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29/06/2017

A Resistência Por Backpacker


É preferível rejeitar dez verdades do que aceitar uma única mentira (Mieux vaut repousser dix vérités qu’admettre un seul mensonge), assegurou Erasto, um dos discípulos de Paulo de Tarso, que auxiliou na organização da Doutrina Espírita, junto à equipe do Espírito Verdade.

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Viver em coerência com os princípios espíritas não é uma das tarefas mais fáceis… é uma prova extraordinária de resistência.

Trata-se de uma batalha intelectual e moral consigo mesmo. Não basta ser inteligente e aplicar o conhecimento sob o juízo de más tendências morais. Por outro lado, não basta ser caridoso e altruísta, sendo joguete de influências externas que o conduzam de forma equivocada.

Observamos em nossa história grandes cientistas e inventores tendo suas ideias utilizadas como pretexto de poder e opressão. Como ilustração citamos Santos Dumont, que no vislumbre do progresso, viu sua invenção ser utilizada de forma massiva para guerras.

Da mesma forma, no movimento espírita, observam-se médiuns e estudiosos da doutrina caindo nas armadilhas ardilosas do atavismo religioso. Não existe infalibilidade mediúnica, assevera O Livro dos Médiuns. Onde deveriam existir facilitadores para o estudo sério da doutrina, emergem seguidores fanáticos das ideias de supostos mentores, que são idolatrados sem o concurso da crítica construtiva.

Conhecimento é poder…diz a assertiva do filósofo político Thomas Hobbes. Mas para que fim devemos utilizar este poder? Para a estagnação da vaidade ou para o progresso da humanidade? Para um presunçoso estado de prepotência ou para a lapidação da verdadeira sabedoria?

Nos acostumamos a dizer que moral não se prega, se exemplifica. Prega-se, ou melhor, orienta-se, aquilo que já é sinalizado por nossas atitudes. A frase é inconfundível, não basta defender os axiomas espíritas com unhas e dentes e não vivê-los no nosso íntimo.

É preciso portanto, alcançarmos o equilíbrio entre a razão e a emoção, ou seja, entre o conhecimento e o sentimento. De que adianta a intenção sem o mínimo de instrução? De que vale a instrução sem um resquício de compaixão?

Educação é a chave do progresso, dizia Kardec, a premissa para resolução de todos retrocessos e causas atuais e pretéritas de aflições. A alavanca para a verdade por fim, começa em nós, em nossas escolhas, na busca contínua pelo aprimoramento intelectual e moral.

Carl Sagan nos ensinou que lidar com a verdade é sempre intrigante, mas que pode levar algum trabalho para encontrá-la. Pode ser contra intuitivo. Ela pode contradizer preconceitos que estejam profundamente arraigados em nós. Pode não ser consonante com o que nós queremos desesperadamente para ser verdade. Disse ainda, que nossas preferências não determinam o que é verdade.

Finalizo com um trecho de Fénelon, no item Instruções dos Espíritos em O Evangelho Segundo o Espiritismo, o qual serve de alerta, chamamento e incentivo para essa batalha que perdurará para todo sempre. Que cada vez mais nos capacitemos para este desafio.

A revolução que se prepara é mais moral do que material. Os grandes Espíritos, mensageiros divinos, insuflam a fé, para que todos vós, obreiros esclarecidos e ardentes, façais ouvir vossa humilde voz. Porque vós sois o grão de areia, mas sem os grãos de areia não haveria montanhas. Assim, portanto, que estas palavras: “Nós somos pequenos”, não tenha sentido para vós. A cada um a sua missão, a cada um o seu trabalho. A formiga não constrói o seu formigueiro, e animaizinhos insignificantes não formam continentes? A nova cruzada começou: apóstolos da paz universal, e não da guerra, modernos São-Bernardos, olhai para a frente e marchai!

A lei dos mundos é a lei do progresso.


REFERÊNCIAS CONSULTADAS

KARDEC, A. O Evangelho Segundo o Espiritismo. In: Instruções dos Espíritos. Pág. 54 – Fénelon em Poitiers, 1861. Editora LAKE, tradução de. Herculano Pires. Paris, 1864.

KARDEC, A. O Livro dos Médiuns. In: Cap XX Influência Moral do Médium. Pág. 54 – Fénelon, Poitiers, 1861 Editora LAKE. Tradução de J. Herculano Pires da segunda edição Francesa de Didier et Cie., Libraires-Éditeurs. Paris, 1862.

SAGAN, C. Cosmos. Editora Gradiva, 1980.

Sugestão musical: Resistance (Muse)

Disponível no topo da página 

Obs: O verbo Muse significa refletir, matutar, pensar, questionar, atributos que devem ser inerentes a todos que se intitulam como espíritas.

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One Response “A Resistência Por Backpacker

  1. 03/02/2016 at 20:01

    ERRATA: Erasto era discípulo de Paulo de Tarso, não de Kardec, como havia sido publicado anteriormente.

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