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23/04/2019

Bem aventurados os aflitos Moura Rêgo


Antes de constituir-se em obstáculo ao aproveitamento de nossas vivências anteriores – digo vivências porque ao espírito só é dada uma vida, o que ele vem por experimentar em nosso orbe, são múltiplas vivências, já que espíritos não morrem, não é mesmo?

Acredito que alguns já começaram a entender que o esquecimento do passado é, antes de tormento, uma dádiva de Mais Alto, que nos ajuda a reerguer o edifício de nossa ascensão espiritual.

Ele nos deixa em vantagem contra as imperfeições que ainda mantenhamos insculpidas em nossa psique profunda e nos livra de vários comprometimentos que fatalmente teríamos visto que ainda somos espíritos nos primeiros passos da caminhada evolutiva.

É este estado ainda primário de evolução espiritual, que possibilitaria, se nos lembrássemos do passado, ocasiões onde ou teríamos exaltados o orgulho ou a vaidade, ou nos sentiríamos humilhados, como vamos passar a ver.

Imaginemos que tivéssemos a lembrança de nossas faltas pretéritas, isso ao invés de nos ajudar, a grosso modo acarretaria uma dificuldade ainda maior, visto que o saber daquelas faltas sem a compreensão e a resignação para suportarmos o sofrimento de hoje acarretado justamente por elas, induziria o espírito encarnado, a acometimentos mais das vezes nefastos à ele próprio.

A quantos a lembrança das faltas perpetradas por outrem poderia exaltar o sentimento antigo do ódio nutrido, da vingança e até de crimes que seriam cometidos? Vejam este exemplo: Suponhamos que o meu maninho Edu e eu, tivéssemos sido inimigos no passado, que vivêssemos de troca de farpas e acometimentos de más ações um para com o outro. Pois bem, Se nos lembrássemos os dois, ou pior, se me lembrasse eu, por primeiro, de tudo o que o Edu, houvera me feito sofrer na outra vida, por certo que eu , no estado ainda de imperfeição espiritual que passo, agiria de forma a me vingar daquelas dores passadas, ou ele de mim não é o q eu poderia acontecer? Ora, isso antes de me conceder a honra da vingança me acarretaria dívida outra que me aumentaria o débito no Banco do Espírito. Não esqueçamos que já estamos nesta encarnação, de começo, com saldo negativo em virtude de nossas faltas pretéritas. Quanto entrave esse aumento do meu saldo devedor, me acarretaria, quanto eu deixaria de progredir espiritualmente, quantas dores e sofrimentos acarretaria para mim?

Ora, sabemos que Deus é soberanamente Bom e Justo, logo não iria dispor de um plano de regeneração espiritual, pelo óbolo da Reencarnação, se não fosse com vistas ao progresso espiritual de todos nós, não é mesmo? Por isso é tão importante e salutar o esquecimento do passado meus amigos.

Vejamos o que nos diz o Evangelho: “em todas as circunstâncias, estas lembranças acarretariam, notável perturbação nas relações sociais.” Caramba! Vejam vocês, se ainda pelo presente do esquecimento do passado, existem os Bin Ladens e os Bush, os maníacos do parque e as feras da Penha, nosso planetinha de provas e expiações por certo seria muito mais conturbado se tais lembranças nos fossem deixadas ter não?

Notem: Nascemos, mais das vezes, em meio ao mesmo ambiente pretérito em razão dos vínculos que contraímos, quer afetivos, quer provacionais. Portanto, estamos por restabelecer, hoje, relações comuns, com os mesmos espíritos de antes, muitas vezes afim de reparar males a eles perpetrados. Imaginem a dor, e a humilhação a que eu estaria relegado vivenciar ao ver no Edu, o alguém que me houvera ultrajado no passado e que hoje me vem como chefe, no escritório… Qual a possibilidade de resgate que eu teria, visto que meu mote mais das vezes seria o de me vingar dele?

Mas a Justiça e Bondade do Supremo Arquiteto do Universo houve de proporcionar, visando nossa melhora, o que mais necessitávamos: A voz da consciência e as tendências instintivas. Privando-nos do que nos seria prejudicial, a lembrança.

Gente, sempre afirmo que a morte não é salvo conduto para a santidade, levamos e trazemos quando de nossas idas e vindas à terra, todo o conjunto de aquisições intelecto-moral que hajamos auferido nas diversas vivências a que já tenhamos experimentado, esta afirmação é pautada na Doutrina e nos é passada pela espiritualidade superior quando nos ensina: o retorno à pátria do Espírito, não conduz ninguém a estado melhorado, a não ser pelo trabalho próprio, árduo e difícil, de regeneração, e este trabalho é produto da vontade do espírito que bem pode tê-la, ou simplesmente, negar-se a ele. Afinal temos o Livre Arbítrio não é mesmo?

Alias, estes, o Livre Arbítrio e a capacidade de raciocínio, presentes de Deus somente ao homem, são dois fatores ou ferramentas que aditados ao progresso que tenhamos haurido em vivências anteriores, nos permite chegar, nesta romagem pela qual passamos, como se estivéssemos a começar do ponto de partida.

Como se vê, de nada nos adiantaria saber o que fomos ou fizemos no passado. Se somos hoje, punidos, é que obramos em erro no passado, nossas ações atinentes à moral, nossas falhas de conduta, todas as nossas ações no hoje que vivenciamos, dão-nos a pálida idéia do que e de quem fomos, por isso urge a hora de trabalharmos em nossa reconstrução, amigos. Corrigindo nessa vivência, todos ou a maior parte de nossos atos errados de antes, possibilitamos a nós mesmos, a experimentação de nova reencanação em moldes mais ditosos, menos sofridos, portanto, até por malandragem é interessante que atuemos no sentido de saldar nosso débitos.

Nossas boas obras são a voz de nossa consciência advertindo-nos do que é o Bem e do que é o Mal, dando-nos a força e a vontade para que resistamos às tentações.

O Esquecimento do passado ocorre tão somente em nosso estado de vigília, assim é que num átimo em que o espírito se veja lograr fora do habitáculo carnal, nosso corpo, ele recobra as lembranças de todos os fatos, de todas as obras que haja feito em suas existências. Logo, não há senão uma interrupção passadiça, que experimentamos quando na carne. O próprio sono de todas as noites não obsta que venhamos a nos lembrar, no dia seguinte, de tudo o que tenhamos feito no dia que passou não é verdade?

São essas lembranças, experimentadas nos períodos que o espírito tem fora dos liames carnais, que o faz sofrer, e ele sofre, mas sofre justamente por saber porque sofre.

Mas não seria nem Justo nem Bom o Criador, se não nos desse ferramentas para que suportássemos melhor as dores que nós mesmo provocamos e este é nosso assunto seguinte, Motivos de Resignação:

Por certo o sofrer vem por trazer aflição aos padecentes, mas a resignação com que encaremos o que sofremos, é-nos o bálsamo que precisamos, fazendo-nos, mais das vezes bendizer o sofrimento. Sendo deste, o prelúdio da cura. Não fora assim, não teria o Rabi afirmado: “Bem aventurados os aflitos, pois que serão consolados”.

Mas há entre nós, ainda hoje, aqueles que não aceitem este fato e a eles cabe a explicação:

O considerar-se feliz por sofrer induz-nos ao pensamento acertado de que estejamos a saldar nossas dívidas pretéritas. Se suportadas com paciência, esses sofrimentos nos poupam séculos de dores na vida futura. Esta a razão pela qual a espiritualidade sempre nos avisa para que observemos a resignação.Tal proceder, aliviando a dor do sofrimento, nos garante mais tranqüilidade na vida futura.

Diz o Evangelho Segundo o Espiritismo, “O homem que sofre assemelha-se a um devedor de avultada soma a quem o credor diz: “sem me pagares hoje mesmo a centésima parte do que me deves, quitar-te-ei do restante da dívida e ficarás livre. Se não o fizerdes, atormentar-te-ei até que pagues a última parcela”. Ora, quem n ão se sentiria mais tranqüilo ao saber que ao cabo do pagamanto desta centésima parte de dívida tão avultada, ver-se-ia livre do restante do débito? Embora tenha sofrido, não ficaria agradecido a seu credor?

Este o sentido da frase, “Bem aventurados os aflitos, pois que serão consolados”.

Mas notem, de nada vale o quitar-se essa dívida se nos endividamos novamente… Assim jamais poderá alcançar sua libertação. Nova falta, nova dívida, novo sofrer, porque a nenhuma falta poderemos nos furtar ao pagamento. Se não for hoje, será amanhã, se não for nesta encarnação será na vindoura. Esta a Lei de Causa E Efeito meus amigos e ela vige, inexoravelmente.

Entretanto, pode o espírito encarnado suavizar ou aumentar o amargor de suas provas, conforme encare sua passagem pela terra tanto mais sofrendo por avaliar erradamente a extensão e peso de seu sofrimento. Só aquele que encara sua tribulação pelo prisma da vida Espiritual, entende rapidamente a encarnada. Vê a esta como um pequeno ponto no infinito, compreende o quão curto é e reconhece que este momento penoso terá logo o seu final.

A certeza de um futuro mais feliz dá-lhe sustentação e o anima, e ele, longe de lamuriar agradece, porque as dores o fazem avançar. De modo diverso, aquele que se queixa e só vê a vida na carne, como interminável lhe parece o sofrimento, tornando mais pesado o seu fardo. Desse estado de espírito dimana a maior parte dos suicídios.

Pobre desse espírito acaba por mais se endividar… Quão errado o pensar que a morte lhe frustraria o sofrer, que ele não mais agüenta, que o simples desligar-se desse planeta lhe trouxesse a felicidade e a calma.

A incredulidade e a dúvida minam nossas resistências e colocam-nos sob o aguilhão do sofrimento mais pronunciado. As idéias materialistas são também outro obstáculo à resignação e à obtenção da tranqüilidade.

Este dois fatores levam também ao acometimento da covardia moral, que incita a mente ao suicídio. Aqueles que concorrem de qualquer modo para a produção destes pensamentos, tornam-se por isso, responsáveis, espiritualmente falando, as idéias que indicam à visão de existência única incitam aos fracos e vacilantes ao suicídio, como forma de dar fim ao sofrimento por que passam.

O Espiritismo vem por explicar tudo isso e revelar a vida após esta vida, deixa impossibilitado de dúvida àquele que o estuda e compreende suas máximas, mudando assim todo o aspecto primário do entendimento da vida.

Aquele que entende que a vida se estende para além do túmulo, faz por si mesmo todo o possível para que em momentos depois , em nova romagem, esta se lhe torne tão mais prazerosa quanto tenha feito por merecer.

O Espiritismo ainda nos trás, pela psicofonia e pela psicografia, as mensagens de nossos irmãos que estão fora da carne e nos dão o testemunho de que a vida se estende por todo o sempre, deixando-nos mais confiantes e emprestando-nos mais motivos para que estejamos a empreender sempre, trabalho profícuo em direção de nosso aperfeiçoamento moral. Mostra-nos também, o quanto sofrem, na erraticidade, aqueles que desprezando a vida na carne dela se afastaram pelo suicídio, mesmo que involuntários, Vede André Luis…

Termino, lembrando André, porque vejo nele o exemplo do esforço feito enquanto fora da carne, todo e qualquer espírito tenha de se proporcionar, tendo em vista o progresso dele próprio.

André Luis. Suicida antes, Repórter do Além, hoje.

Muita Paz.

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