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27/04/2017

A Colaboração dos Espíritos CARLOS DE BRITO IMBASSAHY


Não se pode separar o conceito doutrinário do todo para uma das partes: ele vale, no caso do Espiritismo, para seu tríplice aspecto e, como Doutrina dos Espíritos, não há que duvidar que a unanimidade das informações que trazem até nós, em qualquer parte do mundo, é que fundamenta seus princípios e neles incluídos os religiosos.

A Codificação é única e fundamenta-se nas obras de Kardec. Qualquer inovação que não seja coerente com seus postulados e que se restrinjam a grupos, não representa o Espiritismo. Não se admitem diversificações como Espiritismo-cristão (o roustaingismo), Espiritismo Ciência[1], Espiritismo de Mesa, Alto Espiritismo – principalmente estes últimos, por serem aberrações – e que mais, com introdução de obras inovadoras que modifiquem seus conceitos ou que introduzam novas idéias que não tenham o amparo no fenômeno, na sua comprovação ou na razão.

Só há um e único Espiritismo, o codificado por Allan Kardec.

Também não é válido diversificar as partes do tríplice aspecto, moldando aquela que não agrade porque Doutrina é um todo sem mutilações. Até mesmo as presente s considerações estão sujeitas ao mesmo crivo.

Nenhuma corrente doutrinária anterior a Kardec pode ser tida como sua predecessora: o Espiritismo nasceu com Kardec e, pelo fato de ser mediunista, nenhuma outra similar poderá ser considerada espírita; este neologismo nasceu para definir apenas o que advém da análise do mestre lionês atualizado pelos novos conhecimentos que o homem adquira, sempre coerente com sua base e nunca diversificado dela. Portanto, não existe Espiritismo antes de Allan Kardec.

O fundamento doutrinário do Espiritismo, sem dúvida está inserto no primeiro livro escrito pelo codificador, que é O Livro dos Espíritos (LE), um acervo geral que mostra, a partir de Deus e da Criação, todo o aspecto filosófico-religioso dos ensinamentos dos Espíritos.

Segue-se a ele O Livro dos Médiuns (LM) que contém os principais tópicos da fenomenologia e esgota o assunto com grande profundidade de conhecimento; é, assim, o segundo mais importante livro da codificação porque nos dá o conhecimento do processo de intercomunicação com o Além. Como tal, é, sem dúvida, o tratado científico da fenomenologia dita paranormal.

Contudo, o livro onde Kardec conceitua a doutrina dos espíritos é o mais ignorado por todos porque estabelece fundamentos que contrariam muita tendência religiosa existente. É ele O Que é o Espiritismo, onde define, sem contestações, o que vem a ser a obra por ele codificada, exemplificando sua explanação e estabelecendo seus princípios.

Reponde a uma série de indagações; nele, Kardec confirma a existência da parte religiosa, afirmando categoricamente, em diálogo com um padre, que a Codificação possui todos os fundamentos religiosos essenciais para substituir qualquer outra religião, como será dito adiante. E é, segundo o próprio Kardec, a principal obra dele, neste campo.

O quarto livro, sem ser considerado básico, O Evangelho Segundo o Espiritismo (ESE), estuda um pouco da filosofia do Novo Testamento, mostrando a beleza dos ensinamentos de Jesus, chamando a atenção para algumas sérias contradições de prováveis interpolações havidas no interesse à manipulação dos que pregavam um Cristianismo conveniente a eles. É polêmico e diverge dos que aceitam a Bíblia na íntegra, sem qualquer análise. Este livro encerra, apenas parte da moral espírita, mas era por demais importante à época porque toda sociedade européia estava enraizada nos fundamentos ditos cristãos e repudiaria qualquer outra ideia que não se estribasse nesses princípios. Além disso, nos fala do Cristo, nosso guia, a quem seguimos.

Contudo, até hoje, muitos adeptos ou possíveis seguidores do Espiritismo não conseguiram se libertar dos liames eclesiásticos e ainda mantêm a ideia do perjúrio e do pecado contra Deus o fato de divergir das Escrituras Sagradas. É o desconhecimento doutrinário.

Ainda, numa abordagem religiosa, vamos encontrar o quinto livro, O Céu e o Inferno, falando a respeito da Justiça de Deus sem as contrastantes conotações da Teodicéia e, apesar disso, é a obra menos conhecida pelos ardorosos adeptos da parte religiosa do Espiritismo, até mesmo nos que tentam transformar a Codificação em mais uma seita cristã, senão, estes tomariam uma outra posição, antagônica ao seu evangelhismo canônico.

Complementando a série de livros tem-se A Gênese, por demais polêmico e Obras Póstumas, como o próprio nome indica, publicada após o desencarne do seu autor.

Não pára aí, contudo, o trabalho da Codificação. Kardec reformulou alguns pontos, ampliou outros através de uma série de artigos editados em vários periódicos, destacando-se a Revue Spirite que ele próprio geriu. E desses artigos, vários foram os livros editados, juntando assuntos, como é o caso do Desobsessão, impresso pela Federação Espírita da Bélgica.

É preciso que se conheça toda essa matéria para que se possa ter uma ideia do que seja a Codificação. Assim nasceu o Espiritismo hoje acrescido de um sem número de depoimentos dos mais diversos observadores, alguns, até, inteiramente insuspeitos porque não eram seguidores de Kardec nem desejavam sê-lo. Só que nenhum deles conseguiu implantar novos princípios, até mesmo cientificamente, capaz de interferir nas bases doutrinárias; e note -se que, ao tempo de Kardec, segunda metade do século XIX, os ditos conhecimentos científicos eram parcos em relação ao que hoje se sabe; ainda se tinha a molécula como indivisível.

A comprovação dos fatos, a verdade de suas teses, o rigor da análise e uma fenomenologia que resiste às pesquisas até de fraudadores, formam o pedestal onde assentam os ensinamentos dos Espíritos e é nisso que reside a confiança de suas mensagens.

O mistificador por si só se trai e torna-se fácil bani-lo do meio.

Muita coisa já existia, quando Léon Hyppolite Denizard Rivail, o grande educador, discípulo emérito de Pestalozzi, foi convocado à sua missão na Terra. Ele era professor de renome, mestre em metodologia e autor da primeira gramática da língua sob forma didática, para sua aprendizagem. Não podia supor que acabasse se envolvendo com aqueles fenômenos de mesinhas girantes que possuíam personalidade, inteligência e capacidade informativa.

A pureza d’alma e a honestidade foram os predicados que levaram este mestre que adotou o pseudônimo de Allan Kardec a aceitar as comunicações mediúnicas e as determinações dos mentores espirituais atribuindo-lhe a função codificadora. A literatura a esse respeito é vasta.

Na época de Kardec, na Europa, imperava a Igreja, que ditava os princípios religiosos, do que, a sociedade não podia afastar. A Santa Inquisição deixara marcas indeléveis e não se podia fugir a seus princípios sem escandalizar a sociedade. A imagem de Jesus crucificado representava o Senhor na Terra, dogma que não podia ser contestado. E, apesar da liberté, egalité et fraternité, ainda, na França imperava ou crê ou morre, se não na fogueira, pela condenação social. Assim mesmo, este país é tido como o mais liberal entre os demais.

Jesus era Deus na Terra e seus signatários de alguns países europeus pregavam sua doutrina à moda de seus interesses, manipulando a lei de Deus de forma que fossem os grandes detentores das pseudodeterminações emanadas do Criador. Eram senhores absolutos da fé e da crença; mandavam no Céu e determinavam na Terra e o condenado não alçaria aos páramos celestes. E todos criam; e todos temiam. O medo ao desconhecido ajudava a impor esse regime.

Pobre Jesus, que veio ensinar o bem, o amor e a misericórdia, transformado em aval ao despotismo.

Tornava-se preciso que surgisse algo sem ferir tais preceitos, que fosse capaz de abalar a sociedade, chamando sua atenção para a verdade das coisas o que talvez tenha levado Kardec a acomodar certos pontos doutrinários.

O ranço do falso cristianismo imposto pelas castas dominantes que acabaram se transformando em religiosas, legando-nos o que hoje existe, foi tão prepotente que impôs à razão os seus preceitos e que imperam até então. As palavras de Jesus foram modificadas, em parte, pela conveniência, outras foram devidamente supressas e algumas que mais acrescentadas para que o Cristianismo pudesse representar os interesses das castas dominantes e que acabaram se tornando as senhoras poderosas da religião.

A Igreja de Pedro, inicialmente condenada às catacumbas, tendo seus adeptos perseguidos pelos poderosos, foi assimilada por Constantino, o grande, de Naissus (306), imperador romano que a adaptou às necessidades do império, em vez de transformar seu poder público pelas benesses dos ensinos legados pelo Mestre da Galiléia.

Enfim, a deturpação tomando conta da ideia, daí a necessidade do Consolador Prometido, para reconstituir a verdadeira doutrina do Cristo e essa reconstrução veio através das mensagens mediúnicas e dos ensinamentos através delas trazidos pelos grandes mentores.

E esses Espíritos Superiores falam de Jesus como luminar e como mensageiro do Alto para ensinar o amor às criaturas, como mentor em quem se inspiram e a quem servem como discípulos na Espiritualidade. Esse, porém, é o lado filosófico da nossa existência.

É o que muitos chamam de “Cristianismo redivivo”.

A confusão religiosa não tem limites: várias são as correntes de pensadores dentro de um mesmo grupo ou linha de pensamento e cada qual, julgando-se infalível, tenta impor sua “verdade” como absoluta, do que não escapa o meio espírita. Dentro dele vamos encontrar os que combatem a parte científica, alegando que a era da fenomenologia espírita já passou; esquecem-se de que os fenômenos existem, existiam e existirão por toda a eternidade da nossa vida, independentemente da sua natureza e os paranormais não fazem exceção.

Além disso, o progresso caminha a passos largos e as descobertas no campo espirítico nos são deveras favoráveis, ampliando os conhecimentos e, cada vez mais, comprovando os estudos do mestre lionês.

Outros são radicais e querem banir a parte religiosa do Espiritismo, alegando (ou confundindo) que religião seja uma seita com dogmas, rituais, c ultos, sacerdotes, infalibilidades, enfim, tudo aquilo que Kardec provou que não tem fundamento nem necessidade para se compreender Deus, não pelo lado filosófico da vida, mas por sua Criação e interligá-Lo a ela, o que nem a ciência nem a filosofia o faze m. Portanto, a religião é, sem dúvida uma parte integrante do tríplice aspecto do Espiritismo e é este o campo que será desenvolvido no presente trabalho, mostrando sua facetas na tentativa de banir as incoerências, e purificar os conceitos pelo conhecimento da Verdade.

Eis, pois, o motivo pelo qual a parte religiosa do Espiritismo existe sem dogmas, sem mentores absolutos, sem infalibilidades, residindo na coerência das informações e na sua universalidade. Não é uma religião estruturada, senão, uma parte c orrelata com o estudo relativo ao Criador, sua obra e seus fundamentos.

Essa parte religiosa do Espiritismo não é o evangelhismo que muitos tentam impor, nem tampouco tem fundamento nesse Cristianismo como é infligido por herança dos imperadores através da s Igrejas tradicionalistas ou mesmo, as transformadas que insistam em se manterem no mesmo pedestal estabelecido pelos antigos Poderes constituídos em Estados. Não parte da premissa de que Cristo seja Deus nem que Jesus seja o filho de Deus na Terra, formando com um Espírito Santo uma santíssima trindade na qual uma só pessoa é verdadeira, ferindo todos os princípios matemáticos existentes.

Contudo, o que advém dos ensinamentos evangélicos, verdadeiramente cristãos, está contido no livro de Kardec, com toda sua pureza, com toda sua beleza, expressando uma filosofia de vida, como já foi dito, mas que só fala em parte nos preceitos religiosos por nós adotados.

Esta é a contribuição dos Espíritos; cabe agora, a nós, que também somos espíritos só que encarnados, dar prosseguimento à nossa parte porque nós, encarnados, é que somos os grandes responsáveis pelos acontecimentos terrenos e, como tal, pelo conhecimento doutrinário.

E é bom lembrar que o processo encarnatório é uma necessidade: para uns como resgate de seus erros, para outros, missão; de uma forma ou de outra, cada qual dá sua contribuição à formação social do mundo e é responsável pelo seu progresso.

É preciso que se pense nisso antes de achar que, sendo a Doutrina dos Espíritos, só eles sejam os responsáveis pelo seu progresso e capazes de ditar seus preceitos.

A verdade será sempre a verdade.

Por Carlos de Brito Imbassahy na Obra: E Deus, Existe?

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NOTA do Editor

1 – Não existe Ciência Espírita sem que ela esteja acompanhada da Filosofia de Consequências morais. Filosofia Espírita ou Ciência Espírita separadas seriam incompletas e não dariam ideia precisa sobre a Doutrina Espírita que contém estes aspectos. O Jornal de Ciência Espírita, objetiva chamar atenção e resgatar o aspecto científico , mas jamais ignorando ou suprimindo os demais.

Por favor, avalie este artigo.

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One Response “A Colaboração dos Espíritos CARLOS DE BRITO IMBASSAHY

  1. Simon Baush
    02/03/2016 at 17:02

    Por mais que o excesso de religiosidade ou credulidade pode afetar negativamente a compreensão do Espiritismo e a sua prática na sua feição atual, acredito ser arbitrário apontar algum tipo de excesso, cometendo outro no sentido oposto.

    Além de confundir Espiritismo cristão (sem -) com o Roustaingismo, o autor esta em contradição direta com a Codificação:

    “A bandeira que desfraldamos, bem alto é a do ESPIRITISMO CRISTÃO e humanitário…” (Kardec em “O Livro dos Médiuns” pág. 434, ED. FEB)
    “O ensino dos Espíritos é eminentemente CRISTÃO” (Kardec em “O Livro dos Espíritos”, pág. 152, FEB)
    “O verdadeiro espírita como o verdadeiro CRISTÃO são a mesma coisa” (Kardec em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, pág. 223, IDE)

    Sem duvida alguma, não estamos vendo aqui “Kardec a acomodar certos pontos doutrinários” com a religiosidade da época, mas firmando a base sólida da sua Doutrina.

    A afirmação “Só há um e único Espiritismo, o codificado por Allan Kardec.”, representa uma tendencia puramente brasileira, enquanto as obras do Léon Denis e Gabriel Delanne, entre outros, faziam parte integrante da revelação espírita na França. A Codificação claramente se posiciona acima das outras em termos de referencia, mas o exclusivismo categórico da afirmação acima deixa muito a desejar, além de estar em contradição com Kardec: “Mas os que desejam conhecer completamente uma ciência devem ler necessariamente tudo o que foi escrito a respeito, ou pelo menos o principal, não se limitando a um único autor.” (Kardec em “O Livro dos Médiuns”, pág 27, Trad J. Herculano Pires, LAKE)

    Ao afirmar que “Nenhuma corrente doutrinária anterior a Kardec pode ser tida como sua predecessora: o Espiritismo nasceu com Kardec e, pelo fato de ser mediunista (termo não-espirita), nenhuma outra similar poderá ser considerada espírita”, o autor demostra, além de um sectarismo tipico dos fariseus, um preocupante desconhecimento ou negação das origens do Espiritismo. Toda doutrina tem, de alguma forma, uma predecessora, e não poderia ser diferente com o Espiritismo pelo motivo seguinte: Revelações não vem do homem, mas do mundo espiritual, que existe desde que existe homens. O Espiritismo é a continuação lógica dos ensinos das escolas de mistérios do Egito, da Grécia, e de todas as correntes esotéricas do passado. Se queremos nos apegar exclusivamente à palavra ‘Espiritismo’, sem dúvida encontramos a sua origem na França do século 19. Mas o que seria o Espiritismo sem a fenomenologia, a mediunidade, os ensinos morais e filosóficos dos Espíritos, enfim, toda a sua essência? Apenas uma palavra humana..

    Mais além no artigo, lemos “O quarto livro, sem ser considerado básico, O Evangelho Segundo o Espiritismo (ESE), (…) encerra, apenas parte da moral espírita, mas era por demais importante à época (…)” Com um tom pejorativo que abeira-se do desdém , o autor demostra desconhecer o objetivo principal do Espiritismo: “Não vos esqueçais de que o fim essencial e exclusivo do Espiritismo é a vossa melhora. (…) Esse é, em suma, o objetivo atual da revelação.” (O Livro dos Médiuns, pág. 205, Trad J. Herculano Pires, LAKE)

    Outro erro ou ignorância dos fatos encontra-se em “Na época de Kardec, na Europa, imperava a Igreja, que ditava os princípios religiosos, do que, a sociedade não podia afastar.” De fato, a Igreja na França do século 19 encontrava-se seriosamente enfraquecida depois da Revolução Francesa, que efetivamente a separou do poder estatal.

    Em conclusão, não é deste tipo de artigo, contraditório e eminentemente anti-religioso, que a ciência espirita precisa. Artigos mais relevantes, estudos científicos e sua implicações filosóficas, longe do sectarismo improdutivo que em nada acrescenta à Doutrina Espirita.

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