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29/03/2020

As Crenças Antigas: VI – Grécia


Gabriel-Delanne-Charcoal

Os gregos, desde a mais alta antiguidade, estiveram na posse da verdade sobre o mundo espiritual. Em Homero, é freqüente os moribundos profetizarem e a alma de Pátroclo vem visitar Aquiles na sua tenda. “Segundo a doutrina da maioria dos filósofos gregos, cada homem tem por guia um demônio particular (eles davam o nome de daimon aos Espíritos), que lhe personifica a individualidade moral.” A generalidade dos humanos era guiada por Espíritos vulgares; os doutos mereciam visitados por Espíritos superiores (Id.) . Thales, que viveu seis séculos e meio antes da nossa era, ensinava, tal qual na China, que o Universo era povoado de demônios e de gênios, testemunhas secretas das nossas ações, mesmo dos nossos pensamentos, sendo também nossos guias espirituais. Até, desse artigo, fazia um dos pontos capitais da sua moral, confessando que nada havia mais próprio a inspirar a cada homem a necessidade de exercer sobre si mesmo essa espécie de vigilância a que Pitágoras mais tarde chamou o sal da vida. Epimênides, contemporâneo de Sólon, era guiado pelos Espíritos e freqüentemente recebia inspirações divinas. Sustentava fortemente o dogma da metempsicose e, para convencer o povo, dizia que ressuscitara muitas vezes e que, particularmente, fora naco. (Sócrates) e, sobretudo, Platão, como achassem excessivamente grande à distância entre Deus e o homem, enchiam-na de Espíritos, considerando-os gênios tutelares dos povos e dos indivíduos e os inspiradores dos oráculos.

A alma preexistia ao corpo e chegava ao mundo dotada do conhecimento das idéias eternas. Semelhante à criança, que no dia seguinte há esquecido as coisas da véspera, esse conhecimento ficava nela amodorrado, pela sua união com o corpo, para despertar pouco a pouco, com o tempo, o trabalho, o uso da razão e dos sentidos. Aprender era lembrar-se; morrer era voltar a ponto de partida e tornar ao primitivo estado: de felicidade, para os bons; de sofrimento, para os maus. Cada alma possui um demônio, um Espírito familiar, que a inspira, com ela se comunica, lhe fala à consciência e a adverte do que tem que fazer ou que evitar. Firmemente convencido de que, por intermédio desses Espíritos, uma comunicação podia estabelecer-se entre o mundo dos vivos e os a quem chamamos mortos, Sócrates tinha um demônio, um Espírito familiar, que constantemente lhe falava e o guiava em todas as circunstâncias. “Sim, diz Lamartine, ele é inspirado, segundo o afirma e repete. Porque nos negaríamos a crer na palavra do homem que dava a vida por amor da verdade? Haverá muitos testemunhos que tenham o valor da palavra de Sócrates prestes a morrer? Sim, ele era inspirado…

A verdade e a sabedoria não emanam de nós; descem do céu aos corações escolhidos, que Deus suscita, de acordo com as necessidades do tempo.” O claro gênio dos gregos percebeu a necessidade de um intermediário entre a alma e o corpo. Para explicar a união da alma imaterial com o corpo terrestre, os filósofos da Hélade reconheceram a existência de uma substância mista, designada pelo nome de Ochema, que lhe servia de envoltório e que os oráculos denominavam o veículo leve, o corpo luminoso, o carro sutil. Falando daquilo que move a matéria, diz Hipócrates que o movimento é devido a uma força imortal, ignis, a que dá o nome de enormon, ou corpo fluídico.

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