Go to ...
Jornal de Ciência Espírita on YouTubeRSS Feed

29/03/2020

As Crenças Antigas: V – Pérsia


No antigo Irã, depara-se com uma concepção toda especial acerca da alma. Zoroastro pode reivindicar a paternidade da invenção do que hoje é chamado o “eu” superior, a consciência subliminal e, doutro ponto de vista, a paternidade da teoria dos anjos guardiões. É conhecida a doutrina do grande legislador: abaixo do Ser Incriado, eterno, existem duas emanações opostas, tendo cada uma sua missão determinada: Ormuzd tem o encargo de criar e conservar o mundo; Arimã o de combater Ormuzd e destruir o mundo, se puder. Há, igualmente, dois gênios celestes, emanados do Eterno, para ajudar a Ormuzd no trabalho da criação; mas, há também uma série de Espíritos, de “gênios”, de jerúers, pelos quais pode o homem crer que tem em si algo de divino. O ferúer, inevitável para cada ser, dotado de inteligência, era, ao mesmo tempo, um inspirador e um vigia: inspirador, por insuflar o pensamento de Ormuzd no cérebro do homem; vigia, por ser guardião da criatura amada do deus. Parece que os ferúers imateriais existiam, por vontade divina, antes da criação do homem e que cada um deles sabia, de antemão, qual o corpo humano que lhe era destinado.

A missão desse ferúer consistia em combater os maus gênios produzidos por Arimã, em conservar a humanidade. Após a morte, o ferúer se conserva unido “à alma e à inteligência”, para sofrer um julgamento, receber a sua recompensa ou o seu castigo. Todo homem, todo Ized (gênio celeste) e o próprio Ormuzd tinham o seu ferúer, o seu frawaski, que por eles velava, que se devotava à sua conservação. De certas passagens do Avestá se há podido deduzir que, depois da morte do homem, o ferúer voltava ao céu, para desfrutar ai de um poder independente, mais ou menos extenso, conforme fora mais ou menos pura e virtuosa a criatura que lhe estivera confiada. De todo independente do corpo humano e da alma humana, o ferúer é um gênio imaterial, responsável e imortal. Todo ser teve ou terá o seu ferúer. Em tudo o que existe, há um ferúer certo, isto é, alguma coisa de divino. O Avestá invoca o ferúer dos santos, do fogo, da assembléia dos sacerdotes, de Ormuzd, dos amschaspands (anjos celestes), dos izeds, da “palavra excelente”, dos “seres puros”, da água, da terra, das árvores, dos rebanhos, do tourogérmen, de Zoroastro”, “em quem, primeiro, Ormuzd pensou, a quem instruiu pelo ouvido e ao qual formou com grandeza, em meio das províncias do Irã.” Na Judéia, os hebreus, ao tempo de Moisés, desconheciam inteiramente qualquer idéia de alma. Foi preciso o cativeiro de Babilônia, para que esse povo bebesse, entre os seus vencedores, a idéia da imortalidade, ao mesmo tempo em que a da verdadeira composição do homem. Os cabalista, intérpretes do esoterismo judeu, chamam Nephesh ao corpo fluídico do Princípio pensante.

Por favor, avalie este artigo.

Tags: ,

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

More Stories From Artigos