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25/04/2017

A reencarnação de Allan Kardec


Diz o Dr. Juiz Weimar: – O que me levou a organizar este novo livro ‘A Volta de Allan Kardec‘ foi a admiração pela pessoa do médium e o cultivo das obras de que fora dócil medianeiro, em confronto com a Codificação de Allan Kardec. Foi isso que me levou, irresistivelmente, à pesquisa e à análise de ambas

Digo eu, Moura Rêgo: “Se realmente houve um isento estudo, há de se considerar a infiltração tanto do teor de amizade quanto o de admiração do Magistrado pela figura do Chico. Só este ponto já configura um eivo de importante natureza, já que por ele perde-se a necessária cautela e tem-se turva a visão para fatos dos mais simples em teor doutrinário, tal como:

1 – Reza a codificação, na obra O Evangelho Segundo o Espiritismo, em seu item II da Introdução (Autoridade da Doutrina Espírita) que, para que uma afirmação seja feita em moldes de doutrina esta terá de contar o crivo da validação dado pelo controle Universal. Ao que me consta, o magistrado não fez nenhuma evocação, nem mesmo o bom médium, por ele denominado Antonio Baduy Filho. Logo, tal afirmação que deu origem até a livro, morre soterrada pela imprecisão doutrinária de que é vítima. Não passa de opinião pessoal tanto do médium como do excelentíssimo Sr. Dr. Juiz de Direito e presidente da FEEGO, nem mais nem menos. Tal fato, porém, não diminui o valor que para o Sr. Dr. Juiz de Direito, tenha a figura do Chico, mas daí a proclamá-lo a “Reencarnação de Kardec, que me desculpe o Magistrado, vai longe demais, e proclamar investindo-se em título alienígena ao cenário de doutrina, é, por mais que esse título seja verdadeiro, do qual não duvido e até confirmo, no mínimo utilização indébita, não do usuário, mas como fim de dar maior importância ao feito;

2 – Diz o Dr. Weimar: ‘De acordo com Allan Kardec, há argumentos que a si mesmo se repelem. Ao largo da pesquisa, realizada com inaudito esforço e tenaz perseverança, os fatos se multiplicaram, acompanhados sempre dos indispensáveis pressupostos de racionalidade e elevado senso crítico, a partir dos fatos, encontrados a mancheias não apenas em Obras Póstumas, na Revista Espírita e nas Obras Básicas, mas também noutras publicações de que é fértil a Literatura Espírita, nas biografias dos dois personagens pesquisados: Allan Kardec e Chico Xavier…’

Digo eu, Moura Rego: – Para quem não se deu por achado, a obra “Obras Póstumas” aparece no cenário não como uma obra básica, mas como uma compilação feita por Amélie Gabrielle Boudet, a Sra. Rivail, ou como queiram, Kardec. Amélie nunca foi espírita, nunca se dedicou ao estudo da doutrina que seu marido por quase doze anos recebeu de ensinamentos de Espíritos Reveladores e que se espraia nessa obra impressionante que conhecemos como Doutrina Espírita.

Ora, a compilação feita por Amélie trás ao povo Espírita uma carrada de documentos e destes, muitos que ainda não haviam passado pelo C.U.E.E., por isso não pode ser considerada obra básica. Quem lê a fala do Sr. Dr. Juiz de Direito, sem o necessário apuro doutrinário, não encontrará incorreção na citação diferenciada que este faz entre as obras Revista Espírita e Obras Básicas, mas àquele que se deu ao azo de abrir o Livro dos Médiuns – Manual dos Médiuns e dos Evocadores – este uma das Obras Básicas, no cap. 3, ao ítem 35, encontra lá, grafado à maneira de não deixar nenhuma dúvida, a instrução, – Revista Espírita -, nominada como tal, Obra Básica, daí o meu não entender dessa diferenciação proposta na escrita do Dr. Weimar. Notem todos, não estou aqui para falar mal, nem desdizer o que o Sr. Dr. Juiz de Direito da Comarca de Goiânia disse, o problema é dele, não meu. Mas é meu direito e este considero inalienável, proceder a justa explanação sobre incorreções que, se não foram dadas ao conhecimento de todos, acabar-se-á ‘comprando gato por lebre’, como se diz no jargão popular.

Ainda fica no ar da incorreção a afirmação de que haja uma ‘fértil publicação de obras Espíritas’. Não, não há.  O que existe é uma avalanche de obras que tratam da temática espiritualista, mas isso é outra coisa, são ‘cinco mil réis de mel coado’, como diriam os antigos, literatura espírita, sob os auspícios do C.U.E.E. só a conhecida como Obras Básicas; as outras, e aqui só me remeto às de boa monta, são as que falam sobre a doutrina, pois a grande maioria, além de não dizer nada sobre a doutrina, desta desconhece. Explico nesse momento que  –  falar sobre  –  representa falar-se sobre algo que se não conheça e do qual se tenha o respaldar; no caso da literatura espírita, esta, para ser considerada como espírita, deverá ter seu embasamento na Doutrina Espírita e não no que ‘eu acho”, ou “eu quero’, ou ainda no “eu entenda ser” Doutrina Espírita. Entendam-me bem, por favor, falo no sentido doutrinário, somente neste teor é que escrevo estas linhas.

A mim me preocupa, profundamente, a afirmação, ou, como ele mesmo diz, proclamação, de que Chico fosse a reencarnação de Kardec, mais ainda quando se procura dar mais peso à afirmação proferida, pelo preto da toga, pois afinal, no frigir dos ovos, a doutrina ensinada pelos Espíritos ao Mestre de Lyon, não necessita nem de togas nem de batinas, necessita, sim, e isso é ponto capital assinalado pelo Codificador, do controle da razão de outro, e este vindo dos Espíritos e que lhe dá sustentação e validade como doutrina Espírita, o C.U.E.E. Uma pena, porém, se formos procurar, não há uma só palavra, um só til que contenha o controle instituído pelos Espíritos, e necessário, diria eu, como condição ‘sine qua non’, para que qualquer escrita seja doutrinária, isso se falarmos em termos de doutrina, esclareço. A meu entendimento, e custo a crer no que penso, reeditamos uma página já manchada pelo bolor dos velhos tempos, escrita que foi pelo insigne advogado de Bordéus, Jean Baptiste Roustaing, este que a auto intitulada ‘Casa Mater’ diz ser o ‘Curso superior de Espiritismo’, demonstrando bem a intrusão de matéria alienígena e sem nenhum dos controles preconizados pelos Espíritos e pelo Codificador, no item 2 da Introdução ao Evangelho s/o Espiritismo.

Amigos, quando se começa a crer no que um só médium diga ou escreva; quando não se sopesa, diante dos livros de doutrina, qualquer afirmação já feita ou que se esteja a ponto de fazer, a coisa começa a ficar difícil, pois este é o caminho mais perfeito para a idolatria e a fabricação de ícones, que já os vemos tantos a meio de nosso ‘pobre movimento espírita’, para lembrar as sábias palavras de José Herculano Pires. Ler calado, aceitar sem pesquisar ou debater, é permanecer-se na ‘paz de pantanal’, mantendo a superfície das águas da compreensão numa espécie de tranqüilidade que lhe esconda os redemoinhos que turbam o entendimento de muitos. É triste, mas ainda vemos desse tipo de cometimentos em nosso meio…”

Artigo reproduzido do Portal O Franco Paladino – Leia o original clicand aqui.

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