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24/08/2017

Caos, complexidade e a influência dos espíritos sobre os fenômenos da natureza Por Alexandre Fontes da Fonseca


RESUMO:

Analisamos, à luz dos conhecimentos atuais da Ciência e da Doutrina Espírita, a questão sobre a ação dos espíritos nos fenômenos da natureza. Apesar dos espíritos confirmarem tal influência esse assunto foi pouco discutido pelo codificador em razão dos poucos conhecimentos científicos, existentes à época, a respeito de tais fenômenos. Graças ao desenvolvimento das disciplinas científicas conhecidas como Teoria do Caos e Complexidade podemos retomar a questão. Neste artigo, argumentamos que a influência ou ação dos espíritos num fenômeno natural de larga escala como, por exemplo, uma tempestade, não requer, do ponto de vista físico, uma grande quantidade de energia, em comparação com a magnitude do fenômeno em si. Em termos espíritas isto significa que não há necessidade de uma grande quantidade de fluido animalizado para realizar-se tal influência, o que a torna um evento perfeitamente possível. Utilizamos os conceitos de Caos e Complexidade para entender como isso pode ser possível.

PALAVRAS–CHAVE: Caos; Complexidade; Influência dos espíritos na natureza; fenômenos atmosféricos; efeitos físicos; fenômenos físicos.

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I – INTRODUÇÃO

Em “A Gênese”, Capítulo XV item 45, Kardec apresenta uma passagem evangélica intitulada “Tempestade Acalmada”[1]. Nesta passagem Jesus e os discípulos estavam passando de uma margem à outra de um lago, em um barco, quando fortes ventos surgiram e os discípulos, assustados, pediram ajuda ao Mestre. Este, segundo a narrativa evangélica, se dirigiu aos ventos e às ondas apaziguando-os. Jesus, então, aproveita a oportunidade para falar-lhes sobre a fé. Kardec, no item 46 da referência acima e Caibar Schutel[2] comentam a passagem. Kardec, neste item, admite que não se conhece os “segredos da Natureza para afirmar se há, ou não, inteligências ocultas que presidem à ação dos elementos”. Caibar Schutel vai mais além afirmando que “todos os fenômenos sísmicos e atmosféricos são dirigidos por seres inteligentes encarregados das manifestações da Natureza”[2]. Em ambas as citações os autores afirmam a possibilidade da atuação dos espíritos sobre o fenômeno de uma tempestade mas, conforme veremos adiante, não existe na literatura espírita nenhuma explicação sobre como seria tal atuação.

De todos os fenômenos conhecidos pelo ser humano, de uma maçã que cai ao chão, até os mais belos fenômenos luminosos observados no Universo, temos que lembrar que as leis que estão por trás de cada um deles são leis naturais e, portanto, de origem divina. Ao longo da história, o ser humano tentou compreendê-las através da observação e estudo dos fenômenos naturais que ocorriam. Em 1687, um salto ocorreu na maneira como estudar e entender tais fenômenos. Galileu, em Diálogos Sobre os Dois Sistemas de Mundo e, de modo mais formal, Isaac Newton, em Principia Mathematica Philosophiae Naturalis, inauguraram uma nova maneira de se fazer Ciência ao descreverem, matematicamente, os fenômenos mecânicos da natureza. Esta se desenvolveu rapidamente trazendo luz e progresso a toda a humanidade.

Os conhecimentos científicos consistem na forma pela qual se entende as leis naturais que regem os fenômenos materiais. Por isso, o uso que vamos fazer de conceitos modernos da Ciência (Teoria do Caos e Complexidade), na tentativa de entender como os espíritos podem atuar em um determinado fenômeno natural, não diminuem em nada o carácter natural tanto dos fenômenos quanto das leis.

Neste artigo, portanto, apresentaremos uma forma pela qual os espíritos poderiam exercer uma ação sobre os fenômenos da Natureza de larga escala, como uma tempestade, baseando-se nos conceitos de Teoria do Caos e Complexidade.

É sabido que os fenômenos da atmosfera, em torno dos quais trabalharemos, são sistemas caóticos e complexos[3]. Um sistema é dito caótico[4] quando extremamente sensível a pequenas perturbações(a) . Como exemplo, considere um jogo de bilhar com a mesa cheia de bolas. Se o jogador, ao dar uma tacada, errar um pouco a direção desejada, o resultado final, que é o movimento das bolas, será completamente diferente daquele previsto se a tacada fosse correta, e não apenas um pouco diferente, como se poderia pensar. Este tipo de dinâmica, sensível às condições iniciais, é chamada de caótica. Como consequência, perde-se, efetivamente, o poder de prever o que vai acontecer após a tacada se o jogador não tiver total certeza de qual será a sua direção.

Um sistema é dito complexo[5] quando o seu comportamento é rico em possibilidades inesperadas e diversificadas, mesmo que sua estrutura não seja complicada, isto é, composta de muitas partes interliga- das entre si. A vida é um dos melhores exemplos de complexidade. As características do ser vivo mais simples, como uma ameba, exibem qualidades inesperadas e diversificadas. Apesar da vantagem da velocidade, nossos computadores, por exemplo, são menos complexos do que o ’cérebro’ de uma minhoca[6]. Se considerarmos que os gases que compõem a atmosfera são formados por partículas, aproximadamente, esféricas, podemos imaginar que milhares delas estão a todo momento se chocando como no jogo de bilhar acima exemplificado. A atmosfera, portanto, é um sistema que apresenta comportamento caótico e complexo por ser extremamente sensível a relativamente pequenas perturbações e por se manifestar em uma grande variedade de situações conhecidas como tempestades, tufões, ventos, frentes frias e quentes, etc. O grande físico Stephen Hawking, em seu mais novo livro intitulado “O Universo numa Casca de Noz”[6], expõe de forma poética este fato ao dizer que: “Uma borboleta batendo as asas em Tóquio pode causar chuva no Central Park de Nova Iorque”. Como ele mesmo explica, não é o bater das asas, pura e simplesmente, que gerará a chuva mas a influência deste pequeno movimento sobre outros eventos em outros lugares é que pode levar, por fim, a influenciar o clima. É por es- ta razão que a atmosfera é um sistema de difícil previsão e faz com que, pelo menos uma vez por semana, consultemos a Meteorologia sobre as condições do tempo(b).

Para realizar previsões no tempo, a Meteorologia se utiliza de ferramentas teóricas para calcular, com alguma precisão, o comportamento do clima a partir de um dado conjunto de medidas atmosféricas obtidas experimentalmente. Edward N. Lorenz propôs o primeiro modelo teórico[7] para a dinâmica da atmosfera, conhecido como o Modelo de Lorenz. A figura 1 mostra um exemplo do chamado atrator estranho ou borboleta de Lorenz que é uma solução das equações obtidas com o seu modelo.

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Figura 1: Atrator estranho ou borboleta de Lorenz obtida resolvendo-se as equações diferenciais do modelo de Lorenz. x, y e z representam grandezas físicas como temperatura, pressão e velocidade das partículas.

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Lorenz também demonstrou, em um artigo de 1982[8], que existe um limite para a previsibilidade de sistemas atmosféricos em largas escalas, que é em torno de 2 semanas. Isto quer dizer que não podemos confiar nas previsões do tempo feitas após este intervalo. Enfatizamos, portanto, que existe um limite para o conhecimento que o ser humano atingiu com relação a este problema. Essa informação será importante na discussão sobre a capacidade dos espíritos de realizarem melhores cálculos e previsões.

Este artigo está organizado da seguinte forma. Na seção II exporemos tudo o que encontramos nas obras básicas de Allan Kardec sobre a ação dos espíritos sobre os fenômenos da Natureza. Lembraremos algumas idéias básicas sobre fenômenos de efeitos físicos, já que qualquer atuação dos espíritos sobre os fenômenos da Natureza pertence a esta classe de efeitos. Na seção III, mostraremos que esta atuação é perfeita- mente plausível e requer pouco fluido animalizado. Finalmente, na seção IV nós resumimos os resultados apresentando as principais conclusões.

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II – O que diz o Espiritismo

Além das citações feitas do livro A Gênese e do livro de Caibar Schutel a respeito de uma passagem evangélica onde Jesus “controla” uma tempestade, as questões de 536 a 540 do Livro dos Espíritos[9] falam sobre o assunto. Existe, ainda, uma pequena menção ao tema na Revista Espírita de setembro de 1859[10], intitulada “As tempestades” que não acrescenta em nada o conteúdo presente nas questões de 536 a 540 acima citadas. Por isso, vamos nos ater, apenas, ao Livro dos Espíritos. Transcreveremos algumas destas questões, grifando aquilo que acharmos importante para a discussão proposta neste artigo. A primeira questão que nos interessa é a de número 536-a:

536 – a Esses fenômenos (da Natureza) sempre visam ao homem ?

  • Algumas vezes têm uma razão de ser diretamente relacionada ao homem, mas frequentemente não tem outro objetivo que o restabelecimento do equilíbrio e da harmonia das forças físicas da Natureza.

536 – B Concebemos perfeitamente que a vontade de Deus seja a causa primária, (…); mas como sabemos que os espíritos podem agir sobre a matéria e que eles são os agentes da vontade de Deus, perguntamos se alguns dentre eles não exerceriam uma influência sobre os elementos para os agitar, acalmar ou dirigir.

  • Mas é evidente; isso não pode ser de outra maneira. Deus não se entrega a uma ação direta sobre a Natureza, mas tem seus agentes dedicados, em todos os graus da escala dos mundos.

537 -a (…), poderia então haver Espíritos habitando o interior da Terra e presidindo aos fenômenos geológicos ?

  • – Esses espíritos não habitam precisamente a Terra, mas presidem e dirigem os fenômenos, segundo as suas atribuições. Um dia tereis a explicação de todos esses fenômenos e os compreendereis melhor.

538 Os espíritos que presidem aos fenômenos da Natureza formam uma categoria especial no mundo espírita, são seres à parte ou espíritos que foram encarnados, como nós ?

  • Que o serão, ou que o foram.

538 – A – Esses espíritos pertencem às ordens superiores ou inferiores da hierarquia espírita ?

  • Segundo o seu papel for mais ou menos material ou inteligente: uns mandam, outros executam; os que executam as ações materiais são sempre de uma ordem inferior, entre os espíritos como entre os homens.

539 Na produção de certos fenômenos, das tempestades, por exemplo, é somente um espírito que age ou se reúnem em massa ?

  • Em massas inumeráveis.

540 Os espíritos que agem sobre os fenômenos da Natureza agem com conhecimento de causa, em virtude de seu livre arbítrio, ou por um impulso instintivo e irrefletido ?

  • Uns sim; outros não. (…) (sobre os espíritos mais atrasados) … Primeiro, executam; mais tarde, quando sua inteligência estiver mais desenvolvida, comandarão e dirigirão as coisas do mundo material; (…)”

Estas questões juntamente com o que nós assinalamos e grifamos, servirão de base para a nossa discussão. De modo a organizarmos os argumentos, vamos enumerar os pontos principais:

  1. Os espíritos são os agentes de Deus na execução de seus desígnios. Portanto são os espíritos que agem sobre os fenômenos da Natureza quando isso é necessário.
  2. Os agentes (os espíritos) existem em todos os graus da escala evolutiva. Existem, então, os que dirigem, mandam e comandam; e os que executam a ação sobre os fenômenos. Isso significa que os que mandam e dirigem, devem ter capacidade de coordenar, calcular, prever as consequências da atitude a ser tomada pelos que executam a tarefa.
  3. Os espíritos se reúnem em massas para a realização do fenômeno.

Antes de passarmos para a seção onde explicaremos como os espíritos podem controlar os fenômenos da Natureza, vamos rever alguns princípios básicos necessários para que ocorram efeitos físicos. Do capítulo IV da segunda parte do Livro dos Médiuns[11], retiramos os seguintes princípios:

  • Um espírito só pode mover um corpo sólido se ele combinar uma porção do fluido universal com o fluido que se desprende do médium apropriado a esses efeitos.
  • Um espírito pode agir sem que o médium, doador do fluido animalizado, perceba.
  • Um espírito pode agir tanto sobre a matéria mais densa quanto sobre o ar ou algum líquido.

De posse destes princípios básicos da Doutrina Espírita podemos analisar a influência dos espíritos sobre os fenômenos da Natureza sabendo que esses fenômenos são caóticos e complexos.

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III – Influência dos espíritos sobre a natureza

Como vimos anteriormente, os espíritos superiores ensinam que são os próprios espíritos os agentes de Deus nos fenômenos da Natureza. Vimos também que espíritos superiores (os que dirigem) e inferiores (os que executam) se unem na execução dos desígnios divinos. Vamos, nesta seção mostrar que, diante de um fenômeno de larga escala, como uma tempestade, não é necessário que os espíritos atuem em cada porção do espaço onde ocorre o fenômeno. Faremos uma estimativa da ordem de grandeza do volume de uma tempestade em uma região do tamanho de uma pequena cidade de modo a percebermos a inviabilidade de se atuar em todo o espaço. Em seguida discutiremos, com base nos conhecimentos atuais da ciência, uma proposta sobre como os espíritos poderiam influenciar um fenômeno destes atuando em uma região espacial bem menor.

Consideremos uma cidade que ocupe uma área de 100 km² (uma área quadrada de lado igual a 10 km). Consideremos um conjunto de nuvens de tempestades que se formem a uma altura 3 de 5 km. Basta multiplicarmos pela área para obtermos uma estimativa do volume de espaço onde a tempestade ocorrerá: 100 x 5 = 500 km³. Um metro cúbico (1 m³) é o volume de uma caixa d’agua de 1000 litros. Uma unidade de quilômetro cúbico (1 km³) equivale a um volume de 1.000.000.000 de metros cúbicos (1 bilhão m³) que equivale a mesma quantidade de caixas d’água de 1000 litros. São 1000 bilhões, ou 1 trilhão de litros de volume para cada km³ de espaço. Imaginemos que um espírito deseja influenciar ou atuar sobre um litro de água ou ar de modo a produzir, por exemplo, algum movimento. Um litro é um volume de espaço considerável quando pensamos neste tipo de fenômeno. Suponha que um médium seria suficiente para fornecer fluidos necessários para produzir-se tal efeito físico. Imaginemos, agora, que para influenciar uma tempestade inteira seria preciso atuar em mais de 1 trilhão de litros de uma mistura de ar, vapor de água e água líquida. Quantos médiuns seriam necessários para produzir-se um efeito, mesmo que pequenino, em todo este volume ? Imaginemos, ainda, que uma tempestade pode estar ocorrendo em milhares de cidades espalhadas pelo mundo ao mesmo tempo. Lembremos também que para afastar uma tempestade, por exemplo, é preciso não só atuar na região onde ela ocorre mas, nas regiões vizinhas pois elas podem estar enviando frentes frias ou úmidas ou algo do tipo, e é preciso, portanto, atuar nestas regiões também. A figura 2 abaixo nos dá uma ideia da ordem de grandeza de um fenômeno de uma tempestade.

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Figura 2: Uma tempestade se aproximando de uma cidade. Compare o tamanho do conjunto formado por nuvens e chuva com o tamanho dos prédios.

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Tudo isso nos leva a crer na inviabilidade de se realizar tal influência da maneira descrita acima. Mesmo uma massa inumerável de espíritos, conforme o ponto número 3, atuando sobre todo o espaço seria in- suficiente para realizar-se uma influência que culminasse num efeito preciso. Porém, a história é outra se levarmos em consideração a dinâmica dos sistemas formados pela atmosfera. Sabemos que esta dinâmica é caótica o que significa que tais sistemas são extrema- mente sensíveis à pequenas perturbações em algumas de suas partes. Isso nos leva a imaginar que, se pudéssemos calcular com precisão o efeito de cada perturbação imposta numa pequena região do espaço (ou em mais de uma, porém poucas, regiões do espaço), pode- ríamos controlar e até conduzir o fenômeno total a um resultado desejado. Vimos na seção anterior que os espíritos superiores comandam a influência sobre os fenômenos. O princípio 2 nos leva crer na capacidade destes espíritos de calcularem e decidirem a melhor atuação. Na introdução nós comentamos sobre o progresso que a ciência humana já fez neste campo e seus limites. Acreditamos que seja perfeitamente possível aos espíritos superiores calcular com muito maior precisão os efeitos de uma dada perturbação em uma dada região do espaço. Assim, desde que o sistema é caótico, bastaria aos espíritos atuarem numa porção de espaço muito pequena, possivelmente bem menor do que 1 % do volume total. Apesar de não podermos estimar qual seria esse tamanho (lembremos que a nossa Ciência ainda não consegue fazer isso), podemos afirmar, com toda a certeza, que não seria necessário atuar-se sobre toda a região do espaço. Desta forma, não seria necessário uma grande quantidade de fluido animaliza- do para que a atuação espiritual ocorra. Isso, enfim, significa que a influência dos espíritos sobre os fenômenos da Natureza passa a ser algo perfeitamente viável.

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IV – Conclusões

Na questão número 536 (não transcrita na seção II) Kardec pergunta aos espíritos se os grandes fenômenos da Natureza, como terremotos e tempestades, possuem um fim providencial e os espíritos respondem que “Tudo tem uma razão de ser e nada acontece sem a permissão de Deus”. Não foi nosso objetivo, neste artigo, discutir os aspectos morais que levariam aos espíritos a influenciarem tais fenômenos. No entanto, cabe refletirmos que determinados acontecimentos desta natureza influenciam de maneira muito significativa na evolução dos povos levando ao desenvolvimento tanto moral quanto intelectual de seus indivíduos.

No artigo da referência [3], o Dr. Ross N. Hoffman afirma ser possível, num futuro, relativamente, próximo, controlar-se os fenômenos da atmosfera terrestre. Com base nas teorias do caos e no desenvolvi- mento do que se chama “Controle do Caos”[3] ele propõe um esquema similar ao que expomos aqui, para o que poderia ser um controle de tais fenômenos. Se a ciência humana já cogita esta possibilidade, podemos dizer que tais conhecimentos já estão desenvolvidos nos planos espirituais superiores.

Como vimos na seção 3, a união do avanço intelectual dos espíritos superiores com a natureza caó- tica e complexa da dinâmica dos fenômenos da natureza permite que entendamos, de modo mais plausível, como a influência dos espíritos sobre os fenômenos da natureza pode ocorrer. Esta proposta está de acordo com o que os espíritos disseram na questão de número 537-a, a respeito sobre a explicação e a compreensão destes fenômenos.

Ainda resta um ponto que devemos comentar. É sobre a questão do número de espíritos necessários à influenciação (ponto 3). Este ponto diz que os espíritos que atuam nos fenômenos da natureza o fazem em grupos numerosos. Apesar de que, conforme demonstramos, não é necessário agir sobre toda a região do espaço para influenciar uma tempestade, isto não significa que tal influência seja simples e que apenas um espírito seja necessário. Conforme descrito em Missionários da Luz, Cap. 10[13], um efeito físico como a materialização de uma garganta requer a colaboração de uma grande equipe de espíritos. Portanto, para se efetuar uma ação numa porção do espaço com grande precisão não é de se estranhar que se necessite movimentar um grande número de colaboradores desencarnados.

Por fim, lembramos que este trabalho apresenta uma forma pela qual os espíritos poderiam influenciar os fenômenos da natureza. Não pretendemos que ela seja a única solução ou a solução final para a questão. Apesar de não ser comum pensarmos na Mecânica Quântica como modelo teórico para tais fenômenos, um estudo sobre as possibilidades de sua aplicação ao problema exposto aqui merece atenção. Isso será considerado em uma futura publicação.

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Agradecimentos

O autor agradece a D. Floriza S. A. Chagas, Dr. Alexandre C. Gonçalves, Dra. Hebe M. L. de Souza, Sr. Henri Barreto, Dr. Zalmino Zimmermann e ao Prof. Dr. Silvio S. Chibeni pela leitura crítica deste compuscrito e por valiosas sugestões e incentivos.

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Referências

[1] A. Kardec, A Gênese, Editora IDE, (1992).

[2] C. Schutel, Parábolas e Ensinos de Jesus, Editora CASA EDITORA O CLARIM, 12 a Edição, (1987).

[3] R. N. Hoffman, Bulletin of the American Meteorological Society, 83, p.241, (2002).

[4] E. Ott, Chaos in Dynamical Systems, Cambridge Uni- versity Press, (1993).

[5] Y. Bar–Yam, Dynamics of Complex Systems, Perseus Books, (1997).

[6] S. Hawking, O Universo Numa Casca de Nóz, Editora Mandarim, 2 a Edição, (2002).

[7] E. N. Lorenz, Journal of Atmospheric Science, 20, p.130, (1963).

[8] E. N. Lorenz, Tellus, 34, p.505, (1982).

[9] A. Kardec, O Livro dos Espíritos, Editora Edições FEESP, 9 a Edição, (1997).

[10] A. Kardec, Revista Espírita, 8, p.276, (1859).

[11] A. Kardec, O Livro dos Médiuns, Editora Edições FEESP, 1 a Edição, (1984).

[12] M. M. F. Saba, Física na Escola, 2, p.19, (2001).

[13] A. Luiz, Psicografia de F. C. Xavier, Missionários da Luz, Editora FEB, 26 a Edição, (1995).

(a) A palavra “perturbação” aqui deve ser entendida como alguma pequena influência que gera uma pequena alteração num determinado sistema.

(b) Ainda sim, nos surpreendemos com as variações!

(c) Nuvens de tempestades possuem uma base a 2 ou 3 km de altitude e o topo em até 20 km[12]. Em nossas estimativas tomamos um valor hipotético de 5 km, mas se considerarmos o limite superior de 20 km a questão da inviabilidade da influência dos espíritos fica, apenas, mais evidente.

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TITLE AND ABSTRACT IN ENGLISH

Chaos, complexity and the influence of the spirits on the phenomena of nature

Abstract

We analyze the question about the influence of the spirits on the phenomena of the nature. Despite the confirmation of this influence from the spirits, this subject was not studied deeply by Allan Kardec due to lack of scientific knowledge. The development of the theories of chaos and complexity permits us to analyze the question about the influence of spirits. It is shown that this influence is perfectly possible and that there is no necessity of great amount of animalized fluids to produce the phenomenon. We show how the knowledge of chaos and complexity help us to understand the solution.

KEYWORDS:

Chaos; Complexity; Influence of spirits on the nature; phenomena of the atmosphere; physical effects; physical manifestations.

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Artigo publicado na Revista FidelidadESPÍRITA – Setembro de 2003

Por  Alexandre Fontes da Fonseca – afonseca@if.usp.br

  • Department of Chemistry, Rutgers, the State University of New Jersey, Piscataway, New Jersey 08854-8087 USA
  • Instituto de Física da Universidade de São Paulo, São Paulo, S.P.

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4 Responses “Caos, complexidade e a influência dos espíritos sobre os fenômenos da natureza Por Alexandre Fontes da Fonseca

  1. Sandro Fontana
    22/01/2016 at 16:18

    Uma critica ao artigo: CAOS, COMPLEXIDADE E INFLUÊNCIA DOS ESPÍRITOS SOBRE OS FENÔMENOS DA NATUREZA

    Primeiramente gostaria de agradecer o empenho no trabalho proposto, onde o autor utiliza (adequadamente) “a teoria do caos” e outros conceitos na tentativa de conciliar um pequeno trecho da Codificação com uma realidade material.

    Resumidamente o autor do artigo propõe a defender (senão explicar), aos olhos dos conhecimentos atuais da Física e Meteorologia, que algumas passagens da Codificação (onde o tema é tratado) que eles sim, podem ser verdadeiros e ocorrem da forma como estão descritas no O Livro dos Espíritos.

    Basicamente, as perguntas e respostas primordiais a esse trabalho, estão dentre 536 até 540. Uma delas:

    ———————
    539. A produção de certos fenômenos, das tempestades, por exemplo, é obra de um só Espírito, ou muitos se reúnem, formando grandes massas, para produzi-los?
    “Reúnem-se em massas inumeráveis.”
    ———————
    Bom, ao que me parece mais estranho é a Codificação, nessas questões isoladamente, é tentar dar um tom diferente aos espíritos, ou melhor, descaracterizar a forma dos espíritos em si, logo o tema tende a ir para um lado mais mitológico, onde haveria um “espirito líder inteligente” controlando os mares, céus e terra do planeta. Talvez um ato um tanto complicado para resumir o Ser Deus.
    Sobre essa questão, é um tanto estranho um físico concluir da forma como o fez, até porque não possuímos exemplo histórico real algum que poderia embasar tamanha capacidade do envolvimento de espíritos nisso, aliás, ja é difícil provar algo numa micro escala, quem diria em escala macro a nível planetário.
    Na Bíblia constam alguns fatos que sustentam tal hipótese, mas a Bíblia em si possui um problema complicado, onde esbarramos nas traduções um tanto distorcidas. Para isso teríamos que ler uma versão “original” da mesma, e analisar se realmente o q foi traduzido era o que estava escrito. Exemplo disso, temos a historia de Adão e Eva, onde teriam sido os primeiros seres a habitarem a Terra, o que de fato sabemos se tratar de uma alegoria. Na própria versão há o relato que, depois que Caim mata Abel (irmãos, filhos de Adão e Eva), ele vai para outras terras e se casa etc etc. Ora, se haviam outras pessoas para se casar, como poderiam terem sido os primeiros?
    Então, usar a Bíblia como argumento de movimentação dos mares e tempestades, é um terreno um tanto perigoso, pois não sabemos o que são as alegorias ou o que foi relato histórico de fato. Vale lembrar que a Bíblia é um compêndio de vários livros (da época).
    Detalhe: Apenas para posicionar o leitor, dentre a minha formação profissional, como piloto de aviões, a Cadeira de Meteorologia é extremamente significante e por isso posso dizer que há alguns erros conceituais no referido artigo. Além da longa teoria sobre essa questão, possuo a vivência, quase que diária, do contato com os fenómenos meteorológicos, tanto a poucos metros do chão, como também a 12 mil metros de altitude.
    Alguns erros conceituais no artigo:
    a) “argumentamos que a influência ou ação dos espíritos num fenômeno natural de larga escala como, por exemplo, uma tempestade, não requer, do ponto de vista físico, uma grande quantidade de energia, em comparação com a magnitude do fenômeno em si.”
    O erro conceitual está no fato do autor entender que não haveria a necessidade de uma grande quantidade de energia para se gerar uma tempestade, pelo contrário, há sim uma grande necessidade de energia para se gerar uma tempestade, a questão em si é que essa grande quantidade está disposta em milhares (senão milhões) de pequenas quantidades espalhadas na superfície terrestre, sendo assim, mesmo concordando que pequenos atos, no caos, podem modificar grandes proporções, esses pequenos atos seriam de uma imensa grandeza frente ao ser humano. Em outras palavras, o que seriam as pequenas variáveis que o autor sugere, seriam gigantes perto do ser humano.
    b) “Em termos espíritas isto significa que não há necessidade de uma grande quantidade de fluido animalizado para realizar-se tal influência, o que a torna um evento perfeitamente possível.”
    O erro aqui reside no fato da Codificação está se referindo a espíritos, e não as almas, portanto o fluido animalizado teria pouco a ver com a questão. Entendemos que Kardec usaria do termo correto pois ele mesmo inseriu na Codificação (Introdução) que o termo alma iria se referir ao espirito encarnado, e o termo Espirito para o mesmo em “estado liberto”, logo o autor pareceu tentar adaptar ou vincular uma coisa com a outra. Bom, ok, se assim o foi, mesmo com essa ligação, ainda seria impossível, em macro escala, se fazer um pequena tempestade que fosse.
    Em se tratando de mediunidade, ou seja, dos espíritos necessitarem usar do fluido de alguns milhares (ou milhões) de médiuns, isso além de parecer inviável, não conseguiria produzir tamanha energia suficiente para tal, nem para os 500Km3, o que é ínfimo perante a dimensão do planeta Terra. Temos que lembrar que mediunidade de efeito físico diminuiu com o tempo, ao menos é um explicação utilizada por vários espiritas quando não conseguem demonstrar efetivamente deste fenômeno nos dias atuais.
    c) “a história é outra se levarmos em consideração a dinâmica dos sistemas formados pela atmosfera. Sabemos que esta dinâmica é caótica o que significa que tais sistemas são extrema- mente sensíveis à pequenas perturbações em algumas de suas partes. Isso nos leva a imaginar que, se pudéssemos calcular com precisão o efeito de cada perturbação imposta numa pequena região do espaço (ou em mais de uma, porém poucas, regiões do espaço), pode- ríamos controlar e até conduzir o fenômeno total a um resultado desejado.”
    Sim, concordo que tal possibilidade é viavel, mas ainda não o suficiente para um fenômeno meteorológico de grande escala, o que é o caso. Por isso entendo que o autor imaginou errado nos detalhes cruciais das formações meteorológicas.
    Falando um pouco sobre meteorologia:
    Tentando usar poucas palavras, dá para dizer que os elementos envolvidos na meteorologia são poucos e simples, o problema aumenta quando se joga isso tudo numa grande escala e em condições muito dinâmicas.
    Basicamente os elementos meteorológicos são a água a temperatura (não vou entrar em detalhes sobre gazes e outros componentes).
    Acredito que todos, ja tenham aprendido na escola que a água evapora com o calor do sol (ou outros agentes), esse é o principio mais básico de tudo. Com a evaporação a água se torna uma espécie de gás (vapor), e por estar mais aquecido, tende a subir pois fica mais leve que os outros elementos da atmosfera.
    Ainda nos conhecimentos escolares, sabemos que quando o vapor esfria, ele tende a voltar ao seu estado liquido, o que ocorre de fato, afinal, não conheço nenhuma nuvem que não voltou a ser agua e tenha caído sobre a terra.
    Entendido essa primeira parte, incluo um novo fator que ocorre em macro escala: temperatura do ar e pressão.
    Bom, também aprendemos na escola que, o ar aquecido tem suas moléculas mais “agitadas”, logo ficam mais distantes de sí, uma a uma. Ao contrário, se resfriarmos as mesmas, elas ficam mais próximas entre si. Essa informação nos coloca frente a um elemento/processo fundamental da meteorologia, a pressão atmosférica.
    A pressão atmosférica tem muito a ver com o Sol e os gases, pois o Sol aquece a terra numa certa “harmonia” com os gases existentes, gerando o nosso macro e micro clima. Para entender melhor, as pressões atmosféricas juntamente ao complexo caos, geram zonas de pressão em movimento, o que, analogamente poderíamos definir como ondas, isso mesmo, algo similar a ondas do mar, em escala gigantesca e que tendem a empurrar ou puxar as tempestades ou qualquer evento meteorológico para outras regiões do planeta. Um bom exemplo são aqueles dias quentes (de baixa pressão) onde uma possibilidade de chuva é enorme, ja que a pressão atmosférica está baixa e, pela “lei do equilíbrio” logo virá uma pressão alta para tentar, naturalmente, contrapor a baixa para entrarem em equilíbrio. Isso tudo gera um deslocamento gigante de massas (que gera o vento) mas, no exemplo, poderia trazer as tempestades.
    Então, até o momento já é possível perceber que se os espíritos atuassem em algo, teriam que ser nestes elemento básicos. O problema é que, mesmo podendo se atuar num elemento somente (ou vários, fato possível), dada a proporção da “coisa toda” isso não explicaria como seria possível, senão, pelo fato de se alterar gigantescas áreas o que demandaria muita energia física.
    Para se ter ideia do tamanho da complexidade, imaginem que o homem pudesse controlar isso, ele poderia ter o controle meteorológico do planeta, mas o fato de compreendermos isso tudo, não nos dá poderes para tal pois ainda somos ínfimos perante o tamanho de forças e energias necessárias para tal. Por esse motivo, o argumento central desse artigo ainda não possui base sustentável para tal hipótese. Não pela questão do caos e complexidade, mas sim pelas forças necessárias que os espíritos teriam que ter sobre a matéria em si e que não conseguimos demonstrar efetivamente para qualquer pesquisador que questione o espiritismo.
    Para terem uma idéia, o pesquisador Radin conseguiu demonstrar um poder da mente/espirito sobre a matéria.. Ele conseguiu demonstrar também a atuação de mente em algo que transcende o tempo e espaço, alterando a aleatoriedade do caos, mas isso tudo em escala ínfima. O pesquisador brasileiro, Guerrer, vai tentar replicar tal experimento, que se resume na alteração de um feixe de luz.
    Quando se compara poderes realmente genuínos, os vemos em micro escala, demonstrando sua existência mas também sua sutileza, podemos perceber que a “força” é pequena demais para uma necessidade relativo a atmosfera.
    Ainda para compreenderem melhor, a atmosfera ja possui certo controle nosso e é simples deduzir isso, vamos a um exemplo de “controle” meteorológico humano:
    Não é novidade que nosso sistema está mudando, logo sabemos o que o faz mudar, e você leitor também sabe, pois atuamos em escalas micro (usando o planeta como referência). Quando desmatamos a Amazonia, estamos fazendo isso…quando as industrias e carros expelem gases na atmosfera, estamos fazendo isso tb…
    Agora imaginem a quanto tempo o homem vem desmatando a Amazonia e o tempo que isso levou para dar resultados percebíveis por todos?
    Esse exemplo permite o leitor a ter uma idéia de qual a energia (ou fator atuante) pelos espíritos seria necessária para atuar num macro universo.
    Bom, então temos um problema aqui. É notório que a energia necessária para atuar, mesmo que em pequenos pontos do planeta, é imensamente grande comparado a qualquer força humana, quem dirá para espíritos.
    E qual a solução para o problema? Parece que nós espiritas ficamos num beco sem saída, ou tentamos convencer cientistas sobre essa possibilidade ou então teríamos que admitir que Kardec, os médiuns ou os espíritos erraram sobre essa questão.
    Toda a vez que esbarramos em problemas como este, me levo a pensar no Kardec vivo hoje e que solução ele daria para o caso. O que será que Kardec faria?
    Kardec ja fez faz tempo, ele deixou escrito que o espiritismo precisa evoluir com a ciência, senão ele perderia seu sentido de ser…
    Isso reforça a ideia de que temos que pensar e não cairmos na tentação de levarmos o espiritismo meramente como uma religião, onde muitos tendem a idolatria e dogmatismo, indo no rumo contrário ao que o próprio Kardec deixou, que era combatermos a fé cega, mesmo que tenhamos que rever as coisas de tempos em tempos pois a verdade sempre irá ficar..
    Em resumo, mesmo num caos e complexidade, espíritos não atuam significativamente sobre qualquer dos fenômenos físicos de tal porte (tempestades), nem grande escala nem em micro-escala.

    Gostaria de acrescentar também, que é muito mais provável Deus ter criado um sistema autossuficiente que geraria isso tudo conforme necessidade de aprendizado, do que enviar espiritos para o controlarem.
    Se a humanidade não cuidar do planeta, ele naturalmente cuida para responder em forma de aprendizado. Vemos isso hoje no dia a dia.. Se não reduzirmos os poluentes da atmosfera, sofreremos com isso…

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  2. Sandro Fontana
    26/01/2016 at 10:09

    Lembrei de um detalhe, no qual embaso a hipótese que considero mais provável: Deus teria criado um sistema inteligente e natural, que proporcionaria um aprendizado sem a necessidade de grandes volumes de espíritos.

    Na aviação o nosso contato com a meteorologia é diário.. Dizem os pilotos do passado que as nuvens a décadas atrás eram menores e atuavam de forma menos intensa e com topos menos altos.

    O Homem vem poluindo o meio ambiente e forçando a natureza a se desequilibrar.

    Inteligentemente construída, a natureza autossuficiente se adapta para voltar a seu estado normal.

    Um exemplo que venho trazer é essa ação natural.

    Com o aquecimento global e destruição da camada de ozônio, a planeta se aquece mais, gerando nuvens mais altas e com tempestades mais fortes…

    Essas tempestades são fatores no qual nós, pilotos, convivemos diariamente, então não há como negar isso..

    Vejam, as ações da natureza são perfeitas.. Com nuvens de tempestades (CB) maiores e mais fortes, geram-se mais raios no qual esses raios geram o ozônio.

    Para nós pilotos é fácil ver a natureza em fúria, alagando cidades e gerando alta tensão para se reestabelecer perante a destruição que o planeta vem sofrendo.

    Essa resposta natural que citei, serve para exemplificar que é mais provável Deus ter criado um sistema autossuficiente do que ter de enviar milhares, senão milhões de espíritos para criar uma tempestade em um determinado local..

    Se isso vem ocorrendo em grandes cidades, é muito provável que seja pq as grandes cidades fazem acumular mais calor, onde gera maior evaporação e consequentemente acaba por gerar um caos urbano, não punitivo, mas naturalmente alertante.

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  3. Alexandre
    09/08/2016 at 12:54

    Olá Todos,

    Agradeço os comentários. Creio que seja relevante a leitura do artigo [3] citado no artigo de 2002 que fala da possibilidade de se controlar o clima:
    http://journals.ametsoc.org/doi/abs/10.1175/1520-0477%282002%29083%3C0241%3ACTGW%3E2.3.CO%3B2

    O pdf pode ser baixado de:
    http://journals.ametsoc.org/doi/pdf/10.1175/1520-0477%282002%29083%3C0241%3ACTGW%3E2.3.CO%3B2

    Abraço fraterno,
    Alexandre

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    • Sandro Fontana
      10/08/2016 at 21:31

      Olá Alexandre e demais leitores desse tema.

      Primeiramente obrigado por enfatizar o artigo. Ao ler o mesmo, o autor, sabiamente, deixa claro logo no início um ponto fundamental:

      “Although the atmosphere, and indeed realistic models of the atmosphere, have not been proven to be chaotic, the theory of dynamical systems and chaos provide a useful background for this discussion.”

      Ou seja:

      “Embora a atmosfera, e os modelos fatídicos e realistas da atmosfera, não tenham sido provados serem caóticos, a teoria de sistemas dinâmicos do caos proporcionam uma base útil para este debate.”

      Com isso, em primeira mão, sabemos que o tema não é de consenso geral, isto é, a atual comunidade cientifica (focada em meteorologia) não reconhece isso como uma verdade, mas também assume que ainda não se determinou um conhecimento verdadeiro e definitivo sobre o mesmo.

      Embora, mesmo que em hipótese, isso fosse verdade, quero dizer… que uma única ação de um espirito pudesse agir de tal forma a controlar uma área meteorológica de uma região imensa, isso ainda iria contra uma questão polêmica do O Livro dos Espíritos, vejamos:

      * Questão 539: A produção de certos fenômenos, das tempestades, por exemplo, é obra de um só Espírito, ou muitos se reú- nem, formando grandes massas, para produzi-los?*

      *“Reúnem-se em massas inumeráveis.”*

      Dentre as imensuráveis respostas adequadíssimas da Codificação, esta, infelizmente, deixa muito a desejar.

      Primeiramente, devido ao método de Kardec e a falta de originais, pressupomos que ele teria consultado vários médiuns para chegar a tal conclusão. Por outro lado, como não existem os originais, fica impossível entender a decisão de optar por colocar oficialmente tal perecer, uma vez que foi pelo caminho contrário da ciência, ou seja, atualmente mal conseguimos demonstrar efeitos físicos mediúnicos, em nível micro, quem diria em nível macro, ainda mais com as “possíveis massas imensuráveis” de espíritos dedicados a isso.

      Alias, parece que com isso fugiríamos da própria base da causa e efeito, ou na física, ação e reação. Isso tudo se complica mais ainda quando adentramos num entendimento atemporal;, ou seja, com as demonstrações da precognição ou adivinhações de casos futuros.. bom mas dai a historia seria longa e sairíamos do tema.

      Num segundo momento, vejo o positivismo de Kardec, onde o mestre deixou o escrito de que a verdade se manteria com o tempo e os erros deveriam ser corrigidos conforme a ciência fosse demonstrando as coisas. Creio que essa questão (539) sejam um dos melhores exemplos disso.

      Mesmo que o artigo defenda um ponto de vista, sabemos nós que não passa de uma opinião, onde o autor mesmo deixa claro que não existe nada provado sobre isso, senão apenas para enriquecer o debate.

      Mas a questão temática aqui ainda é o OLE, pois me pergunto o tempo todo quando esse tema vem a tona:

      Alguém acredita que uma quantidade imensurável de espíritos fica atuando e manipulando o sistema meteorológico para que certos eventos (bons e os catastróficos) ocorram no planeta?

      Não seria mais simples acreditar que o sistema terrestre é perfeito em seu contexto? Fato esse que demonstraria uma suprema inteligência de Deus, onde uma elaboração mais minuciosa das ações refletiriam as consequências?

      Entre uma possibilidade e outra, fica o julgamento de cada leitor…

      Abraços

      Sandro

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