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24/09/2017

Capítulo XVIII – Muitos os chamados e poucos os escolhidos

Parábola da festa de núpcias – A porta estreita – Os que dizem: senhor, senhor! A quem muito foi dado, muito será pedido
Instruções dos Espíritos: Ao que tem se lhe dará
Reconhece-se o cristão pelas suas obras – Parábola da festa de núpcias

1. E respondendo Jesus, lhe tornou a falar segunda vez em parábolas, dizendo: O Reino dos Céus é semelhante a um homem rei, que faz as bodas a seu filho; e mandou os seus servos a chamar os convidados para as bodas, mas eles recusaram ir. Enviou de novo outros servos, com este recado: Dizei aos convidados: Eis aqui tenho preparado o meu banquete, os meus touros e os animais cevados estão mortos, e tudo pronto; vinde às bodas. Mas eles desprezaram o convite, e se foram, um para a sua casa de campo, e outro para o seu tráfico. Outros porém, lançaram mão dos servos que ele enviara, e pois de os haverem ultrajado, os mataram. Mas o rei, tendo ouvido isso, se irou; e tendo feito marchar seus exércitos, acabou com aqueles homicidas, e pôs fogo à sua cidade. Então disse aos seus servos: As bodas com efeito estão aparelhadas, mas os que foram convidados não foram dignos de se acharem no banquete. Ide pois às saídas das ruas e a quantos achardes, convidai-os para as bodas. E tendo saído seus servos pelas ruas, congregaram todos os que acharam, maus e bons; e ficou cheia de convidados a sala do banquete de bodas. Entrou pois o rei para ver os que estavam à mesa, e viu ali um homem não estava vestido com veste nupcial. E disse-lhe: Amigo, como entraste aqui, não tendo vestido nupcial? Mas ele emudeceu. E disse o rei aos seus ministros: Atai-o de pés e mãos e lançai-o trevas exteriores: aí haverá choro e ranger de dentes. Porque são muitos chamados e poucos os escolhidos (Mateus, XXII:1-4).

2. O incrédulo ri desta parábola, que lhe parece de uma pueril ingenuidade, pois não admite que haja tantas dificuldades para realização de um banquete, e ainda mais quando os convida chegam ao ponto de massacrar os enviados do dono da casa. “As parábolas – diz ele – são naturalmente alegorias, mas não devem passar os limites do possível“.

O mesmo se pode dizer de todas as alegorias, das fábulas engenhosas, se não lhes descobrimos o sentido oculto. Jesus inspirava nas usanças mais comuns da vida, e adaptava as parábolas aos costumes e ao caráter do povo a que se dirigia. A maioria delas tinha por fim fazer penetrar nas massas popular idéia da vida espiritual, e seu sentido só parece incompreensível os que não se colocam nesse ponto de vista.

Nesta parábola, por exemplo, Jesus compara o Reino dos Céus onde tudo é felicidade e alegria, a uma festa nupcial. Os primeiros convidados são os judeus, que Deus havia chamado em primeiro lugar para o conhecimento da sua lei. Os enviados do rei são profetas, que convidaram os judeus a seguir o caminho da verdadeira felicidade, mas cujas palavras foram pouco ouvidas, cujas advertências foram desprezadas, e muitos deles foram mesmo massacrados como os servos da parábola. Os convidados que deixam de comparecer, alegando que tinham de cuidar de seus campos e de seus negócios, representam as pessoas mundanas que, absorvidas pelas coisas terrenas, mostram-se indiferentes para as coisas celestes.

Acreditavam os judeus de então que a sua nação devia contar a supremacia sobre todas as outras. Pois não havia Deus prometido a Abraão que a sua posteridade cobriria a Terra inteira? Tome sempre a forma pelo fundo, eles se julgavam destinados a uma eliminação efetiva, no plano material.

Antes da vinda do Cristo, com exceção dos hebreus, todos os povos eram politeístas e idólatras. Se alguns homens superiores haviam atingido a idéia da unidade divina, essa idéia entretanto permanecia como sistema pessoal, pois em nenhuma parte foi aceita como verdade fundamental, a não ser por alguns iniciados, que ocultavam os seus conhecimentos sob formas misteriosas, impenetráveis à compreensão do povo. Os judeus foram os primeiros que praticaram publicamente o monoteísmo. Foi a eles que Deus transmitiu a sua lei; primeiro através de Moisés, depois através de Jesus. Desse pequeno foco partiu a luz que devia expandir-se pelo mundo inteiro, triunfar do paganismo e dar a Abraão uma posteridade espiritual “tão numerosa como as estrelas do firmamento”.

Mas os judeus, embora repelindo a idolatria, haviam negligenciado a lei moral, para se dedicar à prática mais fácil do culto exterior. O mal chegara ao cúmulo: a nação, dominada pelos romanos, estava esfacelada pelas facções, dividida pelas seitas; a própria incredulidade havia atingido até mesmo o santuário. Foi então que Jesus apareceu, enviado para chamá-los à observação da lei e para abrir-lhes os novos horizontes da vida futura. Primeiros convidados ao banquete da fé universal, eles repeliram, porém, as palavras do celeste Messias, e o sacrificaram. Foi assim que perderam o fruto que deviam colher da sua própria iniciativa.

Seria injusto, entretanto, acusar o povo inteiro por essa situação. A responsabilidade coube principalmente aos Fariseus e aos Saduceus, que puseram a nação a perder, os primeiros pelo seu orgulho e fanatismo, e os segundos pela sua incredulidade. São eles, sobretudo, que Jesus compara aos convidados que se negaram a comparecer ao banquete de núpcias, e acrescenta que o rei, vendo isso, mandou convidar a todos os que fossem encontrados nas ruas, bons e maus. Fazia entender assim que a palavra seria pregada a todos os outros povos, pagãos e idólatras, e que estes, aceitando-a, seriam admitidos à festa de núpcias em lugar dos primeiros convidados.

Mas não basta ser convidado; não basta dizer-se cristão, nem tampouco sentar-se à mesa para participar do banquete celeste. É necessário, antes de tudo, e como condição expressa, vestir a túnica nupcial, ou seja, purificar o coração e praticar a lei segundo o espírito, pois essa lei se encontra inteira nestas palavras: Fora da caridade não há salvação. Quão poucos se tornam dignos de entrar no Reino Céus! Foi por isso que Jesus disse: Muitos serão os chamados poucos os escolhidos.

A PORTA ESTREITA

3. Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta, e espaçoso aminho que leva à perdição, e muitos são os que entram por ela. Que estreita é a porta, e que apertado o caminho que leva para a vida, e quão poucos são os que acertam com ela! (Mateus, Vll:13-14).

4. E perguntou-lhe alguém: Senhor, são poucos, então, os se salvam? E ele lhes disse: Porfiai por entrar pela porta estreita porque vos digo que muitos procurarão entrar e não o poderão, quando o pai de família tiver entrado, e fechado a porta, vós estareis de fora, e começareis a bater à porta, dizendo: Abre-nos, Senhor ele vos responderá, dizendo: Não sei de onde sois. Então começa a dizer: Nós somos aqueles que, em tua presença, comemos e bebemos, a quem ensinaste nas nossas praças. E ele vos responde: Não sei de onde sois; apartai-vos de mim todos os que obrais a iniqüidade. Ali será o choro e o ranger de dentes, quando virdes que Abraão, e Isaac e Jacó, e todos os profetas, estão no Reino de Deus e que vós ficais fora dele, excluídos. E virão do oriente e do ocidente e do setentrião e do meio-dia, muitos que se assentarão à mesa Reino de Deus. E então os que são últimos serão os primeiros, e que são os primeiros serão os últimos. (Lucas, Xlll: 23-30).

5. A porta da perdição é larga, porque as más paixões são numerosas e o caminho do mal é o mais freqüentado. A da salvação é estreita porque o homem que deseja transpô-la deve fazer grandes esforços para vencer as suas más tendências, e poucos se resignam a isso. Completa-se a máxima: São muitos os chamados e poucos os escolhidos.

Esse é o estado atual da humanidade terrena, porque, sendo a Terra um mundo de expiações, nela predomina o mal. Quando estiver transformada, o caminho do bem será o mais freqüentado. Deve entender essas palavras, portanto, em sentido relativo e não absoluto. Se esse tivesse de ser o estado normal da humanidade, Deus teria voluntariamente condenado à perdição a imensa maioria das criaturas, suposição inadmissível, desde que se reconheça que Deus todo justiça e todo bondade.

Mas quais as faltas de que esta humanidade seria culpada, para merecer uma sorte tão triste, no presente e no futuro, se toda ela estive se na Terra e a alma não tivesse outras existências? Porque tantos escolhos semeados no seu caminho? Por que essa porta tão estreita, que apenas a um pequeno número é dado transpor, se a sorte da alma está definitivamente fixada, após a morte? É assim que, com a unicidade existência, estamos incessantemente em contradição com nós mesmos e com a justiça de Deus. Com a anterioridade da alma e a pluralidade dos mundos, o horizonte se alarga, iluminam-se os pontos mais obscuros da fé, o presente e o futuro se mostram solidários com o passado, e somente assim podemos compreender toda a profundidade, toda a verdade e toda a sabedoria das máximas do Cristo.

OS QUE DIZEM: SENHOR, SENHOR!

6. Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor, entrará no Reino dos Céus, mas sim o que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus, esse entrará no Reino dos Céus. Muitos me dirão, naquele dia: Senhor, Senhor, não é assim que profetizamos em teu nome, e em teu nome expelimos os demônios, e em teu nome obramos muitos prodígios? E eu então lhes direi, em voz bem inteligível: Pois eu nunca vos conheci; apartai-vos de mim, os que obrais a iniquidade. (Mateus,Vll:21-23).

7. Todo aquele, pois, que ouve estas minhas palavras, e as observa, será comparado ao homem sábio, que edificou a sua casa sobre a rocha. E veio a chuva, e transbordaram os rios, e assopraram os ventos, e combateram aquela casa, e ela não caiu, porque estava fundada sobre a rocha. E todo o que ouve estas minhas palavras, e não as observa, será comparado ao homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia. E veio a chuva, e transbordaram os rios, e assopraram os ventos, e combateram aquela casa, e ela caiu, e foi grande a sua ruína. (Mateus, Vll: 24-27 e semelhante em Lucas, Vl: 46-49).

8. Naquele, pois, que quebrar um destes mínimos mandamentos, e que assim ensinar aos homens, será chamado mui pequeno no Reino dos Céus; mas o que os guardar, e ensinar a guardá-los, esse será reputado grande no Reino dos Céus. (Mateus, V:19).

9. Todos os que confessam a missão de Jesus, dizem: Senhor, Senhor! Mas de que vale chamá-lo Mestre ou Senhor, quando não se seguem os seus preceitos? São cristãos esses que o honram através de atos exteriores de devoção, e ao mesmo tempo sacrificam no altar do egoísmo, do orgulho, da cupidez e de todas as paixões? São seus discípulos esses que passam os dias a rezar, e não se tornam melhores, nem mais caridosos, nem mais indulgentes para com os seus semelhantes? Não, porque, à semelhança das formas, podem impor-se aos homens, mas não a Deus. É em vão que dirão a Jesus: “Senhor, nós profetizamos, ou seja, ensinamos em vosso nome; expulsamos os demônios em vosso nome; comemos e bebemos convosco!” Ele lhes responderá: “Não sei quem sois. Retirai-vos de mim, vós que cometeis iniqüidade, que desmentis as vossas palavras pelas ações, que caluniais o próximo, que espoliais as viúvas e cometeis adultério! Retirai-vos de mim, vós, cujo coração destila ódio e fel, vós que derramais o sangue de vossos irmãos em meu nome, que fazeis correrem as lágrimas em vez secá-las! Para vós, haverá choro e ranger de dentes, pois o Reino de Deus é para os que são mansos, humildes e caridosos. Não espereis dobrar a justiça do Senhor pela multiplicidade de vossas palavras e de vossas genuflexões. A única via que está aberta, para alcançardes a graça em sua presença, é a da prática sincera da do amor e da caridade.”

As palavras de Jesus são eternas, porque são a verdade. Não são somente a salvaguarda da vida celeste, mas também o penhor da paz, da tranqüilidade e da estabilidade do homem entre as coisas da vida terrena. Eis porque todas as instruções humanas, políticas sociais e religiosas, que se apoiarem nas suas palavras, serão estáveis como a casa construída sobre a pedra. Os homens as conservarão, porque nelas encontrarão a sua felicidade. Mas aquelas que apoiarem na sua violação, serão como a casa construída sobre areia: o vento das revoluções e o rio do progresso as levarão roldão.

A QUEM MUITO FOI DADO, MUITO SERÁ PEDIDO

10. Porque àquele servo, que soube a vontade de seu Senhor e não se apercebeu, e não obrou conforme a sua vontade, dar-se-lhe-ão ao muitos açoites. Mas aquele que não a soube, e fez coisa digna de castigo, levará poucos açoites. Porque a todo aquele, a que muito foi dado, muito será pedido, e ao que muito confiaram, mais conta lhe tomarão. (Lucas, Xll: 47-48).

11. E Jesus lhe disse: Eu vim a este mundo para exercitar juízo, a fim de que os que não vêem, vejam, e os que vêem, tornem cegos. E ouviram alguns dos fariseus que estavam com e lhe disseram: Logo, também nós somos cegos: Respondeu-lhe Jesus: Se vós fosseis cegos, não teríeis culpa; mas como agora mesmo dizeis: Nós vemos, fica subsistindo o vosso pecado. (João-IX:39-41).

12. Estas máximas encontram sobretudo a sua aplicação ensinamento dos Espíritos. Quem quer que conheça os preceitos do Cristo é seguramente culpado, se não os praticar. Mas além de não ser suficientemente difundido o Evangelho que os contêm, senão entre as seitas cristãs, mesmo entre estas, quantas pessoas existem que não o lêem, e entre as que lêem, quantas não o compreendem! Disso resulta que as próprias palavras de Jesus ficam perdidas para a maioria. O ensinamento dos Espíritos, que reproduz essas máximas sob diferentes formas, que as desenvolve e comenta, pondo-as ao alcance de todos, tem isto de particular, ou seja, não é circunscrito. Assim, todos, letrados ou não, crentes ou descrentes, cristãos ou não-cristãos, podem recebê-lo, pois os Espíritos se comunicam por toda a parte. Nenhum dos que o recebam, diretamente ou por intermédio de outros, pode pretextar ignorância, ou pode desculpar-se com a sua falta de instrução ou com a obscuridade do sentido alegórico. Aquele, pois, que não o põe em pratica para se melhorar, que o admira apenas como interessante e curioso, sem que seu coração seja tocado, que não se faz menos fútil, menos orgulhoso, menos egoísta, nem menos apegado aos bens materiais, nem melhor para o seu próximo, é tanto mais culpado, quanto teve maior facilidade para conhecer a verdade.

Os médiuns que obtêm boas comunicações são ainda mais repreensíveis por persistirem no mal, pois escrevem frequentemente a sua própria condenação, e se não estivessem cegos pelo orgulho, reconheceriam que os Espíritos se dirigem a eles mesmos. Mas, em vez de tomarem para eles as lições que escrevem, ou que vêem os outros escreverem, sua única preocupação é a de aplicá-las a outras pessoas, incidindo assim nestas palavras de Jesus:

“Vedes um argueiro no olho do próximo, e não vedes a trave no vosso.” (Ver cap. X. n” 9).

Por estas palavras: “Se fosseis cegos, não teríeis culpa”, Jesus confirma que a culpabilidade está na razão do conhecimento que se possui. Ora, os fariseus, que tinham pretensão de ser, e que realmente eram, a parte mais esclarecida da nação, tornavam-se mais repreensíveis aos olhos de Deus que o povo ignorante. O mesmo acontece hoje.

Aos espíritas, portanto, muito será pedido, porque muito receberam, mas também aos que souberam aproveitar os ensinamentos, muito lhes será dado.

O primeiro pensamento de todo espírita sincero deve ser o de procurar, nos conselhos dados pelos Espíritos, alguma coisa que lhe diga respeito.

O Espiritismo vem multiplicar o número dos chamados, e pela fé que proporciona, multiplicará também o número dos escolhidos.

INSTRUÇÕES DOS ESPÍRITOS

AO QUE TEM SE LHE DARÁ

13. E chegando-se a ele os discípulos, lhe disseram: Por qual razão lhes falas por parábolas? Ele, respondendo, lhes disse: Porque a vós vos é dado saber os mistérios do Reino dos Céus, mas a e não lhes é concedido. Porque ao que tem, se lhe dará, e terá em abundância, mas ao que não tem, até o que tem, lhe será tirado. Por isto é que eu lhes falo em parábolas: porque eles, vendo, não vêem, e ouvindo não ouvem, nem entendem. De sorte que neles se cumpre à profecia de Isaías, que diz: Vós ouvireis com os ouvidos, e não entendereis; e vereis com os olhos, e não vereis. (Mateus, Xll:10-14).

14. Também lhes dizia: Atendei ao que ides agora ouvir. Com a medida com que medirdes aos demais, vos medirão a vós, e ainda se vos acrescentará. Porque ao que já tem, dar-se-lhe-á, e ao que não tem, ainda o que tem se lhe tirará. (Marcos, IV:24-25).

Um Espírito Amigo
Bordeaux, 1862

15. “Dá-se ao que tem e retira-se ao que não tem”. Meditai sobre esses grandes ensinamentos, que quase sempre vos parecem paradoxais. Aquele que recebeu é o que possui sentido da palavra divina. Ele a recebeu porque esforçou-se para fazer-se digno, e porque Senhor, no seu amor misericordioso, encoraja-lhe os esforços e direção ao bem. Esses esforços contínuos, perseverantes, atraem graças do Senhor. São como um imã, que atraísse as melhoras progressivas, as graças abundantes, que vos tornam fortes para a subida da montanha sagrada, em cujo cume encontrareis o repouso que sucede ao trabalho.

“Tira-se àquele que nada tem, ou que tem pouco”. Tomai como um ensino figurado. Deus nãotira das suas criaturas o bem que dignou conceder-lhes. Homens cegos e surdos! Abri vossas inteligências e vossos corações, procurai ver pelo espírito; compreendei com a alma; e não interpretai de maneira grosseiramente injusta as palavras daquele que fez resplandecer aos vossos olhos a Justiça do Senhor! Não é Deus quem retira daquele que pouco havia recebido mas é o seu próprio Espírito que, pródigo e descuidado, não sabe conservar o que tem, e aumentar, fecundando-a, a migalha que caiu no seu coração.

O filho que não cultiva o campo que o trabalho do pai conquistou, para deixar-lhe de herança, vê esse campo cobrir-se de ervas daninhas. Será o seu pai quem lhe tira as colheitas que ele não preparou? Se ele deixou a sementeira morrer nesse campo, por falta de cuidado, deve acusar seu pai pela falta de produção? Não, não! Em vez de acusar aquele que tudo lhe deu, como se lhe houvesse retomado os bens, deve acusar-se a si mesmo, que é o verdadeiro responsável pela sua miséria, e arrependido e ativo, entregar-se corajosamente ao trabalho. Que arroteie o solo ingrato, com o esforço de sua própria vontade; que o lavre a fundo, com a ajuda do arrependimento e da esperança; que nele atire, confiante, a semente que escolheu como boa entre as más; que o regue com o seu amor e a sua caridade; e Deus, o Deus de Amor e Caridade, dará àquele que já tem. Então, ele verá os seus esforços coroados de sucesso, e um grão a produzir cem, e outro, mil. Coragem, trabalhadores! Tomai as vossas grades e charruas; arroteai os vossos corações; arrancai deles o joio; semeai a boa semente que o Senhor vos confia, e o orvalho do amor os fará produzir os frutos da caridade.

RECONHECE-SE O CRISTÃO PELAS SUAS OBRAS

Simeão
Bordeaux, 1863

16. “Nem todos os que me dizem Senhor, Senhor, entrarão no Reino dos Céus, mas somente o que faz a vontade de meu Pai, que ;está nos céus.” Escutai estas palavras do Mestre, todosvós que repelis a doutrina espírita como obra do demônio! Abri os vossos ouvidos, pois chegou o momento de ouvir!

Será suficiente trazer a libré do Senhor, para ser um fiel servidor? Será bastante dizer: “Sou cristão”, para seguir o Cristo? Procurai os verdadeiros cristãos e os conhecereis pelas suasobras. “Uma árvore boa não pode dar maus frutos, nem uma árvore má dar bons frutos.”“Toda árvore que não der bons frutos será cortada e lançada no fogo.” – Eis as palavras domestre. Discípulos do Cristo, compreendei-as bem! Quais os frutos que a árvore do Cristianismo deve dar, árvore possante, cujos ramos frondosos cobrem com a sua sombra uma parte do mundo, mas ainda não abrigaram a todos os que devem reunir-se em seu redor? Os frutos da árvore da vida são frutos de vida, de esperança e fé. O Cristianismo, como o vem fazendo desde muitos séculos, prega sempre essas divinas virtudes, procurando distribuir os seus frutos. Mas quão poucos os colhem! A árvore é sempre boa, mas os jardineiros são maus. Quiseram moldá-la segundo as suas idéias, modelá- la de acordo com as suas conveniências. Para isso a cortaram, diminuíram, mutilaram. Seus ramos estéreis já dão maus frutos, pois nada mais produzem. O viajor sedento que se acolhe à sua sombra, procurando o fruto de esperança, que lhe deve dar força e coragem, encontra apenas os ramos adustos, pressagiando mau tempo. É em vão que busca o fruto da vida na árvore da vida: as folhas tombam secas aos seus pés. As mãos do homem tanto as trabalharam, que acabaram por crestá-las!

Abri, pois, vossos ouvidos e vossos corações, meus bem-amados! Cultivai esta árvore da vida, cujos frutos proporcionam a vida; eterna. Aquele que a plantou vos convida a cuidá -la com amor, que ainda a vereis dar com abundância os seus frutos divinos. Deixai -a assim como o Cristo vo-la deu? Não a mutileis. Sua sombra imensa quer estender-se por todo o universo; não lhe corteis a ramagem. Seus frutos generosos caem em abundância, para alentar o viajor cansado, que deseja chegar ao seu destino. Não os amontoeis, para guardá-los e deixá-los apodrecer, sem servirem a ninguém. “São muitos os chamados e poucos os escolhidos.” É que há os açambarcadores do pão da vida, como os há do pão material. Não vos coloqueis entre eles; a árvore que dá bons frutos deve distribuí-los para todos. Ide, pois, procurar os necessitados; conduzi-os sob as ramagens da árvore e partilhai com eles o abrigo que ela vos oferece. “Não se colhem uvas dos espinheiros.” Meus irmãos, afastai-vos, pois, dos que vos chamam para apontar os tropeços do caminho, e segui-os que vos conduzem à sombra da árvore da vida.

O divino Salvador, o justo por excelência, disse, e suas palavras não passarão: “Os que me dizem Senhor, Senhor, nem todos entrarão, no Reino dos Céus, mas somente aqueles que fazem a vontade de meu Pai, que está nos céus.” Que o Senhor das bênçãos vos abençoe,que o Deus da luz vos ilumine; que a árvore da vida vos faça; com abundância a oferenda dos seus frutos! Crede e orai!

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