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29/03/2020

As Crenças Antigas: IV – China


Porventura, em nenhum povo o sentimento da sobrevivência foi tão vivo quanto entre os chineses. O culto dos Espíritos se lhes impôs desde a mais remota Antigüidade. Cria-se no Thian ou Chang-si, nomes dados indiferentemente ao céu; mas, sobretudo, prestavam-se honras aos Espíritos e às almas dos antepassados. Confúcio respeitou essas crenças antigas e certo dia, entre os que o cercavam, admirou umas máximas escritas, havia mais de mil e quinhentos anos, sobre uma estátua de ouro, no Templo da Luz, sendo uma delas a seguinte:
“Falando ou agindo, não penses, embora te aches só, que não és visto, nem ouvido: os Espíritos são testemunhas de tudo.” Vê-se que, no Celeste Império, os céus são povoados, como a Terra, não somente pelos gênios, mas também pelas almas dos homens que neste mundo viveram. A par do culto dos Espíritos, estava o dos antepassados. Tinha por objeto, além de conservar a preciosa lembrança dos avós e de os honrar, atrair a atenção deles para os seus descendentes, que lhes pediam conselhos em todas as circunstâncias importantes da vida e sobre os quais supunha-se que eles exerciam influencia decisiva, aprovando-lhes ou lhes censurando o proceder.” Nessas condições, é evidente que a natureza da alma tinha que ser bem conhecida dos chineses. Confúcio não concebia a existência de puros Espíritos; atribuía-lhes um envoltório semimaterial, um corpo aeriforme, como o prova esta citação do grande filósofo:
“Como são vastas e profundas as faculdades dos Koúci-Chie (Espíritos diversos) ! A gente procura percebê-los e não os vê; procura ouvi-los e não os ouve. Identificados com a substância dos seres, não podem ser dela separados. Estão por toda parte, acima de nós, à nossa esquerda, à nossa direita; cercam- nos de todos os lados. Entretanto, por mais sutis e imperceptíveis que sejam, eles se manifestam pelas formas corpóreas dos seres; sendo real, verdadeira, a essência deles não pode deixar de manifestar-se sob uma forma qualquer.”

O budismo penetrou na China e lhe assimilou as antigas crenças. Continuou as relações estabelecidas com os mortos. Aqui está um exemplo dessas evocações e da aparência que toma a alma para se tornar visível a olhos mortais. O Sr. Estanislau Julien, que traduziu do chinês a história de Hiuen-Thsang, que viveu pelo ano 650 da nossa era, narra assim a aparição do Buda, devida a uma prece daquela santa personagem. “Tendo penetrado na caverna onde, animado de fé profunda, vivera o grande iniciador, Hiuen-Thsang se acusou de seus pecados, com o coração transbordante de sinceridade. Recitou devotamente suas preces, prosternando- se a cada estrofe. Depois de fazer uma centena dessas reverências, viu surgir uma claridade na parede oriental da caverna”.

“Tomado de alegria e de dor, recomeçou ele as suas saudações reverentes e viu brilhar e apagar-se qual relâmpago uma luz do tamanho de uma salva. Então, num transporte de júbilo e amor”, jurou que não deixaria aquele sítio sem ter visto a sombra augusta do Buda. Continuou a prestar-lhe suas homenagens e, ao cabo de duzentas saudações, teve de súbito inundada de luz toda a gruta e o Buda, em deslumbrante brancura, apareceu, desenhando se- lhe majestosamente a figura sobre a muralha. Ofuscante fulgor iluminava os contornos da sua face divina. Hiuen-Thsang contemplou em êxtase, durante largo tempo, o objeto sublime e incomparável de sua admiração. Prosternou-se respeitosamente, celebrou os louvores do Buda e espalhou flores e perfumes, depois do que a luz 99 extinguiu. O brâmane que o acompanhara ficou tão encantado quanto maravilhado daquele espetáculo. “Mestre, disse ele, sem a sinceridade da tua fé e o fervor dos teus votos, não terias presenciado tal prodígio.”

Essa aparição lembra a transfiguração de Jesus, quando se prostraram Moisés e Elias. Os Espíritos superiores têm um corpo de esplendor incomparável, por isso que a sua substância fluídica é mais luminosa do que as mais rápidas vibrações do éter, como poderemos verificar pelo que se segue.

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