ciências exatas. (3)

Pelo fato mesmo de pertencerem esses fenômenos à ordem moral deve-se evitar, com um cuidado não menos rigoroso, todos os motivos de super-excitação da imaginação. Sabe-se quantos acidentes pode produzir o medo, e haveria menos imprudência se conhecêssemos todos os casos de loucura e de neurose provocados pelas estórias de lobisomens e dragões. Que aconteceria, então, se pudessem persuadir a todos que se trata do Diabo? Os que procuram convencer os outros dessas idéias não sabem a responsabilidade que assumem: eles podem matar! Ora, esse perigo não existe apenas para o paciente, mas também para os que o cercam e podem apavorar-se ao pensar que sua casa se tornou um covil de demônios.

Foi essa crença funesta que produziu tantos atos de atrocidade nos tempos de ignorância. Bastaria, entretanto, um pouco de discernimento para compreenderem que, ao queimar os corpos considerados como possessos do Diabo, não queimavam o Diabo. Desde que desejavam livrar-se do Diabo, era a este que deviam matar. A Doutrina Espírita, esclarecendo-nos sobre a verdadeira causa de todos esses fenômenos, dá nessa crença o golpe de misericórdia. Longe, pois, de sugerir essa idéia, deve-se, e é esse um dever de moralidade e humanidade, combatê-la onde quer que apareça.

O que se deve fazer, quando uma faculdade dessa espécie se desenvolve espontaneamente numa pessoa, é deixar que os fenômenos sigam o seu curso natural: a Natureza é mais sábia que os homens. A Providência, aliás, tem os seus planos e a mais humilde criatura pode servirte instrumento aos seus mais amplos desígnios. Mas devemos convir que os fenômenos, assumem, às vezes, proporções fatigantes e importunas para todos (4). Em todos esses casos convém fazer o que passamos a explicar. No capítulo V, Manifestações físicas espontâneas, demos já alguns conselhos a respeito, dizendo que é necessário estabelecer relações com o Espírito para saber o que ele deseja. O meio seguinte é igualmente baseado na observação.

Os seres invisíveis que revelam sua presença por efeitos ser são, em geral, Espíritos de uma ordem inferior, que podemos dominar pela ascendência moral. É essa condição de superioridade que devemos procurar adquirir.

Para obter essa condição é necessário fazer a pessoa passar do estado de médium natural para o de médium facultativo. Produz-se então um efeito semelhante ao que se verifica no sonambulismo. Sabe-se que o sonambulismo natural cessa geralmente ao ser substituído sonambulismo magnético. Não se extingue a faculdade de desprendimento da alma, mas dáse- lhe outro curso. O mesmo acontece com a fé de mediúnica. Para isso, em vez de impedir as manifestações, raramente se consegue e nem sempre está livre de perigo, é necessário levar o médium a produzi-las por sua vontade, impondo-se ao espírito. Dessa maneira, o médium chega a sujeitá-lo, e de um dominador, às vezes tirano, faz um subordinado, frequentemente bastante dócil (5).

Fato digno de nota e que a experiência confirma é que uma criança, nesse caso, tem a mesma, e muitas vezes maior autoridade que um adulto, É outra prova a favor desse princípio fundamental doutrina, segundo o qual o Espírito só é criança pelo corpo, tendo mesmo um desenvolvimento anterior à sua encarnação atua), que lhe conferir ascendência sobre Espíritos que lhe são inferiores. A moralização do Espírito pelos conselhos de uma pessoa influente e experimentada, se o médium não estiver em condições de fazê-lo, é sempre um meio muito eficaz. Voltaremos mais tarde a este assunto (6).

163. É a esta categoria mediúnica, ao que parece, que devia pertencer as pessoas dotadas de uma certa carga de eletricidade natural verdadeiros torpedos humanos, produzindo por simples contato todos os efeitos de atração e repulsão. Seria errôneo, entretanto, considera-las como médiuns, porque as verdadeiras mediunidades supõe a intervenção de um Espírito. Ora, as experiências provaram, de conclusiva, que nesse caso a eletricidade é o único agente dos fenômenos. Essa estranha faculdade, que quase se poderia chamar de doença, pode às vezes ligar-se a mediunidade, como se vê no caso do Espírito batedor de Bergzabem, mas na maioria das vezes é completamente independente. Segundo dissemos a única prova da intervenção dos Espíritos é o caráter inteligente das manifestações. Todas as vezes que esse fator não existir é lógico atribuir-se aos fatos a causas puramente físicas. Resta a questão de saber se as pessoas elétricas teriam maior aptidão para se tornarem médiuns de efeitos físicos. Acreditamos que sim, mas isso só poderia ser verificado pela experiência (7).

2. MÉDIUNS SENSITIVOS OU IMPRESSIONÁVEIS

164. São assim designadas as pessoas capazes de sentir a presença dos Espíritos por uma vaga impressão, uma espécie de arrepio geral que elas mesmas não sabem o que seja. Esta variedade não apresenta caráter bem definido. Todos os médiuns são necessariamente impressionáveis, de maneira que a impressionabilidade é antes uma qualidade geral do que especial: é a faculdade rudimentar indispensável ao desenvolvimento de todas as outras. Difere da impressionabilidade puramente física e nervosa, com a qual não se deve confundi-la, pois há pessoas que são necessariamente sensíveis e sentem mais ou menos a presença dos Espíritos, ao passo que outras muito suscetíveis absolutamente não os percebem.

Essa faculdade se desenvolve com o hábito e pode atingir uma tal sutileza que a pessoa dotada reconhece, pela sensação recebida, não só a natureza boa ou má do Espírito que se aproximou, mas também a sua individualidade, como o cego reconhece, por um certo não sei que, a aproximação desta ou daquela pessoa. Ela se torna, em relação aos Espíritos, um verdadeiro sensitivo. Um bom Espírito produz sempre uma impressão suave e agradável; a de um mau Espírito, pelo contrário é penosa, angustiante e desagradável; tem como que um cheiro de impureza.

3. MÉDIUNS AUDIENTES

165. São os que ouvem a voz dos Espíritos. Como já dissemos ao tratar da pneumatofonia, é algumas vezes uma voz interna que se faz ouvir no foro íntimo. De outras vezes é uma voz externa, clara e distinta como a de uma pessoa viva. Os médiuns audientes podem assim conversar com os Espíritos. Quando adquirem o hábito de comunicar-se de certos Espíritos, os reconhecem imediatamente pelo timbre da voz. Qual não se possui essa faculdade, pode-se também comunicar com um Espírito através de um médium audiente, que exerce o papel de interprete (8).

Esta faculdade é muito agradável, quando o médium só ouve Espíritos bons ou somente aqueles que ele chama. Mas não se dá o mesmo quando um Espírito mau se apega a ele, fazendo-lhe ouvir a cada minuto as coisas mais desagradáveis e algumas vezes mais inconvenientes necessário então tratar de desembaraçar-se, pelos meios que indicaremos no capítulo da Obsessão.

4. MÉDIUNS FALANTES

166. Os médiuns audientes, que apenas transmitem o que ouvem, não são propriamente médiuns falantes. Estes, na maioria das vezes, não ouvem nada. Ao servir-se deles, os Espíritos agem sobre os órgãos vocais, como agem sobre as mãos nos médiuns escreventes. O Espírito se serve para a comunicação dos órgãos mais flexíveis que encontra no médium. De um empresta as mãos, de outro, as cordas vocais e de um terceiro os ouvidos. O médium falante em geral se exprime sem ter consciência do que diz e quase sempre tratando de assuntos estranhos às suas preocupações habituais, fora de seus conhecimentos e mesmo do alcance de sua inteligência (9).

Embora esteja perfeitamente desperto e em condições normais raramente se lembra do que disse. Numa palavra, a voz do médium apenas um instrumento de que o Espírito se serve e com o qual outra pessoa pode conversar com este, como o faz no caso de médium audiente.

Mas nem sempre a passividade do médium falante é assim completa. Há os que têm intuição do que estão dizendo, no momento em que pronunciam as palavras. Voltaremos a tratar desta variedade quando nos referirmos aos médiuns intuitivos (10).

5. MÉDIUNS VIDENTES

167. Os médiuns videntes são dotados da faculdade de ver os Espíritos. Há os que gozam dessa faculdade em estado normal, perfeitamente acordados, guardando lembrança precisa do que viram. Outros só a possuem em estado sonambúlico ou aproximado do sonambulismo. É raro que esta faculdade seja permanente, sendo quase sempre o resultado de uma crise súbita e passageira.

Podemos incluir na categoria de médiuns videntes todas as pessoas dotadas de segunda vista. A possibilidade de ver os Espíritos em sonho é também uma espécie de mediunidade, mas não constitui propriamente a mediunidade de vidência. Explicaremos esse fenômeno no capítulo VI, Manifestações Visuais.

O médium vidente acredita ver pelos olhos, como os que têm a dupla vista, mas na realidade é a alma que vê, e por essa razão eles tanto vêem com os olhos abertos ou fechados (11). Dessa maneira, um cego pode ver os Espíritos como os que têm visão normal.

Seria interessante fazer um estudo sobre esta questão, verificando se essa faculdade é mais freqüente nos cegos. Espíritos que viveram na Terra como cegos nos disseram que tinham, pela alma, a percepção de alguns objetos e que não estavam mergulhados numa escuridão completa.

168. Devemos distinguir as aparições acidentais e espontâneas da faculdade propriamente dita de ver os Espíritos. As primeiras ocorrem com mais freqüência no momento da morte de pessoas amadas ou conhecidas, que vêm advertir-nos de sua passagem para o outro mundo. Há numerosos exemplos de casos dessa espécie, sem falar das ocorrências de visões durante o sono. De outras vezes são parentes ou amigos que, embora mortos há muito tempo, aparecem para nos avisar de um perigo, dar um conselho ou pedir uma ajuda. Essa ajuda é sempre a execução de um serviço que ele não pôde fazer em vida ou o socorro das preces.

Essas aparições constituem fatos isolados, tendo um caráter individual e pessoal. Não constituem, pois, uma faculdade propriamente. A faculdade consiste na possibilidade, senão permanente, pelo os freqüente, de ver os Espíritos que se aproximam, mesmo que estranhos. É essa faculdade que define o médium vidente (12).

Entre os médiuns videntes há os que vêem somente os Espíritos evocados, podendo descrevê-los nos menores detalhes dos seus gestos, da expressão fisionômica, os traços característicos do rosto, roupas e até mesmo os sentimentos que revelam. Há outros que possuem a faculdade em sentido mais geral, vendo toda a população espírita do ambiente ir e vir e, poderíamos dizer, entregue a seus afazeres.

169. Assistimos certa noite à representação da ópera Obéron ao lado um excelente médium vidente. Havia no salão grande número de lugares vazios, mas muitos estavam ocupados por Espíritos que pareciam aço? Acompanhar o espetáculo. Alguns se aproximavam de certos espectadores e pareciam escutar as suas conversas. No palco se passava outra cena: por trás dos atores muitos Espíritos joviais se divertiam em contracená-los, imitando-lhes os gestos de maneira grotesca. Outros, mais sérios, pareciam inspirar os cantores, esforçando-se por lhes dar mais energia. Um desses mantinha-se junto a uma das principais cantoras. Julgamos as sua intenções um tanto levianas e o evocamos após o baixar da cortina. Atendeu-nos e reprovou com severidade o nosso Julgamento temerário. “Não sou o que pensas, – disse – sou o seu guia, o seu Espírito protetor, cabe-me dirigi-Ia“. Após alguns minutos de conversação bastante séria, deixou-nos diz do: “Adeus. Ela está no seu camarim e preciso velar por ela“.

Evocamos depois o Espírito de Weber, autor da ópera, e lhe perguntamos o que achava da representação. “Não foi muito má – responde – mas fraca. Os atores cantam, eis tudo. Faltou inspiração. Espera – acrescentou – vou tentar insuflar-lhes um pouco do fogo sagrado!” Vimo- Io então sobre o palco, pairando acima dos atores. Um eflúvio parecia derramar dele para os intérpretes, espalhando-se sobre eles. Nesse momento verificou-se entre eles uma visível recrudescência da energia.

170. Eis outro fato que prova a influência dos Espíritos sobre os homens, sem que estes o percebam. Assistimos a uma representação teatrais com outro médium vidente. Conversando com um Espírito espectador, disse-nos ele: Estás vendo aquelas duas senhoras sozinhas num camarote de primeira? Pois bem, vou me esforçar para tirá-las do Salão. Dito isso, foi colocar-se no camarote das senhoras e começou a falar-lhes. Súbito as duas, que estavam muito atentas ao espetáculo, se entre olharam, parecendo consultar-se e a seguir se foram, não voltando mais. O Espírito nos fez então um gesto gaiato, significando que cumprira a palavra. Mas não o pudemos rever para pedir-lhe maiores explicações.

Muitas vezes fomos assim testemunhas do papel que os Espíritos exercem entre os vivos. Observamo-los em diversos lugares de reunião: em bailes, concertos, sermões, funerais, núpcias, etc., e em toda parte os encontramos atiçando as más paixões, insuflando a discórdia, excitando as rixas e regozijando-se com suas proezas. Outros, pelo contrário, combatem essa influência perniciosa, mas só raramente são ouvidos.

171. A faculdade de ver os Espíritos pode sem dúvida se desenvolver, mas é uma dessas faculdades cujo desenvolvimento deve processar-se naturalmente, sem que o provoque, se não se quiser expor-se às ilusões da imaginação. Quando temos o germe de uma faculdade, ela se manifesta por si mesma. Devemos, por princípio, contentar-nos com aquelas que Deus nos concedeu, sem procurar o impossível. Porque então, querendo ter demais, arrisca-se a perder o que se tem (13).

Quando dissemos que os casos de aparições espontâneas são freqüentes (n°. 107), não quisemos dizer que sejam comuns. Quanto aos médiuns videntes, propriamente ditos, são ainda mais raros e temos muitas razões para desconfiardes que pretendem ter essa faculdade. É prudente não lhes dar fé senão mediante provas positivas. Não nos referimos aos que alimentam a ridícula ilusão dos Espíritos-glóbulos, de que tratamos no n°. 108, mas aos que pretendem ver os Espíritos de maneira racional.

Algumas pessoas podem sem dúvida enganar-se de boa fé, mas outras podem simular essa faculdade por amor-próprio ou por interesse. Nesse caso, deve-se particularmente levar em conta o caráter, a moralidade e a sinceridade habituais da pessoa. Mas é sobretudo nas questões circunstanciais que se pode encontrar o mais seguro meio de controle. Porque há circunstâncias que não podem deixar dúvidas, como nos casos de exata descrição de Espíritos que o médium jamais teve ocasião de conhecer quando encarnados (14).

O caso seguinte pertence a essa categoria.

Uma senhora viúva, cujo marido se comunica freqüentem com ela, encontrou-se um dia com um médium vidente que não a conhecia nem à sua família, e o médium lhe disse: “Vejo um Espírito ao vosso lado”. – “Ah, disse a senhora, é sem dúvida o meu marido, que quase nunca me deixa.” – “Não, respondeu o médium, é uma senhora de certa idade que está penteada de maneira estranha, com uma fita branca na testa”.

Por esta particularidade e outros detalhes descritos, a viúva reconheceu sua avó, sem perigo de erro, e na qual nem sequer nesse momento. Se o médium quisesse simular a faculdade, seria mais fácil aproveitar o pensamento da senhora. Mas ao invés do marido que a preocupava ele viu uma mulher, com um penteado especial de que nada lhe poderia dar idéia. Este caso prova ainda que a visão do médium não era o reflexo de qualquer pensamento alheio. (Ver n°. 102)

6. MÉDIUNS SONÂMBULOS

172. O sonambulismo pode ser considerado como uma variedade da faculdade mediúnica, ou melhor, trata-se de duas ordens de fenômenos que se encontram frequentemente reunidos. O sonâmbulo age por influência do seu próprio Espírito. É a sua alma que, nos momentos de emancipação, vê, ouve e percebe além dos limites dos sentidos. O que ele diz procede dele mesmo. Em geral, suas idéias são mais justas do que no estado normal, seus conhecimentos são mais amplos porque está livre. Numa palavra, ele vive por antecipação a vida dos Espíritos (15).

O médium, pelo contrário, serve de instrumento a outra inteligência. É passivo e o que diz não é dele (16). Em resumo: o sonâmbulo exprime o seu próprio pensamento e o médium exprime o pensamento de outro. Mas o Espírito que se comunica através de um médium comum pode também fazê-lo por um sonâmbulo. Frequentemente mesmo de emancipação da alma, no estado sonambúlico, torna fácil essa comunicação. Muitos sonâmbulos vêem perfeitamente os Espíritos e os descrevem com a mesma precisão dos médiuns videntes. Podem conversar com eles e transmitir-nos o seu pensamento. Assim, o que eles dizem além do círculo de seus conhecimentos pessoais lhe sempre sugerido por outros Espíritos.

Eis, a seguir, um exemplo notável da ação simultânea do Espírito do sonâmbulo e do outro Espírito, que se revelam de maneira inequívoca.

173. Um dos nossos amigos usava como sonâmbulo um rapazinho de 14 para 15 anos, de inteligência bastante curta e de instrução extremamente limitada. Em estado sonambúlico, porém, dava provas de extraordinária lucidez e grande perspicácia. Isso principalmente no 109 tratamento de doenças, tendo feito numerosas curas consideradas impossíveis.

Certo dia, atendendo a um doente, descreveu a sua moléstia com absoluta exatidão – Isso não basta, lhe disseram, agora é necessário indicar o remédio – Não posso, respondeu ele, meu anjo doutor não está aqui – A quem chama você de anjo doutor? – Aquele que dita os remédios – Então não é você mesmo que vê os remédios? – Oh! não, pois não estou dizendo que é o meu anjo doutor quem os indica?

Assim, nesse sonâmbulo, quem via a doença era o seu próprio Espírito, que para isso não precisava de assistência. Mas a indicação dos remédios era feita por outro Espírito. Se esse não estivesse presente, ele nada podia dizer. Sozinho, ele era apenas sonâmbulo; assistido pelo que ele chamava de seu anjo doutor, era médium- sonâmbulo.

174. A faculdade sonambúlica é uma faculdade que depende do organismo e nada tem que ver com a elevação, o adiantamento e a condição moral do sujeito. Um sonâmbulo pode, pois, ser muito lúcido e incapaz de resolver certas questões, se o seu Espírito for pouco adiantado. O sonâmbulo que fala por si mesmo pode dizer, portanto, coisas boas e más, certas ou falsas, usar de maior ou menor delicadeza e escrúpulo no seu procedimento, segundo o grau de elevação ou de inferioridade do seu próprio Espírito. É nesse caso que a assistência de outro Espírito pode suprir as suas deficiências.

Mas um sonâmbulo pode ser assistido por um Espírito mentiroso, leviano, ou até mesmo mau, como acontece com os médiuns. Nisto, sobretudo, é que as qualidades morais têm grande influência, por atraírem os Espíritos bons. (Ver O Livro dos Espíritos, tópico Sonambulismo, n°. 125; e neste livro o capítulo sobre Influência Moral do Médium.)

7. MÉDIUNS CURADORES

175. Somente para mencioná-la trataremos aqui desta variedade de médiuns, porque o assunto exigiria demasiado desenvolvimento para o nosso esquema. Estamos aliás informados de que um médico nosso amigos se propõe a tratá-la numa obra especial sobre a medicina intuitiva. Dias apenas que esse gênero de mediunidade consiste principalmente no dom de curar por simples toque, pelo olhar ou mesmo por um gesto sem nenhuma medicação. Certamente dirão que se trata simplesmente de magnetismo. É evidente que o fluido magnético exerce um grande papel no caso. Mas, quando se examina o fenômeno com o devido cuidado, facilmente se reconhece a presença de mais alguma coisa.

A magnetização comum é uma verdadeira forma de tratamento com a devida seqüência, regular e metódica. No caso referido as coisas se passam de maneira inteiramente diversa. Todos os magnetizadores são mais ou menos aptos a curar, se souberem cuidar do assunto convenientemente. Mas entre os médiuns curadores a faculdade é espontânea às vezes a possuem sem jamais terem ouvido falar de magnetismo. A intervenção de uma potência oculta, que caracteriza a mediunidade, torna-se evidente em certas circunstâncias. E o é, sobretudo, quando consideramos que a maioria das pessoas qualificáveis como médiuns curadores recorrem à prece, que é uma verdadeira evocação. (Ver n°. 131).

176. Eis as respostas que obtivemos dos Espíritos, as perguntas feitas a respeito:

1. Podemos considerar as pessoas dotadas de poder magnético como formando uma variedade mediúnica? – Não podes ter dúvida alguma. 2. Entretanto, o médium é um intermediário entre os Espírito e os homens, mas o magnetizador, tirando sua força de si mesmo, não parece servir de intermediário a nenhuma potência estranha. – É uma suposição errônea, A força magnética pertence ao homem, mas é aumentada pela ajuda dos Espíritos a que ele apela. Se magnetizas para curar, por exemplo, e evocas um bom Espírito que se interessa por ti e pelo doente, ele aumenta a tua força e a tua dirige os teus fluidos e lhes dá as qualidades necessárias (17).

3. Há, porém, excelentes magnetizadores que não acreditam em Espíritos. – Pensas então que os Espíritos só agem sobre os que crêem neles? Os que magnetizam para o bem são auxiliados pelos Espíritos. Todo homem que aspira ao bem os chama sem o perceber, da mesma maneira que, pelo desejo do mal e pelas más intenções chamará os maus.

4. O magnetizador que acreditasse na intervenção dos Espíritos agiria com maior eficiência? – Faria coisas que seriam consideradas milagres.

5. Algumas pessoas têm realmente o dom de curar por simples toque, sem o emprego dos passes magnéticos? – Seguramente. Não tens tantos exemplos?

6. Nesses casos trata-se de ação magnética ou somente de influência dos Espíritos? – Uma e outra. Essas pessoas são verdadeiros médiuns, pois agem sob a influência dos Espíritos, mas isso não quer dizer que sejam médiuns escreventes, como o entendes.

7. Esse poder é transmissível? – O poder, não, mas sim o conhecimento do que se necessita para exercê-lo, quando se o possui. Há pessoas que nem suspeitariam ter esse poder se não pensarem que ele lhe foi transmitido (18).

8. Podem-se obter curas apenas pela prece? – Sim, às vezes Deus o permite. Mas talvez o bem do doente esteja em continuar sofrendo, e então se pensa que a prece não foi ouvida.

9. Existem fórmulas de preces mais eficazes do que outras, para esse caso? – Só a superstição pode atribuir virtudes a certas palavras. E somente os Espíritos ignorantes ou mentirosos podem entreter essas idéias, prescrevendo fórmulas. Entretanto, pode acontecer que para pessoas pouco esclarecidas e incapazes de entender as coisas puramente espirituais, o emprego de um fórmula contribua para lhes infundir confiança. Nesse caso a eficácia não é da fórmula, mas da fé que foi aumentada pela crença no uso da fórmula.

8. MÉDIUNS PNEUMATÓGRAFOS

177. Essa designação corresponde aos médiuns que têm aptidão para obter a escrita direta, o que não é dado a todos os médiuns escreventes. Essa faculdade é por enquanto muito rara. Provavelmente se desenvolve por exercício. Mas, como dissemos, sua utilidade prática se limita à comprovação evidente da intervenção de uma potência oculta nas manifestações. Só a experiência pode revelar se a gente a possui. Pode-se, pois, experimentar, como se pode interrogar um Espírito protetor através de outras formas de comunicação.

Segundo a maior ou menor potência do médium, obtêm-se apenas traços, sinais, letras, palavras, frases ou até mesmo páginas inteiras. Basta geralmente se colocar uma folha de papel dobrado em algum lugar, ou em lugar designado pelo Espírito, durante dez minutos, um quarto de hora ou um pouco mais. A prece e o recolhimento são condições essenciais. Eis porque podemos considerar impossível obtê-la em reuniões pouco sérias ou de pessoas que não estejam animadas de sentimentos de simpatia e benevolência. (Ver a teoria da escrita direta, cap. VIII, Laboratório do Mundo Invisível, n°. 127 e seguintes, e cap. XII, Pneumatografia.)

Trataremos especialmente dos médiuns escreventes nos capítulos seguintes.

(1) As classificações mediúnicas são naturalmente variáveis, sofrendo a influência dos costumes e condições de épocas e países. Kardec oferece uma classificação em linhas gerais. Alguns nomes se modificaram entre nós. Os médiuns auditivos são geralmente chamados audientes, os falantes receberam a designação de médiuns de incorporação e atualmente de psicofônicos, os sonâmbulos são geralmente chamados anímicos, os pneumatógrafos são chamados de voz direta. (N. do T.)

(2) Os Espíritos não dão aos fenômenos físicos a mesma importância que lhes atribuímos Interessam-se mais pelas manifestações inteligentes, destinadas à transmissão de mensagens ou à conversação esclarecedora. Veja-se o caso de Francisco Cândido Xavier dotado de excelentes faculdades de efeitos físicos mas aplicando-se, por instrução de seus guias, especialmente à psicografia. Os fenômenos impressionam e servem muitas vezes para despertar o interesse pela Doutrina, mas o que realmente interessa é esta, com suas conseqüências morais e espirituais. Os Espíritos superiores chegam a proibir manifestações físicas em grupos que podem produzir mais no sentido da orientação e do alevantamento moral. Assim fizeram na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas. (N. do T.)

(3) Esta observação de Kardec está perfeitamente de acordo com o seu ensino na Introdução ao Estudo da Doutrina Espírita (O Livro dos Espíritos), de que a Ciência Espírita tem outro objetivo e exige outros métodos de investigação. As exigências científicas dos pesquisadores materialistas, eivadas de suspeitas que ferem por si sós a sensibilidade moral dos médiuns autênticos, têm produzido sofrimentos inenarráveis. A maioria das grosseiras acusações de fraudes, feitas no passado e ainda sustentadas no presente, são inteiramente falsas e decorrem de um erro básico: a confusão do objeto Idas Ciências positivas com o objeto espiritual da pesquisa psíquica. A prevenção desses investigadores, aliada à vaidade e ao orgulho intelectual, transforma-os nesse terreno em verdadeiros macacos em loja de louças – O grifo de todo esse período é nosso. (N. Do T.)

(4) Um dos fatos mais extraordinários, dessa natureza, pela variedade e a estranheza dos fenômenos é sem dúvida ocorrido em 1852 no Palatinado (Baviera renana), em Bergzabern, próximo a Wissembourg. É tanto mais notável quanto reúne, no mesmo sujeito, quase todos os gêneros de manifestações espontâneas, estrondos de abalara a casa, móveis revirados, objetos atirados longe por mão invisível, visões e aparições, sonambulismo, êxtase, catalepsia, atração elétrica, gritos e sons no espaço, instrumentos musicais tocando sem contato, comunicações inteligentes, etc. Além disso, o que não é menos importante, a constatação dos fatos, durante cerca de dois anos, por numerosas testemunhas oculares dignas de fé por seu saber e sua posição social. O relato autêntico das ocorrências foi publicado, na época, por numerosos jornais alemães, e particularmente numa brochura atualmente esgotada e cujos exemplares são bastante raros. Pode-se encontrar, porém, a tradução completa dessa brochura na Revista Espírita de 1858, com os comentários e as explicações necessárias. Pelo que sabemos, foi a única publicação francesa que se fez a respeito. Além do interesse fascinante que provocam, esses fenômenos eminentemente instrutivos no tocante ao estudo prático do Espiritismo. (Nota de Kardec)

(5) Como se vê, o médium não é nem pode ser, como o pretendem certas escola espiritualistas, religiões e correntes científicas sempre dispostas a criticar as práticas Espíritas, um indivíduo passivo, destinado a tornar-se joguete dos Espíritos ou de outras influências. Condição indispensável da mediunidade é o controle pessoal do médium sobre as suas faculdades, que deve bem orientar. (N. do T.)

(6) A expressão pessoa influente, neste caso, não se refere à disposição social ou coisa semelhante, mas à superioridade moral que confere, à criatura mais humilde e simples o poder de exercer influência sobre os Espíritos perturbadores e obsessores. (N. Do T.)

(7) Como se vê, e como Charles Richet o reconheceu em seu Tratado de Metapsíquica, Allan Kardec nada afirmava sem a confirmação da experiência. Esse caso das pessoas elétricas é excelente prova da conduta inegavelmente científica do codificador do Espiritismo, que nem mesmo aceitava afirmações dos Espíritos superiores sem submetê-las ao exame racional e à prova da experiência. (N. do T.)

(8) O problema da voz dos Espíritos, com timbre característico, a ponto de se reconhecera de pessoa falecida há tempos, tem provocado críticas dos anti-espíritas religiosos e científico que alegam o desaparecimento dos órgãos vocais no túmulo. Explica-se o caso pelas propriedades do perispírito. Mas é bom lembrar que nas experiências parapsicológicas de telepatia à distância o fenômeno se confirma, sem que as objeções acima tenham sido levantada realidade, portanto, da voz dos Espíritos está hoje cientificamente confirmada. (N. do T.)

(9) Além dessas provas da independência do Espírito comunicante, assinaladas por Kardec, devemos lembrar que numerosos casos da bibliografia mediúnica e das experiências contidas com a mediunidade nos mostram que o Espírito pode tratar, através do médium, de assuntos a que este se furta e muitas vezes acusando-o e chamando-lhe a atenção. (N. do T.)

(10) Os médiuns falantes, chamados entre nós médiuns de incorporação, dividem-se assim duas classes bem conhecidas: médiuns conscientes e médiuns inconscientes. Aos conscientes é que Kardec dava, acertadamente, a designação de intuitivos. Aliás, essa divisão existe em todas as modalidades mediúnicas. (N. do T.)

(11) Note-se a razão da expressão segunda vista ou dupla vista, que ressalta claramente explicação de Kardec. A evidência propriamente dita independe dos olhos materiais, porque é uma visão anímica, a alma vê fora do corpo. É o que a Parapsicologia chama percepção extra-sensorial. A dupla-vista se manifesta sempre como um desdobramento da visão normal. Um cego não tem dupla-vista, mas apenas vidência. (N. do T.)

(12) Ernesto Bozzano publicou um livro especial sobre o problema das manifestações espíritas no momento da morte, relacionando numerosos casos bastante significativos. Na moderna Parapsicologia esses fatos foram também considerados em vários livros. Veja-se o trabalho recente da profa. Louise Rhine Os Canais Ocultos da Mente, no caso de Efeitos físicos enigmáticos, que também relata curiosas ocorrências. Há uma tradução brasileira de Jacy Monteiro, lançada pela Editora Bestseller, São Paulo, 1966. (N. do T.)

(13) Esta é uma característica do Espiritismo, para a qual devemos sempre chamar a atenção de adeptos e adversários. A Doutrina é contrária a todos os meios artificiais desenvolvimento psíquico, mantendo o mais rigoroso respeito às leis naturais que lidem a esses processos, como a todos os demais na condição humana. Os que acusam o Espiritismo de excessos psíquicos ou místicos simplesmente ignoram os seus princípios, não sabem o que dizem. (N. do T.)

(14) O rigor da observação espírita não está nos meios materiais de controle, sempre ingênuos e até mesmo infantis, quando se trata de questões espirituais. Este é um dos os casos que fogem a todas as explicações telepáticas, a menos que aceitemos o mio, jamais experimentalmente provado, das interferências mais fantásticas, como lembranças inconscientes da viúva remontando aos tempos da avó. Isso é o que Kardec considerava, muito justamente, querer substituir o suposto fantástico da presença do Espírito por uma explicação engenhosa e ainda muito mais fantástica. O estudo e a pesquisa espírita mostram, por mil detalhes valiosos, o ridículo dessas hipóteses apresentadas e sempre geradas pela prevenção e a ignorância do assunto. (N. do T.)

(15) A hipótese de projeção do eu, hoje sustentada por alguns psicólogos e parapsicólogos, é uma evidente aproximação deste princípio espírita. A independência aos poucos se confirmando. (N. do T.)

(16) Não confundir a passividade voluntária do médium, que presta serviço comunicante, com a passividade hipnótica, por sujeição, de que alguns adversários do Espiritismo acusam a mediunidade. (N. do T.)

(17) A ação dos Espíritos é que realmente dá eficácia curadora ao magnetismo humano. Preste-se atenção à dinâmica do auxílio espiritual, revelada nessa esclarecedora resposta (N. do T.)

(18) Os Espíritos colocam aqui um problema comum de psicologia. Há magnetizadores e hipnotizadores e sujeitos paranormais que só acreditam em suas faculdades e as desenvolvem sob a ação de outras pessoas. Trata-se de falta de confiança em si mesmas poder das outras pessoas, que muitas vezes se julgam poderosas. Ilusão muito freqüente dos que se dizem capazes de desenvolver a mediunidade dos outros. (N. do T.)

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