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24/08/2017

Experiências de Quase Morte Ernesto Bozzano


O termo “experiência de quase-morte” (EQM), no inglês “near death experience”, refere-se a visões e sensações relatadas por pessoas que vivenciaram situações de morte iminente.

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A maioria dos relatos envolve os que sofreram paradas cardiorrespiratórias. Indivíduos que se recuperaram após tais episódios relataram impressões muito interessantes, destacando-se o chamado “efeito-túnel” e a “autoscopia” (ver-se a si próprio) palavra que designa também a denominada “experiência fora-do-corpo”, OBE em inglês (out of body experience).

Quem teria usado o termo pela primeira vez teria sido o psiquiatra norte-americano Dr. Raymond Mood Junior, escritor de um livro que se tornou clássico, “Vida Depois da Vida”, em 1975. Outro nome marcante na área é o da Dra. Elizabeth Kubler-Roos, que publicou alguns estudos na década de 1960 e 1970, mostrando, de maneira curiosa, que as pessoas que transitam pela fronteira da morte apresentam manifestações interessantes e, às vezes, surpreendentes, que listamos a seguir: sentimento de paz interior; sensação de flutuar acima do que seria seu corpo físico; impressão de estar em um segundo corpo, distinto do corpo físico, porém perfeita cópia deste; percepção da presença de outras pessoas à sua volta, às vezes até mesmo parentes que já morreram; visão de seres desconhecidos, dando a impressão de serem “espirituais”; uma curiosa capacidade de obtenção de “visão de 360o”; sensação de que o transcorrer do tempo ocorreria mais rápido ou mais devagar; ampliação de vários sentidos e, não raramente, a experiência de outros sentidos; sensação de viajar através de um túnel intensamente iluminado no fundo (o chamado “efeito túnel”).

Há outros estudiosos modernos das EQM e podemos garantir que o assunto tem sido alvo de intensa pesquisa científica após os pioneiros trabalhos de Moody Jr e Kubler-Roos. Diversos centros acadêmicos no mundo inteiro estão se dedicando à investigação científica desses fenômenos. Há grupos de pesquisa na América do Norte, na Inglaterra, Holanda e até mesmo no Brasil. Tem se intensificado, em especial, a pesquisa em hospitais, nos centros de tratamento intensivo, locais onde sabemos que há maior chance de ocorrerem paradas cardiorrespiratórias, estando os pacientes monitorizados. A monitorização dos pacientes é indispensável para o estudo científico dos casos, pois permite a posterior análise e interpretação dos achados. Também permite o planejamento com antecedência da experiência que vai ser feita, de forma a verificar se o relato dos pacientes após a EQM é fidedigno.

Nas obras de Moody Jr e Kubler-Roos aparece interessante informação das pessoas que vivenciaram a EQM: o encontro com uma personalidade que os pacientes denominam de “ser de luz”, embora seu significado possa variar de acordo com a cultura da pessoa que foi alvo da EQM. Esse curioso momento é descrito pelos pacientes como uma espécie de “fronteira entre a vida e a morte”. Muitos informam que, a partir daí, tiveram de decidir entre regressar ou não à vida física. O “ser de luz”, contudo, parece sempre ter interferido no sentido do retorno, com uma ordem inapelável. Os que vivenciaram a EQM se referem muito à sensação de se defrontarem com uma espécie de “barreira” que, caso atravessada, implicaria em impossibilidade de regresso ao corpo físico.

Em artigo anterior que publicamos na Revista Espírita de Campos, falamos muito sobre a mediunidade de Jung, o genial médico suíço, discípulo de Freud, que fundou a Psicologia Analítica. Em 1944 Jung sofreu um infarto do miocárdio, ficando internado em estado grave, durante vários dias, num hospital em Zurique. Na ocasião, vivenciou uma EQM, conforme podemos depreender de seu relato no livro “Memórias, Sonhos, Reflexões”. Viu-se projetado no espaço cósmico, vendo a Terra de cima, de uma altitude de vários quilômetros, impossível de ser alcançada por qualquer artefato voador existente no planeta na época. A Terra, segundo Jung, lhe parecia “azul” (curiosamente, a mesma descrição do primeiro cosmonauta, Gagarin, em 1961). Flutuando no espaço, Jung avistou um meteorito, onde havia uma caverna. Teve o irresistível impulso de entrar, encontrando-se no interior com uma espécie de “ser espiritual”, um hindu, meditando em posição de flor de lótus. A essa altura, relatava imensa sensação de bem estar. Ao lado, curiosamente, também estava o seu médico, aquele que o estava tratando na Terra. Embora desejoso de ficar, Jung foi energicamente instado a retornar à Terra ( e ao corpo físico, é claro) por determinação dos dois seres que com ele estavam. Voltou ao corpo carnal e retomou seus estudos, vindo a desencarnar em 1961.

Embora a EQM não tenha, até o momento, uma explicação definitiva e aceita oficialmente pela Ciência, esta interpreta, até o momento, que a EQM derivaria de falta de oxigênio no cérebro. Em muitos casos de EQM a morte clínica chegou a ser atestada por médicos, mas em nenhum se confirmou a morte cerebral. No entanto, durante o procedimento de ressuscitação, a equipe médica tem sempre dificuldade em registrar adequadamente as funções cerebrais, pois a emergência exige atenção total à recuperação do sistema cardiopulmonar. Daí a dificuldade de estudo científico da situação. Hoje, para pesquisas, muitas dessas dificuldades estão sendo contornadas.

Interessante é que boa parte dessas informações atuais seja, na realidade, uma volta ao passado, uma redescoberta. Isso porque a leitura do excelente livro “A Crise da Morte”, de autoria do conhecido e notável estudioso do Espiritismo e grande investigador, Ernesto Bozzano, nos remete aos mesmos achados que a Ciência moderna está redescobrindo. “A Crise da Morte”, livro de Bozzano editado pela Federação Espírita Brasileira, foi traduzido para o português pelo Dr. Guillon Ribeiro. Embora a obra “A Crise da Morte” se baseie no relato de espíritos desencarnados e os trabalhos que vêm surgindo desde Moody e Kubler-Roos se baseiem em entrevistas de pessoas que continuaram encarnadas, é interessante constatar a similitude das informações de todas as obras.

Depois de estudar minuciosamente 17 casos de pessoas que desencarnaram, e se comunicaram revelando detalhes dos momentos por que passaram, fez Bozzano uma síntese comparativa entre eles, anotando coincidências nos relatos: todos afirmaram se ver novamente com a forma humana, após o desenlace; ignoravam que estavam “mortos”, durante algum tempo; por ocasião da desencarnação, recordaram, sinteticamente, os principais acontecimentos da última existência; foram acolhidos, na Espiritualidade, por familiares e amigos já “mortos”; passaram, após o desenlace, por um sono reparador; encontravam-se num meio espiritual radioso ou tenebroso, em função de seus atos durante a encarnação; surpresos, reconheceram que o mundo espiritual era um mundo objetivo, substancial, real e concreto, análogo ao terrestre; logo aprenderam que a forma de linguagem espiritual é o pensamento, embora os que chegassem ao mundo espiritual recentemente ainda se iludissem, tentando se comunicar pela palavra; perceberam, surpresos, que, devido à visão espiritual, viam objetos de um lado e outro, pelo seu interior e através deles; comprovaram a capacidade dos espíritos se locomoverem, até mesmo para lugares distantes, por efeito apenas de um ato de vontade; aprenderam ainda que os espíritos dos “mortos” são atraídos, fatal e automaticamente, para a esfera espiritual que lhes convém, em virtude de uma lei de afinidade.

Bozzano chamou aos aspectos acima de “detalhes fundamentais”, idênticos nos relatos dos 17 espíritos; assinalou ainda “detalhes secundários”, que não eram relatados por todos, mas apareciam nos informes de alguns. O livro de Bozzano é muito interessante e merece recomendação de leitura, aliás, o que pode ser estendido para toda a sua obra, boa parte dela já traduzida e existente em português. O conjunto desses esforços, contudo, só confirma o que os Espíritos passaram a Allan Kardec e está compilado em “O Livro dos Espíritos” e obras restantes, de autoria do mestre lionês. De qualquer forma é muito gratificante constatar que a Ciência, nos seus esforços, vem confirmando, passo a passo, o que os Espíritos, por revelação, nos ensinaram.

Leia relatos do livro: “A Crise da Morte” por Bozzano, clicando aqui.

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